Cartas do Centro da Terra

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Quem acompanha os trabalhos do Centro da Terra, onde sou curador de música, sabe que ele é mantido com os ingressos do público, que, através da iniciativa Ingresso Consciente, permite que quem vá ao teatro possa escolher o preço que irá pagar para assistir aos espetáculos. Sem apresentações ao vivo desde que entramos em quarentena, resolvemos colocar em prática uma alternativa para a manutenção do espaço a partir de contribuições contínuas dos frequentadores. E já que não temos como fazer os espetáculos, pensamos numa outra forma de mantermos contato: as Cartas do Centro da Terra. Quem se inscrever para apoiar mensalmente o teatro, recebe em casa, todo mês, um envelope com cartas escritas por diferentes artistas escolhidos por nós. É uma forma de manter acesa as provocações artísticas que propúnhamos e de seguir em contato em outro ambiente que não seja digital. Para colaborar, acesse a página no Apoia.se, todas as coordenadas estão lá.

Cancelando todos os shows

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A epidemia é série e não dá pra brincar com isso, por isso adiamos todas as apresentações ao vivo que faríamos nos lugares onde trabalho como curador: isso quer dizer que suspendemos as temporadas do Kastrup e da Juçara no Centro da Terra, não teremos Sexta Trabalho Sujo no Estúdio Bixiga que teria Atônito e Thiago França (como acabou não acontecendo na sexta passada, que teria o Antiprisma) nem vamos ter a volta do Trabalho Sujo Apresenta na Unibes Cultural, com Chico Bernardes e Luiza Brina. Outro show suspenso foi a estreia do projeto Trilha Sonora Original do Filme Deságua, do Mombojó, com quem estou trabalhando como diretor artístico, que aconteceria na próxima sexta. As atividades todas foram suspensas e retornarão quando a situação voltar a se normalizar, possivelmente retomando a partir de onde havia parado. É cortar na carne, mas é preciso fazer isso.

O lance é saber o que vamos ver o que fazer agora.

Juçara Marçal: Encarnado Acústico

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Que honra poder receber durante quatro terças-feiras uma versão nova para um clássico moderno da música brasileira vinda de sua própria autora. A querida e implacável Juçara Marçal volta ao palco do Centro da Terra para mais uma temporada, quando relê seu Encarnado com os mesmos músicos com quem o gravou mas de uma forma completamente nova: sem eletricidade. Encarnado Acústico ocupa as terças de março no Centro da Terra a partir deste dia 10 (mais informações aqui).

“Foi ideia do Thomas (Rohrer). que estava programando um festival na Leviatã, um espaço cultural no centro da cidade, focado nos sons mais experimentais, improvisos livres, performances, e sugeriu de a gente fazer essa versão sem amplificação, até porque o espaço não comportaria o show de outra forma”, a própria Juçara me explica, lembrando desta única apresentação no fim do ano passado. Além de Thomas, tocando viola, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos também participam dos shows.

“Fizemos apenas algumas músicas e o resultado foi surpreendente”, lembra a cantora. “Os arranjos mudam sensivelmente porque o Kiko está usando uma viola dinâmica e ele acaba tendo que pensar nas frases que faz de um jeito diferente. No todo, o som acaba mudando também. O fato do Rodrigo usar violão de aço e não guitarra também muda bastante o som.” O formato obviamente também impacta em seu canto: “Não ter que me preocupar com dois microfones e pedais dá uma bela diferença, fico mais livre e a voz também, inevitavelmente.”

Serão quatro shows idênticos, ao contrário das temporadas de segundas-feira, que cogitam diferentes possibilidades a cada apresentação. “Em princípio, sim”, ela continua. “Vamos vendo o que funciona, tanto do ponto de vista do repertório, como nossa posição no palco”. Quando pergunto se há músicas de outros trabalhos que podem surgir no repertório, Ju é categórica: “Em princípio, não.”

