Por Alexandre Matias - Jornalismo arte desde 1995.

Rumo aos extremos noise do pós-punk

Depois de muita espera, a banda paulistana In Venus começa a mostrar seu segundo álbum, sucessor do ótimo Ruína, lançado em 2017. E Sintoma, anunciado para o início do ano que vem (e já em pré-venda pela gravadora No Gods No Masters), começa a se mostrar com o clipe filmado em VHS da faixa “Ansiedade”, uma das dez novas canções anunciadas, que vai para além da seara gótica que a banda já dominava. Rumo aos extremos noise do pós-punk, a banda entrelaça vocais berrados, riffs frenéticos, afinações dissonantes, bateria bate-estaca e visão distópica de mundo, ecoando uma versão curta e barulhenta de um 2020 claustrofóbico.

O Arquivo X de Lulina

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“Sou cobrada há anos pelo pessoal que acompanha meus lançamentos para disponibilizar também essas gravações antigas”, me explica Lulina por email, sobre a caixa de músicas que começa a lançar nesta sexta-feira 13 (claro) em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Já prometi tantas vezes organizar isso, que tenho até vergonha de só lançar agora.” A “caixa” é digital, chama-se Pequena Coletânea de Gravações Caseiras e vem no formato playlist no YouTube, que ela torna pública no final desta sexta-feira, e que é praticamente seu próprio Arquivo X.


“Adelaide”, do disco inédito Brebotes

Quem conhece o trabalho da cantora e compositora pernambucana a partir de sua discografia inicial, iniciada com o ótimo Cristalina, que completou dez anos no ano passado, sabe só de metade da história, que ela começa a mostrar para o grande público vinte anos depois de ter começado a gravar. Antes de mudar-se para São Paulo, Lulina era quase um segredo do então jovem indie brasileiro, lançando discos compulsivamente em CD-Rs artesanais que mandava pelo correio. Fazia as capas à mão, desenhadas, que acabavam traduzindo o espírito caseiro das gravações e das letras, que falavam de paixões, alienígenas, uma saudável (pelo menos para mim) obsessão pelo número 13 e de fatos que iam acontecendo em sua vida, de diagnósticos médicos, piadas internas e


“Birigui”, do álbum Abduzida, de 2003

“A ideia de uma coletânea surgiu da minha falta de organização: como tem algumas músicas que estão perdidas e capas com resolução baixa, achei mais fácil fazer uma seleção, aproveitando a imagem de um flyer divertido que o Binho Miranda tinha feito para um show meu. E claro que passar mais tempo em casa também me fez ter vontade de visitar e celebrar essas produções caseiras.” Não me culpo de assumir que era um dos que mais pilhava a artista para retomar essa parte de sua discografia.

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“O que você estiver vendo a nuvem forma agora”, do disco Bolhas na Pleura (2004)

Ela começa a mostrar estas músicas pelo seu canal no YouTube. “Essa coletânea não chega a revelar tanta coisa assim de cada disco caseiro, é um passeio relâmpago, que tenta mostrar a diversidade de gravações e temas, indo de músicas mais zoeiras – muitas feitas entre cervejas e amigos em chãos de apartamentos – até as mais significativas para mim, feitas em momentos difíceis como a perda repentina da minha vó.”


“Tangerine girl”, do álbum Abduzida (2003)

Quando pergunto se ela vai lançar alguma coisa inédita, ela já responde de cara: “Tu acabou de me dar uma ideia. Essas primeiras 33 que selecionei aqui são de discos caseiros já lançados. Mas tenho muita gravação caseira antiga que não foi lançada, que faria parte do disco ‘Brebotes’ que nunca chegamos a lançar, então pode ser uma boa resgatar essas antiguidades e jogar como velhas novidades na coletânea também. O legal desse formato de playlist no Youtube é que fica uma coletânea viva, vez por outra vou adicionando coisa lá e quem estiver me seguindo vai ser notificado.”


“Chico”, do álbum Aceitação do 14 (2008)

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Quando a pergunto sobre essa volta ao próprio passado, ela viaja: “É sempre muito estranho, porque é literalmente a trilha sonora da minha vida. Morro de rir ouvindo as gravações do disco Abduzida, de 2003, por exemplo, porque era tudo muito espontâneo e novo, era o meu primeiro ano em São Paulo e tudo era motivo para apertar o REC. Já o disco Sangue de ET, de 2005, eu não consigo ouvir sem chorar. Lembro de estar sozinha no meu quarto gravando tudo e a tristeza daquele período transparece na minha voz.”


