American Gods começou bem

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O primeiro episódio da série inspirada no primeiro romance de Neil Gaiman fez valer a espera – escrevi sobre ele no meu blog no UOL.

Se havia motivos para desconfiar da adaptação do primeiro romance de Neil Gaiman, American Gods, para o formato seriado, estes desaparecem em seu primeiro episódio, que estreou no domingo nos Estados Unidos e pode ser visto desde ontem no mundo inteiro pelo serviço Prime de vídeos da loja Amazon. O episódio piloto do seriado não aprofunda-se em nenhuma história, funciona apenas para sintonizar os novos espectadores em um novo universo bem como prestar satisfação ao séquito de fãs do autor, uma religião que começou quando ele escrevia sua minissérie em quadrinhos Sandman e que amadureceu com sua passagem para o mundo dos livros. Abaixo comento sobre seu primeiro episódio sem dar maiores spoilers sobre o seriado.

American Gods fala sobre como os deuses do passado se perderam com a mudança dos povos da Europa para os Estados Unidos e como o nascimento de um novo país viu surgir deuses característicos de lá. Mas o embate entre o velho e o novo, mola-mestra para os acontecimentos do livro, ainda não é aprofundado neste episódio de abertura, apenas sugerido – e só perto da cena final. Antes disso, somos apresentados aos seus dois principais personagens, além de conhecermos três divindades distintas, em situações diferentes.

Não sem antes começar no passado. American Gods acena para os fãs de Game of Thrones logo em sua primeira cena, resgatando a chegada dos vikings à América pré-colombiana numa sequência de imagens que mostra que a série não está para brincadeira. O tom pesado e cru da primeira história contada no episódio pode nos ter apresentado discretamente um de seus principais personagens, mas funciona mais como termômetro lógico e cênico do que como introdução à história em si.

Esta começa com a libertação do personagem Shadow Moon (um ótimo e quieto, como deve ser, Ricky Whittle), que é solto da cadeia apenas para descobrir uma dura surpresa do destino. Em seu desdobramento, ele é acompanhado de perto de um intrigante Wednesday, um personagem que parece ter sido escrito para seu intérprete, o excelente Ian McShane. Os dois formam uma dupla perfeita no momento em que se encontram e é nesse vínculo que reside toda a força da narrativa do livro. Se o embate mitológico que é apenas mencionado no primeiro episódio é o motivo da história existir, o elo formado entre os personagens de Whittle e McShane é o motivo de continuarmos a acompanhando e o grau de empatia da dupla está à altura daquele imaginado por Gaiman (que, por sua vez, é consultor e produtor executivo do seriado).

Além da dupla, também conhecemos outros três deuses: o fanfarrão Mad Sweeney vivido por Pablo Schreiber em uma briga em um bar que parece ter saído de um filme de David Lynch (Coração Selvagem, especificamente); o pentelho Technical Boy vivido por Bruce Langley (e seus capangas saídos do Laranja Mecânica) e a intensa Bilquis vivida por Yetide Badaki, protagonista da principal cena do primeiro episódio, uma das cenas mais antológicas do livro. Os três seguram bem seus personagens e, assim, o seriado explora diferentes fronteiras em um mesmo episódio.

E é tudo muito pesado – e quente. Sexo e violência coexistem como é a tendência em alguns dos principais seriados atualmente, mas ambos são abordados por vias pouco ortodoxas. E é exatamente essa abordagem incomum – compare os três banhos de sangue do episódio e perceba como eles são distintos – que torna o piloto tão instigante. Agora é hora de começar a contar a história.

Para começar American Gods

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Abertura do seriado inspirado no primeiro romance de Neil Gaiman mistura religião, mitologia e tecnologia – publiquei-a lá no meu blog no UOL, além de mais informações sobre a série que estreia no final do mês.

Uma das séries mais esperadas de 2017 estreia no final deste mês. Inspirado no romance de estreia de Neil Gaiman, o seriado American Gods vem ganhando aplausos festejados onde seu primeiro episódio foi exibido – não apenas pela fidelidade ao tom da obra original mas também por aspectos específicos da produção, que parece ter reforçado a tensão entre o velho e o novo que atravessa todo o livro. Este clima é reforçado nos créditos de abertura, que misturam elementos de diferentes culturas, religiões, drogas e tecnologia para criar um totem pós-moderno em que pirâmides, deuses orientais, estátuas de Buda, néons de Las Vegas e um astronauta crucificado. Assista:

