O épico discurso de Mujica na Assembléia da ONU: “Sim, é possível uma humanidade melhor”

, por Alexandre Matias

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Dilma falou bonito, mas o Mujica… Ah, o Mujica… Tire esses 40 e poucos minutos para ouvir o inspirador discurso do presidente uruguaio na ONU nesta terça-feira. Um monte de coisa que todo mundo já sabe, mas dita com uma clareza rara no cenário político internacional. Sem rodeios, sem trololó.

A transcrição o discurso (feita pelo jornal uruguaio República) segue abaixo. Se alguém se dispor a traduzir pro português, é só colar na área de comentários que eu atualizo aqui depois. Me mandaram a tradução feita pela Fernanda Grabauska para a Zero Hora, que copio abaixo:

Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século 20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.

Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e, quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de intercâmbios funestos, e ficamos estancados, sentindo falta do passado.

Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor. Minha história pessoal, a de um rapaz — por que, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia.

Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da América Latina pátria de todos que está se formando.

Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.

Carrego o dever de lutar por pátria para todos.

Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferências e discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos de acordo.

A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes.

O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.

Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão.

O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver.

Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.

Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.

O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.

Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.

Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.

Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo funcional à acumulação.

A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Debochada marcha de historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.

Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim, um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais.

O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus. Haverá outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético.

Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que o interesse privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde visão, é o todo.

Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são o vértice do poder mundial. Mais claro, cremos que o mundo requer a gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda. Mas não é a ciência que governa o mundo. Se precisa, por exemplo, uma larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.

Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos, castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação. Mobilizar as grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo.

Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fórums e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e transforma em decisões…

Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro. Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte. Essa ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não entendemos? Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos parecem impossíveis, mas requeririam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.

Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é pela enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo. Por último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos “reclamáveis”, que vão plantear um comércio interno livre, mas que, no fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta. A sua vez, crescerão ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e, naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a alegria do sistema financeiro.

Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que, talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima da terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta.

Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial duplica. Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar. Não podemos manejar a globalização porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural ou se estamos chegano a nossos limites biológicos.

Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.

A cobiça, tão negatica e tão motor da história, essa que impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo nebuloso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e para continuar nos transformando.

Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico.

Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e para vislumbrar o rombo. Mas é impossível para nós coletivizar decisões globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a cobiça superior da espécie. Aclaremos: o que é “tudo”, essa palavra simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente, particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as repúblicas que nasceram para afirmas que os homens são iguais, que ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a igualdade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum.

Não foram as repúblicas criadas para vegetar, mas ao contrário, para serem um grito na história, para fazer funcionais as vidas dos próprios povos e, por tanto, as repúblicas que devem às maiorias e devem lutar pela promoção das maiorias.

Seja o que for, por reminiscências feudais que estão em nossa cultura, por classismo dominador, talvez pela cultura consumista que rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um viver diário que exclui, que se distância do homem da rua.

Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os gobernos republicanos deveriam se parecer cada vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém. O jogo desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é impossível renunciar à guerra cuando a política fracassa. Assim, se estrangula a economia, esbanjamos recursos.

Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.

Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste mundo plantear que há recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores vergonhas que pairam sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.

As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.

Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.

Amigos, creio que é muito difícil inventar uma força pior que nacionalismo chovinista das grandes potências. A força é que liberta os fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização, formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos disso por toda a parte.

A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta. Mostro um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz em todos os países da América Latina. E ali estamos, onde nos pedem que estejamos. Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem, enquanto viver em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.

Até que o homem não saia dessa pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a larga marcha e o desafio que temos daqui adiante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal deveria ter um governo para a humanidade que superasse o individualismo e primasse por recriar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência, e não apenas aos interesses imediatos que nos governam e nos afogam.

Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização.

Há poucos dias, fizeram na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma lâmpada elétrica que está acesa há cem anos. Cem anos que está acesa, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem, comprem e comprem.

Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e para toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos requer a história. Toda a base material mudou e cambaleou, e os homens, com nossa cultura, permanecem como se não houvesse acontecido nada e, em vez de governarem a civilização, deixam que ela nos governe. Há mais de 20 anos que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal. Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a passo, é capaz de transformar o deserto em verde.

O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética.

Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.

Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos na causa profundas, na civilização do esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso “nós”.

Obrigado.

E, aqui, o original em espanhol:

Amigos todos, soy del sur, vengo del sur. Esquina del Atlántico y del Plata, mi país es una penillanura suave, templada, una historia de puertos, cueros, tasajo, lanas y carne. Tuvo décadas púrpuras, de lanzas y caballos, hasta que por fin al arrancar el siglo XX se puso a ser vanguardia en lo social, en el Estado, en la enseñanza. Diría que la socialdemocracia se inventó en el Uruguay.

Durante casi 50 años el mundo nos vio como una especie de Suiza. En realidad, en lo económico fuimos bastardos del imperio británico y cuando este sucumbió vivimos las amargas mieles de términos de intercambio funestos, y quedamos estancados añorando el pasado.

Casi 50 años recordando el Maracaná, nuestra hazaña deportiva. Hoy hemos resurgido en este mundo globalizado tal vez aprendiendo de nuestro dolor. Mi historia personal, la de un muchacho- porque alguna vez fui muchacho- que como otros quiso cambiar su época, su mundo, el sueño de una sociedad libertaria y sin clases. Mis errores son en parte hijos de mi tiempo. Obviamente los asumo, pero hay veces que medito con nostalgia

Obviamente los asumo, pero hay veces que medito con nostalgia

¡quién tuviera la fuerza de cuando éramos capaces de albergar tanta utopía! Sin embargo no miro hacia atrás porque el hoy real nació en las cenizas fértiles del ayer. Por el contrario no vivo para cobrar cuentas o reverberar recuerdos.

Me angustia, y de qué manera, el porvenir que no veré, y por el que me comprometo. Sí, es posible un mundo con una humanidad mejor, pero tal vez hoy la primera tarea sea cuidar la vida.

Pero soy del sur y vengo del sur, a esta asamblea, cargo inequívocamente con los millones de compatriotas pobres, en las ciudades, en los páramos, en las selvas, en las pampas, en los socavones, de la América Latina patria común que se está haciendo.

Cargo con las culturas originales aplastadas, con los restos del colonialismo en Malvinas, con bloqueos inútiles a ese caimán bajo el sol del Caribe que se llama Cuba. Cargo con las consecuencias de la vigilancia electrónica que no hace otra cosa que sembrar desconfianza. Desconfianza que nos envenena inútilmente. Cargo con una gigantesca deuda social, con la necesidad de defender la Amazonia, los mares, nuestros grandes ríos de América.

Cargo con el deber de luchar por patria para todos.

Para que Colombia pueda encontrar el camino de la paz, y cargo con el deber de luchar por tolerancia, la tolerancia se precisa para con aquellos que son distintos, y con los que tenemos diferencias y discrepamos. No se precisa la tolerancia para los que estamos de acuerdo.

La tolerancia es el fundamento de poder convivir en paz, y entendiendo que en el mundo somos diferentes.

El combate a la economía sucia, al narcotráfico, a la estafa, el fraude y la corrupción, plagas contemporáneas, prohijadas por ese antivalor, ese que sostiene que somos felices si nos enriquecemos sea como sea. Hemos sacrificado los viejos dioses inmateriales. Les ocupamos el templo con el dios mercado, que nos organiza la economía, la política, los hábitos, la vida y hasta nos financia en cuotas y tarjetas, la apariencia de felicidad.

Parecería que hemos nacido solo para consumir y consumir, y cuando no podemos cargamos con la frustración, la pobreza, y hasta la autoexclusión.

Lo cierto hoy es que para gastar y enterrar los detritos en eso que se llama la huella de carbono por la ciencia, si aspiraramos en esta humanidad a consumir como un americano medio promedio, sería imprescindible tres planetas para poder vivir.

Es decir nuestra civilización montó un desafío mentiroso y así como vamos, no es posible para todos colmar ese sentido de despilfarro que se le ha dado a la vida. En los hechos se está masificando como una cultura de nuestra época, siempre dirigida por la acumulación y el mercado.

Prometemos una vida de derroche y despilfarro, y en el fondo constituye una cuenta regresiva contra la naturaleza, contra la humanidad como futuro. Civilización contra la sencillez, contra la sobriedad, contra todos los ciclos naturales.

Lo peor: civilización contra la libertad que supone tener tiempo para vivir las relaciones humanas, lo único trascendente, el amor, la amistad, aventura, solidaridad, familia.

Civilización contra tiempo libre no paga, que no se compra, y que nos permite contemplar y escudriñar el escenario de la naturaleza.

Arrasamos la selva, las selvas verdaderas, e implantamos selvas anónimas de cemento. Enfrentamos al sedentarismo con caminadores, al insomnio con pastillas, la soledad con electrónicos, porque somos felices alejados del entorno humano.

Cabe hacerse esta pregunta, huimos de nuestra biología que defiende la vida por la vida misma, como causa superior, y lo suplantamos por el consumismo funcional a la acumulación.

La política, la eterna madre del acontecer humano quedó limitada a la economía y al mercado, de salto en salto la política no puede más que perpetuarse, y como tal delegó el poder y se entretiene, aturdida, luchando por el gobierno. Debocada marcha de historieta humana, comprando y vendiendo todo, e innovando para poder negociar de algún modo, lo que es innegociable. Hay marketing para todo, para los cementerios, los servicios fúnebres, las maternidades, para padres, para madres, pasando por las secretarias, los autos y las vacaciones. Todo, todo es negocio.

Todavía las campañas de marketing caen deliberadamente sobre los niños, y su psicología para influir sobre los mayores y tener hacia el futuro un territorio asegurado. Sobran pruebas de estas tecnologías bastante abominables que a veces, conducen a las frustraciones y más.

El hombrecito promedio de nuestras grandes ciudades, deambula entre las financieras y el tedio rutinario de las oficinas, a veces atemperadas con aire acondicionado. Siempre sueña con las vacaciones y la libertad, siempre sueña con concluir las cuentas, hasta que un día, el corazón se para, y adiós. Habrá otro soldado cubriendo las fauces del mercado, asegurando la acumulación. La crisis se hace impotencia, la impotencia de la política, incapaz de entender que la humanidad no se escapa, ni se escapará del sentimiento de nación. Sentimiento que casi está incrustado en nuestro código genético.

Hoy, es tiempo de empezar a tallar para preparar un mundo sin fronteras. La economía globalizada no tiene más conducción que el interés privado, de muy pocos, y cada estado nacional mira su estabilidad continuista, y hoy la gran tarea para nuestros pueblos, en mi humilde manera de ver, es el todo.

Como si esto fuera poco, el capitalismo productivo, francamente productivo, está medio prisionero en la caja de los grandes bancos. En el fondo son la cúspide del poder mundial. Más claro, creemos que el mundo requiere a gritos reglas globales que respeten los logros de la ciencia, que abunda. Pero no es la ciencia que gobierna el mundo. Se precisan por ejemplo, una larga agenda de definiciones, cuántas horas de trabajo y toda la tierra, cómo convergen las monedas, cómo se financia la lucha global por el agua, y contra los desiertos.

Cómo se recicla y se presiona contra el calentamiento global. Cuáles son los límites de cada gran quehacer humano. Sería imperioso lograr consenso planetario para desatar solidaridad hacia los más oprimidos, castigar impositivamente el despilfarro y la especulación. Movilizar las grandes economías, no para crear descartables, con obsolencia calculada, sino bienes útiles, sin fidelidad, para ayudar a levantar a los pobres del mundo. Bienes útiles contra la pobreza mundial. Mil veces más redituable que hacer guerras. Volcar un neo-keynesianismo útil de escala planetaria para abolir las vergüenzas más flagrantes que tiene este mundo.

Tal vez nuestro mundo necesita menos organismos mundiales, esos que organizan los foros y las conferencias, que le sirven mucho a las cadenas hoteleras y a las compañías aéreas y en el mejor de los casos nadie recoge y lo transforma en decisiones.…

Necesitamos sí mascar mucho lo viejo y eterno de la vida humana junto a la ciencia, esa ciencia que se empeña por la humanidad no para hacerse rico; con ellos, con los hombres de ciencia de la mano, primeros consejeros de la humanidad, establecer acuerdos por el mundo entero. Ni los Estados nacionales grandes, ni las transnacionales y muchos menos el sistema financiero debería gobernar el mundo humano. Sí la alta política entrelazada con la sabiduría científica, allí está la fuente. Esa ciencia que no apetece el lucro pero que mira el porvenir y nos dice cosas que no atendemos. ¿Cuántos años hace que nos dijeron determinadas cosas que no nos dimos por enterados? Creo que hay que convocar la inteligencia al comando de la nave arriba de la tierra, cosas de este estilo y otras que no puedo desarrollar nos parecen imprescindibles, pero requerirían que lo determinante fuera la vida, no la acumulación.