“Fuga pelo miojo”, do disco Aos 28 anos dei reset na minha vida (2008)

Inevitável perguntar sobre a quarentena, mas ela saca uma surpresa da cartola: “Para minha surpresa, tive a inspiração de compor muitas músicas sobre uma temática que não costumo visitar tanto: o amor. Junto com meu amigo Hurso Ambrifi, vou lançar em breve um disco – já tá pronto – que gravamos em trocas de emails e áudios de celular nessa quarentena, numa tentativa de realizar uma promessa antiga, que surgiu lá em 2016: a de compor e produzir canções inspiradas em um estilo que compartilhamos certa afeição, que é o city pop. E dessa mistura surgiram 11 músicas sobre a temática amorosa e um disco/artista novo, que chamaremos de Hursolina.”


“Clausura da Rima”, do álbum Translúcida (2006)

E não é só isso: “Além disso, também penso talvez em gravar no futuro um disco novo a partir dessa coletânea de gravações caseiras”, divaga. “Meu primeiro disco de estúdio, o Cristalina, de 2009, é uma coletânea das gravações caseiras dos meus primeiros anos compondo. Então, de repente lanço um Cristalina II, ou melhor, um Opaca, caso algumas dessas músicas se destaquem no meu Youtube.” Como não amá-la?

Vida Fodona #690: Festa-Solo (13.11.2020)

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Sexta-feira 13 é um ótimo dia pra se acabar numa festa online, dizaê… Cola lá às 23h45 no twitch.tv/trabalhosujo – e assim foi a edição da sexta passada.

Big Star – “Thirteen”
Billie Eilish – “Therefore I Am”
Céu – “Rotação”
New Order – “Age of Consent”
Pixies – “Winterlong”
Otto – “Soprei”
Mutantes – “Jogo de Calçada”
Lô Borges – “Faça Seu Jogo”
Queen – “Play the Game”
Goblin – “Witch”
PJ Harvey – “The Last Living Rose”
Patti Smith – “Land”
Of Montreal – “The Past Is A Grotesque Animal”
Daft Punk + Giorgio Moroder – “Giorgio by Moroder”
Digitaldubs- “Fleetwood Dub”
Avalanches + Leon Bridges – “Interstellar Love”
Zé Manoel – “Adupé Obaluaê”
Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
Neville Brothers – “In The Still Of The Night”
Yma – “No Aquário”
Dharma Lovers – “Peixes”
Jupiter Apple – “Over the Universe”
Jorge Ben – “Cinco Minutos”
Djavan – “Samurai”
Jards Macalé – “Let’s Play That”
Vovô Bebê – “Êxodo”
Luisa e os Alquimistas + Jéssica Caitano – “Descoladinha”
Katy Perry + Juicy J – “Dark Horse”
Internet – “Dontcha”
Lauryn Hill – “Doo Wop (That Thing)”
Racionais MCs – “Você Me Deve”
Taylor Swift – “Blank Space”
My Chemical Romance – “Teenagers”
David Bowie – “Moonage Daydream”
T-Rex – “Telegram Sam”
Blue Oyster Cult – “(Dont Fear) The Reaper”
Stealers Wheel – “Stuck in The Middle With You”
Steve Miller Band – “Abracadabra”
Kinks – “David Watts”
Doors – “You’re Lost Little Girl”
Velvet Underground – “Candy Says”
Nick Drake – “Poor Boy”
Dionne Warwick – “Walk On By”
Caetano Veloso – “Nine Out of Ten”
Can – “She Brings The Rain”
Carole King – “Beautiful”
Paul McCartney – “Check My Machine”
Bárbara Eugenia + Pélico- “Roupa Suja”
Letrux – “Ninguém Perguntou Por Você”
Eddie – “Sentado Na Beira Do Rio”
Boogarins – “As Chances”
Beatles – “Not Guilty”

Morrissey e David Bowie juntos cantando T-Rex

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O Morrissey tá com o filme tão queimado nessas de se declarar conservador que precisou jogar baixo pra conseguir voltar a ser assunto, ressuscitando uma gravação ao vivo que fez ao lado do mestre David Bowie do clássico glam “Cosmic Dancer”, do T-Rex, quando Bowie participou do show do ex-vocalista dos Smiths em Los Angeles, em 1991 – a mesma música que o Nick Cave gravou só ao piano para o disco-tributo a Marc Bolan.

