DM: Lovecraft’s in the Air, Big Lebowski e Alan Moore

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Íamos falar de Juntatribo, mas Lovecraft Country, a nova série de horror da HBO, nos fisgou logo após seu primeiro episódio, por isso pulamos o festival indie campineiro para dedicar a edição desta semana do DM à investigação da obra e do personagem que inspiraram a série, o incel chamado H.P. Lovecraft, bem como a história de seu legado e sua mitologia, que foi parar inclusive nas mãos de Alan Moore. Também celebramos as cabeças por trás da série – nominalmente JJ Abrams, Jordan Peele e Misha Green – e descobrimos que o futuro da era de Aquário é o Grande Lebowski.

Ninguém fode com Jesus!

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O épico jogador de boliche Jesus Quintana, um dos coadjuvantes mais emblemáticos do clássico Big Lebowski, dos irmãos Coen ultrapassa as especulações e boatos e finalmente vai protagonizar seu próprio filme. The Jesus Rolls, escrito e dirigido pelo próprio John Turturro que interpreta o clássico personagem. O filme se passa após Jesus sair da cadeia e ser recepcionado por um amigo vivido por Bobby Cannavale, que o ajuda a roubar um carro e cair na estrada com uma cabeleireira (vivida por Audrey Tautou). O filme ainda conta com participações de John Hamm e Susan Sarandon e deverá estrear em março nos canais de streaming e em alguns cinemas nos Estados Unidos. Seus produtores já publicaram um teaser, que não conta muito sobre o filme, apenas prova sua existência (e que tem a benção dos criadores do personagem, Joel e Ethan Coen)

A volta do Lebowski

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Às vezes há um homem… Eu não diria herói, por que o que é um herói? Mas às vezes há um homem, e eu estou falando do Dude… Às vezes há um homem que, bem, é o homem para seu tempo e lugar, ele se encaixa ali” – as imortais palavras do caubói que narra O Grande Lebowski, uma das obras-primas dos irmãos Coen, parecem antecipar mais uma vez a vinda do personagem mais emblemático do currículo dos diretores quando o ator Jeff Bridges twittou o seguinte vídeo:

A data do final do vídeo é o próximo domingo, dia 2 de fevereiro, quando a final do campeonato de futebol americano vai ao ar nos Estados Unidos e o mercado publicitário aproveita para lançar campanhas e chamar atenção do público, devido à alta audiência. Embora continuações para o filme de 1999 tenham sido cogitadas continuamente, é mais provável que Jeff Bridges tenha calçado as melissas transparentes de seu mais clássico papel apenas para um comercial de algum produto.

Tomara que não, mas, bem, é só a minha opinião, cara…

Cine Doppelgänger

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Vamos conversar sobre cinema? Finalmente materializo um velho projeto que venho acalentando há anos com a minha querida amiga Joyce Pais, do site Cinemascope, e juntos temos o prazer de apresentar a sessão de debates sobre cinema Cine Doppelgänger, que acontece mensalmente entre julho e dezembro, todo terceiro sábado do mês, na Sala Cinematographos, que fica no Museu Casa Guilherme de Almeida (Rua Cardoso de Almeida, 1943 – Sumaré, São Paulo). A ideia é exibir sempre dois filmes – um escolhido por mim e outro pela Joy – e, no final da exibição, conversar sobre a relação entre os dois. A estreia do Cine Doppelgänger acontece neste sábado com a sessão Los Angeles, Cidade Permitida em que exibimos O Grande Lebowski (às 11h), dos irmãos Coen, e Cidade dos Sonhos (às 14h), de David Lynch, para depois conversar sobre pontos em comum e divergentes sobre a temática dos dois filmes. A inscrição é gratuita, basta entra no site da Casa Guilherme de Almeida.

Segue abaixo a programação completa do Cine Doppelgänger até o final do ano:

Dia 21 de julho: Los Angeles, Cidade Permitida

21 de julho: O Grande Lebowski (1998) e Cidade dos Sonhos (2001)

O Grande Lebowski (1998) e Cidade dos Sonhos (2001)

Os irmãos Coen e David Lynch comentam sobre o mundo de ilusões criado a partir de Hollywood em dois novos clássicos da virada do milênio. Enquanto Cidade dos sonhos mergulha na dicotomia entre a dura realidade e a sétima arte, borrando os limites entre estes dois universos, O grande Lebowski escancara a fábrica de mentiras do mundo do entretenimento da costa oeste norte-americana.

