Talagadas

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Se você postou algo no Facebook sobre o disco novo de Karina Buhr – o enfurecido Selvática, que ela disponibilizou essa semana e que lança hoje e amanhã na choperia do Sesc Pompéia – deve ter passado um dia na cadeia da rede social, impossibilitado de postar, comentar ou curtir qualquer coisa na aldeia de Mark Zuckerberg. Foi o que aconteceu comigo no fim desta semana – por culpa única e exclusivamente dos peitos de fora que a cantora baiano-pernambucana exibia na capa de seu novo disco.

A caça às tetas via Facebook (que começou no ano passado com o Encarnado de Juçara Marçal e que deve continuar em discos, fotos e vídeos nos próximos anos) é um bom sintoma do 2015 quente que Karina tem passado, ela que, além do disco, também lançou livro (Desperdiçando Rima, pela Rocco) e participou da Flip (ao lado de Arnaldo Antunes) este ano, se firma como uma das principais vozes do novo feminismo na atual cultura brasileira. Ela, no entanto, não acha que o disco seja mais feminista que os anteriores: “Se for pensar nos dois discos anteriores, eles são bem feministas também: ‘Eu menti pra Você’, ‘Não me ame tanto’, ‘Amor Brando’, ‘Avião Aeroporto’… De todo jeito, acho que tudo o que eu fizer, independente do tema que eu abordar vai ser feminista porque eu sou. Então posso falar do barquinho com a lua, relax, mas quem descreve esse barquinho e essa lua pensa de um jeito que é esse.” Ela define o novo disco como “rock and roll, mesmo quando é tranquilo e com toques de ciranda.”

Você chegou com o disco pronto em estúdio ou o compôs durante a gravação?
Cheguei com tudo pronto, só a letra de Selvática que fiz no último dia de gravação. Tinha ideia pra ela mas não tinha feito, passei a madrugada escrevendo e gravei no dia seguinte.

Ter feito o disco depois da sua participação na Flip e de lançar o seu livro o influenciou de alguma forma?
O livro influenciou, era um outro disco que ia rolar, mas quando peguei o livro com forma de livro, ali, capa e tal, sem ser o PDF frio ou a xerox grampeada, várias coisas se ressignificaram e acabei pegando vários textos dele e transformando em música. A Flip não, a Flip foi maravilhosa mas de outra forma, não influenciou no disco.

Como tem sido a repercussão da capa? Até eu fui proibido de usar o Facebook por um dia por sua causa…
Hahhaaa! Pois é, acabou tendo tiro pela culatra do Facebook! Nunca uma capa minha rodou tanto como essa, ela estava em todos os lugares, mais de 2 milhões de acessos na página em três dias. Fora que gerou uma discussão maravilhosa e profunda sobre censura, machismo, direito das mulheres sobre o próprio corpo, bem massa. Fui bloqueada, minha produtora também, um monte de gente também, mas era digitar “#selvática” no search do Facebook e ficar chorando, emocionada, como tanta gente postando pinturas antigas e coisas novas, capas de vinil aos montes, mulheres postando fotos dos próprios peitos, Beto Figueiroa e Aline Feitosa e o ensaio lindo que eles fizeram por conta disso… Começou como uma coisa muito ruim e se transformou completamente.

E o que dá para esperar do show de lançamento?
Não sei o que esperar, espero que seja bom hahaha. Vai ter Denise Assunção, deusa, junto comigo. A banda é minha banda deusa de sempre: Mau no baixo, Bruno Buarque na bateria, André Lima nos teclados, Guizado no trompete e Catatau e Edgard nas guitarras.

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Conheceremos um dos discos do ano – o disco de covers que Ryan Adams fez sobre o disco que Taylor Swift lançou no ano passado – na segunda que vem, mas ele já antecipou a primeira música, uma versão irresistível para “Bad Blood”.

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O novo disco solo de Lou Barlow, chamado de Brace the Wave, sai por esses dias. E além das duas músicas que ele já havia mostrado (“Moving” e “Wave”), ele vem agora com um clipe da última faixa do disco, “Repeat”, todo pé no chão e de coração partido:

Ferrorama infinito

trem

Entusiasta do ferromodelismo, James Risner engatou vagões de sete minicomposições diferentes para criar esse loop hipnótico de um trem que circula em torno de si mesmo.

JJ em 2015

jj2015

Depois do terceiro disco, lançado no ano passado e batizado de V, grupo sueco JJ volta a dar notícias este ano, com o lançamento do EP Death, com cinco faixas, entre elas essa gelada “Fuck It”.

bnegao2015

Agosto verá o lançamento digital do terceiro disco do BNegão e seus Seletores de Frequência, batizado TransmutAção e mixado por Mario Caldato e Digitaldubs. O CD aparece no mês que vem e o vinil até o fim do ano…

umo2015

Mais um clipe do sensacional Multi-Love, o disco que o Unknown Mortal Orchestra lançou no início do ano e que é meu top 1 deste ano até então. O agora quarteto liderado pelo geninho Ruban Nielson escolheu a escorregadia e deliciosa “Ur Life One Night” – uma das melhores músicas deste ano – pra ganhar uma versão audiovisual, que mantém o clima pós-psicodélico oitentista do clipe da faixa-título, mas o alvo agora são mágicos caleidoscópios indianos do mundo dos sonhos de Maya, temperados com efeitos especiais de anime.

belle2015

O Belle & Sebastian (que já está com data agendada pra tocar no Brasil) lança mais um clipe de seu novo disco, o deliciosamente retrô “Perfect Couples”, sobre casais perfeitos que se separam.

MØ x Frank Ocean

Mo

O Major Lazer de Diplo convocou a xodó MØ para recriar o hit “Lost” de Frank Ocean com forte acento jamaicano – e o resultado ficou fera, saca só:

daphni

Na verdade, Dan Snaith misturou um lado B do produtor holandês Alex Israel (“Colugo“) com o hit disco “Main Gulbadan” da cantora Usha Uthup indiana sob sua alcunha paralela, Daphni. Delírio – e vale ouvir os originais.