A gravação original aconteceu e circula na internet faz tempo, mas só agora chega como single às plataformas digitais – e será lançada em vinil no ano que vem, com uma versão de Morrissey para “That’s Entertainment”, do Jam, embora seu site diga que não é a mesma versão que circula online desde os anos 90.

Jornalismo-Arte: Luciano Matos

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Em mais um programa dedicado à dissecar as idas e vindas do jornalismo que cobre música no Brasil, faço a conexão com Salvador para falar de um jornalistas mais influentes em cenas locais dos últimos anos, embora seu baixo perfil pareça colocá-lo alheio à cena. Luciano Matos cobre a cena soteropolitana há décadas em seu Elcabong e vem mexendo com a autoestima da cena da capital baiana para além do texto de seu site, em outras encarnações que vão para outros formatos, como festa, programa de rádio, festival e agora livro, uma novidade que ele conta em primeira mão.

Billie Eilish sozinha no shopping

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Desde o final do ano passado Billie Eilish vem ameaçando seu segundo álbum mostrando aos poucos músicas novas: primeiro foi a melancólica “Everything I Wanted”, que seguiu-se da suntuosa “No Time to Die”, tema do próximo filme de James Bond, para finalmente chegar à balada “My Future”. Em comum, as três músicas encontravam-na mais reservada, mais séria e de alguma forma introspectiva, mas finalmente ela mostra que a Billie que encantou o mundo ano passado segue firme, ao apresentar o single – e o clipe – de “Therefore I Am” nesta quinta-feira.

Sozinha num shopping center (a Glendale Galleria, um dos maiores shoppings de Los Angeles), ela diverte-se sozinha, passando por cima de balcões, surrupiando comida e dominando o cenário como se fizesse uma metáfora para a invasão que fez ao showbusiness no ano passado. A letra encerra um pé na bunda com estilo e o clipe, filmado em uma noite, com um iPhone, reforça que ela só precisa dela mesma para seguir galgando rumo ao topo do pop.

Teenage Fanclub de volta pra casa

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O clássico grupo indie escocês Teenage Fanclub mostra “Home”, single que anuncia o lançamento do primeiro álbum do grupo após a saída de Gerard Love em 2018. Endless Arcade será lançado em março do ano que vem e traz pela primeira vez a formação do grupo como um quinteto, com Norman Blake e Raymond McGinley nas guitarras e vocais, Francis MacDonald na bateria e os novatos Dave McGowan, no baixo, e Euros Childs (sim, o mesmo do Gorky’s Zygotic Mynci) nos teclados.

Amo o solo dobrado da música. Endless Arcade, cuja capa e ordem das faixas vêm abaixo, já está em pré-venda.

“Home”
“Endless Arcade”
“Warm Embrace”
“Everything is Falling Apart”
“The Sun won’t shine on me”
“Come With Me”
“In Our Dreams”
“I’m more inclined”
“Back in the Day”
“The Future”
“Living with You”
“Silent Song”

Bom Saber #028: Luiza Lian

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Luiza Lian entrou no ano disposta a lançar o sucessor do ótimo Azul Moderno que lançou há dois anos, mas teve, como todos nós, de refazer seus planos pois o 2020 que não esperávamos aconteceu. Vendo seu planejamento se desfazer, ela também reviu o disco que estava terminando com o produtor Charlie Tixier por uma nova luz, o que lhe trouxe a um novo entendimento de um álbum que já tem título e está quase finalizado, à exceção de sua extensão audiovisual que, sem previsão de voltar a fazer shows, ganhou outra conotação para a cantora e compositora paulistana. Conversamos sobre processo criativo, sua relação com a espiritualidade, como lançar um disco nessa época estranha que vivemos e como Luiza enxerga esse momento que estamos atravessando.

Haim metal

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A irmãs Haim lançaram “Feel the Thunder”, metal farofa fuleiro para a animação The Croods: A New Age e visitam a região de Los Angeles que, felizmente, deixaram de fora de seu ótimo Women in Music Part III.

É uma das piores – talvez a pior – músicas do trio. Não tem ironia que salve isso.

Thundercat via Floating Points

thundercat

O produtor inglês Sam Shepherd, o nome por trás da grife eletrônica Floating Points, remixou “Fair Chance”, que o músico norte-americano Thundercat compôs em homenagem ao falecido rapper Mac Miller em seu disco mais recente, It Is What It Is, e o resultado, graças a um grauzinho esperto dado por sintetizadores precisos, leva a faixa, que ainda tem participação de Lil B e Ty Dolla $ign para outra dimensão. Sente só:

Suave…