“É esquisito querer usar bonequinhos na sequência dos créditos de abertura?, brincaram os principais produtores do seriado Bryan Fuller e Michael Green sobre o resultado final. American Gods conta a história de um conflito entre os deuses do passado, que estão morrendo à medida em que menos pessoas acreditam neles, e os do futuro, pessoas que epitomizam novas crenças que ultrapassam a religião tradicional, como o dinheiro, a mídia e a tecnologia. Já existem dois trailers em que a história começa a ser revelada e eles instigam até aqueles que não conhecem o livro de Gaiman (que, a propósito, está envolvido com a produção do seriado):

A série estreia no dia 30 de abril no canal norte-americano Starz e no dia seguinte através do serviço de vídeos online Amazon Prime e a produção também liberou pôsteres com alguns dos deuses que desfilarão por seus episódios:

Sobre a importância de Deuses Americanos

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Escrevi para a editora Intrínseca sobre a edição do autor do primeiro romance de Neil Gaiman, Deuses Americanos, que vira série no ano que vem, e que ainda não teve seu impacto medido.

A nova mitologia de Deuses Americanos

Ainda não chegou o tempo em que olharemos para trás e reconheceremos que Deuses americanos foi um marco na literatura fantástica mundial. O livro que lançou a carreira de Neil Gaiman como escritor para além dos quadrinhos completa quinze anos em 2016, e sua adaptação para série de TV já está sendo filmada e estreia em 2017. O aniversário traz de volta a versão integral que Gaiman mandou a seu primeiro editor, que podou dezenas de páginas. Nessa Edição Preferida do Autor as páginas extras são resgatadas, além de outros textos de Gaiman sobre o livro, como uma nova introdução e uma entrevista.

Em Deuses americanos, Gaiman explora a possibilidade de mitologias acompanharem seus povos em migração. A história se passa na virada do milênio, mas também volta no tempo para mostrar os Estados Unidos em formação, explicando como cada povo e cada tribo deixou a Europa rumo à América levando consigo suas crenças — e como estas foram se transformando no novo continente, que, ao mesmo tempo, via o nascimento de novos deuses.

Assim como acontece na extensa saga em quadrinhos Sandman, publicada entre 1989 e 1996, a sombra que Deuses americanos projeta sobre a fantasia atual ainda está em lento crescimento, sendo apresentada a novos públicos e espalhando-se para além daquele momento inicial de seu lançamento.

Na nova introdução, Neil Gaiman explica que concebeu o título do livro antes mesmo de saber sobre o que escreveria. E, ao apresentá-lo para sua editora, recebeu de volta uma capa já pronta com a clássica imagem do relâmpago ao longe, no horizonte de uma estrada. A imagem icônica surgiu antes mesmo de Gaiman determinar exatamente qual história queria contar e qual tom daria à nova saga.

De certa forma, Deuses americanos pode ser visto como uma continuação do universo que Gaiman começou a explorar em Sandman, embora por outro ponto de vista. Com a série da DC Comics, o autor britânico escolheu um personagem de terceiro escalão da editora e foi em sua essência, descobrindo que o nome Sandman estava vinculado ao personagem do sonho em todas as mitologias. Criou um universo no qual sete irmãos — os Perpétuos — atravessam todas as narrativas da história humana. Eles são entidades que existem desde a aurora dos tempos — Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio (todos com D, em inglês) — e cuja interação afeta diretamente a vida dos seres humanos. Sandman era um enorme xadrez da eternidade, em que diferentes deuses e personagens fantásticos brincavam com a mortalidade humana.

Deuses americanos nos faz ver esses universos mitológicos do ponto de vista mortal. O protagonista, Shadow, cruza os Estados Unidos de carro em busca de divindades de outras culturas que estiveram na base da formação do país, mas que aos poucos foram perdendo a importância, ao mesmo tempo em que viram o nascer de novos deuses, aqueles que batizam o livro. E, mesmo que tenha uma história fechada, o universo de Deuses americanos acabou por invadir e dar origem a outros livros de Neil Gaiman, que aos poucos vai desenhando seu próprio universo ficcional.

A adaptação do livro para a TV amplia ainda mais as fronteiras desse universo. A princípio produzida pela HBO, a série passou para o canal fechado Starz e conta com nomes como Bryan Fuller (da série Hannibal) e Michael Green (que fez Heroes e Kings e atualmente produz Gotham e escreve a continuação de Blade Runner), além do próprio Neil Gaiman, que acompanha de perto o projeto desde o início. Gaiman já admitiu ter participado do roteiro dos primeiros episódios da série, que teve seu primeiro teaser exibido — e recebido com aplausos — na Comic Con de San Diego deste ano, o principal evento de cultura pop do mundo.

