Uma prosa com Lucio Ribeiro

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Lucio Ribeiro me chamou pra conversar sobre jornalismo, música e sobre o CliMatias nesta segunda-feira, às 17h, em uma live na conta do Instagram de seu @poploadmusic. Cola lá.Foi assim:

A hora dos podcasts de música

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Conversei com Cleber Facchi do Vamos Falar Sobre Música?, Fábio Silveira do Fast Forward, Lucio Ribeiro do Popcast e Thiago França do Sabe Som?, autores de podcasts que abordam diferentes aspectos da produção musical em uma reportagem para a revista da UBC – confere lá no site deles.

Franz Ferdinand no Brasil!

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Lucio Ribeiro traz mais uma vez a banda escocesa Franz Ferdinand para o país, desta vez num show em Curitiba, dia 11 de outubro, e outro em São Paulo, no dia seguinte, no Tom Brasil – ele conta mais em seu site.

Centro do Rock 2017: Maglore

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A banda baiana Maglore dá continuidade às atividades no Centro do Rock no Centro Cultural São Paulo nesta sexta-feira, quando despede-se CCSP de seu terceiro álbum, III, num show que já está com ingressos esgotados (mais informações aqui). O grupo também aproveita para lançar o vídeo (abaixo) da música “Ai Ai”, que acaba de entrar na trilha sonora do seriado Malhação, que agora está nas mãos no Cao Hamburger. Também acontece hoje um debate sobre crítica musical e rock, às 19h, com mediação de Cadão Volpato, diretor do CCSP, e participação dos jornalista Lucio Ribeiro e Alex Antunes.

Ao vivo no Cult 22

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Participei ao vivo, nesta sexta, da edição da semana do programa Cult 22, que eu nunca mais tinha ouvido desde que saí de Brasília. Marcos Pinheiros e Carlos Marcelo criaram o programa em 1991 e por dois anos foi um das fontes que eu tinha de música nova naqueles tempos pré-históricos antes da chegada da internet para os meros mortais. Por isso, tenho a maior satisfação de voltar ao programa agora como entrevistado – e sabendo que ele segue sendo transmitido pela rádio Cultura de Brasília, agora apenas com o Marcos no comando, mesmo depois de turbulências nestas duas primeiras décadas. Segue abaixo o live que eles fizeram direto do programa, que tem a participação de vários artistas que vieram ao PicNik, quando bato um papo ao lado do Lucio Ribeiro – também convidado do programa e do festival – sobre cena independente, o legado de Kid Vinil e rock e mainstream.

Sigur Rós no Brasil

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Lucio Ribeiro acaba de confirmar que vai trazer a banda islandesa para tocar em São Paulo no dia 29 de novembro, em mais um Popload Gig, desta vez no Espaço das Américas. Os ingressos já estão à venda.

Finalmente, o Wilco!

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Depois de anos de negociações, finalmente o Lucio conseguiu trazer o Wilco para seu Popload Festival, que este ano acontece dia 8 de outubro e conta com outras duas atrações confirmadas, a banda Battles e a cantora Ava Rocha (mais informações aqui). É a segunda vez que a banda de Jeff Tweedy vem ao Brasil – a primeira foi em 2005, num showzaço durante o Tim Festival, que só aconteceu no Rio de Janeiro. A vinda para São Paulo finalmente encerra uma novela que já foi parar até no Sesc e consagra o festival do jornalista como uma das principais atrações anuais em São Paulo. Aproveitei a deixa para conversar com ele sobre o festival (que vai ter mais atrações, anunciadas em breve) – como é o local, que outras atrações ele pretende trazer esse ano, o preço dos ingressos e quem é o novo santo graal do Popload Festival.

Há quanto tempo você vem negociando a vinda do Wilco?
Para essa vinda específica há muitos anos. Diria que há uns cinco, seis anos, pra virar agora. Toda vez era mantida uma conversa, esperando a banda divulgar os planos dela para ver se encaixávamos uma vinda para a América do Sul, sempre com um receio de um produtor maior ou festival grande levar. Mas nosso contato com eles foi anual, de uns anos para cá. Segundo minha sócia, a Paola Wescher, que fica à frente das negociações infindáveis, ela sonha em trazer o Wilco há 12 anos. O Wilco é a banda favorita da vida dela. Não é a minha, mas curto demais.