Ela reforça a importância do teatro neste novo show. “A conexão palco-plateia é diferente, a atenção é outra, a dispersão diminui”, enumera. “As pessoas têm uma possibilidade maior de embarcar na história que de certa forma contamos num show.”

Nada de disco novo? “O próximo disco não tem muito a ver com o Encarnado não. #aguardeeconfie”, ela ri fazendo a hashtag.

Kastrup: Feminino Fatorial

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Imensa satisfação receber na sessão Segundamente de março o percussionista e produtor carioca Guilherme Kastrup, que apresenta a temporada Feminino Fatorial, nestas segundas de março a partir do dia 9, no Centro da Terra, às 20h (mais informações aqui). Durante sua estada, ele compõe uma obra contínua e progressiva ao lado das artistas Edith Derdyk (artista visual), Carol Shimeji (videomapping), Beth Belli (percussão), Jackie Cunha (percussão) e Morena Nascimento (dança) no espaço de quatro segundas-feiras e eu conversei com ele sobre a expectativa destes encontros.

Felipe S.: Notícias Recentes

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Que satisfação receber o cantor e compositor pernambucano Felipe S., vocalista do grupo Mombojó, que está terminando de fazer seu segundo disco solo e começa a mostrá-lo nesta terça, dia 2 de março, no Centro da Terra. Ele apresenta o que chama de um “teste cego” ao apresentar o Notícias Recentes, mostrando, em sua maioria, canções que nunca foram apresentadas ao vivo. Para isso, ele recebe a presença de alguns convidados, artistas com quem vem trabalhando, como a cantora Barbarelli, o slammer Lucas Afonso e o tecladista Bruno Bruni. Felipe é acompanhado pela banda formada por Arthur Dossa (guitarra), Habacuque Lima (baixo), Rafael Cunha (bateria), Iran Ribas (baixo) e Julio Epifany (bateria) e eu bati um papo com ele sobre o que esperar desta apresentação.

Centro da Terra: Março de 2020

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A programação de fevereiro do Centro da Terra invade o próximo mês quando Beto Villares encerra a sua temporada Amostras Emocionais no dia 2 de março, mostrando pela primeira vez seu novo disco, Aqui Deus Andou, ao vivo. No dia seguinte, na terça, dia 3, Felipe S., vocalista do Mombojó, começa a mostrar músicas inéditas no espetáculo Notícias Recentes (mais informações aqui), quando divide o palco com nomes como Habacuque Lima, Bruno Bruni, Barbarelli, entre outros. Na outra segunda, dia 9, é a vez do produtor e percussionista Guilherme Kastrup começar a temporada Feminino Fatorial (mais informações aqui), quando convida as artistas visuais Edith Derdik e Carol Shimeji, as percussionistas Beth Belli e Jackie Cunha e a dançarina Morena Nascimento para um espetáculo contínuo, que vai mudando a cada nova segunda-feira. A programação do mês se encerra com chave de ouro, quando mais uma vez recebemos a deusa Juçara Marçal para recriar seu Encarnado no palco do Centro da Terra, só que em versão acústica (mais informações aqui), convidando Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Thomas Rhorer para recriar este marco da música brasileira deste século ao vivo. Que mês!

Livia Nery: Beco do Sossego

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Imensa satisfação receber a baiana Livia Nery nesta terça, 18 de fevereiro, no Centro da Terra, quando ela traz uma versão intimista e sintética de seu repertório para o palco do Sumaré, a partir das 20h. No espetáculo Beco do Sossego, ela relê as canções do disco que lançou no ano passado, Estranha Melodia, ao lado do tecladista e conterrâneo João Deogracias, e convida a paulistana Luiza Lian para acompanhá-la nesta noite (mais informações aqui). Conversei com ela sobre o que podemos esperar desta apresentação.

