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Finalmente chego ao Brasil no Rádio Trabalho Sujo, meu programa em que conto histórias sobre a história da música, e começo por uma história que pude testemunhar, quando o grupo Legião Urbana tocou pela última vez em sua cidade-natal, em Brasília, quando lançou o disco Que País é Este? – 1978-1987, no estádio Mané Garrincha, que acabou num caos generalizado após um show polêmico encerrado abruptamente. A versão em vídeo é a fita bruta que depois de editado vira um programa em áudio que estreia no Dublab Brasil na quarta, às 16h, E agora também está no Spotify.

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Sigo na segunda edição do meu programa sobre histórias da história da música e desta vez conto como o New Order conseguiu superar a morte de Ian Curtis e o fim do Joy Division com o single mais vendido da história do Reino Unido, que mudou completamente nossas conexões com a pista de dança. Misturando disco music, música eletrônica e trilha sonora western, o grupo inglês reinventou sua sonoridade e abriu uma nova história para a música pop com um single perfeito, “Blue Monday”.

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O podcast de acervo musical que Ricardo Alexandre vem tocando desde o ano passado parou de olhar para anos passados para se dedicar a 2020 – e chamou convidados para palpitar sobre os grandes discos do ano passado. Além de mim, ele também convidou Patrícia Palumbo, Leonardo Lichote, Roberta Martinelli e Felipe Rodarte para elencar seus favoritos do ano passado. Confere aqui. Continue

Sempre no começo de todo ano, o Poolside do californiano Jeffrey Paradise lança algo para já deixar todos no ritmo da nova jornada – e este ano ele resolveu abrir com essa deliciosa “I Feel High”, que apare com duas versões, uma ao lado da dupla Drama e outra com vocais de Ben Browing. Difícil escolher a melhor.

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Finalmente estou tirando um velho projeto da manga: Rádio Trabalho Sujo não é apenas o meu primeiro programa que apresento sozinho no meu canal (além do CliMatias, claro), como também o primeiro que faço sobre música, algo que me cobro faz tempo. Rádio Trabalho Sujo começa como um programa em vídeo, mas seu intuito é incluir músicas e se tornar um programa em áudio que também pode se tornar um podcast – antecipando uma das grandes mudanças que veremos no canal durante 2021. A ideia é sempre contar histórias da história da música – e resolvi começar pelo final de uma das histórias que mais gosto de contar, o dos Beatles. E esta versão em áudio também aparece no Dublab, na primeira parceria que fecho com a rádio online.

“Estado de guerra”

O casal de DJs Maurício Fleury e Giu Nunez reuniu synths, beats, discos e samples para nos conduzir a uma viagem instrumental extrassensorial de uma hora de grooves do mundo, com os pés fincados no Brasil, num set feito para a Rádio Tempo Não Para.

Coisa fina…

bodymusic

A dupla Body Music, que conta com o Rapture Vito Roccoforte na formação, põe todo mundo pra dançar com o single de “Head in the Clouds”, inspirado no mestre Roy Ayers.

Não dá pra ficar parado!

johnlennon-heatwave

O Wilson Farina me chamou para participar de seu programa Heatwave, que ele apresenta na rádio Antena Zero, em homenagem aos 80 anos do beatle John, dá uma sacada:

Eis o Carabobina

Carabobina

Os dois se conheceram na lendária temporada de sete shows consecutivos que os Boogarins fizeram na Casa do Mancha, em 2017. “Quando a noite acabou eu botei uma playlist e dancei sem camisa”, lembra Fefel, baixista e prefeito da banda goiana. “Causei muito com Prince, Michael Jackson, Bowie…Dancei muito bem por uns vinte minutos. Assim consegui a atenção dela, que estava com outro boy na noite.” A técnica de som Alejandra Luciana completa: “Raphael tava soltão e chamou atenção dançando sem camisa no meio da pista”, se diverte.

