Ave Galaxie 500

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No início do ano, para aproveitar o lançamento da versão em vinil do disco ao vivo Copenhagen do Galaxie 500, a gravadora norte-americana Persona Non Grata estava organizando uma apresentação no Record Store Day para trazer bandas para a loja nova-iorquina da Rough Trade e fazer um show com bandas tocando músicas do saudoso grupo indie. Mas com a pandemia e a quarentena, o projeto teve de ser reestruturado e tornou-se uma série de apresentações ao vivo gravadas remotamente incluindo nomes contemporâneos e influenciados pela clássica banda. Separei aqui as versões que o Mercury Rev, Thurston Moore, Glenn Mercer (dos Feelies), Surfer Blood, Barbara Manning, Hamilton (do grupo inglês British Sea Power), Mark Lanegan, Stephin Merritt, Calvin Johnson, Real Estate, Versus, Winter, entre outros, tocando canções imortais do grupo ou variações de versões clássicas feitas pelo grupo para músicas do Velvet Underground, do New Order e dos Rutles.

Você confere todas as versões lá no site oficial do projeto. Que banda!

Vida Fodona #386: Primeiro dia de agosto de dois mil e treze

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Entrei numa trip noventista por culpa da Tied to the 90s, aí já viu…

Morphine – “Good”
Delgados – “The Arcane Model”
Sonic Youth – “Saucer-Like”
Foo Fighters – “I’ll Stick Around”
Weezer – “The Good Life”
Supergrass – “Sun Hits the Sky”
Belle & Sebastian – “Legal Man”
Cornershop – “Good Shit”
Beck – “Where It’s At”
Stereolab – “Percolator”
Girls Against Boys – “Vera Cruz”
Björk – “Army of Me”
Daft Punk – “Da Funk”
Moby – “Bodyrock”
Primal Scream – “Swastika Eyes”
Prodigy – “Poison”
Beastie Boys – “Body Movin'”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”
Superchunk – “Watery Hands”
Grandaddy – “The Crystal Lake”
Solex – “Rolex by Solex”
Looper – “Burning Flies”
Garbage – “Stupid Girl”
Bran Van 3000 – “Drinking in L.A.”
Pavement – “We Are Underused”
Galaxie 500 – “Fourth of July”
PJ Harvey – “Down by the Water”
Sebadoh – “Everybody’s Been Burned”
Olivia Tremor Control – “No Growing (Exegesis)”
Teenage Fanclub – “Sparky’s Dream”
Yo La Tengo – “Blue Line Swinger”

Chegaê.

A conexão Andy Warhol / Galaxie 500

Entrevistei o Dean Wareham ontem sobre os shows de hoje e amanhã aqui em São Paulo, para o Caderno 2

Uma visita a Andy Warhol
Dean Wareham, líder do Luna, homenageia o papa da pop art

“Neste exato momento estou preso no trânsito de São Paulo”, disse Dean Wareham, em entrevista por telefone. Isso foi ontem de manhã, o tempo estava fechado e ele havia acabado de chegar à cidade, onde fará dois shows, hoje e sexta-feira, no Sesc Pompeia.

Líder da mítica banda indie norte-americana Galaxie 500, ele vem ao Brasil pela segunda vez, quando faz duas apresentações diferentes, duas homenagens, uma a Andy Warhol e outra à sua banda original.

O primeiro show é creditado a ele e à mulher, Britta Philips, que também o acompanha em sua banda atual, o Luna. Britta também toca na sexta, embora ele seja anunciado como um show mais de Dean do que propriamente do casal, uma vez que Britta não fazia parte do Galaxie 500.

“Os dois concertos têm a mesma formação e estamos tocando há tanto tempo que praticamente não ensaiamos mais”, explica Dean Wareham, antes de dizer que, para os shows brasileiros, retomaram músicas do Luna, com quem veio ao Brasil em 2001. “Tocamos aqui exatamente uma semana após o atentado do 11 de setembro, por isso tenho boas lembranças daqui. Mesmo com o trânsito e a quantidade enorme de pessoas em qualquer lugar, a comida e o calor humano local nos fizeram muito bem numa época bem difícil de estar em Nova York”, lembra ele.