Obviamente, no somos tan ilusos, estas cosas no pasarán, ni otras parecidas. Nos quedan muchos sacrificios inútiles por delante, mucho remendar consecuencias y no enfrentar las causas. Hoy el mundo es incapaz de crear regulación planetaria a la globalización y esto es por el debilitamiento de la alta política, eso que se ocupa de todo. Por último vamos a asistir al refugio de acuerdos más o menos “reclamables”, que van a plantear un mentiroso libre comercio interno, pero que en el fondo van a terminar construyendo parapetos proteccionistas, supranacionales en algunas regiones del planeta. A su vez van a crecer ramas industriales importantes y servicios, todos dedicados a salvar y mejorar al medio ambiente. Así nos vamos a consolar por un tiempo, vamos a estar entretenidos y naturalmente va a continuar como para estar rica la acumulación para regodeo del sistema financiero.

Continuarán las guerras y por tanto los fanatismos hasta que tal vez la misma naturaleza lo llame al orden y haga inviable nuestras civilizaciones. Tal vez nuestra visión es demasiado cruda, sin piedad y vemos al hombre como una criatura única, la única que hay arriba de la tierra capaz de ir contra su propia especie. Vuelvo a repetir, porque algunos llaman la crisis ecológica del planeta, es consecuencia del triunfo avasallante de la ambición humana. Ese es nuestro triunfo, también nuestra derrota, porque tenemos impotencia política de encuadrarnos en una nueva época. Y hemos contribuido a construir y no nos damos cuenta.

¿Por qué digo esto? Son datos nada más. Lo cierto es que la población se cuadriplicó y el PBI creció por lo menos veinte veces en el último siglo. Desde 1990 aproximadamente cada seis años se duplica el comercio mundial. Podíamos seguir anotando datos que establecen la marcha de la globalización. ¿Qué nos está pasando? Entramos en otra época aceleradamente pero con políticos, atavíos culturales, partidos, y jóvenes, todos viejos ante la pavorosa acumulación de cambios que ni siquiera podemos registrar. No podemos manejar la globalización, porque nuestro pensamiento no es global. No sabemos si es una limitante cultural o estamos llegando a los límites biológicos.

Nuestra época es portentosamente revolucionaria como no ha conocido la historia de la humanidad. Pero no tiene conducción consciente, o menos, conducción simplemente instintiva. Mucho menos todavía, conducción política organizada porque ni siquiera hemos tenido filosofía precursora ante la velocidad de los cambios que se acumularon.

La codicia, tanto negativa y tanto motor de la historia, eso que empujó al progreso material técnico y científico, que ha hecho lo que es nuestra época y nuestro tiempo y un fenomenal adelanto en muchos frentes, paradojalmente, esa misma herramienta, la codicia que nos empujó a domesticar la ciencia y transformarla en tecnología nos precipita a un abismo brumoso. A una historia que no conocemos, a una época sin historia y nos estamos quedando sin ojos ni inteligencia colectiva para seguir colonizando y perpetuarnos transformándonos.

Porque si una característica tiene este bichito humano, es que es un conquistador antropológico.

Parece que las cosas toman autonomía y las cosas someten a los hombres. Por un lado u otro, sobran activos para vislumbrar estas cosas y en todo caso, vislumbrar el rumbo. Pero nos resulta imposible colectivizar decisiones globales por ese todo. Más claro, la codicia individual ha triunfado largamente sobre la codicia superior de la especie. Aclaremos, ¿qué es el todo?, esa palabra que utilizamos. Para nosotros es la vida global del sistema tierra incluyendo la vida humana con todos los equilibrios frágiles que hacen posible que nos perpetuemos. Por otro lado, más sencillo, menos opinable y más evidente. En nuestro occidente, particularmente, porque de ahí venimos aunque venimos del Sur, las repúblicas que nacieron para afirmar que los hombres somos iguales, que nadie es más que nadie, que sus gobiernos deberían representar el bien común, la justicia y la equidad. Muchas veces, las repúblicas se deforman y caen en el olvido de la gente corriente, la que anda por las calles, el pueblo común.

No fueron las repúblicas creadas para vegetar encima de la grey, sino por el contrario, son un grito en la historia para hacer funcionales a la vida de los propios pueblos y, por lo tanto, las repúblicas se deben a las mayorías y a luchar por la promoción de las mayorías.

Por lo que fuera, por reminiscencias feudales que están allí en nuestra cultura; por clasismo dominador, tal vez por la cultura consumista que nos rodea a todos, las repúblicas frecuentemente en sus direcciones adoptan un diario vivir que excluye, que pone distancia con el hombre de la calle.

En los hechos, ese hombre de la calle debería ser la causa central de la lucha política en la vida de las repúblicas. Los gobiernos republicanos deberían de parecerse cada vez más a sus respectivos pueblos en la forma de vivir y en la forma de comprometerse con al vida.

El hecho es que cultivamos arcaísmos feudales, cortesanismos consentidos, hacemos diferenciaciones jerárquicas que en el fondo socavan lo mejor que tienen las repúblicas: que nadie es más que nadie. El juego de estos y otros factores nos retienen en la prehistoria. Y hoy es imposible renunciar a la guerra cuando la política fracasa. Así se estrangula la economía, derrochamos recursos.

Oigan bien, queridos amigos: en cada minuto del mundo se gastan dos millones de dólares en presupuestos militares en esta tierra. Dos millones de dólares por minutos en presupuesto militar!! En investigación médica, de todas las enfermedades que ha avanzado enormemente y es una bendición para la promesa de vivir unos años más, esa investigación apenas cubre la quinta parte de la investigación militar.

Este proceso del cual no podemos salir, es ciego. Asegura odio y fanatismo, desconfianza, fuente de nuevas guerras y esto también, derroche de fortunas. Yo se que es muy fácil, poéticamente, autocriticarnos, personalmente. Y creo que sería una inocencia en este mundo plantear que allí existen recursos para ahorrar y gastarlos en otras cosas útiles. Eso sería posible, otra vez, si fuéramos capaces de ejercitar acuerdos mundiales y prevenciones mundiales de políticas planetarias que nos garanticen la paz y que nos den a los más débiles, garantía que no tenemos. Ahí habría enormes recursos para recortar y atender las mayores vergüenzas arriba de la Tierra. Pero basta una pregunta: en esta humanidad, hoy, ¿adonde se iría sin la existencia de esas garantías planetarias? Entonces cada cual hace vela de armas de acuerdo a su magnitud y allí estamos porque no podemos razonar como especie, apenas como individuos.

Las instituciones mundiales, particularmente hoy vegetan a la sombra consentida de las disidencias de las grandes naciones que, obviamente, estas quieren retener su cuota de poder.

Bloquean en los hechos a esta ONU que fue creada con una esperanza y como un sueño de paz para la humanidad. Pero peor aún la desarraigan de la democracia en el sentido planetario porque no somos iguales. No podemos ser iguales en este mundo donde hay más fuertes y más débiles. Por lo tanto es una democracia planetaria herida y está cercenando la historia de un posible acuerdo mundial de paz, militante, combativo y que verdaderamente exista. Y entonces, remendamos enfermedades allí donde hace eclosión y se presenta según le parezca a algunas de las grandes potencias. Lo demás miramos desde lejos. No existimos.

Amigos, yo creo que es muy difícil inventar una fuerza peor que el nacionalismo chauvinista de las granes potencias. La fuerza que es liberadora de los débiles. El nacionalismo tan padre de los procesos de descolonización, formidable hacia los débiles, se transforma en una herramienta opresora en las manos de los fuertes y vaya que en los últimos 200 años hemos tenido ejemplos por todas partes.

La ONU, nuestra ONU languidece, se burocratiza por falta de poder y de autonomía, de reconocimiento y sobre todo de democracia hacia el mundo más débil que constituye la mayoría aplastante del planeta. Pongo un pequeño ejemplo, pequeñito. Nuestro pequeño país tiene en términos absolutos, la mayor cantidad de soldados en misiones de paz de los países de América Latina desparramos en el mundo. Y allí estamos, donde nos piden que estemos. Pero somos pequeños, débiles. Donde se reparten los recursos y se toman las decisiones, no entramos ni para servir el café. En lo más profundo de nuestro corazón, existe un enorme anhelo de ayudar para que le hombre salga de la prehistoria. Yo defino que el hombre mientras viva con clima de guerra, está en la prehistoria, a pesar de los muchos artefactos que pueda construir.

Hasta que el hombre no salga de esa prehistoria y archive la guerra como recurso cuando la política fracasa, esa es la larga marcha y el desafío que tenemos por delante. Y lo decimos con conocimiento de causa. Conocemos las soledades de la guerra. Sin embargo, estos sueños, estos desafíos que están en el horizonte implica luchar por una agenda de acuerdos mundiales que empiecen a gobernar nuestra historia y superar paso a paso, las amenazas a la vida. La especie como tal, debería tener un gobierno para la humanidad que supere el individualismo y bregue por recrear cabezas políticas que acudan al camino de la ciencia y no solo a los intereses inmediatos que nos están gobernando y ahogando.

Paralelamente hay que entender que los indigentes del mundo no son de África o de América Latina, son de la humanidad toda y esta debe como tal, globalizada, propender a empeñarse en su desarrollo, en que puedan vivir con decencia por sí mismos. Los recursos necesarios existen, están en ese depredador despilfarro de nuestra civilización.

Hace pocos días le hicieron ahí, en California, en una agencia de bomberos un homenaje a una bombita eléctrica que hace 100 años que está prendida; ¡100 años que está prendida, amigo! Cuántos millones de dólares nos sacaron del bolsillo haciendo deliberadamente porquerías para que la gente compre, y compre, y compre, y compre.

Pero esta globalización de mirar por todo el planeta y por toda la vida significa un cambio cultural brutal. Es lo que nos está requiriendo la historia. Toda la base material ha cambiado y ha tambaleado, y los hombres, con nuestra cultura, permanecemos como si no hubiera pasado nada y en lugar de gobernar la civilización, esta nos gobierna a nosotros. Hace más de 20 años que discutíamos la humilde tasa Tobi. Imposible aplicarla a nivel del planeta. Todos los bancos del poder financiero se levantan heridos en su propiedad privada y qué sé yo cuántas cosas más. Sin embargo, esto es lo paradojal. Sin embargo, con talento, con trabajo colectivo, con ciencia, el hombre paso a paso es capaz de transformar en verde a los desiertos.

El hombre puede llevar la agricultura al mar. El hombre puede crear vegetales que vivan con agua salada. La fuerza de la humanidad se concentra en lo esencial. Es inconmensurable. Allí están las más portentosas fuentes de energía. ¿Qué sabemos de la fotosíntesis?, casi nada. La energía en el mundo sobra si trabajamos para usarla con ella. Es posible arrancar de cuajo toda la indigencia del planeta. Es posible crear estabilidad y será posible a generaciones venideras, si logran empezar a razonar como especie y no solo como individuo, llevar la vida a la galaxia y seguir con ese sueño conquistador que llevamos en nuestra genética los seres humanos.

Pero para que todos esos sueños sean posibles, necesitamos gobernarnos a nosotros mismos o sucumbiremos porque no somos capaces de estar a la altura de la civilización que en los hechos fuimos desarrollando.

Este es nuestro dilema. No nos entretengamos solos remendando consecuencias. Pensemos en las causas de fondo, en la civilización del despilfarro, en la civilización del use-tire que lo que está tirando es tiempo de vida humana malgastado, derrochando cuestiones inútiles. Piensen que la vida humana es un milagro. Que estamos vivos por milagro y nada vale más que la vida. Y que nuestro deber biológico es por encima de todas las cosas respetar la vida e impulsarla, cuidarla, procrearla y entender que la especie es nuestro nosotros.

Gracias.

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67 thoughts on “O épico discurso de Mujica na Assembléia da ONU: “Sim, é possível uma humanidade melhor”

  1. Joao disse:

    Amigos de tudo, eu sou do sul , sou do sul. Canto do Atlântico e Prata, o meu país é um soft peneplain , quente, uma história de portos, peles, carne , lã e carne. Décadas tinha roxo, lanças e cavalos , até que , finalmente, quando se inicia o século XX começou a ser vanguarda na vida social, no estado em educação. Eu diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.

    Por quase 50 anos, o mundo viu-nos como uma espécie de Suíça. Na verdade, economicamente o Império Britânico eram bastardos e quando vivemos o mel amargo sucumbiu termos de troca fatal, e se desejo preso ao passado .

    Quase 50 anos lembrando o Maracanã , a nossa façanha atlética . Hoje temos ressurgiu neste mundo globalizado pode aprender com a nossa dor. Minha história pessoal de um menino que sempre foi de que outro rapaz queria mudar o seu tempo , o seu mundo , o sonho de uma sociedade libertária sem aulas. Meus erros são meus filhos a tempo parcial. Obviamente , eu assumo , mas às vezes melancolicamente ponderar

    Obviamente , eu assumo , mas às vezes melancolicamente ponderar

    Quem tinha a força de quando fomos capazes de acomodar tal utopia ! Mas não olhe para trás , porque o real hoje nasceu nas cinzas férteis de ontem. Pelo contrário, eu não vivo para coletar contas ou reverberam memórias.