18 de agosto: A Paranoia por Dentro

18 de agosto: De Olhos Bem Fechados (1999) e Rede de Intrigas (1976)

De Olhos Bem Fechados (1999) e Rede de Intrigas (1976)

O último filme de Stanley Kubrick e a obra-prima de Sidney Lumet vão às entranhas das sociedades secretas e dos sistemas de poder para mostrar sua abrangência e escopo, contrapondo-se à pequenez da individualidade humana.

15 de setembro: O Diabo Mora ao Lado

15 de setembro: O Bebê de Rosemary (1968) e Corra! (2017)

O Bebê de Rosemary (1968) e Corra! (2017)

Dois filmes de terror que lidam com o aspecto corriqueiro da maldade, as obras de Polanski e Peele refletem a época de suas produções, levantando questionamentos sobre feminismo e racismo, além de aprofundarem-se no estudo da vileza humana.

20 de outubro: Realidade de Mentira

20 de outubro: Zelig (1983) e Verdades e Mentiras (1973)

Zelig (1983) e Verdades e Mentiras (1973)

Em dois documentários falsos, Woody Allen e Orson Welles escancaram a fábrica de ficções que é a sétima arte em duas obras seminais, que já lidavam com os conceitos de pós-verdade e fake news muito antes do século 21.

17 de novembro: Autoria em Xeque

17 de novembro: 8 ½ (1963) e Adaptação (2002)

8 ½ (1963) e Adaptação (2002)

Dois cineastas confrontados por suas obras começam a colocar em questão suas próprias existências como autores. O mitológico 8 e 1/2 de Fellini e o complexo Adaptação de Spike Jonze contrapõem duas crises criativas inversas – a primeira, as motivações por trás do início da criação artística; a segunda, o dilema autoral de trazer uma obra alheia para seu próprio reino criativo.

15 de dezembro: Brasil aos Pedaços

15 de dezembro: O Som ao Redor (2012) e Trabalhar Cansa (2011)

O Som ao Redor (2012) e Trabalhar Cansa (2011)

Dois filmes nacionais contemporâneos jogam luzes sinistras sobre este país dividido que nos acostumamos a se referir como um só. Enquanto o primeiro longa de ficção de Kleber Mendonça Filho, O Som ao Redor, espatifa a noção de normalidade ao revelar a rotina complexa e movida pela culpa de um bairro rico no Recife, o primeiro longa da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra, Trabalhar Cansa, entra em um microcosmo profissional para se aprofundar nas entranhas de um Brasil farsesco – de modo apavorante.

Lebowski vive!

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Jeff Bridges revive o Dude na homenagem a John Goodman na calçada da fama – publiquei os vídeos lá no meu blog no UOL.

Podia ser apenas a celebração a mais um artista que recebe sua estrela na calçada da fama no bairro de Hollywood, em Los Angeles, nos EUA, mas o homenageado da vez era John Goodman e quem iria tecer os elogios ao amigo Jeff Bridges. Era inevitável que houvesse alguma referência ao grande filme que os dois fizeram juntos, o notável O Grande Lebowski, uma das maiores comédias do cinema, de 1998, dirigido pelos irmãos Coen. Mas nem Goodman acreditou quando Bridges tirou o casaco-poncho da bolsa que seu personagem The Dude usava no filme, antes de fazer o discurso saudando o amigo, na tarde desta sexta-feira, dia 10.

É demais ver Goodman gargalhando durante toda a fala de Bridges. O discurso inteiro – aparentemente improvisado, vago e sem rumo – fez referência ao discurso que o personagem de Goodman no filme – o insano Walter Sobchak – faz em homenagem ao terceiro integrante da turma, o Donny vivido por Steve Buscemi. O vídeo abaixo contém spoilers de uma das cenas mais hilárias do filme – mas que vergonha se você ainda não tiver visto esse filme, viu… Tsc, tsc…

O vídeo com a íntegra da cerimônia de homenagem a Goodman pode ser assistido a seguir:

É a segunda vez que um personagem do clássico filme volta à ação, depois do Jesus vivido por John Turturro. E a continuação do filme parece inevitável…

A volta de Jesus!

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John Turturro descobriu uma forma de ressuscitar seu clássico personagem do Big Lebowski – falei sobre a ideia dele lá no meu blog no UOL.

“Nobody fucks with the Jesus!”, desmerecia o excêntrico Jesus Quintana, erguendo seu indicador em direção a Walter, Donny e ao Dude em uma das inúmeras cenas clássicas do épico chapado O Grande Lebowski, que os irmãos Coen dirigiram em 1998. Nem mesmo o próprio John Turturro, criador de um dos personagens coadjuvantes mais memoráveis da filmografia dos dois irmãos (o que não é pouco), poderia manchar a reputação de um tipo tão memorável. Vestido com seu macacão púrpura, suas mãos cheias de aneis e o ar sexualmente tenso de sua relação com o boliche, Jesus Quintana tem poucos minutos de duração na tela, todos memoráveis.

