César Villela (1930-2020)

Morreu na sexta passada o designer que consagrou visualmente a modernidade da bossa nova. César Villela não só foi responsável pelas capas dos três primeiros discos de João Gilberto pela Odeon, onde trabalhava, como assumiu a arte das capas do selo Elenco, criado por Aloysio do Nascimento no início dos anos 60, que consolidou o novo gênero musical como uma revolução estética na música brasileira – e isso vinha estampado nas capas dos álbuns, quase sempre brancas com fotos, normalmente de Chico Pereira, estampadas em alto contraste, com detalhes em vermelho – estes, também quase sempre, eram bolinhas vermelhas, que vinham sempre em quatro, para simbolizar a harmonia, como havia aprendido com a cabala.

A foto da capa

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Teago Oliveira, Douglas Germano, Chico César, Alessandra Leão, Jards Macalé, Emicida, Rakta… Conversei com alguns dos autores das melhores capas de disco com fotografia de 2019 em uma matéria para a revista Zum – leia lá.

Pedro Bell (1950-2019)

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Morre Pedro Bell, autor das capas clássicas da cosmogonia do senhor George Clinton, que inclui discos do Funkadelic, Parliament, Bootsy Collins, entre outros projetos da vasta genealogia do funk.

Eis a capa do disco novo do LCD Soundsystem

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Esta é a capa de American Dream, quarto disco em estúdio do grupo de disco-punk LCD Soundsystem que chega ao mundo no primeiro dia do mês que vem. O disco já está em pré-venda e estes são os títulos das faixas novas na ordem em que aparecem no álbum.

“Oh Baby”
“Other Voices”
“I Used To”
“Change Yr Mind”
“How Do You Sleep?”
“Tonite”
“Call the Police”
“American Dream”
“Emotional Haircut”
“Black Screen”

Eis a capa do novo disco do Curumin

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Um olho na Boca? Ideias da Ava Rocha, que assina a arte do disco novo do Curumin. Resta saber como essa capa conversa com o som do álbum, que deve sair no fim deste mês…

Sorria, Lana Del Rey!

E quem também mostrou sua capa nova foi nossa querida Lana Del Rey, sorridente e feliz ao encarar a câmera ao mostrar-se em seu novo Lust for Life.

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Por enquanto, além da capa, ela só mostrou uma música (“Love“, que mostrou ao vivo no South by Southwest), um trailer em que consolidava sua mitologia de glamour e decadência à Califórnia e uma praga contra Donald Trump, mas algo indica que ela está prestes a provocar uma mudança importante em sua carreira: talvez não estética ou artisticamente, mas comercialmente… O disco ainda não tem data oficial de lançamento, mas pela velocidade das novidades, está prestes a sair – neste ou no próximo mês.

Damn, Kendrick Lamar!

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Eis a capa – e, abaixo, a contracapa – do novo disco de Kendrick Lamar, Damn., segundo o próprio. O disco havia sido anunciado para sexta passada, mas seu lançamento foi adiado para a próxima sexta – e agora ele mostra a capa mais simples da história do rap: uma foto fechada do autor usando uma camisa branca em frente a um muro de tijolos com um título superposto como se tivesse sido feito num Paint do Windows 3.1. Até a forma como título é escrito (“Damn” seguido de um ponto final e não por uma exclamação) reflete a humildade que ele falava no single que lançou há duas semanas. A contracapa segue a mesma linha, embora, humildão, anuncie apenas duas participações no novo álbum – ninguém menos que Rihanna e todo o U2 (damn!). E certamente não são as únicas participações do disco, mas ele não mencionou ainda quem trabalhou com ele na produção do disco. Até os títulos das músicas (curtos e diretos, como “Blood”, “DNA”, “Yah”, “Element”, “Feel”, “Loyalty”, “Pride”, “Humble”, “Lust”, “Love”, “XXX”, “Fear”, “God” e “Duckworth”) refletem esse minimalismo conceitual.

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Pelo visto, já temos o primeiro forte candidato a disco do ano.

A lunação de Juliana Kehl

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Juliana Kehl escolheu o início de 2017 para retomar sua carreira, interrompida por questões pessoais há quatro anos. De lá pra cá, a cena paulistana que ela pertencia floresceu e tornou-se um dos principais cenários da música brasileira atual e foi natural que recomeçasse ao lado dos velhos amigos. Assim, seu segundo disco, Lua Full, que ela lança nesta sexta-feira nas plataformas digitais e com um show no teatro do Sesc Pompéia no dia 20 de janeiro, reúne vários amigos – desde os produtores Gustavo Ruiz e Luiz Chagas (respectivamente irmão e pai – e guitarristas – de Tulipa Ruiz), Marcelo Jeneci, Thiago Pethit, Serena Assumpção, Zé Pi e a irmã Maria Rita Kehl, O trabalho começou a ser divulgado na semana passada, quando ela lançou o clipe de “Ladainha”, composição de Alice Ruiz, Alzira Espíndola e Estrela Ruiz Leminski. Outra versão do disco é “Desterro”, de Reginaldo Rossi.

A capa do disco, que ela adianta com exclusividade para o Trabalho Sujo, foi feita por ela mesma. “Sou formada em artes plásticas e me meti a fazer a arte dos discos, o que torna tudo um verdadeiro parto”, explica. “Criei seguramente umas dez capas diferentes, todas com fotos. Um dia joguei tudo fora e resolvi fazer um desenho baseado num selfie que tirei no estúdio durante a gravação, e pronto, finalizei em um dia.”

