O novo Homem-Aranha parece um comercial da Marvel

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Homem-Aranha: De Volta para Casa insiste em mostrar que faz parte do cânone da Marvel no cinema e não empolga – escrevi sobre o filme no meu blog no UOL.

Baixe sua expectativa. O novo filme do Homem Aranha – De Volta ao Lar – é um bom filme, mas não é nem o melhor filme de super-herói do ano, nem o melhor filme com um personagem da Marvel do ano (Logan e o segundo Guardiões das Galáxias seguem à frente). Mas ele peca justamente por sustentar-se nesses dois pilares, quando deveria ser algo a mais. Como o próprio personagem era. Ele está longe de ser o filme de John Hughes de Kevin Feige, uma alusão ao espírito juvenil que mistura nostalgia e cinismo de filmes como Curtindo a Vida Adoidado, O Clube dos Cinco ou Gatinhas e Gatões que parecia antecipar esta terceira vinda do herói. Mesmo citando literalmente Ferris Bueller em determinada cena, De Volta ao Lar não é um filme sobre adolescentes ou sobre a adolescência – o que é a essência do personagem Peter Parker.

Em vez disso, o filme prefere escorar-se no Universo Cinematográfico Marvel fazendo parecer que era aquilo que faltava às encarnações anteriores do Aranha. De Volta ao Lar, que é um filme da Sony como as versões anteriores do herói, mas que agora pode usufruir do universo da Marvel, é uma enorme propaganda dos outros filmes do estúdio concorrente, mostrando como o personagem se encaixa naquele novo universo. O vilão surge a partir dos acontecimentos do primeiro Vingadores. Os próprios Vingadores já entraram no inconsciente coletivo das pessoas. E aí aparece o Homem de Ferro. E olhamos pra cima, oh, a torre dos Vingadores. É o Capitão América naquele televisão? Constantemente somos lembrados que aquele filme está dentro do universo da Marvel e que tudo vai se interligando aos poucos, mas são referências tão artificiais que cansam.

Como a relação entre Tony Stark e Peter Parker. Nos quadrinhos, o Homem de Ferro e o Homem Aranha não são propriamente amigos – vivem soltando farpas um no outro quando têm de lutar juntos -, mas o vínculo estabelecido entre os heróis também é bastante forçado – e paternalista. É como se, sem a tecnologia Stark, o Homem Aranha nunca existisse. E embora seu novo uniforme renda boas piadas e situações, ele praticamente extingue o sentido aranha, um dos principais superpoderes de Peter Parker. Em dado momento, parece que a relação entre Stark e Parker é uma metáfora da relação entre a Marvel e a Sony, quando o estúdio bem sucedido entrega parte de seu arsenal para o estúdio que não consegue fazer seus filmes de herói irem tão bem: “Toma, eu deixo você brincar.”

Mas o que diferenciava o Homem Aranha dos heróis tradicionais, quando surgiu há cinquenta anos, é que ele tinha um cotidiano adolescente típico de seus leitores. E essa parecia a grande promessa do novo filme (principalmente porque seu título original – Homecoming – está ligado ao baile de formatura do segundo grau e não a nenhuma volta ao lar). Mas toda a adolescência de Peter Parker é coadjuvante ao fato de que ele quer ser um super-herói, quer lutar contra o crime e fazer o bem. Mais de um terço do filme é dedicado a falar sobre seus colegas de classe, do hilário Ned (Jacob Batalon) à paixonite Liz (Laura Harrier), passando pela ácida Michelle (Zendaya) e pelo mala Flash (Tony Revolori), mas o protagonista mal interage com o grupo, que funciona mais como um acessório para provar que ele tem uma turma na escola do que como uma turma de fato. Em outras palavras, ele nem funciona como um filme de adolescentes dos anos 80 nem como um filme adolescente deste século (Harry Potter, Jogos Vorazes, Divergente), em que os coadjuvantes ajudam a reforçar a personalidade do protagonista.

