Pop

Mais uma morte triste neste 2020: morreu Paulo César dos Santos, o Paulinho, vocalista do Roupa Nova, uma das principais bandas de soft rock do país e dono de um rosário de hits que, mesmo sem gostar da banda, todo mundo conhece. Paulinho já estava internado devido a uma cirurgia e acabou contraindo o covid-19, que, infelizmente, encerrou sua vida mais cedo. Que merda de doença…

Com a desculpa de retomarmos projetos do passado que só ficaram no campo das ideias, resumimos dois deles num novo programa no meu canal no YouTube: em Aparelho – Jornalismo-Fumaça me junto ao paraense Vladimir Cunha e ao catarinense Emerson Gasperin para entender o que está acontecendo no Brasil a partir dos pontos de vistas de nossas respectivas cidades. Cultura urbana que se espalha pela internet e que ganha contornos diferentes a partir de cada uma dessas localidades. Aparelho é o começo de uma conversa sobre o que está acontecendo com o comportamento do brasileiro e o que podemos fazer em relação a isso – além de rir e chorar.

Morreu na sexta passada o designer que consagrou visualmente a modernidade da bossa nova. César Villela não só foi responsável pelas capas dos três primeiros discos de João Gilberto pela Odeon, onde trabalhava, como assumiu a arte das capas do selo Elenco, criado por Aloysio do Nascimento no início dos anos 60, que consolidou o novo gênero musical como uma revolução estética na música brasileira – e isso vinha estampado nas capas dos álbuns, quase sempre brancas com fotos, normalmente de Chico Pereira, estampadas em alto contraste, com detalhes em vermelho – estes, também quase sempre, eram bolinhas vermelhas, que vinham sempre em quatro, para simbolizar a harmonia, como havia aprendido com a cabala.

Quem tem saudade de conversar sobre música? Eu não tenho porque é um assunto recorrente na minha vida. E não falar sobre mercado, métricas, mais vendidos e outras formalidades. Estou falando em conversar sobre discos, sobre músicas, sobre shows e o impacto disso em nossas vidas. E para estrear este novo programa em meu canal, convidei meus dois irmãos Danilo Cabral e Luiz Pattoli, que agitam as Noites Trabalho Sujo comigo há quase uma década, para falarmos sobre o que gostamos de ouvir, nosso passado musical comum e suas lembranças sonoras de diferentes épocas da vida.

Fui chamado pela Casa do Mancha para fechar a programação da Casinha dentro desta força-tarefa de DJs, produtores, festas e casas noturnas chamada Clube em Casa. Parte da programação da Virada Cultural deste ano, o evento reúne casas de diferentes portes, como o Tokyo, o Mundo Pensante, o Boteco Prato do Dia, a Casa da Luz, o Caracol, a Aparelha Luzia e a Fatiado Discos, que convidam nomes tão diferentes quanto Discopédia, KL Jay, Akin, ODD, Pilantragi, Jorge Du Peixe, Mamba Negra, Millos Kaiser, Lys Ventura, Caverna, Desculpa Qualquer Coisa, Batekoo, Mari G, Gop Tun, entre vários outros nomes para tocar a festa nestes sábado e domingo . Quem divide as picapes comigo é a Joyce Guillarducci, do blog Cansei do Mainstream, mas não vamos tocar juntos não, afinal, apesar de ser na Casa do Mancha, a frequência é reduzida à técnica da transmissão por motivos sanitários. Os trabalhos da Casinha começam às 18h, com o próprio Mancha, que chamou a Liu para discotecar com ele, seguido da festa Caverna, do Alex Correa, que convida a Juli Baldi, a partir das 20h, e a parte Trabalho Sujo da noite começa com a Joyce, às 22h, e eu entro logo em seguida para encerrar. Você encontra todas as informações sobre todo o evento, que será transmitido pela Twitch.tv da produtora Flerte, aqui.

Taylor Swift, Taylor Swift… Ela se recuperou bonito do tombo que tomou a ver todas as datas da turnê de seu Lover do ano passado sendo canceladas por causa da pandemia, lançando um disco introspectivo e folk – com um pé no indie – que se tornou o disco mais vendido nos EUA de 2020. E pouco mais de um semestre após o lançamento do disco-surpresa Folklore, ela agora surge com outro – e se o anterior foi avisado com um dia de antecedência, este novo, Evermore, foi anunciado poucas horas antes de seu lançamento, nessa sexta. Produzido pelo mesmo Aaron Dessner, da banda The National, que a ajudou a compor o primeiro volume (desta vez com a participação menor do produtor de estimação de Taylor, Jack Antonoff), este novo disco aprofunda-se ainda mais da sonoridade indie, repetindo mais um vez um dueto com Bon Iver, chamando as irmãs Haim e o próprio grupo de Dessner para participar do disco. Há algumas notas de anos 80 (reflexos tardios de seu icônico 1989) em certas faixas, como “Gold Rush” e “Long Story Short”, que certamente crescerão bem nos shows do futuro, mas sem perder o vínculo mais introspectivo, como em “Marjorie” (composta para sua avó) e o dueto com o National, “Coney Island”. Se duvidar é até melhor que o disco anterior…

Karina Buhr é uma artista completa: canta, compõe, toca, escreve, pinta e se posiciona de forma veemente sobre assuntos que dizem respeito a todos – e paga um preço por isso. Baiana criada no Recife, ela é um dos principais pilares da música pernambucana contemporânea e minha convidada desta terceira edição em vídeo da coluna Tudo Tanto, que antes era publicada na revista Caros Amigos e agora ganha este novo formato. Conversamos sobre como sua carreira foi afetada pela pandemia, o que ela tem feito neste período e aproveitamos para dissecar sua carreira desde o início, antes de ela tocar no Eddie, banda que pertenceu à primeira formação, formar o Cumade Fulozinha, trabalhar com Zé Celso Martinez Correia e assumir a carreira solo ancorada por dois dos maiores guitarristas do Brasil. E enquanto ela fala sobre a própria trajetória, aproveita para falar sobre preconceitos, processo criativo, da cena contemporânea e das novidades que está planejando para o ano que vem.

Mais um mestre que nos foi arrancado pelo covid-19: Ubirany Félix do Nascimento – ou apenas Ubirany – morreu nesta sexta-feira, deixando o samba de luto. Um dos fundadores do Fundo de Quintal, parte da cena mais vibrante do gênero nos últimos 50 anos (o Cacique de Ramos), ele entrou para a história ao criar o repique de mão a partir de um dos tons de uma bateria, dando à levada do grupo um toque mais fluida e macio, crucial na transformação do samba dos anos 70 para os anos 80. Que tristeza.

Kevin Parker até canta mais grave para encarnar maravilhosamente o hit “A Girl Like You” de Edwyn Collins no já clássico quadro Like a Version da rádio australiana Triple J.

Que maravilha, hein…

Dissecando mais uma vez a relação da música com o jornalismo no Brasil, chamei a querida carioca Kamille Viola para contar sua trajetória – ela que está lançando seu primeiro livro, sobre o disco África-Brasil de Jorge Ben e aproveita esta deixa para voltar para o início da internet no Brasil,. quando redações de jornais ainda eram objetivo de estudantes de jornalismo, e traça sua carreira cobrindo música para a Bizz, o jornal O Dia e suas duas revistas eletrônica, Bala e Vertigem, lançadas em momentos muito distintos. Ainda falamos sobre a dificuldade da vida como autônomo e da precarização do jornalismo cultural nas últimas décadas, além de lembrar de nosso querido irmão Fred Leal.