Fabio Golfetti + Zé Antonio: Psicodélico

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Que honra receber dois mestres da guitarra do rock paulistano que se encontram pela primeira vez em um espetáculo próprio nesta terça-feira, no Centro da Terra. Psicodélico é título da apresentação que será realizada por Fabio Golfetti, o mentor do Violeta de Outono, e Zé Antônio Algodoal, o guitar hero dos Pin Ups, e o adjetivo dá a tônica da noite, além de sublinhar a importância desta vertente musical – e extra-musical! – para a forma como os dois encaram seu instrumento. Heróis da cena underground de várias gerações, os dois tocaram juntos uma única vez há alguns anos e desde então vêm acalentando a possibilidade de juntar seus dons musicais num mesmo espetáculo dividido em três partes, que os dois conceberam para inaugurar as terças-feiras de 2020 no Centro da Terra (mais informações aqui). Conversei com os dois sobre a natureza desta colaboração e o que podemos esperar desta noite.

Beto Villares: Amostras Emocionais

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Imensa satisfação de começar os trabalhos de 2020 no Centro da Terra com uma temporada de primeiríssima: o músico, compositor e arranjador Beto Villares assume as segundas-feiras de fevereiro (e a primeira de março) convidando velhos compadres ao preparar o terreno de lançamento de seu novo disco Aqui Deus Andou, o primeiro desde o ótimo Excelentes Lugares Bonitos, lançado há quase 20 anos, em uma temporada chamada Amostras Emocionais. Na primeira noite, dia 3, ele nos convida a uma viagem a um mundo de sintetizadores modulares, ao lado do professor Arthur Joly, uma das maiores autoridades neste tema no país. No dia 10, ele mergulha em seu trabalho de trilha sonora ao lado dos parceiros Fil Pinheiro e Erico Theobaldo, com participações dos músicos Rafael Cesario (no cello) e Gil Duarte (trombone e flauta). A terceira segunda-feira é dia de violão e percussão, quando Beto convida os bambas Mauricio Badé, Mestre Nico e Lenis Rino para cantar músicas ao lado da convidada Paula Tesser. E na última segunda da temporada – a primeira segunda de março -, ele mostra o disco Aqui Deus Andou com quase todos os músicos que participaram da gravação: Zé Nigro, Samuel Fraga, Thiago Liguori, Nico e Badé, Gil Duarte e Elias Zafe, este último substituindo o músico original do disco Gabriel Milliet, que está fora do país (mais informações sobre a temporada no site do Centro da Terra). Bati um papo com Beto sobre o que ele irá fazer nestas quatro segundas-feiras.

Centro da Terra: Fevereiro de 2020

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Começamos a temporada 2020 no Centro da Terra com várias novidades: além de novos curadores (Diogo Granato assume a curadoria de dança, às quintas e sextas, enquanto Ananda Guimarães inaugura a curadoria de cinema, trazendo curtas sempre às quartas), seguimos com música nas segundas e terças, trazendo espetáculos e encontros inéditos para o palco do teatro no Sumaré. As segundas-feiras de fevereiro ficam com o produtor Beto Villares, que finalmente está prestes a lançar seu segundo disco, chamado Aqui Deus Andou, apresentando-o em quatro apresentações distintas na temporada Amostras Emocionais – e como a quarta segunda-feira de fevereiro é a de carnaval, ele também invade a primeira quarta de março (mais informações aqui). Nas terças-feiras, três shows inéditos: no dia 4 o guitarrista Zé Antonio Algodoal, dos Pin Ups, encontra-se com Fabio Golfetti, do Violeta de Outono, em um encontro só com os dois instrumentos (mais informações aqui); no dia 11 é a vez de Joana Queiroz, clarinetista do Quartabê, reunir vários convidados no espetáculo Emaranhados, quando chama Joana Queiroz, Filipe Massumi, Loreta Collucci, Claudia Dantas, Natalie Alvim, Bruno Qual e Melina Mulazani para mostrar suas composições servindo de banda de apoio uns para os outros (mais informações aqui) e finalmente, dia 18, a baiana Livia Nery convida Luiza Lian para o espetáculo Beco do Sossego (mais informações aqui). Os espetáculos começam sempre às 20h – e o ano está só começando…