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Conversando sobre jornalismo e música praticados neste século, desta vez chamei Bento Araújo, o senhor Poeirazine, para contar sua trajetória e falar sobre este pequeno império pessoal que ele criou no começo do século, como um fanzine impresso. Entre 2003 e 2016, a publicação pagou as contas de Bento, que embarcou em seguida em um projeto mais ousado: um livro bilíngüe sobre os 100 discos psicodélicos mais importantes do país. Lindo Sonho Delirante chega à sua terceira edição e funciona como gancho para falarmos sobre jornalismo independente, como sustentar um negócio desta natureza, a comunidade que ele criou ao seu redor, turnês pela Europa, o Poeiracast e, claro, sobre sua paixão pela música.

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Sophie (1986-2021)

Que triste a notícia da partida da produtora escocesa Sophie neste sábado, principalmente levando em conta a ridícula causa de sua morte, que caiu após tentar subir para ver a lua cheia em Atenas, na Grécia, onde morava. Primeira artista transgênero a ser indicada ao Grammy, por seu ótimo Oil of Every Pearl’s Un-Insides, de 2018, ela também trabalhou com artistas tão diferentes quanto Flume, Arca, Madonna, Charlie XCX, MØ, entre vários outros, sempre cogitando possibilidades sonoras radicais sem perder o pé na pista de dança. Uma visionária em plena ascensão, abatida no início de um lindo voo. Ela tinha 34 anos. Que tristeza.

Foto: Renata De Bonis

“Essa é a chance que eu tenho”, o paulistano Jair Naves sussurra entre loops e o violão dedilhado na segunda parte da primeira música que mostra em 2021, lançada neste 29 de janeiro que também é data de seu aniversário. “Todo o Meu Empenho” retoma o trabalho que ele vinha fazendo no ano passado, quando começou a trabalhar em seu quarto disco solo, sucessor do ótimo Rente, que aos poucos o consolida como um dos grandes compositores de sua geração. “A noção de que demoraria muito para apresentar essas músicas ao vivo trouxe uma liberdade criativa inesperada no estúdio”, ele me explica por email. “Geralmente, sempre que eu gravei um disco existia uma preocupação em criar arranjos que fossem facilmente reproduzíveis nos palcos. Dessa vez, esse pensamento não esteve presente nem por um instante. Pelo contrário, a mentalidade era sempre de experimentar elementos que nunca foram testados nas minhas gravações, usar de artifícios que levassem as músicas para outros lugares. Até por causa disso, essas sessões foram algumas das mais divertidas da minha vida.”

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Pesquisador e estudioso da cultura e da música brasileira, o carioca Fred Coelho está lançando o livro-ensaio Jards Macalé – Eu Só Faço o Que Quero (Numa), mas o chamei para conversar na edição desta semana da minha coluna Tudo Tanto por sua fluência na história da contracultura brasileira. E assim repassamos os últimos cinquenta anos à luz do desbunde hippie, do pós-tropicalismo, da cultura marginal, da cena independente, da chegada da internet e da ascensão dos Racionais MCs, num papo que, inevitavelmente, recai sobre o próprio Macalé.

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Ponto Takara

Maurício Takara foi convidado pela diretora Laura Artigas para compor a trilha sonora de seu segundo documentário, O Ponto Firme, lançado no ano passado, em que ela acompanhou o estilista Gustavo Silvestre na criação do Projeto Ponto Firme, em que desenvolveu sua coleção de roupas em crochê ao lado de detentos de uma penitenciária em Guarulhos para ser apresentada durante o São Paulo Fashion Week de 2018. Só agora a trilha composta por Takara compôs ao lado de seu parceiro de Baobab Club, Henrique Diaz, chega às plataformas digitais e quem conhece o trabalho dos dois vai reconhecer as camadas de ambient e percussão, synths e beats que se entrelaçam como os pontos de crochê do filme. Duas de suas faixas, “O Ponto Firme” e “O Ponto Baixo”, compõem o primeiro lançamento do selo Scream & Yell, do Marcelo Costa, em 2021 (dá pra baixar aqui).

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O Sesc Catanduva me chamou para entrevistar o grande Edgard Scandurra dentro de uma programação que eles fizeram para honmenagear guitarristas locais. O papo aconteceu nesta quarta-feira e falamos tanto da formação de Edgard como instrumentista, os primeiros anos do Ira! e como ele foi expandindo seu repertório para além do rock, fazendo discos solo e tocando com artistas iniciantes e consagrados, além de contar as novidades que inventou durante a quarentena, como seu programa de rádio Scandurrices, seu disco solo que foi lançado em cassete e as novidades que já começou a pensar para 2021.

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Há dez anos resenhando dezenas de lançamentos por mês, Cleber Facchi e seu Miojo Indie estão às vésperas de uma mudança radical. Ele prefere só deixar o futuro próximo no ar, mas aproveito a oportunidade para voltar aos seus anos de formação, tanto como fã de música quanto como jornalista no interior do Paraná, para recapitular o início de seu site e como ele aos poucos se tornou uma das principais referências na cena independente brasileira. Aproveitamos para conversar sobre jornalismo, internet, discotecar, fazer podcasts e as transformações que a quarentena impôs ao mundo da música. Assista aqui. Continue

Matrix 4 está vindo aí e funcionou como gancho para que eu e André Graciotti voltássemos no tempo na edição desta semana do Cine Ensaio para rever como o filme dos irmãos – hoje irmãs – Wachowski parece mais importante hoje do que quando foi lançado há vinte anos. Na época, imaginávamos que iríamos entrar em um ambiente cibernético a partir de conexões neurológicas, mas o que vimos foi este mundo digital invadindo o que nos referimos como realidade, misturando conceitos e nos fazendo pensar ainda mais no tal deserto do real.

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O podcast de acervo musical que Ricardo Alexandre vem tocando desde o ano passado parou de olhar para anos passados para se dedicar a 2020 – e chamou convidados para palpitar sobre os grandes discos do ano passado. Além de mim, ele também convidou Patrícia Palumbo, Leonardo Lichote, Roberta Martinelli e Felipe Rodarte para elencar seus favoritos do ano passado. Confere aqui. Continue

Mais uma novidade por aqui: além da seção On the Run, em que compilo, sazonalmente, mixtapes, DJ sets e outras sequências de músicas enfileiradas por DJs e produtores, desta vez transformo a hashtag que usava pra fotografar minhas caminhadas pelo bairro em outra seção de música contínua: The Walk é a trilha sonora dos meus passeios diários pelo bairro, caminhadas em que delimito as fronteiras do meu território ao mesmo tempo em que desbravo calçadas por aí – e podem ser mixtapes e DJ sets, Vidas Fodonas antigos ou apenas discos inteiros. Caminho todos os dias, mas os posts pintam aqui sempre que aparecer inspiração. E começo com esse DJ set maravilhoso que os Chemical Brothers lançaram no final dos anos 90, Brothers Gonna Work it Out. A foto dos posts é sempre uma imagem que tiro no passeio.

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