    Eu angústia , e como, o futuro não vai ver , e pela qual eu concordo. Sim , é possível um mundo com uma humanidade melhor , mas , talvez, a primeira tarefa de hoje é cuidar da vida .

    Mas eu sou do sul e chegar a esta assembléia , de forma inequívoca pelos milhões de compatriotas pobres , nas cidades, nas charnecas , nas florestas , nas planícies , nos túneis do país latino-americano comum a ser está fazendo.

    Carga com culturas originais esmagado os restos de colonialismo nas Malvinas , com fechaduras que jacaré inútil sob o sol do Caribe chamado Cuba. Carga com as conseqüências de monitoramento eletrônico não faz nada para semear a desconfiança . Desconfiança nos envenena desnecessariamente. Carga com uma enorme dívida social com a necessidade de defender a Amazônia , os mares , os nossos grandes rios da América.

    Carga com o dever de lutar pela pátria para todos.

    Para a Colômbia para encontrar o caminho da paz , e pelo dever de lutar pela tolerância , a tolerância é necessária para aqueles que são diferentes, e com quem temos diferenças e discordar. Nenhuma tolerância preciso para aqueles que concordam .

    Tolerância é o fundamento de ser capaz de viver em paz e compreensão no mundo são diferentes.

    Lutando economia sujo, tráfico de drogas, à fraude, fraude e corrupção , assola prohijadas contemporâneos pelo valor negativo, que sustenta que estamos felizes , se enriquecer de qualquer maneira. Nós temos sacrificado os velhos deuses imaterial. Eu lido com o mercado templo de Deus, e organiza a economia, a política , os hábitos , a vida e ainda tenho fundos em parcelas e cartões , a aparência de felicidade.

    Parece que nascemos só para consumir e consumir , e quando não podemos continuar com a frustração , pobreza e mesmo de auto-exclusão .

    A verdade hoje é que para queimar e enterrar os restos em que é chamado a pegada de carbono pela ciência , se aspiraramos neste humanidade consome , em média, média -americanos, três planetas seria essencial para viver.

    Essa é a nossa civilização mentiroso e montou um desafio e vão, não é possível para todos, para preencher esse sentimento de resíduos que tem sido dado à vida. Na verdade, é cada vez mais difundido como uma cultura de nosso tempo , sempre dirigida pela acumulação e do mercado.

    Nós prometemos uma vida de extravagância e desperdício , e no fundo é uma contagem regressiva contra a natureza, contra a humanidade e no futuro. Civilização contra a simplicidade contra sobriedade, contra todos os ciclos naturais.

    Pior : a civilização contra a liberdade de ter tempo para viver as relações humanas , todos transcendente , amor, amizade , aventura , solidariedade, família.

    Civilização contra o tempo livre não pagar, eles não estão comprando , e nos permite contemplar e digitalização do cenário da natureza.

    Selva realmente dominante nas selvas reais, e implante de cimento selvas anônimos . Estamos diante de um estilo de vida sedentário com os caminhantes , insônia com pílulas, a solidão eletrônica, porque estamos felizes longe do ambiente humano.

    Deve fazer esta pergunta , corremos de nossa biologia que defende a vida para a própria vida , como uma causa maior , e suplantado pelo consumismo função de acumulação.

    Política, a mãe eterna dos acontecimentos humanos se limitava à economia e ao mercado, hop on hop política só pode se perpetuar , e como tal poder delegado e diverte , atordoado , lutando para o governo. Desenhos animados Debocada progresso humano , comprando e vendendo de tudo, e inovar , a fim de negociar , de alguma forma , o que é negociável. Há mercado para todos , para cemitérios , serviços funerários , maternidade, pais, às mães , aos secretários , carros e férias. Tudo, tudo é negócio.

    Ainda cair campanhas de marketing sobre as crianças deliberadamente e psicologia para influenciar mais e ter um território à frente segurado. Abundante evidência dessas tecnologias bastante abomináveis ​​, por vezes, levar a frustrações e muito mais.

    O homem médio de nossas grandes cidades , vagando entre o financeiro eo tédio da rotina do escritório, às vezes temperada com ar condicionado. Sempre férias de sonho e liberdade, sempre sonha em completar as contas , até que um dia , o coração pára, e adeus. Haverá um outro soldado cobrindo as garras do mercado , garantindo a acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de compreender que a humanidade não vaza , nem escapar do sentimento de nacionalidade . Sentindo que quase é embutido no nosso código genético.

    Hoje, é tempo de começar a preparar esculpir um mundo sem fronteiras . A economia globalizada não tem mais condução para o interesse privado de uns poucos, e cada estado olhar estabilidade continuista nacional e, hoje, a grande obra para o nosso povo , no meu humilde ponto de vista, é tudo .

    Como se isso não bastasse, o capitalismo produtivo , produtivo , francamente, é meio preso na caixa dos grandes bancos . No fundo são o auge do poder mundial . Isqueiro , acreditamos que o mundo precisa de regras globais gritando respeitar as conquistas da ciência , o que abunda. Mas não é a ciência que rege o mundo. São necessários por exemplo, definições de uma agenda de longo , quantas horas de trabalho e de toda a terra , como a convergir as moedas, como financiar a luta global para a água, e dos desertos .

    Como reciclar e pressionou contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande esforço humano. Seria imperativo para desencadear solidariedade consenso planetário com os mais oprimidos , castigando imposto fins desperdício e especulação. Mobilizar grandes economias , para não criar descartável , com obsolescência calculada , mas ferramentas reais , fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo . Verdadeiro útil contra a pobreza global. Mil vezes mais rentáveis ​​do que fazer a guerra . Despejar escala planetária neo- keynesianismo útil para abolir embaraços mais gritantes que têm neste mundo.

    Talvez o nosso mundo precisa de corpos menos globais , aqueles que organizam fóruns e conferências , que servem tanto as cadeias hoteleiras e companhias aéreas ea melhor que ninguém recolhe e transforma -lo em decisões ….

    Sim, nós precisamos de muito mastigar velho e eterno da vida humana com a ciência, a ciência que se esforça para a humanidade não para ficar rico , com eles , os cientistas da mão , primeiros diretores da humanidade , acordos em todo o mundo. Nem os grandes Estados-nação ou o sistema financeiro transnacional e menos deveria governar o mundo humano. Sim alta política entrelaçadas com sabedoria científica, há a fonte. Que a ciência não quer lucro, mas olhar para o futuro e nos diz coisas que não freqüentam . Quantos anos eles nos disseram certas coisas que nós demos conhecimento ? Acho que devemos chamar de inteligência para o comando do navio acima da terra, coisas deste estilo e outras que eu não consigo necessário para se desenvolver, mas exigiria que o determinante fora a vida, não a acumulação.

    Obviamente , não estamos loucos , essas coisas não se passam, e assim por diante. Estamos muitos sacrifícios inúteis frente, muito remendado e não enfrentar as consequências causas. Hoje o mundo é incapaz de criar regulação planetária da globalização e isso é devido ao enfraquecimento da alta política , de modo que cuida de tudo . Finalmente iremos para o abrigo cerca de acordos ” ICMS ” , o que vai representar um mentiroso de livre comércio interno , mas que, basicamente, vai acabar parapeitos construção protecionistas , supranacionais , em algumas regiões do planeta. Por sua vez eles vão crescer importantes indústrias e serviços , todos dedicados a salvar e melhorar o ambiente . Então vamos para o console por um tempo, que vai se divertir e, claro, continuará a ser rico acúmulo exultante para o sistema financeiro .

    Continuar as guerras e, portanto, o fanatismo , até , talvez, a própria natureza chamar assim a ordem e tornar inviáveis ​​nossas civilizações . Talvez a nossa visão é muito crua, cruel e ver o homem como uma criatura única , a única que existe sobre a terra capaz de ir contra a sua própria espécie. Repito , porque alguns chamam de crise ecológica global é o resultado de triunfo esmagador da ambição humana. Essa é a nossa vitória, também a nossa derrota porque encuadrarnos impotência política de uma nova era. E nós ajudamos a construir e não percebem isso.

    Por que eu digo isso? Eles são nada mais dados. A verdade é que a população quadruplicou eo PIB cresceu em pelo menos vinte vezes no século passado . Desde 1990, aproximadamente dobra a cada seis anos o comércio mundial . Poderíamos continuar marcando dados que comprovem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco ? Entramos outra vez rapidamente, mas política, armadilhas culturais , festas e jovens, todos os velhos incrível antes de acumulação de mudanças que não podemos nem mesmo se cadastrar. Não podemos gerir a globalização , porque o nosso pensamento não é global. Não sei se é uma limitação estamos atingindo limites culturais e biológicas.

    Nossa época é revolucionário portentously sido conhecida como a história da humanidade. Mas nenhuma unidade consciente ou menos apenas condução instintivo. Muito menos ainda organizada liderança política , porque nós ainda não tiveram filosofia precursor para a velocidade das mudanças que se acumularam .

    Ganância, tanto negativamente e tanto motor da história , que empurrou o progresso técnico e científico material que tenha feito o que é o nosso tempo e do nosso tempo e um grande avanço em várias frentes , paradoxalmente, a mesma ferramenta , a ganância que nos levou a domesticar a ciência ea tecnologia nos transformar lança uma neblina abismo. Em uma história que não sabemos , para uma época sem história e nós estamos correndo inteligência coletiva sem olhos para continuar colonizando e transformando perpetuar .

    Porque se um recurso tem esse bug humano é que ele é um conquistador antropológica.

    Parece que as coisas tomam coisas autonomia e submeter aos homens . De um lado ou de outro, muitos ativos para imaginar essas coisas e , em qualquer caso , um vislumbre do curso. Mas é impossível decisões globais coletivizar para o todo. Mais leve, a ganância individual, triunfou sobre a ganância espécies superiores de comprimento. Esclarecer o que é o todo? , A palavra que usamos . Para nós é a vida útil do sistema global, incluindo a vida humana com a Terra todos os balanços frágeis que nos permitem perpetuar . Por outro lado, mais simples, menos óbvia e mais discutível . Em nossa ocidental, particularmente , por causa de onde viemos , mas chegamos Sul , repúblicas nascidas para afirmar que os homens são iguais , ninguém é mais que ninguém que seus governos devem representar o bem comum, justiça e equidade. Muitas vezes , as repúblicas são deformados e cair no esquecimento das pessoas comuns , que anda pelas ruas , as pessoas comuns .

    Eles não foram criados para vegetar repúblicas sobre o rebanho , mas sim , são um grito para a história funcional para a vida das próprias pessoas e, portanto, as repúblicas são devido à maioria e lutar pela promoção da maioria.

    Fosse o que fosse , por reminiscências feudais que estão lá na nossa cultura, para classismo dominante , talvez por causa da cultura de consumo que nos rodeia todas as repúblicas em seus endereços muitas vezes levam a vida diária , que exclui , que coloca a distância com o homem a rua.

    Na verdade, o homem da rua deve ser a causa central da luta política na vida das repúblicas . Governos republicanos devem olhar cada vez mais para o seu povo em como viver e como se envolver com a vida.

    O fato é que nós cultivamos cortesanismos feudais arcaicas mimada, fazer distinções hierárquicas que, basicamente, minam o melhor que têm as repúblicas : a de que ninguém é melhor que ninguém. O conjunto destes e de outros fatores que retêm na pré-história . E hoje é impossível renunciar à guerra quando a política falha. Por isso, é estrangular a economia , o desperdício de recursos.

    Ouça bem, queridos amigos em todo o mundo a cada minuto gasto dois milhões de dólares em orçamentos militares nesta terra . Dois milhões de dólares por orçamento militar minuto ! Em pesquisa clínica , de todas as doenças avançou muito e é uma bênção para a promessa de viver mais alguns anos , esta pesquisa abrange apenas um quinto da investigação militar.

    Este processo, que não podemos escapar , é cego . Garante o ódio ea intolerância , a desconfiança , a fonte de novas guerras e esta sorte também, desperdiçados. Eu sei que é muito fácil, poeticamente , a auto -crítica, pessoalmente . E eu acho que seria uma inocência neste mundo argumentam que não há recursos para economizar e gastar com outras coisas úteis. Isso seria , mais uma vez , se fomos capazes de exercer acordos globais e prevenções de políticas globais que garantam a paz planetária e dar-nos os fracos, não temos garantia. Isso tem enormes recursos para cortar e servir os maiores vergonhas acima da Terra . Mas apenas uma pergunta : neste humanidade , hoje, onde eles iriam , na ausência de tais garantias planetários ? Então, todo mundo faz armas de vela de acordo com sua magnitude e lá estamos nós , porque não podemos pensar como espécie , assim como indivíduos.