Não é culpa de Tom Holland. O ator que faz o Homem Aranha faz o seu melhor para parecer um adolescente maravilhado com a possibilidade de ser um herói. É realmente o melhor Homem Aranha do cinema. Mas talvez tenha uma ingenuidade e entusiasmo exagerados, que me lembrou um Mickey em carne e osso ou uma espécie moderna de Tintin, me fazendo sentir falta das piadas, até as ruins, do personagem original. É um personagem bem construído (e graças a deus não precisamos mais assistir à cena da picada da aranha), mas sem humor, sem malícia, sem picardia. Consigo imaginar ele abaixando a cabeça e falando “sim senhor” para um J.J. Jameson num filme futuro.

Mais uma vez: o filme não é ruim. Michael Keaton surpreende como o melhor vilão em um filme da Marvel desde o Loki de Tom Hiddleston, há várias pontas e participações especiais bem vindas (da incrível Tia May de Marisa Tomei às aparições inesperadas de Martin Starr, Hannibal Buress, Gwyneth Paltrow, Donald Glover, Bookem Woodbine ou Chris Evans) e as cenas de ação… funcionam. Elas não forçam a barra nem constrangem, mas não chegam a empolgar. São bem feitas, bem dirigidas e bem previsíveis.

Como todo o filme. Não há grandes surpresas e apenas alguns momentos inspiram sorrisos. De Volta pra Casa expõe os filmes de super-herói como uma enorme propaganda de si próprios e funciona como um prequel indesejado, um trailer longo (demais) para o próximo filme, que, aí sim, veremos o Homem Aranha completo – dizem. Mas vamos esperar até lá? É o que o estúdio espera.

Finalmente o Homem Aranha num filme da Marvel

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E o trailer do novo Capitão América revelou o tão guardado Homem Aranha do universo Marvel no cinema – e dá pra ver bem lá no meu blog no UOL.

Vingadores pós-punk

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Depois de fantasiar heróis de umas melhores eras da música pop com os trajes da DC, o curitibano Butcher Billy agora volta-se para os alter egos da Marvel, saca só:

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Um deus solitário

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Belhoula-Amir-Wolverine

Belhoula-Amir-Superman

Chama-se A Lonely God essa série de pinturas do ilustrador francês Belhoula Amir, também conhecido como Cosmosnail. Aí embaixo tem mais:

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E que venha 2013!

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Nos encontramos no ano que vem, quando a lista das 75 melhores músicas de 2012 começa em contagem regressiva no dia 2 de janeiro. Boa virada!

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Um aperitivo do Amazing Spiderman

E por falar na Gi, ela viu algumas cenas do novo filme do Homem-Aranha lá em Londres e avisou pra gente ficar tranquilo que o filme tá ficando foda. Abaixo, o relato que ela mandou com exclusividade pra cá. Valeu, Gi!

Ufa – The Amazing Spider-Man tá ficando… Incrível
Por Giovana Ruaro

The Amazing Spider-Man chega aos cinemas apenas seis anos depois do último filme da trilogia de Sam Mendes Raimi. Seria mesmo necessário um reboot da franchise que fez US$ 2,5 bilhões nos cinemas? Os dois primeiros filmes eram realmente muito bons e o terceiro – aquele do Homem-Aranha emo que dançava, eca – foi uma decepção. Mas mesmo assim: por que queremos um novo filme sobre Peter Parker em um ano que teremos The Avengers, Dark Knight Rises, The Hobbit e Prometheus nos cinemas?

O primeiro trailer era promissor, mas não mostrava muito. O hype ao redor do Homem-Aranha não era dos melhores, então a Sony resolveu contra-atacar e chamou alguns jornalistas e vários fãs do herói para uma espiada no novo filme no mesmo dia que o segundo trailer era lançado.