Ao chegar à TV durante uma grande entressafra que coincide com a fase final do fenômeno de fantasia Game of Thrones, há uma grande chance de a série encontrar um público ávido por novas histórias que misturem mitologia e realidade. Em Deuses americanos, assim como em toda obra de Neil Gaiman, os fãs encontrarão um enorme manancial de contos, fábulas e épicos.

Mas ainda há muito pela frente. Outras obras fantásticas — como O senhor dos anéis, Harry Potter e o próprio Game of Thrones — só atingiram o auge da popularidade quando saíram do papel e chegaram às telas do cinema e da TV, sendo que apenas os autores dos dois últimos — J.K. Rowling e George R.R. Martin — puderam curtir o ápice de popularidade e alcance de suas criações, ajudando-as a crescer nesta transição. A nova edição de Deuses americanos e a iminente série são as primeiras provas de que esse universo pode — e deve — ser bem explorado nos próximos anos.

Pelos poderes de Asgard!

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O novo livro de Neil Gaiman, sobre mitologia nórdica, será lançado no Brasil em 2017 – falei mais sobre ele lá no meu blog no UOL.

2017 promete ser um ano nórdico. Não bastasse o encerramento da trilogia de Thor na Marvel, que reencena o clássico apocalipse da mitologia do norte europeu ao batizar o filme do estúdio no segundo semestre de Thor: Ragnarok, o lançamento da série inspirada no primeiro romance de Neil Gaiman, Deuses Americanos, que conversa bastante com essa mitologia, vem chancelar a aura asgardiana que paira sobre o ano que vem. Percebendo isso, o próprio Gaiman já anunciou o lançamento de um livro em que ele conta a saga daqueles deuses para ser lançado em fevereiro do ano que vem. E a editora Intrínseca confirma o lançamento da edição brasieira lançado-o no mês seguinte.

Mais conhecido como o autor da saga Sandman, um dos maiores épicos dos quadrinhos modernos, o Neil Gaiman vem lentamente dominando outras mídias. Começou dando um passo para além dos quadrinhos em radionovelas da BBC e de lá foi para a literatura, tanto adulta quanto infantil. Escreveu roteiros para episódios do Dr. Who e teve um quadrinho infantil (Coraline) adaptado para o cinema, como animação. A série American Gods, que vem se arrastando no limbo da pré-produção desde o início da década, já pertenceu à HBO mas foi parar no canal Starz, sempre com a supervisão direta do próprio Gaiman, que ainda conseguiu Tom Hanks como produtor executivo. O seriado estreia em 2017 mas ainda não tem data de estreia definida e um teaser foi exibido – e aplaudido – na Comic Con de San Diego deste ano.

Norse Mithology (que será lançado no Brasil como Mitologia Nórdica) terá Gaiman como narrador de histórias que já permearam suas próprias obras, desde Deuses Americanos até Sandman. É o cenário mitológico que reúne deuses conhecidos graças à Marvel como Thor, Odin e Loki e outros que frequentavam o reino de Asgard, como os deuses Freyja, Iðunn, Skaði, Njörðr, Freyr e Heimdall. E tem tudo para conquistar tanto os fãs do autor quanto os de seriados de apelo épico, como Game of Thrones e Vikings.

Neil Gaiman para as massas

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O primeiro trailer de American Gods prova que a série vai acontecer e que mantém a fidelidade ao tom do livro original – comentei mais sobre isso no meu blog no UOL.

Mais notícias de American Gods na TV

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Segue à toda a adaptação do primeiro romance de Neil Gaiman, American Gods, para a televisão. O produtor Bryan Fuller, que assumiu a bronca de transformar o livro em seriado depois que a HBO abandonou o barco, tem dado uma série de entrevistas sobre os estágios de desenvolvimento do novo projeto. Ele explicou para o site Den of Geek que um dos motivos da série ter sido deixada de lado pela HBO talvez tenha sido uma possível concorrência com Game of Thrones, que também parte de um universo mágico em livros que está sendo expandido graças à TV. Ele disse que um dos desafios do estágio atual tem sido escolher o ator que irá fazer o personagem Shadow, um dos principais da série:

“Ele é cigano? Hispânico? Negro? Ou todos esses num só? Sabemos que ele não é branco. Acho que se escolhermos alguém branco para fazer o papel de Shadow vamos ser os maiores cuzões da televisão.”