    Instituições globais, especialmente agora definhando na sombra de dissidência consentimento das grandes nações , obviamente , são para manter a sua quota de poder.

    Bloquear sobre os fatos deste ONU que foi criada com uma esperança e um sonho de paz para a humanidade. Mas o pior democracia arrancar no sentido planetário porque não somos iguais. Nós não podemos ser iguais neste mundo onde há mais forte e mais fraco . Assim é a democracia global está cortando ferida e uma possível história do acordo de paz mundial , militante, combativa e realmente existe . E então onde é que emendar o aparecimento de doenças e apresentado como parece algumas das grandes potências. O resto olhar de longe. Nós não existimos .

    Amigos , eu acho que é muito difícil inventar uma força pior do que o nacionalismo chauvinista das grandes potências . A força que está lançando os mais fracos. Nacionalismo como o pai dos processos de descolonização , pendentes para com os fracos, torna-se uma ferramenta de compressão nas mãos do forte e ir nos últimos 200 anos, tivemos exemplos em todos os lugares .

    A ONU , a nossa ONU definhando , tornar-se burocrático falta de poder e autonomia, reconhecimento e acima de tudo, a democracia para o mundo é mais fraca do que a esmagadora maioria do planeta. Eu coloquei um pequeno exemplo , pequenas. O nosso país é pequeno em termos absolutos, o maior número de soldados em missões de paz nos países da América Latina, os respingos do mundo. E lá estamos nós , onde estamos pediu. Mas somos pequenos e fracos. Quando os recursos são compartilhados e as decisões são tomadas , não entra ou para servir café. Nas profundezas de nossos corações , há uma enorme desejo de ajudá-lo para fora do homem pré-histórico . Eu definir o homem como vivendo com o clima de guerra está na pré-história , apesar dos muitos artefatos que você pode construir.

    Até que o homem de que a pré-história e arquivo como uma guerra de recursos quando a política falha, que é a longa marcha eo desafio pela frente. E dizemos com conhecimento de causa . Sabemos que a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos , esses desafios estão no horizonte implica lutar por uma agenda de acordos globais começam a governar a nossa história e superar passo a passo , as ameaças à vida. As espécies como tal, deve ter um governo para a humanidade a superar o individualismo e política cabeças Bregue recriar frequentar o caminho da ciência e não apenas para os interesses imediatos estão nos governando e afogamento.

    Mesmo tempo, devemos entender que os pobres do mundo estão na África ou na América Latina , são toda a humanidade e esta deve , como tal , globalizado , que tende a envolver-se em seu desenvolvimento, onde eles possam viver decentemente por conta própria. Os recursos existem , em que os resíduos predador da nossa civilização.

    Alguns dias atrás eu fiz lá na Califórnia, uma agência de fogo uma homenagem a uma lâmpada elétrica de 100 anos que está ligado , 100 anos, que é ligado, amigo! Muitos milhões de dólares que deliberadamente tirou do bolso fazendo porcaria para as pessoas a comprar, e comprar e comprar e comprar .

    Mas esta globalização de olhar por todo o planeta e toda a vida significa uma mudança cultural brutal. Isso é o que estamos exigindo história. All base material mudou e vacilou , e os homens, com a nossa cultura , continuamos como se nada tivesse acontecido e, em vez de civilização dominante , isto nos governa nós. Mais de 20 anos atrás, estávamos discutindo a taxa de Tobi humilde . Nível planeta inexeqüível . Todos os bancos aumento do poder financeiro ferido na propriedade privada e que não mais. No entanto , este é paradoxal. No entanto, com talento, trabalho coletivo , com a ciência , o homem passo é capaz de se transformar em desertos verdes .

    O homem pode trazer a agricultura para o mar . O homem pode criar plantas que vivem em água salgada. A força da humanidade se concentra no que é essencial . É imensurável. Existem fontes de energia mais portentosos . O que sabemos da fotossíntese ? , Quase nada. O excedente de energia no mundo, se nós trabalhamos para usar com ele . Você pode arrancar todo o planeta indigência . Você pode criar a estabilidade e as futuras gerações será possível , se eles começam a pensar como espécie e não apenas como um indivíduo, trazendo vida para a galáxia e conquistando seguir esse sonho que carregamos em nossas genética humana.

    Mas, para todos os sonhos são possíveis , precisamos governar a nós mesmos ou sucumbir , porque não somos capazes de estar no nível de civilização que, de fato nós desenvolvemos .

    Este é o nosso dilema. Não há conseqüências patch entreter -nos em paz . Considere as causas profundas na civilização do desperdício, na civilização do uso -pull está puxando o que a vida humana é perda de tempo , desperdiçando perguntas inúteis . Pense que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que o nosso dever biológico está acima de todas as coisas que diz respeito a vida e promovê-lo , cuidar dele , procriar e entender que a espécie é a nossa gente.

    1. K disse:

      Se for pra traduzir, traduza de maneira honesta e competente. Fazer tradução automática pela internet é ridículo!

      1. RAFAEL disse:

        se você estiver disposto a ler mesmo… dá pra entender numa boa!

      2. André disse:

        Na verdade foi o comentário mais produtivo do dia, já estou com vergonha do meu comentário que nada parece acrescentar, mas perder tempo caracterizando algo útil de ridículo… Parecem robôs programados para comentar sites de notícias ridicularizando os autores…
        Traduzindo o sentimento em uma frase: Suma daqui!

    2. Luiz Swim disse:

      Se fosse pra colocar no Google Tradutor, qualquer um colocava, né, amigo.

    3. Daniel Jaca disse:

      Google tradutor não tá fácil pra ninguém.

    4. babs disse:

      tem vergonha de postar essa tradução do google não, fio?

    5. vev disse:

      Críticas? Nunca aborrecer-se com elas. Aproveite-as no que mostrem de útil. Gostei muito do texto, independente da tradução. Como se diz “para quem sabe ler, um pingo no i é letra”.

    6. GILVANDO LUIZ SANTOS DE LUCENA disse:

      Caros amigos, fico realmente impressionado como existem pessoas que só vivem para efetuar críticas a tudo na vida, se preocupando com a forma da tradução e não com o seu sentido.
      Ao fazer a leitura deste texto, procurei levar em conta exclusivamente o sentido e sua finalidade bem elaborada por um homem que deveria ser levado em consideração, sempre, pelos seus argumentos diversos na vida. Este discurso deveria ser lido no plenário da câmara dos nossos deputados e no senado brasileiro. Talvez assim, pudessem tomar um pouco de vergonha da podridão em que vivem metidos até o pescoço e procurarem produzir projetos com finalidades mais voltadas a coisas realmente de utilidades públicas, para que um dia pudéssemos ter um país mais decente e mais humano, sem as distorções atuais. Obrigado

  2. Mariana Simone disse:

    Caro Alexandre, sou uruguaia, jornalista, e por o meu trabalho entendo e falo bastante bem o portugues, mas escrever… Me ofereço para traduzir o discurso, mas só si vc ou alguem da uma “arrumada” ortográfica.

    Mariana Simone

    1. Oi Mariana, pode traduzir e colar aqui que eu edito 🙂 Valeu!

      1. Gregorio Guevara disse:

        Mariana e galera, eu me ofereço para dar um tapa na ortografia, só que vai demorar uns dias, pois, estou cheio de serviço. Abçs

    2. Gregorio disse:

      Mariana, yo puedo hacer la “arrumación” ortografica de tu traducción. Será un placer trabajar contigo en tan noble causa. Abraços.

    3. Leon disse:

      Mariana Simone, primeiramente parabéns pelo Presidente que seu país tem, homem de enorme sensibilidade e coragem…enquanto a tradução… não se preocupe, da para entender muito bem. Nos Brasileiros somos assim mesmo, arrogantes, prepotentes e nos achamos soberanos em tudo e mal sabemos falar nosso idioma. Do político Brasileiro ao mais miserável cidadão brasileiro, somos farinha do mesmo saco.

      1. Daniel disse:

        E o pior, somos preguiçosos, queremos tudo fácil e já traduzido, pois temos preguiça de estudar outro idioma.
        BRASIL, NUNCA VAI MUDAR

      2. marcia disse:

        parabéns por dizeres a verdade sobre nós mesmos LEON… NÃO MUDARIA NEM UMA PALAVRA NO QUE ESCREVESTES… nem no texto traduzido que para bons entendedores está muitíssimo claro…

      3. fatima freire disse:

        Muito bem Leon, voce disse um pouco de tudo que somos! Por isso talvez ainda nao merecemos ter um presidente com o do Uruguai.

      4. Maria Eugenia disse:

        Que bom finalizar estas conversas de traduções….
        O Presidente e´bom demais….
        Nós Brasileiros somos realmente soberanos …ha anos esta hipocrisia …e nada sabemos…..
        Rico o discurso do Presidente…..

    4. Bernardo Nuvem disse:

      Boa noite! Será que conseguiríamos montar um vídeo com legenda para ampliar o campo de divulgação?

  3. Chris disse:

    Poxa, nao rola uma tradução não aí galera? :/

  4. Fra tura disse:

    Pois é…..é um outro patamar de ambições e preocupações……

  5. Priscila disse:

    Essa tradução do google tá terrível =(

  6. Juan disse:

    É duro ouvir tudo isso, concordar em grau, gênero e número, e ao final dar-se conta que estás completamente inserido naquilo em que não concordas. Que tens como prioridade o trabalho, que já tens mais do que necessitas e mesmo assim queres mais e mais. Complicado ter o sentido de sua vida questionado…

    1. Arthur disse:

      Melhor Comentário, e realmente é complicado/difícil se ver totalmente ou até mesmo parcialmente inserido nesse “estilo” de vida …

  7. luis disse:

    bom, por o que vi a traduçao q foi feita nao e bem asim, tem muitos erros que neste asunto troca todo o sentido do discurso, vo tentar facer o melhor posibel, com as palavras corretas, aunque voces deberao correjir porque meu portuguez nao e la muito bom, ce bem entendo perfeitamente o que dis em espanhol ja q so uruguaio, e entendo perfeito o portugues e o significado das palabras, piquenos detalhes podem ce correjir por voces… vo tentar correir esa traduçao, em brebe colocarei aque. So pra que voces entendam do que falo, Mujica comença falando “Meus amigos, so do sul, venho do sul. Canto do Atlantico y del Plata (referece ao Rio de la Plata) meu país e uma plenillanura suave, morna, uma Historia de portos, couros, tasajo (e um corte de carne), lã e carnes. Teve decadas roxas, de lancas e cabalhos, ate que no fim ao començo do seculo XX começo a facer vanguarda no social, no Estado, na educaçao. Diria que a Socialdemocracia foi inventada no Uruguai.” ….

    1. Henrique disse:

      Luis se puder continuar a traduçao, esta mto boa e compreensível.

  8. Pablo Retamoso disse:

    Sensacional! Chega a ser surreal um presidente fazer um discurso desses…me lembrou Chaplin em O Grande Ditador…ainda confio no ser humano!!

  9. Tito disse:

    É mesmo essa tradução do google está péssima!!! Vou esperar alguém colocar uma tradução decente aí.

    1. chupa disse:

      Pq não vai estudar espanhol ao invés de ficar querendo tradução pronta?

  10. Mário Monteiro disse:

    o Video Traduzido

    Obrigado

    1. Luiz Augusto Estacheski. disse:

      Mas esse video (e que o Matias colocou no post) é dele na Rio+20.

      data de 12/07/12.

      o discurso é o mesmo? só ouvi por 1 ou 2 minutos e não me pareceu ser o mesmo…

      abraço!

  11. EMERSON CORREIA MARQUES disse:

    Contundente, honesto e desafiador. Mujica é um ícone vivo de uma mudança possível. Ele cita várias questões urgentes, e relegadas ao discurso do ‘eterno não fazer’. Numa era de cobiça extrema, o desalento corroí, a esmagadora maioria de pobres do mundo. Mais que um discurso é uma Carta planetária do desafio humano. Valeu presidente. Quiçá outros chefes de estado, encontrem a inspiração necessária para fazer a necessária mudança.

  12. Joao Paulo disse:

    … foi direto ao ponto…
    … sera que os presentes escutaram?

    (e tem gente que apenas reclama da tradução…rs)

  13. Alexandre, esse vídeo legendado não é o mesmo. Esse discurso é parecido com o da ONU, mas foi feito na Rio+20, no ano passado.

  14. Davi disse:

    Leon, falou e disse… “Mariana Simone, primeiramente parabéns pelo Presidente que seu país tem, homem de enorme sensibilidade e coragem…enquanto a tradução… não se preocupe, da para entender muito bem. Nos Brasileiros somos assim mesmo, arrogantes, prepotentes e nos achamos soberanos em tudo e mal sabemos falar nosso idioma. Do político Brasileiro ao mais miserável cidadão brasileiro, somos farinha do mesmo saco.”

  15. Prado disse:

    Grande Pepe! Belíssimo. Mas é do ano passado, na Assembleia Geral das Nações Unidas de 2012!