Chegando ao cinema, a estrutura era grande: várias câmeras filmando tudo, fotógrafos e um clima de segredo. Logo via-se que não era apenas uma preview comum – e não foi mesmo. O evento estava sendo transmitido ao vivo para 20 cidades, e em quatro delas tinham apresentadores: Londres, Los Angeles, Rio de Janeiro e, claro, a cidade onde o filme se passa, Nova York. Em Los Angeles estava o diretor Marc Webb, no Rio a gatinha da Emma Stone desfilava um visual super acabei-de-sair-da-praia e estava acompanhada dos produtores, em Londres tínhamos a prata da casa Rhys Ifans e em NY podíamos ver a estrela da noite – Andrew Garfield.

Emma falou sobre Gwen Stacey e como a relação dela com Peter é diferente. “Mary Jane se apaixonou pelo Homem-Aranha, a diferença de Gwen é que ela se apaixonou por Peter”. O pai de Gwen é um policial que está em busca do herói-vigilante: “Gwen tem uma relação muito próxima com o pai – de novo, o oposto de Mary Jane – e isto vai causar um conflito de sentimentos no filme”.

Andrew Garfield não falou muito sobre o filme, apenas agradeceu aos fãs por estarem neste evento mundial e disse que era uma honra ser o novo Aranha. Quando perguntaram porque ele aceitou o papel, Garfield respondeu na lata: “Eu não sou idiota, né?”

Em Londres, Ifans falava com seu sotaque carregado: “O Lizard é diferente de todos os outros vilões do Homem-Aranha porque há um elemento emocional nunca explorado antes – o Lizard e o pai de Peter Parker eram amigos e trabalhavam juntos. Isso vai mexer com a cabeça de Peter”.

Depois de todas as perguntas respondidas, foram apresentado oito minutos do filme em 2D – já que os efeitos especiais em 3D ainda não estão finalizados. “Não se preocupem, o filme foi feito com câmeras 3D, aquelas bem grandes e difíceis de usar. Os efeitos vão ser 3D de verdade”, disse Webb, tranquilizando a audiência.

Se quiser evitar spoilers, pule os próximos dois parágrafos.

Uma das cenas que vimos foi o primeiro encontro de Gwen e Peter nos corredores do colégio. “Que tal a gente fazer alguma coisa um dia desses, ou talvez um outro treco, sei lá.” Gwen diz que ok, bora lá. Peter sai de cena saltitando. Esse estilo de romance da vida real vem da experiência em comédias românticas de Webb – (500) dias de Homem-Aranha? O romance é um gancho muito importante no filme, como podemos ver na cena em que Peter vai jantar na casa de Gwen para conhecer os pais dela e nos outros momentos da transformação de Peter em Spidey.

O momento em que Peter descobre seus novos poderes é muito diferente da versão de Raimi, mais natural, desajeitado e engraçado. Depois mostraram várias sequencias do homem-Aranha pulando de prédio em prédio, lutando contra bandidos, correndo em pontes (alguns momentos ainda com a tela azul atrás dos atores) e – surpresa – várias falas e cenas engraçadas! É uma nova maneira mais ‘vida real’ de mostrar um adolescente que, erm… sobe em paredes.

Final dos spoilers.

Conclusão: tá ficando massa. Andrew Garfield é bem mais charmoso e natural do que Toby Maguire – e o cabelo dele é um sonho (N. do Matias: “kkkkkkkkk”). Webb é descolado e divertido, aliás se a trilha sonora for semelhante a de 500 dias de Verão vai ser um bônus. Emma Stone está linda e engraçada como sempre. Rhys como vilão foi um acerto na mosca – nada como um vilão charmoso a la Magneto em X-Men: First Class. O filme está se vendendo como “a história do Homem-Aranha nunca antes contada” – já que eles vão tratar da relação de Peter Parker com seus falecidos pais.

Interessante… Ou seja, bring it on. O Aranha voltou ao topo da lista de filmes para ver em 2012 junto com o Morcego, a liga dos Avengers e os seres da Terra Média. O meio do ano promete!