Em entrevista à Craveonline, Fuller disse que os três primeiros episódios já foram escritos e que a produção deverá começar no meio do ano que vem. Ele falou sobre como a série parte do ponto de partida do livro para explorar mais a fundo personagens que têm pequenas participações no livro e ainda cogitou misturar o universo de American Gods com o do segundo livro de Gaiman, Filhos de Anansi, que parte de uma premissa semelhante à do primeiro livro. O ponto a favor dessa história toda é que o próprio Neil figura como produtor executivo da nova adaptação, o que garante uma certa liberdade para expandir a história. Mas Gaiman escreverá algum episódio?

“É bom que ele escreva”, riu Fuller.

Seguimos acompanhando novidades por aqui. E a imagem deste post é da ilustradora indiana Anamika Baruah.

American Gods na televisão

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E aos poucos o primeiro livro de Neil Gaiman, American Gods, vai se transformando em uma série de TV de fato. Depois de ter sido dispensado pela HBO e encampado pela FremantleMedia, American Gods achou um canal disposto a apostar na série, a emissora a cabo Starz. À frente da série estão dois produtores de médio porte, que também escrevem o roteiro do piloto – Bryan Fuller, de Hannibal, Pushing Daisies e Heroes, e Michael Green, de The River e também Heroes. O autor inglês do livro, Neil Gaiman, também produzirá a série, supervisionando tudo de perto, e comentou sobre o envolvimento do canal no comunicado oficial, divulgado esta semana:

“Quando você cria algo como American Gods, que atrai fãs e pessoas obsessivas que tatuam citações do livro em si mesmo ou nos outros e que, tatuados ou não, importam-se profundamente com isso, é realmente importante escolher seu time de forma bem cuidadosa. Você não quer decepcionar os fãs ou aqueles que estão pensando em quem pode ser o elenco na internet desde a aurora da história escrita. O que eu mais amo nesta equipe em que eu confio para levá-lo para o resto do mundo é que eles são mesmo tipo de fanáticos que American Gods sempre atraiu desde o início. Eu não vi se Bryan Fuller ou Michael Green têm tatuagens com citações, mas não ficaria surpreso se descobrisse isso. O pessoal da Fremantle são daquele tipo que levam cópias de American Gods no fundo de suas mochilas em suas viagens pelo mundo e ficam empurrando o livro para os amigos.”

Lembrando que a BBC está envolvida na produção de outra série inspirada num livro de Gaiman, Filhos de Anansi.

American Gods e Filhos de Anansi: Neil Gaiman chega à TV

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Lembra que, há algum tempo, rolava um papo que a HBO estava transformando American Gods, o primeiro romance de Neil Gaiman, em uma minissérie? Pois o canal pago norte-americano largou o bastão e esse desafio agora está na mão da produtora FremantleMedia – e é um desafio duplo, porque os principais sucessos desta produtora (Amercian Idol, The Price is Right, X-Factor, America’s Got Talent e Family Feud) não têm nada a ver com ficção. Foi o próprio Gaiman quem confirmou em seu blog, além de cravar que seu segundo romance, Filhos de Anansi, também já está em vias de materializar-se em televisão, pelas mãos da produtora britânica Red, que faz programas para a BBC. Dedos cruzados!

Joseph Gordon-Levitt será Sandman no cinema

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Há alguns anos Joseph Gordon-Levitt vem ensaiando o momento para assumir o papel de novo protagonista em Hollywood – veio comendo pelas beiradas em filmes como (500) Dias com Ela, Inception e Looper (além de ter estreado na direção em 2013, com o elogiado Don Jon), aos poucos nos fazendo esquecer que ele era um dos alienígenas da série 3rd Rock from the Sun. E parece que ele vai dar o bote agora, ao anunciar que, além ser o protagonista da versão cinematográfica da série Sandman, de Neil Gaiman, também será o diretor do filme, cujo roteiro será escrito por David Goyer (que escreveu os três Batman de Christopher Nolan) e pelo próprio Gaiman. Quem confirmou foi o próprio Gordon-Levitt, via Twitter.

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E agora?

Neil Gaiman e o poder da leitura

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Neil Gaiman foi convidado a falar no segundo encontro da Reading Agency inglesa e escolheu falar sobre a natureza da leitura e seu incrível poder transformador, além da importância do livro e das bibliotecas em nossas vidas, na palestra que deu no Barbican Center, em Londres, há duas semanas.

Abaixo, segue a transição em inglês, se alguém se dispor a traduzir, basta postar na área de comentários que eu atualizo aqui. O site Index-a-dora já havia traduzido o texto, que reproduzo na íntegra abaixo. A seguir vem a íntegra em inglês:

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