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O show de lançamento deve ter participações de Thiago Pethit e do Zé Pi e “algumas surpresas para o repertório”, como ela adiantou. Abaixo, o papo que tive por email com ela sobre o disco Lua Full, batizado em homenagem à música que compôs com Serena Assumpção.

Por que você ficou tanto tempo sem gravar?
Foi um hiato de quatro anos. A última coisa que gravei antes do Lua Full foi uma faixa no disco Mulheres de Péricles lançado pelo Jóia Moderna. Em 2012 engravidei de gêmeas, foi uma gravidez chatinha, com repouso. Elas nasceram um pouco prematuras e foi tudo bem difícil no começo e logo em seguida me separei. Minha vida virou um turbilhão e precisei me dedicar integralmente às meninas e à minha recuperação. Tive depressão pós-parto, o combo todo.

O que fez você achar que era a hora de voltar?
Uma hora fiquei forte de novo, terminei a tarefa de juntar os caquinhos. Voltei a pensar em música e a compor. Aliás, a primeira canção que ficou pronta foi “Lua Full”, parceria minha com a Serena Assumpção. Era muito forte a vontade de cantar, ouvir minha própria voz soando de novo.

E como esta ideia começou a se materializar em disco?
Quando tinha uma meia dúzia de músicas prontas liguei pro Gustavo Ruiz e sugeri que ele e o Luiz Chagas, pai dele, produzissem o disco. Sou muito fã dos dois, tenho um amor enorme por essa família. Por coisas do destino, a estreia do Gustavo como produtor foi no meu primeiro disco e a estreia do Chagas no Lua Full. Eu gosto da ideia de uma dupla produzindo, meu primeiro disco foi assim – produzido pelo Gustavo Ruiz e Dipa -, queria repetir a experiência.

Fale sobre os produtores e as participações do disco.
O Gustavo e o Chagas têm um entrosamento quase hipnótico, são complementares tanto na linguagem quando no temperamento pra conduzir o trabalho no estúdio. O Gustavo é um erudito, minucioso, preciso, o Chagas tem um tempo só dele, uma interferência econômica no ambiente, mas quando toca já vem com um riff pronto, uma frase de guitarra genial.
A história da canção “Anoiteceu” começou em 2008 quando vi o Zé Pi tocando a música na casa de uma amiga. Cheguei pra ele e falei “Zé, guarda essa música pra mim que vou gravar.” Ele gravou a música antes de mim, no disco solo dele, Rizar, de 2015, também produzido pelo Gustavo Ruiz. Mas acabamos criando um arranjo bem diferente da original, super intimista e melancólico, adoro essa canção. “Red Number” tinha que ser do Pethit. A gravação foi deliciosa, tão entrosada que o Gustavo Ruiz sugeriu, seriamente, que eu monte uma dupla com o Thiago estilo Jane e Herondy. Eu achei mais simpático PJ Harvey e Nick Cave.

Quando o disco foi concluído?
O trabalho foi concluído no começo de 2016 quando também faleceu minha querida amiga e parceira Serena Assumpção com quem eu compus “Lua Full”. Foi um choque e uma tristeza, um sentimento de impotência por perder alguém tão jovem e importante na minha vida. O nome do disco é uma homenagem para a Serena.

Como você vê a atual música popular brasileira?
Vou falar de aspectos menos artístico e mais práticos. Batalhei muito pra conseguir terminar meu disco e colocar ele na rua e vejo a maioria dos meus amigos fazendo o mesmo. Música no Brasil virou sinônimo de resistência, administracão permanente da incerteza, conseguir patrocínio, não conseguir patrocínio, sobreviver de música. Ao mesmo tempo, existe uma enorme necessidade em manter a chama acesa, a insistência na arte, música, cultura. Somos quase todos sobreviventes, com orgulho.

A cabeça de Felipe S.

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Cabeça de Felipe é o nome do primeiro disco solo de Felipe S., vocalista do Mombojó, que inaugura 2017 com o novo trabalho. O título do disco é o nome da tela do pai do cantor e compositor, o artista plástico pernambucano Maurício Silva. que o vocalista desenterrou do acervo familiar em busca de um título para seu primeiro disco. À procura de uma obra que tinha sua mão impressa na tela quando ainda era menino, deparou-se com o quadro Cabeça de Felipe e “o nome do quadro virou o nome do disco e a obra virou a capa”, explica. O disco, produzido pelo próprio Felipe e gravado em casa, será lançado no início de 2017 e tem participações de nomes como China, Vitor Araújo, Alessandra Leão, Tibério Azul, Leo Cavalcanti, entre outros. São dez músicas inéditas, além da regravação de “Vão“, de Juliano Holanda.

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Rael na estica

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Rael está prestes a lançar seu quarto disco, Coisas do Meu Imaginário, e pela primeira vez coloca sua foto na capa de um álbum, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Nos meus discos anteriores, trabalhei com ilustrações na capa”, ele conta. “Dessa vez, desde o início do processo, embora não soubesse exatamente o que ia fazer, já tinha essa vontade de que a capa fosse uma foto. Quando me reuni com o Adriel Nunes, que idealizou a capa, falei disso e aí fui ao Rio para fazer as fotos com o Jorge Bispo.” Ele já liberou a faixa “Rouxinol” pelo site do Natura Musical, mas o disco em si, produzido pelo Daniel Ganjaman e com participações de Black Alien e Chico César, só sai em novembro.