Por que o Wilco? A banda nunca teve um hype maior do que algumas bandas que você já trouxe nem tem uma audiência tão grande no Brasil. Explica por que o Wilco pra quem não conhece o Wilco.
“Hype”… Quando a gente trouxe o Tame Impala pela primeira vez não tinha hype. Nem Metronomy, nem Friendly Fires. Wilco é uma dessas bandas naturais que a gente sempre sonhou trazer, porque a gente procura trazer o que a gente gosta, o que a gente acha ter a ver com nosso mundo, uma banda que eu acho já ter visto umas seis vezes na vida e minha sócia um outro tanto. A gente adora Battles e está trazendo e o hype deles é zero. Iggy Pop é mais um “velho punk” cheio de história do que um artista que quem está atrás de hype poderia imaginar ver num Popload Gig ou Festival.
A aproximação com o Wilco se explica sozinha. Eu adorava Uncle Tupelo, a banda do Jeff Tweedy antes do Wilco, mas era mais impressionado com o Jay Farrar do que com o Tweedy. Uncle Tupelo era o “rock alternativo” gostoso e melódico, mais próximo de REM e bem mais country, uma “alternativa” à ferocidade do Nirvana e do grunge, que era o “alternativo” deixando de ser “alternativo”. A brincadeira com o termo “alternativo” é proposital. Quando o Farrar saiu e formou o Son Volt e o Tweedy o Wilco, eu achei que ia gostar mais, seguir mais, o Son Volt. Mas o Tweedy assumiu a porra toda e foi me provando o contrário. Não teve um só show do Wilco dos muitos que eu vi que eu tenha achado médio. Nem o confuso show no Rio de Janeiro, no Tim Festival. E sempre achávamos que São Paulo merecia ver o Wilco aqui.

É um festival que você já anunciou três bandas. Quantas outras atrações terão? Acontecerá em apenas um dia? Quando você anunciará os novos nomes?
O número certo ainda não está fechado. É uma matemática mutante que envolve dinheiro e oportunidades. E mais quatro meses para correr atrás das coisas. Obviamente já temos algumas bandas em contato, estamos vendo se conseguimos mais grana para investir em mais, tem a resposta dos ingressos. Se tudo der certo, anunciaremos mais duas bandas. Estamos trabalhando nisso ainda.

Sobre o lugar, o que dá pra esperar do Urban Stage? A maioria do público do Wilco e do Popload não conhece o local, presumo.
Por não conhecer o local, ele já vira um atrativo a mais, uma nova experiência. É um espaço grande e moldável que tentaremos deixar com nossa cara. A gente sempre gastou muito em estrutura, até em lugares “prontos” como o Audio. Não será diferente com o Urban Stage. É um lugar na Zona Norte, no outro lado da Marginal, pertinho de metrô, bom acesso de carro, perto de shopping, vários estacionamentos, hoteis. O ir e vir ali é fácil. E é um lugar quase que espartano. Cabe à gente deixá-lo bonito e confortável. Mas isso acho que a gente fez bem nas edições passadas do Popload Festival, espero que consigamos fazer neste ano também.

E, é inevitável, claro, falar sobre o preço: por que o ingresso custa tão caro?
Não é difícil entender. E sempre tem a ver com a famigerada “planilha de custo”. Bandas caras + estrutura cara + uma iniciativa diferente de não se preocupar em fazer um festival pra mais de 30 mil pessoas, e sim para 6, 8 mil. Você joga esses preços numa planilha besta de excel, mais os 500 outros custos, e voilà. Teve gente no Facebook que questionou isso de um modo bem tosco e eu respondi quaaaase ironicamente. Mas é a real e é ilustrativo, então vou copiar e colar aqui, se você me permite, para não ficar falando de modo diferente a mesma coisa. .

“Nossa ideia era fazer um ingresso de um só tipo, custando R$ 1. Mas daí o Wilco não topou não receber seu cachê pleno. Nenhuma das outras bandas topou, aliás. A gente insistiu, mostramos a situação da economia brasileira, que tá foda, falamos do golpe e tudo. Não rolou. As companhias aéreas não toparam fazer as passagens de graça, os hotéis bons não liberaram os quartos para a gente botar os caras todos de graça, escrevemos para o Temer e ele não liberou os impostos absurdos que pagamos para erguer um evento assim, os advogados que contratamos para cuidar dos vistos de entrada dos gringos – é uma trabalheira e você não tem ideia quanto custa… – já disseram que querem receber os deles, a galera do transporte de instrumentos não arreda pé para carregar tudo na faixa, mesmo para um festival tão bacana com bandas tão legais. O Urban Stage não cedeu de graça todo o seu espaço e a estrutura e o cenário que montaremos vai nos tirar vários dinheiros. Por fim, entre umas 60, 70 pessoas que trabalham direta ou indieretamente – indie-retamente? – para o Popload Festival, que acaba gerando um bom número de empregos e movimentando essa nossa economia quase falida, não aceitaram trabalhar meses de graça para você conseguir assistir ao festival tão legal e caprichado por R$ 1… Ou R$ 10… Ou R$ 100.”

Nem vou falar o que a meia-entrada, do jeito como ela é, e o que causa aos produtores de eventos do Brasil-il-il. Nem dos amigos e quase-amigos mais todas as “personalidades” e os 25 mil jornalistas que querem cortesia e nem pensam em botar a mão no bolso para ajudar um evento desses a continuar de pé, trazendo bandas para cá, para o nosso mundinho.