    1. Prado disse:

      *Aliás, na Rio+20.

  16. Nedi disse:

    o camaradinha que fez a tradução não se respeita!

  17. Michel disse:

    Um discurso focando todos os problemas e dizendo que deixamos de lado o fator humano. Assim como no RIo+20 foi um tapa na cara das picuinhas inúteis entre paises e mesmo internamente.
    E tudo o que o pessoal consegue é criticar alguém por traduzir com o Google.
    Está certo o Mujica: até onde vai nossa humanidade?

  18. Rubén disse:

    Esse vídeo não é do discurso na ONU, é no Rio +20, que foi o melhor discurso que eu já escutei na minha vida.. o texto sim é na ONU e acho muito bom também!! tomara aprendamos muito e passemos tudo na ação!! 🙂
    difundam, que o mundo precisa muito se ligar no que realmente vale!!

  19. Rubén disse:

    Esse é em espanhol.. si alguém acha ele legendado agradeço!! https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=-E6d_kZ-QPY#t=483

  20. Astrogildo disse:

    Amigo, essa transcrição não corresponde ao vídeo postado.

  21. Vivian Dantas disse:

    Amigos todos,

    Sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma peneplanície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Teve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que por fim, no começo do século XX, se transformou em vanguarda no social, no Estado, na educação. Diria que a social democracia foi inventada no Uruguai.

    Durante quase 50 anos o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na verdade, na economia fomos bastardos do império britânico e quando este sucumbiu vivemos o mel amargo de termos comerciais funestos, e ficamos estagnados, saudosos do passado.

    Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje ressurgimos neste mundo globalizado talvez aprendendo da nossa própria dor. Minha historia pessoal, a de um rapaz – porque uma vez fui um rapaz – que como outros quis mudar sua época, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são em parte filhos de meu tempo. Obviamente os assumo, mas há vezes em que medito com nostalgia.

    Quem me dera ter a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! Sem embargo não olho para trás porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou reverberar memórias.

    Me causa angústia, e de que maneira, o futuro que não verei, e por ele que me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez hoje a primeira tarefa seja cuidar da vida.

    Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, em débito com milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos campos, nas selvas, nos pampas da América Latina, pátria comum que se está construindo.

    Venho em débito com as culturas originais esmagadas, com os restos do colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a esse lagarto sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Venho em débito com as consequências da vigilância eletrônica que não faz outra coisa que não seja semear desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Venho em débito com uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios da América.

    Em débito com o dever de lutar por pátria para todos. Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e reconheço o débito de lutar pela tolerância, a tolerância que se precisa com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferenças e discordamos. Não se precisa da tolerância para aqueles com quem estamos de acordo.

    A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que no mundo somos diferentes. O combate à economia suja, ao narcotráfico, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas embarcadas por este antivalor, esse que sustenta que somos felizes se nos enriquecemos seja como for. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo deles com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões, a aparência de felicidade.

    Parece que nascemos só para consumir e consumir, e quando não podemos sofremos com a frustração, a pobreza e até a autoexclusão.

    O certo hoje é que para gastar e enterrar os detritos nisso que a ciência chama “pegada de carbono”, se aspirássemos nessa humanidade consumir a média consumida por um americano padrão, seriam necessários três planetas para podermos viver.

    Quer dizer, nossa civilização montou um desafio mentiroso e assim como vamos, não é possível para todos manter esse sentido de desperdício que se deu à vida. Na verdade, é cada vez mais difundido como uma cultura de nosso tempo, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.

    Prometemos uma vida de extravagância e desperdício, e no fundo ela se constitui em uma contagem regressiva contra a natureza, contra a humanidade como futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.

    Pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, o único transcendente, o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família. Civilização contra o tempo livre não paga, que não se compra, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.

    Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com caminhadores, à insônia com comprimidos, à solidão com equipamentos eletrônicos, porque somos felizes alijados do ambiente humano.

    Cabe fazer esta pergunta, fugimos de nossa biologia que defende a vida por si própria, como causa superior, e a suplantamos pelo consumismo em função da acumulação.

    A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado, de pulo em pulo a política não pode mais do que se perpetuar, e como tal delegou o poder e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Malfadada marcha da história humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de algum modo, o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretarias, os carros e às férias. Tudo, tudo é negócio.

    No entanto as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os mais velhos e ter no futuro um território assegurado. Sobram provas destas tecnologias bastante abomináveis que as vezes, conduzem às frustrações e muito mais.

    O “homenzinho médio” de nossas grandes cidades,vagando entre as financeiras e o tédio rotineiro dos escritórios, as vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as férias e a liberdade, sempre sonha em terminar de pagar as contas, até que um dia, o coração para, e adeus. Haverá outro soldado cobrindo as garras do mercado, assegurando a acumulação. A crise se faz impotência, a impotência da política, incapaz de compreender que a humanidade não foge, nem fugirá do sentimento de nação. Sentimento que quase está encrustado em nosso código genético.

    Hoje, é tempo de começar a esculpir um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução do que o interesse privado, de muitos poucos, e cada estado nacional olha sua estabilidade continuista, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde maneira de ver, é o todo.

    Como se isso fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo são o auge do poder mundial. Mais claro, acreditamos que o mundo demanda a gritos regras globais que respeitem as conquistas da ciência, que abundam. Mas não é a ciência que governa o mundo. São necessárias, por exemplo, uma grande agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a Terra, como converter as moedas, como financiar a luta global por água e contra os desertos.

    Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global? Quais são os limites de cada grande esforço da humanidade? Seria imperioso conseguir consenso planetário para desencadear solidariedade aos mais oprimidos, castigar impositivamente o desperdício e a especulação. Mobilizar as grandes economias, não para criar descartáveis, com obsolescência programada, mas sim com bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar aos pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Derrubar um neo-keynesianismo útil de escala planetária para abolir as vergonhas mais flagrantes que existem nesse mundo.

    Talvez nosso mundo necessite de menos organismos mundiais, esses que organizam os foros e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas, no melhor dos casos, mas que ninguém recolhe nada e transforma em decisões…

    Necessitamos sim mascar muito o velho e eterno da vida humana junto à ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para se tornar rica; com eles, com homens de ciência, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos pelo mundo inteiro. Nem os grandes Estados nacionais, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveria governar o mundo humano. Mas sim a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, aí está a fonte. Essa ciência que não se importa com o lucro, mas que olha para o futuro e nos diz coisas que não atendemos. Quantos anos faz que nos disseram determinadas coisas que não nos demos por inteirados? Creio que temos que convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas desse estilo e outras que não pude desenvolver nos parecem imprescindíveis, mas requereriam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.

    Obviamente, não somos tão iludidos, estas coisas não irão ocorrer, nem outras parecidas. Resta-nos muitos sacrifícios inúteis por diante, muito remendar consequências e não enfrentar as causas. Hoje o mundo é incapaz de criar uma regulação planetária à globalização e isto se dá pelo enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa do todo. Por último vamos assistir ao refúgio dos acordos mais ou menos “reclamáveis”, que vão reclamar um mentiroso livre comércio interno, mas que no fundo vão terminar construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta. Por sua vez, vão crescer ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, vamos estar entretidos e naturalmente tudo vai continuar como está para manter a rica a acumulação, para regojizo do sistema financeiro.

    Continuarão as guerras e portanto os fanatismos até que talvez a mesma natureza chame a ordem e faça inviável nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, impiedosa e vemos o homem como uma criatura única, a única que há sobre a terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta, é consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo, também nossa derrota, porque temos impotência política de enquadrarmos em uma nova época. E contribuímos a construir nos damos conta.

    Por quê digo isso? São dados nada mais. O certo é que a população se quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990 aproximadamente a cada seis anos se duplica o comércio mundial. Poderíamos seguir anotando os dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está ocorrendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente mas com políticos, enfeites culturais, partidos, e jovens, todos velhos diante da pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer pudemos registrar. Não podemos manejar a globalização, porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitante cultural ou estamos chegando aos limites biológicos.

    Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou menos, condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução política organizada porque nem sequer temos tido filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.

    A ganância, tão negativa e tão motor da história, isso que empurrou o progresso material técnico e científico, que fez aquilo que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a ganância que nos empurrou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo brumoso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem história e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e perpetuarmos transformando-nos.

    Porque se uma característica tem este bichinho humano, é que é um conquistador antropológico. Parece que as coisas tomam autonomia e as coisas submetem aos homens. Por um lado ou outro, sobram ativos para vislumbrar essas coisas e em todo caso, vislumbrar o rumo. Mas nos é impossível coletivizar decisões globais por esse todo. Mais claro, a ganância individual triunfou grandemente sobre a ganância superior da espécie. Esclarecemos: o que é o todo? O que é essa palavra que utilizamos?

    Para nós é a vida global do sistema terra incluindo a vida humana com todos os equilíbrios frágeis que fazem possível que nos perpetuemos. Por outro lado, mais fácil, menos opinável e mais evidente. Em nosso ocidente, particularmente, porque daqui viemos ainda que venhamos do sul, as repúblicas que nasceram para afirmar que os homens somos iguais, que ninguém é mais do que ninguém, que seus governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a equidade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem em esquecimento da gente corrente, a que anda pelas ruas, o povo comum.

    As repúblicas não foram criadas para vegetar em cima do rebanho, mas sim o contrário, são um grito na história para fazer funcionais à vida dos próprios povos e, portanto, as repúblicas se devem às maiorias e a lutar pela promoção das maiorias.

    Pelo que for, por reminiscências feudais que estão aí em nossa cultura; pelo classismo dominador, talvez pela cultura consumista que nos rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um viver cotidiano que exclui, que coloca distância com o homem da rua.

    De fato, esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os governos republicanos deveriam se parecer cada vez mais a seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

    O fato é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesanismos consentidos, fazemos diferenciações hierárquicas que no fundo minam o melhor que existe nas repúblicas: que ninguém é mais do que ninguém. O jogo destes e outros fatores nos retém na pré-história. E hoje é impossível renunciar a guerra quando a política fracassa. Assim se estrangula a economia, desperdiçamos recursos.

    Escutem bem, queridos amigos: em cada minuto do mundo se gastam dois milhões de dólares com orçamento militar nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto com orçamento militar!! Na pesquisa médica (de todas as doenças que avançaram grandemente, e é uma benção para a promessa de viver alguns anos mais), essa pesquisa apenas equivale a quinta parte da pesquisa militar.

    Este processo do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e isto também, desperdício de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmos, pessoalmente. E creio que seria uma inocência nesse mundo desejar que ali existam recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, outra vez, se fossemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que deem, aos mais fracos, garantias que não temos. Aí haveria enormes recursos para recortar e atender as maiores vergonhas sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, aonde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então cada país faz acordos de armas conforme sua magnitude e aí estamos porque não podemos pensar como espécie, mas apenas como indivíduos.

    As instituições mundiais, particularmente hoje vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.

    Bloqueiam a essa ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas pior ainda, a desassociaram da democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos ser iguais em um mundo onde existem mais fortes e mais fracos. Por tanto esta é uma democracia planetária ferida que está cerceando a história de um possível acordo de paz mundial, militante, combativo e que verdadeiramente exista. E então, curamos doenças lá onde elas eclodem e se apresentam segundo parecem a algumas das grandes potencias. Os demais olhamos de longe. Não existimos.

    Amigos, eu creio que é muito difícil inventar uma força pior que o nacionalismo chauvinista das grandes potencias. A força que é liberadora dos fracos. O nacionalismo, pai dos processos de descolonização, que é formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e que, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos por todas as partes.

    A ONU, nossa ONU definha, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e sobretudo de democracia em direção aos mais fracos que constituem a maioria absoluta do planeta. Dou um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz dos países da América Latina espalhados pelo mundo. E lá estamos, onde nos pedem que estejamos.

    Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem enquanto viva em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.

    Até que o homem não saia desta pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a longa marcha e o desafio que temos por diante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos as tristezas da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implica lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal, deveria existir um governo para a humanidade que supere o individualismo e lute por recriar cabeças políticas que trilhe o caminho da ciência e não apenas aos interesses imediatos que não estão governando e afogando.

    Paralelamente temos que entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, são de toda a humanidade e esta deve como tal, globalizada, tender a empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência por conta própria. Os recursos necessários existem, estão nesse desperdício depredador de nossa civilização.

    Há poucos dias fizeram ali, na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma bombinha elétrica que há 100 anos está ligada. Cem anos que está ligada, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram do bolso fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem e comprem.

    Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e por toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos está requerendo a história. Toda a base material mudou e oscilou, e os homens, com nossa cultura, permanecemos como se não houvesse ocorrido nada e em lugar de governar a civilização, esta é que nos governa. Há mais de 20 anos que discutíamos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la ao nível do planeta. Todos os bancos do poder financeiro se levantam feridos em sua propriedade privada e que sei lá eu quantas coisas mais. No entanto, isso é o paradoxal. No entanto, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem passo a passo é capaz de transformar em verde aos desertos.