O espetáculo de hoje já vem sendo exibido desde o início do ano passado. 13 Most Beautiful… Songs for Andy Warhol’s Screen Tests traz a banda tocando sobre a projeção dos testes de elenco do pai da pop art, closes extremos em nomes conhecidos como Lou Reed, Dennis Hopper, Nico e Edie Sedgwick.

Além de músicas compostas para o show, também há versões para Bob Dylan (“I’ll Keep It With Mine”, que Dylan compôs para Nico) e do Velvet Underground (a rara “I’m Not a Young Man Anymore”). Feito para ser apresentado em museus e exposições de arte, o show já passou por retrospectivas de Warhol na Opera House de Sydney, no Lincoln Center de Nova York e no Museu de Arte Contemporânea de Chicago.

Mas passar por esses palcos fez o casal e sua banda terem vontade de voltar às casas de show, criando o que será apresentado na sexta, Dean Plays Galaxie 500 Songs. Para combinar com as duas atmosferas diferentes, o concerto de hoje ocorre no Teatro do Sesc Pompeia e o de amanhã na Choperia.

Dean Wareham e Britta Phillips no Brasil

E fechando a lista de shows anunciados pra agora, olha que boa surpresa: o casal Dean Wareham e Britta Philips toca no Sesc em abril. São dois shows. Um deles se chama 13 Most Beautiful: Songs for Andy Warhol’s Screen Tests, em que os dois tocam sobre os clássicos testes de tela do Warhol, em que ele ficava filmando os rostos de gente que associava à sua prole, como o Velvet Underground e Dennis Hopper. Sente o drama:

O segundo show chama-se Dean Wareham plays Galaxie 500 songs e é exatamente isso: canções da banda que pôs Dean no mapa, mas… tocadas apenas por Dean? Britta sempre toca com ele…

E eles tocam até música dos outros:

Pra quem tá boiando na importância do show, uma aulinha: a aliança entre o Velvet Underground e Andy Warhol, em Nova York no meio dos anos 60, fez que o rock ganhasse uma aura impensável anos antes, quando os Beatles chutaram o balde cantando iê-iê-iê – e deu um sabor bem nova-iorquino à maturidade que o rock atingiu quase nos anos 60, quando Londres e a San Francisco viraram techicolor e Dylan, os Beatles e os Stones ganharam tons sépia (Dylan em Woodstock, Stones country e Let it Be, respectivamente). Nova York ganhou o preto e branco artsy dos filmes de Warhol e do free jazz, misturando-o à eletricidade típica do rock, ao mesmo tempo que a expandia-a para além do ritmo e do solo.

O cânone inaugurado pelo Velvet continuou por vias tortas com os Modern Lovers e o Television, sendo absorvido completamente quinze anos depois por uma nova geração, personificada no Sonic Youth. E antes do Yo La Tengo assumir o bastão com a entrada de James McNew na banda, no início dos anos 90, foi o Galaxie 500 quem manteve acesa a chama dessa música especificamente nova-iorquina.

Com três discos, a banda se tornou o grupo indie mais importante dos EUA ao lado dos Pixies, no final dos anos 80, americanizando uma tendência de retomar microfonia e doçura iniciada pelos irmãos Reid no Jesus & Mary Chain, na Inglaterra. E depois de sua existência, Dean formou o Luna, que contou com a ex-dubladora do desenho animado Jem e futura esposa Britta na formação a partir do ano 2000 – o grupo até tocou no Brasil em 2002, se não me engano… De qualquer forma, a vinda dos dois é uma ótima oportunidade para toda uma geração amamentada com roquinho fuleiro (já já falo do novo dos Strokes, do Arctic Monkeys e do Vaccines, guentaê) descobrir uma banda completa.

De brinde, um hit do casal que o Luciano sempre tocava nos primeiros anos da GB…

Mais informações sobre os shows aqui.

Tributo ao Joy Division


Galaxie 500 – “Ceremony”


Atoms for Peace – “Love Will Tear Us Apart”


Killers – “Shadowplay”


New Order – “Ceremony”


LCD Soundsystem – “No Love Lost”


Nine Inch Nails – “Dead Souls”


Jose Gonzalez – “Love Will Tear Us Apart”


Girls Against Boys – “She’s Lost Control”


Radiohead – “Ceremony”

Galaxie 500 tocando Velvet Underground

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