Daí que, levando tudo isso em consideração, metemos as contas todas numa planilha de custos. E saem aqueles preços dos ingressos que divulgamos. E aí pensamos: “Nessas condições, fazemos ou não o festival, os shows todos, os eventos? Ainda estamos na fase de fazer, de acreditar na gente, na galera que curte o que a gente curte, de contribuir de alguma forma para agitar a cena da cidade onde vivemos. Ainda que a chance de se ferrar financeiramente, estruturalmente e mentalmente seja muuuuuuito grande”. E, por mais um ano, resolvemos fazer. E tamos aí, segurando as broncas, inclusive para o tipo de comentário e “análises” de Facebook diversas de “entendedores de economia”.

Muita gente acha o preço do ingresso alto para um festival que tem o patrocínio da Heineken. Mas o maravilhoso dinheiro da Heineken só serve para atenuar parte das contas. A gente samba em várias outras frentes para montar um evento do jeito que a gente se propõe a fazer, com a experiência que a gente acha que tem que criar, com o preço mais “justo” (ou seja, menor) possível para botá-lo de pé. É uma variante sem fim de contas e estratégias.

Até a história da famosa área vip, que eu acho em si um princípio besta, mas que serve para cobrar mais de quem pode mais, para aliviar a conta para quem pode menos. Estamos fazendo uso dela pela primeira vez, é um incômodo, mas fazer o quê se ela serve para deixar o ingresso comum mais barato… Ela ocupará metade da “linha de frente” do palco. Poderia ocupar inteira, toda a frente, e com isso baixaríamos o ticket comum. Mas aí já seria demais. De novo, e sempre, é a tal da matemática.

Além do festival, você ainda anunciou dois Popload Gigs seguidos (Air e Courtney Barnett com Magnetic Zeros) com apenas uma semana de diferença. Vem mais show ainda no segundo semestre?
A ideia é ter mais alguma coisa sim. Temos muitas conversas e, agora, pouco dinheiro para arriscar o pescoço. Mas quando oportunidades aparecerem e a gente se debruça na planilha e vê o que rola. “Hey boys… hey girls…”

E shows nacionais? Você não vai começar a explorar esse mercado com mais força – tanto fazendo artistas que você aposta circular no Brasil quanto levar artistas brasileiros pro exterior?
Nunca tivemos tempo/espaço/chance para pensar seriamente nessas coisas. Pode ser que uma hora aconteça.

Como você se refere ao trabalho que você faz, misturando jornalismo com curadoria e produção? O quanto o jornalismo está mudando nesse início de século? O que você acha do jornalismo cultural brasileiro?
Generalizar jornalismo cultural é muito difícil, mas não gosto muito do que vejo e leio. Acho opinativo demais e bem sacado de menos. É muito tipo “eu acho” do que traz histórias boas e perspectivas diferentes. Jornalismo cultural, seja em jornal, revista e blogs, tá um grande facebook.
Não sei mais como me refiro a meu trabalho e o que sou. Ando tendo que virar várias chavinhas no meu dia a dia. Mas seja com a Popload, escrevendo para a Folha e editando a Harper’s Bazaar, jornalismo é o terreno que eu mais me sinto “verdadeiro”, digamos.

E depois do Wilco, qual o próximo santo graal da Popload?
A volta do Oasis no Popload Festival.

Air, Courtney Barnett e Magnetic Zeros no Brasil!

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Lucio Ribeiro confirma a vinda da dupla francesa Air para uma apresentação única no Brasil no dia 15 de novembro e no dia seguinte dobradinha com Courtney Barnett e Edward Sharpe & the Magnetic Zeros, comemorando o aniversário de 10 anos de seu site Popload. Muito bem!

Unknown Mortal Orchestra no Brasil!

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Seu Lucio mandou avisar que tá trazendo uma das melhores bandas indies na ativa pro Brasil esse ano: os Unknown Mortal Orchestra são a atração da edição do dia 28 de abril do primeiro Popload Gig anunciado em 2016. E o mais legal é o grupo ainda toca no Beco, ali na Augusta, o que deve garantir aquele calor característico pra apresentação. O UMO ainda toca na Argentina no dia 29 e no Chile no dia 30.

Ainda revirando o baú de Kurt Cobain

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A edição desta semana da revista Rolling Stone norte-americana traz mais uma matéria em busca da essência de Kurt Cobain e antecipa um trecho de uma demo inédita gravada pelo líder do Nirvana que está no novo documentário Montage of Heck:

A mesma edição também traz uma infame entrevista com a filha de Kurt, Frances Bean Cobain, que, entre outras coisas, disse que não curte tanto a música da banda do pai:

“Eu não gosto tanto de Nirvana assim (sorri). Foi mal pessoal da divulgação, da Universal. Eu curto mais Mercury Rev, Oasis, Brian Jonestown Massacre (ri). A cena grunge não é algo que me interessa, mas “Territorial Pissings” é uma música muito foda. E “Dumb” – choro sempre que escuto essa música. É uma versão desconstruída da percepção de Kurt sobre ele mesmo – sobre ele usando drogas, sem drogas, se sentindo mal por ter virado a voz de uma geração.”

E o Lucio crava que “Montage of Heck” só vai passar em uma única sessão, em uma única sala de cinema, em uma única cidade do Brasil. Tomara que se liguem que isso é uma burrada.