    O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam com água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. Que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra se trabalharmos para usá-la com ela. É possível extirpar toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível às gerações futuras, se lograrmos começar a pensar como espécie e não só como indivíduo, levar a vida à galaxia e seguir com esse sonho conquistador que nós, seres humanos, levamos em nossos genes.

    Mas para que todos esses sonhos sejam possíveis, necessitamos governarmos a nós mesmos ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar a altura da civilização que fomos desenvolvendo.

    Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos nas causas de fundo, na civilização do desperdício, na civilização do use-tire que o que está tirando é tempo da vida humana mal gasto, derrotando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por milagre e nada vale mais do que a vida. E que nosso dever biológico acima de todas as coisas é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidar dela, procriá-la e entender que a espécie é a nossa gente.

    Obrigado.

  22. edson de almeida disse:

    Que essas sábias palavras possam ecoar e gerar consequências positivas em cada um de nós e em nossas sociedades sul-americanas e mundiais aparentemente cegas, dominadas pelo consumismo, pelas mentiras oficiais, pela ignorância, pela intolerância e pela mediocridade.

  23. Mariana disse:

    Amigos, sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, couros, charque, lãs e carne. Houve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que, por fim, no arrancar do século 20, passou a ser vanguarda no social, no Estado, no Ensino. Diria que a social-democracia foi inventada no Uruguai.

    Durante quase 50 anos, o mundo nos viu como uma espécie de Suíça. Na realidade, na economia, fomos bastardos do império britânico e, quando ele sucumbiu, vivemos o amargo mel do fim de intercâmbios funestos, e ficamos estancados, sentindo falta do passado.

    Quase 50 anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje, ressurgimos no mundo globalizado, talvez aprendendo de nossa dor. Minha história pessoal, a de um rapaz — por que, uma vez, fui um rapaz — que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos de meu tempo. Obviamente, os assumo, mas há vezes que medito com nostalgia.

    Quem tivera a força de quando éramos capazes de abrigar tanta utopia! No entanto, não olho para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo para cobrar contas ou para reverberar memórias.

    Me angustia, e como, o amanhã que não verei, e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez, hoje, a primeira tarefa seja cuidar da vida.

    Mas sou do sul e venho do sul, a esta Assembleia, carrego inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, nas cidades, nos desertos, nas selvas, nos pampas, nas depressões da América Latina pátria de todos que está se formando.

    Carrego as culturas originais esmagadas, com os restos de colonialismo nas Malvinas, com bloqueios inúteis a este jacaré sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Carrego as consequências da vigilância eletrônica, que não faz outra coisa que não despertar desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios na América.

    Carrego o dever de lutar por pátria para todos.

    Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e carrego o dever de lutar por tolerância, a tolerância é necessária para com aqueles que são diferentes, e com os que temos diferências e discrepâncias. Não se precisa de tolerância com aqueles com quem estamos de acordo.

    A tolerância é o fundamento de poder conviver em paz, e entendendo que, no mundo, somos diferentes.

    O combate à economia suja, ao narcotráfico, ao roubo, à fraude e à corrupção, pragas contemporâneas, procriadas por esse antivalor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como seja. Sacrificamos os velhos deuses imateriais. Ocupamos o templo com o deus mercado, que nos organiza a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia em parcelas e cartões a aparência de felicidade.

    Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão.

    O certo, hoje, é que, para gastar e enterrar os detritos nisso que se chama pela ciência de poeira de carbono, se aspirarmos nesta humanidade a consumir como um americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver.

    Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado.

    Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.

    O pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.

    Civilização contra tempo livre que não é pago, que não se pode comprar, e que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.

    Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.

    Cabe se fazer esta pergunta, ouvimos da biologia que defende a vida pela vida, como causa superior, e a suplantamos com o consumismo funcional à acumulação.

    A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado. De salto em salto, a política não pode mais que se perpetuar, e, como tal, delegou o poder, e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Debochada marcha de historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar de alguma forma o que é inegociável. Há marketing para tudo, para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos automóveis e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.

    Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças, e sua psicologia para influir sobre os adultos e ter, assim, um território assegurado no futuro. Sobram provas de essas tecnologias bastante abomináveis que, por vezes, conduzem a frustrações e mais.

    O homenzinho médio de nossas grandes cidades perambula entre os bancos e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado. Sempre sonha com as férias e com a liberdade, sempre sonha com pagar as contas, até que, um dia, o coração para, e adeus. Haverá outro soldado abocanhado pelas presas do mercado, assegurando a acumulação. A crise é a impotência, a impotência da política, incapaz de entender que a humanidade não escapa nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que está quase incrustado em nosso código genético.

    Hoje é tempo de começar a talhar para preparar um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que o interesse privado, de muitos poucos, e cada Estado Nacional mira sua estabilidade continuísta, e hoje a grande tarefa para nossos povos, em minha humilde visão, é o todo.

    Como se isto fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são o vértice do poder mundial. Mais claro, cremos que o mundo requer a gritos regras globais que respeitem os avanços da ciência, que abunda. Mas não é a ciência que governa o mundo. Se precisa, por exemplo, uma larga agenda de definições, quantas horas de trabalho e toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.

    Como se recicla e se pressiona contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande questão humana. Seria imperioso conseguir consenso planetário para desatar a solidariedade com os mais oprimidos, castigar impositivamente o esbanjamento e a especulação. Mobilizar as grandes economias não para criar descartáveis com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar a levantar os pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentável que fazer guerras. Virar um neo-keynesianismo útil, de escala planetária, para abolir as vergonhas mais flagrantes deste mundo.

    Talvez nosso mundo necessite menos de organismos mundiais, desses que organizam fórums e conferências, que servem muito às cadeias hoteleiras e às companhias aéreas e, no melhor dos casos, não reúne ninguém e transforma em decisões…

    Precisamos sim mascar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade não para enriquecer; com eles, com os homens de ciência da mão, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos para o mundo inteiro. Nem os Estados nacionais grandes, nem as transnacionais e muito menos o sistema financeiro deveriam governar o mundo humano. Sim, a alta política entrelaçada com a sabedoria científica, ali está a fonte. Essa ciência que não apetece o lucro, mas que mira o por vir e nos diz coisas que não escutamos. Quantos anos faz que nos disseram coisas que não entendemos? Creio que se deve convocar a inteligência ao comando da nave acima da terra, coisas assim e coisas que não posso desenvolver nos parecem impossíveis, mas requeririam que o determinante fosse a vida, não a acumulação.

    Obviamente, não somos tão iludidos, nada disso acontecerá, nem coisas parecidas. Nos restam muitos sacrifícios inúteis daqui para diante, muitos remendos de consciência sem enfrentar as causas. Hoje, o mundo é incapaz de criar regras planetárias para a globalização e isso é pela enfraquecimento da alta política, isso que se ocupa de todo. Por último, vamos assistir ao refúgio de acordos mais ou menos “reclamáveis”, que vão plantear um comércio interno livre, mas que, no fundo, terminarão construindo parapeitos protecionistas, supranacionais em algumas regiões do planeta. A sua vez, crescerão ramos industriais importantes e serviços, todos dedicados a salvar e a melhorar o meio ambiente. Assim vamos nos consolar por um tempo, estaremos entretidos e, naturalmente, continuará a parecer que a acumulação é boa, para a alegria do sistema financeiro.

    Continuarão as guerras e, portanto, os fanatismos, até que, talvez, a mesma natureza faça um chamado à ordem e torne inviáveis nossas civilizações. Talvez nossa visão seja demasiado crua, sem piedade, e vemos ao homem como uma criatura única, a única que há acima da terra capaz de ir contra sua própria espécie. Volto a repetir, porque alguns chamam a crise ecológica do planeta de consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é nosso triunfo e também nossa derrota, porque temos impotência política de nos enquadrarmos em uma nova época. E temos contribuído para sua construção sem nos dar conta.

    Por que digo isto? São dados, nada mais. O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos o comércio mundial duplica. Poderíamos seguir anotando dados que estabelecem a marcha da globalização. O que está acontecendo conosco? Entramos em outra época aceleradamente, mas com políticos, enfeites culturais, partidos e jovens, todos velhos ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar. Não podemos manejar a globalização porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se é uma limitação cultural ou se estamos chegano a nossos limites biológicos.

    Nossa época é portentosamente revolucionária como não conheceu a história da humanidade. Mas não tem condução consciente, ou ao menos condução simplesmente instintiva. Muito menos, todavia, condução política organizada, porque nem se quer tivemos filosofia precursora ante a velocidade das mudanças que se acumularam.

    A cobiça, tão negatica e tão motor da história, essa que impulsionou o progresso material técnico e científico, que fez o que é nossa época e nosso tempo e um fenomenal avanço em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça que nos impulsionou a domesticar a ciência e transformá-la em tecnologia nos precipita a um abismo nebuloso. A uma história que não conhecemos, a uma época sem história, e estamos ficando sem olhos nem inteligência coletiva para seguir colonizando e para continuar nos transformando.

    Porque se há uma característica deste bichinho humano é a de que é um conquistador antropológico.

    Parece que as coisas tomam autonomia e essas coisas subjugam os homens. De um lado a outro, sobram ativos para vislumbrar tudo isso e para vislumbrar o rombo. Mas é impossível para nós coletivizar decisões globais por esse todo. A cobiça individual triunfou grandemente sobre a cobiça superior da espécie. Aclaremos: o que é “tudo”, essa palavra simples, menos opinável e mais evidente? Em nosso Ocidente, particularmente, porque daqui viemos, embora tenhamos vindo do sul, as repúblicas que nasceram para afirmas que os homens são iguais, que ninguém é mais que ninguém, que os governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a igualdade. Muitas vezes, as repúblicas se deformam e caem no esquecimento da gente que anda pelas ruas, do povo comum.

    Não foram as repúblicas criadas para vegetar, mas ao contrário, para serem um grito na história, para fazer funcionais as vidas dos próprios povos e, por tanto, as repúblicas que devem às maiorias e devem lutar pela promoção das maiorias.

    Seja o que for, por reminiscências feudais que estão em nossa cultura, por classismo dominador, talvez pela cultura consumista que rodeia a todos, as repúblicas frequentemente em suas direções adotam um viver diário que exclui, que se distância do homem da rua.

    Esse homem da rua deveria ser a causa central da luta política na vida das repúblicas. Os gobernos republicanos deveriam se parecer cada vez mais com seus respectivos povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

    A verdade é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesias consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas que, no fundo, amassam o que têm de melhor as repúblicas: que ninguém é mais que ninguém. O jogo desse e de outros fatores nos retém na pré-história. E, hoje, é impossível renunciar à guerra cuando a política fracassa. Assim, se estrangula a economia, esbanjamos recursos.

    Ouçam bem, queridos amigos: em cada minuto no mundo se gastam US$ 2 milhões em ações militares nesta terra. Dois milhões de dólares por minuto em inteligência militar!! Em investigação médica, de todas as enfermidades que avançaram enormemente, cuja cura dá às pessoas uns anos a mais de vida, a investigação cobre apenas a quinta parte da investigação militar.

    Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Assegura ódio e fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, autocriticarmo-nos pessoalmente. E creio que seria uma inocência neste mundo plantear que há recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, novamente, se fôssemos capazes de exercitar acordos mundiais e prevenções mundiais de políticas planetárias que nos garantissem a paz e que a dessem para os mais fracos, garantia que não temos. Aí haveria enormes recursos para deslocar e solucionar as maiores vergonhas que pairam sobre a Terra. Mas basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, onde se iria sem a existência dessas garantias planetárias? Então cada qual esconde armas de acordo com sua magnitude, e aqui estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.

    As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua cota de poder.

    Bloqueiam esta ONU que foi criada com uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário porque não somos iguais. Não podemos ser iguais nesse mundo onde há mais fortes e mais fracos. Portanto, é uma democracia ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e verdadeiramente existente. E, então, remendamos doenças ali onde há eclosão, tudo como agrada a algumas das grandes potências. Os demais olham de longe. Não existimos.

    Amigos, creio que é muito difícil inventar uma força pior que nacionalismo chovinista das grandes potências. A força é que liberta os fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização, formidável para os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e, nos últimos 200 anos, tivemos exemplos disso por toda a parte.

    A ONU, nossa ONU, enlanguece, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para o mundo mais fraco que constitui a maioria esmagadora do planeta. Mostro um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país tem, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz em todos os países da América Latina. E ali estamos, onde nos pedem que estejamos. Mas somos pequenos, fracos. Onde se repartem os recursos e se tomam as decisões, não entramos nem para servir o café. No mais profundo de nosso coração, existe um enorme anseio de ajudar para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem, enquanto viver em clima de guerra, está na pré-história, apesar dos muitos artefatos que possa construir.

