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rodrigocampos-2020

“Tenho desenvolvido um novo olhar sobre o mundo, entendendo que criamos ciclos e expectativas às vezes maléficas para saúde mental e física”, filosofa Rodrigo Campos, quando o pergunto sobre como anda sua quarentena. “Percebi também que nunca havia tirado férias nos 20 anos em que vivo exclusivamente de música. Essa parada tem despertado sensações que, acredito, influenciem meu trabalho de agora em diante.” O primeiro estágio desta nova fase vem na forma de canções, às duplas, que ele começa a lançar a partir dessa sexta nas plataformas digitais – mas que dá pra ouvir em primeira mão no Trabalho Sujo.

“A pandemia que me instigou a começar gravar em casa”, prossegue o sambista paulistano. “À princípio não determinei que seriam compactos, mas como só tinha duas músicas – tinha acabado de fazer oito para o novo Sambas do Absurdo – e as achava boas. Comecei a considerar lançá-las nesse formato, me libertando um pouco do formato álbum. Foi quando passei a enxergar as canções de modo diferente, me abriu um novo olhar; ver as canções sempre dentro de um conjunto maior faz você se ater mais ao todo, e dessa maneira tinha que considera só canção, que tinha que se manter de pé por força própria, sem apoio de outras ou de um conceito muito fechado. Aí me convenci a aprofundar essa sensação de que cada canção devia se bastar, e lançá-las em compactos.”

Os dois primeiros, os sambas “Meu Samba Quer Se Dissolver” e “Corpo Azul”, conversam diretamente com essa experiência, principalmente a partir da familiaridade cada vez mais íntima de Rodrigo com a guitarra e a microfonia, que funcionam como paisagens sonoras que ajudam seus sambas a ganhar corpo e densidade musicalmente. “Acho que essa coisa de gravar em casa que abriu possibilidades bem maiores de experimentação timbrística, então penso continuar nessa direção”, explica quando pergunto se essa fase ele trabalha sozinho ou se vão ter parcerias ou colaborações. Ele não definiu nada nesse sentido. Só sabe que lançará cinco “compactos”. “Imagino soltar a cada dois meses. Já tenho outro pronto”, antecipa.

Paul solo

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Por essa ninguém esperava: Paul McCartney anuncia o terceiro disco que leva apenas só seu sobrenome, em referência ao seu primeiro disco solo após o fim dos Beatles e ao disco que lançou dez anos depois, quando desfez sua banda posterior, os Wings. McCartney III foi composto, gravado, tocado e produzido sozinho por ele, como os McCarntey e McCarntey II foram anteriormente, durante sua quarentena.

O disco será lançado no dia 11 de dezembro e sua capa é essa abaixo:

McCartney-III

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Letícia Novaes lançou seu ótimo Aos Prantos na mesma sexta-feira 13 em que foi decretada a quarentena no país, no dia seguinte à OMS declarar que o coronavírus era uma pandemia global. O disco, sem poder ser lançado ao vivo (e quem conhece seu grupo, o Letrux, sabe que mais da metade dele é o show), foi ressignificado a partir do momento bizarro que compartilhamos até hoje e o choro do título ganhou uma nova conotação. Para Letícia pessoalmente foi um baque pesado que a atingiu em pleno voo, cancelando shows e desdobramentos que estavam marcados até o fim deste ano. Recuperada do trauma, ela aos poucos reergue-se e anuncia novidades para o fim deste ano – um EP com os prantos revisitados – e um livro para o ano que vem. Mas as novidades são só um detalhe neste delicioso papo capri em que conversamos sobre redes sociais, solidão, choro, cancelamentos, criatividade, texto e shows.