O que deixou Turturro ansioso para continuar o personagem, que desde o filme original vem cogitando uma continuação ou filme derivado, mas nunca achou o momento correto. Até agora. Ao penar para criar o protagonista de seu novo fime, sua sexta incursão na direção, o ator da série The Night Of teve uma revelação.

O filme que está dirigindo é uma adaptação norte-americana do filme francês Les Valseuses (Corações Loucos, em português e Going Places, em inglês) de 1974, um jornada sexual na estrada vivida pelo trio de personagens interpretados por Gérard Depardieu, Patrick Dewaere e Miou-Miou. Turturro atua como o personagem vivido originalmente por Depardieu, chamado Jean-Claude, e o ator não conseguia chegar a uma personalidade específica para o papel.

“Eu ficava chamando-o de ‘JC’ e ele me lembrou de um personagem que eu havia feito em uma peça há muitos anos que inspirou Joel e Ehtan (Coen) a escrever o personagem Jesus Quintana”, disse o ator em entrevista ao site Screen Daily. “Então eu pensei: ‘Uau! Sempre falamos em fazer algo com Jesus Quintana mas era sempre besta’. Eu comecei a brincar com isso e pensei que podia chegar em algo com a ironia e a irreverência do personagem.”

“Eu o conheço de uma forma muito mais complexa do que o que as pessoas viram no filme, que era uma versão trailer do personagem”, continua o ator. Convicto da ideia, foi apresentá-la aos Coen, que gostaram da reviravolta. “Eles meio que piraram. Eles acharam uma ótima ideia e me disseram: ‘pegamos um personagem de uma peça de teatro e agora você quer colocá-lo em um filme francês que foi inspirado nos road movies norte-americanos.’

Going Places, o filme de Turturro, também contará com Bobby Cannavale (da série Vinyl) vivendo o personagem que foi de Patrick Dewaere, Audrey Tautou vivendo o papel que era da atriz Miou-Miou, além de Susan Sarandon e da brasileira Sonia Braga. Ele está sendo filmado em Nova York e ainda não tem data de lançamento, apenas uma sinopse e a foto de divulgação abaixo:

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John Turturro vive Jesus Quintana em Going Places, um filme sobre um trio de desajustados cuja dinâmica irreverente e sexualmente carregada evolui para uma surpreendente história de amor enquanto sua atitude irreverente e espontânea sobre o passado e futuro sai pela culatra de vez em quando, mesmo quando eles sem querer fazem o que é certo. Ao se tornarem inimigos de um cabelereiro armado, sua jornada se torna uma constante fuga da lei, da sociedade e do cabelereiro, enquanto os vínculos de sua família incomum se tornam mais fortes.

Jeff Bridges já tinha dito que gostaria de fazer uma participação neste filme, mas até agora não há nenhuma menção ao nome do Dude…

Big Lebowski é Alice no País das Maravilhas?

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Sério, bicho… Ou pelo menos é o que cogita essa teoria do Cracked (em inglês):

Mensagens secretas em Big Lebowski

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O clássico dos irmãos Coen de 1998, Big Lebowski, conta com várias piadas internas e mensangens subliminares escondidas em seu roteiro, como o professor Rob Ager, no excelente Collative Learning, explica no vídeo abaixo:

Dude…?

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Jeff Bridges gosta da ideia de reviver seu clássico personagem em uma continuação do filme mais improvável dos Coen – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.

O Fliperama Big Lebowski

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Sim, você não está tendo alucinações: a empresa Dutch Pinball acaba de anunciar o lançamento de sua nova máquina de fliperama e ela é toda inspirada no clássico Big Lebowski, dos irmãos Coen. Dá uma sacada nas fotos e vídeos abaixo e veja se você não fica com uma vontade instantânea de jogar essa belezura…

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Neste vídeo eles mostram a máquina em ação – além de a mostrarem por dentro:

Animações e trilha sonora remetem a cenas clássicas do filme:

Rola até uma pista de boliche em segundo plano:

E rola até um white russian que acende:

Demais, né? O problema é o preço – sim, ela já está em pré-venda. Dica do Pedro Jabur (valeu!), que viu no Dangerous Minds (mas no Pinball News, que fez os vídeos, tem um monte de fotos a mais).