    Até que o homem não saia dessa pré-história e arquive a guerra como recurso quando a política fracassa, essa é a larga marcha e o desafio que temos daqui adiante. E o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos a solidão da guerra. No entanto, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo, as ameaças à vida. A espécie como tal deveria ter um governo para a humanidade que superasse o individualismo e primasse por recriar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência, e não apenas aos interesses imediatos que nos governam e nos afogam.

    Paralelamente, devemos entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, mas da humanidade toda, e esta deve, como tal, globalizada, empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência de maneira autônoma. Os recursos necessários existem, estão neste depredador esbanjamento de nossa civilização.

    Há poucos dias, fizeram na Califórnia, em um corpo de bombeiros, uma homenagem a uma bombinha elétrica que está presa há cem anos. Cem anos que está presa, amigo! Quantos milhões de dólares nos tiraram dos bolsos fazendo deliberadamente porcarias para que as pessoas comprem, comprem, comprem e comprem.

    Mas esta globalização de olhar para todo o planeta e para toda a vida significa uma mudança cultural brutal. É o que nos requer a história. Toda a base material mudou e cambaleou, e os homens, com nossa cultura, permanecem como se não houvesse acontecido nada e, em vez de governarem a civilização, deixam que ela nos governe. Há mais de 20 anos que discutimos a humilde taxa Tobin. Impossível aplicá-la no tocante ao planeta. Todos os bancos do poder financeiro se irrompem feridos em sua propriedade privada e sei lá quantas coisas mais. Mas isso é paradoxal. Mas, com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem, passo a passo, é capaz de transformar o deserto em verde.

    O homem pode levar a agricultura ao mar. O homem pode criar vegetais que vivam na água salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que sabemos da fotossíntese? Quase nada. A energia no mundo sobra, se trabalharmos para usá-la bem. É possível arrancar tranquilamente toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível para as gerações vindouras, se conseguirem raciocinar como espécie e não só como indivíduos, levar a vida à galáxia e seguir com esse sonho conquistador que carregamos em nossa genética.

    Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos governar a nos mesmos, ou sucumbiremos porque não somos capazes de estar à altura da civilização em que fomos desenvolvendo.

    Este é nosso dilema. Não nos entretenhamos apenas remendando consequências. Pensemos na causa profundas, na civilização do esbanjamento, na civilização do usa-tira que rouba tempo mal gasto de vida humana, esbanjando questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico, acima de todas as coisas, é respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é nosso “nós”.

    Obrigado.

    Tradução: Fernanda Grabauska

    Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/mundo/noticia/2013/09/leia-a-integra-do-discurso-de-jose-mujica-na-onu-4281650.html

  24. Talk2lurch disse:

    Já estou traduzindo o vídeo. Assim que terminar, posto o link com o acesso ao vídeo traduzido e o texto.

    Abraços!

  25. Angelica Keller disse:

    Olá, aqui tem uma tradução, sou tradutora profissional… Abraço e parabéns por publicar.

    Amigos, todos. Sou do sul, venho do sul. Esquina do Atlântico e do Prata, meu país é uma planície suave, temperada, uma história de portos, tasajo, couros, lãs e carne. Teve décadas púrpuras, de lanças e cavalos, até que por fim ao surgir o século XX começou a ser vanguarda no social, no Estado, no ensino. Eu diria que a socialdemocracia foi inventada no Uruguay.
    Durante quase 50 anos o mundo nos viu como uma espécie de Suiça. Na realidade, no campo econômico fomos bastardos do imperialismo britânico e, quando este sucumbiu, vivemos as amargas doçuras dos términos de funestos intercâmbios, e ficamos estancados nos sonhos do passado.
    Quase 5º anos recordando o Maracanã, nossa façanha esportiva. Hoje nós ressurgimos nesse mundo globalizado, talvez aprendendo pela nossa própria dor. Minha história pessoal, a de m menino –porque algum dia fui um menino- que, como outros, quis mudar seu tempo, seu mundo, o sonho de uma sociedade libertária e sem classes. Meus erros são, em parte, filhos do meu tempo. Obviamente os assumo, mas há momentos em que medito com nostalgia.
    Quem me dera a força de quando éramos capazes de acolher tanta utopia! Entretanto, não olho para trás porque o hoje real nasceu nas cinzas férteis do ontem. Pelo contrário, não vivo Oigan bien, queridos amigos: en cada minuto del mundo se gastan dos millones de dólares en presupuestos militares en esta tierra. Dos millones de dólares por minutos en presupuesto militar!! En investigación médica, de todas las enfermedades que ha avanzado enormemente y es una bendición para la promesa de vivir unos años más, esa investigación apenas cubre la quinta parte de la investigación militar.para pedir contas ou reverberar lembranças.
    Angustia-me, e quanto, o futuro que não verei e pelo qual me comprometo. Sim, é possível um mundo com uma humanidade melhor. Mas, hoje, talvez a primeira tarefa seja cuidar da vida.
    Mas eu sou do sul, e venho do sul para esta assembleia, trazendo comigo inequivocamente os milhões de compatriotas pobres, das cidades, dos ermos, das selvas, dos pampas, dos socavões, da América Latina, pátria comum que estamos fazendo.
    Carrego comigo as culturas originais esmagadas, os restos do colonialismo nas Malvinas, os bloqueios inúteis a esse crocodilo sob o sol do Caribe que se chama Cuba. Trago as consequências da vigilância eletrônica que não faz mais que semear desconfiança. Desconfiança que nos envenena inutilmente. Trago ainda uma gigantesca dívida social, a necessidade de defender a Amazônia, os mares, nossos grandes rios da América.
    Trago comigo o dever de lutar pela pátria de todos.
    Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, e o dever de lutar pela tolerância, a tolerância que se requer para com aqueles que são diferentes, e com aqueles com quem temos diferenças e discrepamos. Não precisamos de tolerância para com os que estamos de acordo. A tolerância é o fundamento para podermos conviver em paz, entendendo que no mundo somos diferentes.
    O combate à economia, ao narcotráfico, à fraude, ao engodo e à corrupção, pragas contemporâneas apadrinhadas por esse anti-valor, esse que sustenta que somos felizes se enriquecemos, seja como for. Temos sacrificado os velhos deuses imateriais. Tomamos seu templo com o deus mercado, que organiza a nossa economia, nossa política, os hábitos, a vida e até nos financia em prestações e cartões, a aparência de felicidade.
    Pareceria que nós nascemos só para consumir e consumir, e quando não podemos fazê-lo carregamos com a frustração, com a pobreza e até com a auto-exclusão.

    O certo, hoje, é que pra gastar e enterrar os detritos disso que se chama pegada de carbono pela ciência, se desejamos nesta humanidade consumir como um americano médio, seria imprescindível termos três planetas para viver.
    Quer dizer, nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível a todos preencher esse sentimento de desperdício que se tem atribuído à vida. Os fatos se estão massificando como uma cultura de nossa época, sempre dirigida à acumulação e ao mercado.
    Temos prometido uma vida de esbanjamento e desperdício, que no fundo constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade como futura civilização, contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais.
    Mas, pior: civilização contra a liberdade, que supõe ter tempo para viver as relações humanas, o único transcendente, o amor, a amizade, a aventura, solidariedade, família. Civilização contra tempo livre, que não se paga, que não se compra, que nos permite contemplar e esquadrinhar o cenário da natureza.
    Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com andadores, a insônia com pílulas, a solidão com eletrônica, porque somos felizes alienados do entorno humano…
    Cabe fazer-se esta pergunta: fugimos da nossa biologia que defende a vida pela própria vida, como causa superior, e a suplantamos pelo consumismo funcional e pela acumulação.
    A política, eterna mãe do acontecer humano, ficou limitada à economia e ao mercado, de salto em salto a política não pode mais que perpetuar-se e, como tal, delegou o poder e se entretém, aturdida, lutando pelo governo. Derrocada marcha da historieta humana, comprando e vendendo tudo, e inovando para poder negociar, de algum modo, o que é inegociável. Há marketing para tudo: para os cemitérios, os serviços fúnebres, as maternidades, para pais, para mães, passando pelas secretárias, pelos carros e pelas férias. Tudo, tudo é negócio.

    Todavia, as campanhas de marketing caem deliberadamente sobre as crianças e seu psiquismo para influir os adultos e ter no futuro um território assegurado. Sobram as provas dessas tecnologias abomináveis que, às vezes, conduzem às frustrações e mais…
    O homenzinho mediano das nossas grandes cidades deambula entre as financeiras e o tédio rotineiro dos escritórios, às vezes temperados com ar condicionado. Sonha sempre com as férias e com a liberdade, sempre sonha fechar as contas, até que um dia o coração para e, adeus. Haverá outro soldado para cobrir as fauces do mercado, garantindo a acumulação. A crise acontece pela impotência, impotência da politica, incapaz de entender que a humanidade não escapa, nem escapará do sentimento de nação. Sentimento que quase está incrustrado no nosso código genético.
    Mas hoje é tempo de começar a batalhar para preparar um mundo sem fronteiras. A economia globalizada não tem mais condução que a do interesse privado, de muito poucos, e cada estado nacional mira sua estabilidade continuísta e, hoje, a grande tarefa para nossos povos, na minha humilde forma de ver, é o todo.
    Como se isso fosse pouco, o capitalismo produtivo, francamente produtivo, está meio prisioneiro na caixa dos grandes bancos. No fundo, são a cúspide do poder mundial. Mais claramente, cremos que o mundo requer aditamentos, regras globais que respeitem as descobertas da ciência. Mas não é a ciência que governa o mundo. É preciso, por exemplo, de uma agenda de definições, quantas horas de trabalho em toda a terra, como convergem as moedas, como se financia a luta global pela água e contra os desertos.
    Como reciclar e pressionar contra o aquecimento global. Quais são os limites de cada grande afazer humano. Seria imperioso buscar consenso planetário para desatar a solidariedade para com os mais oprimidos, castigar impositivamente o desperdício e a especulação. Mobilizar as grandes economias, não para criar descartáveis, com obsolescência calculada, mas bens úteis, sem fidelidade, para ajudar os pobres do mundo a se erguerem. Bens úteis contra a pobreza mundial. Mil vezes mais rentáveis que fazer guerras. Voltar-se para um neo-keynesianismo útil de escala planetária para abolir as vergonhas mais flagrantes, que este mundo tem.
    Nosso mundo talvez precise de menos organismos mundiais, esses que organizam os fóruns e as conferencias, que ajudam muito as cadeias hoteleiras e as companhias aéreas e que, no melhor dos casos, ninguém recorre e os transforma em decisões…
    Precisamos, sim, mascar muito o velho e eterno da vida humana junto à ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade, não para se fazer ricos; com eles, de mãos dadas com os homens de ciência, primeiros conselheiros da humanidade, estabelecer acordos pelo mundo inteiro. Nem os estados nacionais grandes, nem as transnacionais e, muito menos, o sistema financeiro deveria governar o mundo humano. Sim a alta politica, entrelaçada com a sabedoria cientifica, ali está a fonte. Essa ciência que não se apetece do lucro, mas olha para o futuro e nos diz coisas a que não atendemos. Quantos anos faz que nos disseram, em Kioto, determinadas coisas das quais não nos enterramos? Porque temos impotência politica de nos adequar a uma nova época, que nós contribuímos para construir e não percebemos… Por que digo isso? São dados, nada mais. O certo é que a população se quadriplicou e o PVI cresceu pelo menos vinte vezes no último século. Desde 1990, aproximadamente a cada seis anos se duplica o comercio mundial. O que está acontecendo? Entramos numa nova época, aceleradamente, mas com políticos, atávicos culturais, partidos e jovens, todos velhos, ante a pavorosa acumulação de mudanças que nem sequer podemos registrar. Não podemos manipular a globalização, porque nosso pensamento não é global. Não sabemos se isso é um limitante cultural ou se estamos chegando aos limites biológicos. Nossa época é portentosamente revolucionária como nunca antes na historia da humanidade, mas não tem condução consciente. Ou ao menos condução simplesmente instintiva. Muito menos, ainda, condução politica organizada, porque nem sequer tivemos filosofia precursora, ante a velocidade das mudanças que se acumularam. A cobiça, tão negativa, e motor da história, isso que empurrou para o progresso material, técnico e científico, que fez nossa época e nosso tempo o que ele é, e um fenomenal progresso em muitas frentes, paradoxalmente, essa mesma ferramenta, a cobiça, que nos empurrou para frente, nos precipita para um abismo ruinoso, para uma história que não conhecemos, para uma época sem história e estamos ficando sem olhos e inteligência coletiva para continuar colonizando e nos perpetuar, transformando-nos porque, se tem uma característica esse bichinho humano, é que é um conquistador antropológico. Parece que as coisas ganham autonomia, e as coisas submetem os homens, por um ou outro lado, para vislumbrar essas coisas, ou vislumbrar lhe os rumos, decisões globais que podem ser” tudo”. Mas claro, a cobiça individual triunfou sobre a cobiça superior da espécie. Esclareçamos, que é esse ‘tudo’, a palavra que utilizamos? É a vida global do sistema Terra, incluindo a vida humana, com todo seu equilíbrio frágil, que torna impossível que nos perpetuemos. Por outro lado, mais simples, menos opinável e mais evidente. As repúblicas que nasceram para afirmar que os homens somos iguais, que ninguém é mais que ninguém, que seus governos deviam representar o bem comum, a justiça e a equidade, muitas vezes as republicas se deformam e caem no esquecimento dos homes comuns, que andam pelas ruas, o povo comum. Não foram repúblicas criadas para vegetar em cima do eleitorado, mas pelo contrario são um grito da historia para serem funcionais para a vida dos seus povos e por isso a republicas se devem às maiorias e devem lutar pela promoção das maiorias, pelo que estão ali, pelas reminiscências feudais, por classismo dominador ou pela cultura consumista que nos domina, as republicas frequentemente adotam um viver diário que põe distancia ao homem da rua. O fato é que o homem da rua devia ser a causa central da luta politica na vida da republica, os governos republicanos deveriam parecer cada vez mais com seus povos respectivos, na forma de viver e de comprometer-se com a vida. O fato é que cultivamos arcaísmos feudais, cortesanismo consentido, relações hierárquicas, que no fundo nos solapa. O melhor que tem a república é que ninguém é melhor que ninguém. O jogo desses e outros fatores, nos retém na pré-história e hoje não podemos renunciar à guerra quando a politica fracassa e assim se estrangula a economia e vejam bem, em cada minuto se gasta 2 milhões de dólares em orçamento militar. A pesquisa médica de todas as enfermidades tem avançado enormemente e, essa pesquisa, cobre apenas a quinta parte desse orçamento militar.