Arlo-Parks-2021

Ela apareceu graças a duas versões – uma de Radiohead, acompanhando Phoebe Bridges ao piano, e outra da Billie Eilish -, mostrando sua voz e sensibilidade precisas em dois momentos diferentes no início deste semestre. E agora Arlo Parks anuncia seu primeiro álbum, programado para janeiro do ano que vem, e mostra o primeiro single, “Green Eyes”, que conta com vocais de apoio da Clairo:

Collapsed In Sunbeams chega ao público no final de janeiro de 2021 – já está em pré-venda -, a capa é a imagem acima e abaixo segue o nome e a ordem das músicas:

“Collapsed In Sunbeams”
“Hurt”
“Too Good”
“Hope”
“Caroline”
“Black Dog”
“Green Eyes”
“Just Go”
“For Violet”
“Eugene”
“Bluish”
“Portra 400”

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Pode ser que você não se lembre do inglês Tony Lewis nem da banda em que tocava baixo, o Outfield, mas lembra da voz e sabe cantar o refrão de “Your Love”. Ele morreu subitamente, notificou sua página oficial no Facebook, sem especificar as causas da morte.

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É a quarentena que está nos deixando mais solitários ou já vivíamos assim mesmo quando podíamos nos aglomerar? Ficar só é bom ou ruim? O quanto a privação de contato com outras pessoas afeta o nosso lado psíquico mas também nos ajuda a entrar em contato com nós mesmos? E nesta edição do Altos Massa, eu e Pablo Miyazawa mergulhamos num tema que pode ser incômodo pra muita gente, mas que é uma das principais características de nossos tempos: a solidão.

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Durante muitos anos, adaptações de outras mídias, continuações e refilmagens minaram a criatividade e as histórias originais dos filmes mais comerciais do mundo, mas isso acabou vilanizando um dos principais exercícios cinematográficos que existem: o remake. Recriar um filme em outra época é da natureza do próprio cinema e vai para além das simples citações e referências. Refilmagens nos mostram clássicos antigos, releituras autorais e filmes que passaram batido sobre contextos novos e mais desafiadores – e é claro que tem muita bomba no meio, não dá pra mentir. Mas entre Scarface e Vanilla Sky, Gaiola das Loucas e Os Infiltrados, Bravura Indômita e Oldboy, Cabo do Medo e Robocop, mostramos que há vida inteligente na recriação de títulos do passado.

sharon-van-etten-2020

Sharon Van Etten mostra a “Let Go”, canção que fez para o documentário Feels Good Man, que acaba de estrear na PBS norte-americana (veja o trailer aqui) e que conta a trágica história de Pepe, um sapo personagem de quadrinhos que há dez anos começou a ser utilizado como símbolo da extrema-direita. Melancólica e densa na mesma medida, “Let Go” tem várias camadas e é sua primeira composição inédita que lança desde Remind Me Tomorrow, o ótimo disco que lançou no ano passado.

metameta-sescaovivo

Eis a íntegra da apresentação do Metá Metá, a melhor banda do Brasil, dentro da programação do Sesc Ao Vivo, sexta passada. Não tem o apuro visual da direção da live que fizeram na Casa de Francisca, mas é Juçara e um microfone, Thiago e seu sax, Kiko e seu violão – não precisa de mais que isso pra que eles estremeçam o chão, sempre.

“Exu”
“Vale Do Jucá”
“São Jorge”
“Ossanyn”
“Atoto”
“Samuel”
“Trovoa”
“Sozinho”
“Let’s Play That”
“Na Multidão”
“Tristeza Não”
“Vias De Fato”
“Obá Iná”
“Obatalá”

zemanoel-adupe

“Eu sonhei com essa música cantada por um coro, desses característicos de terreiros de candomblé, acompanhado por tambores vibrantes, uma coisa linda”, lembra Zé Manoel ao falar sobre “Adupé Obaluaê”, single que antecipa seu próximo álbum, Do Meu Coração Nu, que chega às plataformas digitais na próxima sexta. “Acordei com a música reverberando… ‘Adupé meu pai Obaluaê… ‘ Na mesma hora peguei o celular e gravei a música, já acompanhando com o piano da forma que toquei na gravação do disco.” A faixa, como o disco, tem produção do baiano Luisão Pereira, que também toca o baixo da música e conta com arranjo de sopros escrito pelo maestro Letieres Leite. “É a faixa mais importante do disco”, conta o pianista pernambucano, “por isso resolvemos abrir os trabalhos com ela”, conta Zé Manoel.”

Salve!