    Este processo, do qual não podemos sair, é cego. Garante o ódio e o fanatismo, desconfiança, fonte de novas guerras e, isso também, esbanjamento de fortunas. Eu sei que é muito fácil, poeticamente, nos auto-criticar, pessoalmente. Eu acho que seria uma inocência pleitear, neste mundo, que existam recursos para economizar e gastar em outras coisas úteis. Isso seria possível, de novo, se fossemos capazes de exercer acordos mundiais de politicas planetárias que nos garantam paz e que nos dem, aos mais fracos, garantias que não temos. Haveria aí enormes recursos para recortar e atender as maiores vergonhas da Terra.
    Mas, basta uma pergunta: nesta humanidade, hoje, aonde iríamos sem a existência dessas garantias planetárias? Então, cada um vela por suas armas de acordo com sua magnitude e ali estamos, porque não podemos raciocinar como espécie, apenas como indivíduos.
    As instituições mundiais, particularmente hoje, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações que, obviamente, querem reter sua quota de poder.
    Unem-se nos fatos a esta ONU, que foi criada como uma esperança e como um sonho de paz para a humanidade. Mas, pior ainda, desarraigam-na da democracia no sentido planetário, porque não somos iguais. Não podemos ser iguais neste mundo onde há mais fortes y mais fracos. É, portanto, uma democracia planetária ferida e está cerceando a história de um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e que, verdadeiramente, exista. Assim, então, remendamos enfermidades ali onde ecloda e se apresente, como queiram algumas das grandes potencias. Os outros, olhamos de longe. Não existimos.
    Amigos, eu penso que é muito difícil inventar uma força pior que o nacionalismo chauvinista das grandes potencias. A força, que é libertadora dos fracos. O nacionalismo, tão pai dos processos de descolonização, formidável pra com os fracos, se transforma em uma ferramenta opressora nas mãos dos fortes e isso que nos últimos 200 anos temos tido exemplos por todo lado.
    A ONU, nossa ONU, languidesce, se burocratiza por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia voltada ao mundo mais vulnerável, constituído pela maioria esmagadora do planeta. Dou um pequeno exemplo, pequenino. Nosso pequeno país te, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz dos países da América Latina, esparramados pelo mundo. E ali estamos, onde nos pedem para estar.
    Mas somos pequenos. Onde repartem os recursos e tomam-se decisões, nós não entramos, nem para servir café. No mais profundo do nosso coração existe um enorme anseio de ajudar, para que o homem saia da pré-história. Eu defino que o homem está na pré-história enquanto viva em disposição de guerra, pese os muitos artefatos que pode construir.
    Enquanto o homem não sair dessa pré-história e arquivar a guerra como recurso, quando a politica fracassa, essa será a longa marcha e o desafio que teremos por diante. E nós o dizemos com conhecimento de causa. Conhecemos as solidões da guerra. Contudo, esses sonhos, esses desafios que estão no horizonte, implicam em lutar por uma agenda de acordos mundiais que comecem a governar nossa história e superar, passo a passo, as ameaças da vida. A espécie, como tal, mereceria um governo para a humanidade, que superasse o individualismo e buscasse recriar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência e não apenas aos interesses imediatos que nos estão governando e afogando.
    Paralelamente, é preciso entender que os indigentes do mundo não são da África ou da América Latina, são da humanidade toda e esta deve, como tal, globalizada que é, propender a empenhar-se em seu desenvolvimento, para que possam viver com decência por si mesmos. Os recursos necessários existem, estão aí, nesse desperdício predador da nossa civilização.
    Há poucos dias, ali na Califórnia, fizeram uma homenagem em uma agencia dos bombeiros a uma pequena bomba que vem funcionando há 100 anos. Há 100 anos está ligada! Quantos milhões de dólares nos tiraram do bolso com deliberadas porcarias para que o povo compre, e compre, e compre, e compre.
    Mas esta globalização, de olhar por todo o planeta e por toda a vida, significa uma mudança cultural brutal. É o que nos está pedindo a história. Toda a base material tem mudado e tem bambeado, e os homens, com toda nossa cultura, permanecemos como se nada tivesse acontecido e, em lugar de governar a globalização, é esta que nos governa. Há mais de vinte anos nós discutíamos a humilde taxa Tobi. Impossível aplica-la no planeta todo. Todos os bancos do poder financeiro se levantaram em sua propriedade privada e foi um estardalhaço. Entretanto, isso é um paradoxo. Com talento, com trabalho coletivo, com ciência, o homem vai, passo a passo, transformar em verde os desertos.
    O homem pode levar a agricultura para o mar. O homem pode criar vegetais que vivam com agua salgada. A força da humanidade se concentra no essencial. É incomensurável. Ali estão as mais portentosas fontes de energia. O que nós sabemos da fotossíntese? Quase nada… A energia sobra no mundo, se trabalhamos para usá-la, com ela. É possível arrancar pela raiz toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e será possível às gerações futuras, se começarem a pensar como espécie e não como indivíduos apenas, levar a vida para a galáxia e dar seguimento a esse sonho conquistador que nós, os seres humanos, trazemos na nossa genética.
    Mas, para que todos esses sonhos sejam possíveis, precisamos nos governar a nós mesmos ou sucumbiremos, por não sermos capazes de estar à altura da civilização que nós mesmos fomos desenvolvendo.
    É esse o nosso dilema. Não devemos nos entreter em remendar as consequências. Pensemos nas causas de fundo, na civilização do desperdício, na civilização do use-e-jogue-fora, porque o que se joga é o tempo da vida humana mal vivida, desperdiçada em questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por milagre e que nada vale mais que a vida. E que é nosso dever biológico, acima de tudo, respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é o nosso ‘nós’.

    Obrigado.

  26. Guilherme disse:

    a parte da bombinha de 100 anos da Califórnia, o correto é lampada, espero ter ajudado AHHAAH

  27. Marcelo Rubim disse:

    Palavras sábias do fundo da alma ! diferença de muitos lideres de outras nações e principalmente do meu Brasil !

  28. Guilherme disse:

    Muito bom mesmo!
    Pena que é difícil de crer que um dia um país como um EUA possa colocar a coletividade acima da individualidade.
    É difícil mas não é impossível.

  29. Emmanuel disse:

    viva pepe, viva fidel , viva hugo chavez, viva che , viva a libertação da america latina

  30. Heraldo disse:

    Viva “as veias abertas da América Latina”, viva Eduardo Galeano!

  31. Amei o discurso… me emocionei profundamente. Parabéns pela postagem!

  32. Quantos aos comentários sobre traduções … rsrsrs consegui ouvir e ler perfeitamente … e mais uma vez, obrigada pela postagem.

  33. William Cavalieri disse:

    As palavras são corretamente lógicas, os pensamentos são éticos, é emocionalmente fiel.
    Já ouvi este tipo de discurso, e isso é uma declaração clara de insatisfação de seres humanos que não conhecem a DEUS.
    Leia revelação ou apocalipse e vai entender o que o futuro aguarda para os que não conhecem a DEUS.

    1. Felipe disse:

      Que comentário mais imbecil, meu amigo. Aqui para você:

  34. Livio disse:

    Parabéns a Mujica e seus amigos! Avante companheiros!

    Lívio Lima
    Brasil

  35. Ana Abreu disse:

    Incrível, inútil, ficar discutindo as traduções… Em espanhol ou português, é o primeiro presidente que ouço falar de grandes males que há tempos mantém vivos e ativos tantos horrores em nome do poder e do dinheiro…

  36. Disse na integra a mais pura verdade,
    Estamos cansados de ego-ismos e hipocresia, num mundo que estaria em perfeita harmonia – não fosse a presença humana como um câncer da terra ao engatinhar no conhecimento da natureza e da vida.
    A inversão dos mais sagrados valores nos conduziu ao caos civilizatório que sufocados todos (no mesmo barco) suportamos hoje, mesmo aqueles que pensam estarem no comando do falso e podre poder dessa zorra e inversão.
    Sem mais delongas como bem diz quem é do sul: Tudo pode ser diferente e melhor & Quando um ser humano cresce é o mundo que melhora!….Se por questão de honra da espécie humana não aproveitarmos toda a tecnologia atual para nosm reposicionarmos – saindo das cavernas da futilidade, da inutilidade e passarmos a ter o compromisso on-line e full time com tudo o que se move e é sagrado – seguramente teremos cabalmente (no xeque-morte) que morrer abraçados para morrer melhor (no último suspiro de fraternidade)!….Mas, tudo pode ser diferente e melhor e levamos essa esperança até o fim ao fazermos cada um e todos a pequena diferença ao nosso redor – agindo localmente e pensando globalmente. s
    Meus sinceros agradecimentos ao verdadeiro e responsável Presidente do Uruguai José Mujica, que esperou a ora e escreveu na história desse planeta Terra – o que todos devem ler e viver.

    Paulo Zornitta
    Movimento Greenwave

  37. Disse na integra a mais pura verdade,
    Estamos cansados de ego-ismos e hipocresia, num mundo que estaria em perfeita harmonia – não fosse a presença humana como um câncer da terra ao engatinhar no conhecimento da natureza e da vida.
    A inversão dos mais sagrados valores nos conduziu ao caos civilizatório que sufocados todos (no mesmo barco) suportamos hoje, mesmo aqueles que pensam estarem no comando do falso e podre poder dessa zorra e inversão.
    Sem mais delongas como bem diz quem é do sul: Tudo pode ser diferente e melhor & Quando um ser humano cresce é o mundo que melhora!….Se por questão de honra da espécie humana não aproveitarmos toda a tecnologia atual para nosm reposicionarmos – saindo das cavernas da futilidade, da inutilidade e passarmos a ter o compromisso on-line e full time com tudo o que se move e é sagrado – seguramente teremos cabalmente (no xeque-morte) que morrer abraçados para morrer melhor (no último suspiro de fraternidade)!….Mas, tudo pode ser diferente e melhor e levamos essa esperança até o fim ao fazermos cada um e todos a pequena diferença ao nosso redor – agindo localmente e pensando globalmente.
    Meus sinceros agradecimentos ao verdadeiro e responsável Presidente do Uruguai José Mujica, que esperou a hora e escreveu na história desse planeta Terra – o que todos devem ler e viver.

    Paulo Zornitta
    Movimento Greenwave

  38. Egeenou disse:

    tudo o que ele diz é verdade. O Pepe é uma figura mitico na luta contra a emperialismo sobre tudo americano na america latina. é um lider corojoso que com certeza deixara uma marca na sua epoca humanidade precisa muitas Pepe’s por que nosso mundo seja viveval e que a vida seja salve
    Obrigado pelo vidéo e artigo
    Egeenou Dersu

  39. Julianne disse:

    Mujica é um fofo! um líder de Estado que consegue ter a mentalidade pura e objetiva de seu povo.
    E sobre a traduçao, nem falo nada, pois consegui captar o teor do discurso, e além disso.. a traduçao foi enviada por outra pessoa. criticar é super simples né, sentar o bumbum na cadeira e fazer melhor, ninguém faz. fazem até pior, como o coleguinha que enviou o texto abaixo, que nem se deu ao trabalho de revisar.
    entretanto, não façamos guerra por isso. leia cacete! apenas leia!

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