Os dois começaram a namorar e o namoro aos poucos, e inevitavelmente, foi evoluindo para um lado mais musical. “Sempre foi uma possibilidade, mas na hora que se concretizou eu estava visitando Ceres pela primeira vez”, lembra Alejandra sobre a visita à cidade-natal do namorado. “Ficamos no quarto de infância do Raphael na casa dos pais, no computador, e muito despretensiosamente começamos a fazer uma música. O processo foi bem natural e divertido, gostamos muito do resultado. Essa música não entrou no disco agora mas quem sabe mais pra frente…” E assim nasceu o projeto Carabobina, que chega às plataformas digitais nesta sexta com seu primeiro single, “Pra Variar”, que pode ser ouvido em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Mostrei pra ela como eu gravava toscamente algumas demos no Ableton Live, ela uma garota de ProTools, mas bastava gastar cinco minutos na tela pra dominar outro programa”, lembra Fefel. “O primeiro som nem entrou no disco, mas determinou uma cartilha válida pra várias outras canções. Qual seja: não almejaremos nenhum resultado, só vamos adicionar arranjos espontâneos e ver no que dá.” “Gravamos alguma coisa e fomos criando e adicionando mais elementos”, continua Alê. “Quem tivesse alguma ideia legal fazia e construímos juntos as linhas. Bem leve e lúdico.”

O resultado pode ser vagamente definido como psicodélico, mas há mais elementos musicais, que ajudam a se distanciar da banda original do baixista. Para começar, soa mais eletrônico e lo-fi, um caminho que os Boogarins até trilharam sem superpor sobre suas guitarras. Já as guitarras e violões no Carabobina são quase discretos e funcionam mais como acessórios para beats, linhas de baixo e texturas eletrônicas, que estruturam as canções. Mas o forte são as melodias, cantaroladas pelas doces vozes do casal – e que grata surpresa que é o vocal de Alejandra, que inevitavelmente remete à argentina Juana Molina, influência confessa do grupo, quando canta em espanhol, seu idioma natal. Dá para ouvir ecos de chillwave e até uma vibração Warpaint, enquanto Alê cita artistas como Broadcast, Breeders e Animal Collective, entre outros.

Muitos conhecem Alejandra pilotando mesas de som em diferentes shows indies do país, mas ela não é estranha aos palcos. Venezuelana de nascença, ela morou um tempo na Austrália onde lançou sua primeira banda, “Coloquei um anúncio de graça numa revista de música e uma galera muito legal, todos uns 10 anos mais velhos que eu, responderam, e foi assim que comecei a minha banda post punk lá”, ri ao lembrar. “A gente nunca nem saiu da garagem deles, que estava condicionada como sala de ensaio, onde tocávamos e bebíamos uma toda semana. O único registro são umas gravações de ensaio que o guitarrista fez.” Jà Fefel, além dos Boogarins, também passou pela banda Luziluzia, “onde cumpre o sonho da juventude de ser cantor e baixista igual Humberto Gessinger”, brinca Alê. “Nossos últimos lançamentos estão no Bandcamp e nosso último show foi em 2017”, lembra o baixista. “É uma extensão das bandas interioranas adolescentes que tive com meu parceiro João Victor. Passamos a tocar pouco porque eu e Benke andávamos ocupados com Boogarins, e João e Ricardo com o Carne Doce.” E emenda que, apesar da banda de Alejandra não ter decolado, “rendeu um caderno de letras em inglês com jovens devaneios.”

O disco, que sai no dia 6 de novembro, começou a ser gravado há mais de dois anos. “Começávamos as músicas de improviso”, lembra Fefel. “Tentávamos criar arranjos pop que nunca ouvimos, com sons eletrônicos de sintetizadores e com nosso jeito meio rock alternativo de pensar as canções. Uma vez que a música parecia estruturada, tentávamos criar melodias de voz. Cada um tinha uns quinze minutos pra registrar as primeiras ideias. Depois ouvíamos juntos e combinávamos as linhas que entrariam. Depois de uns 2 anos, vimos que tínhamos material suficiente pra um disco e em algumas semanas terminamos todos esses esqueletos pra Alê começar a mixar.”

Alê detalha a parte técnica do processo, que aconteceu no estúdio que criou em casa. “Os sons foram variando também porque fomos comprando alguns instrumentos: a Drumbrute da Arturia, Mother 32… Uma das músicas do disco inclusive fiz logo depois que comprei um Yamaha Reface DX numa das viagens com Boogarins e gravei a maioria das linhas melódicas e harmônicas nele. Como eu trabalhava no estúdio da Red Bull, um dia entrou uma parceria com a Roland e ganhamos um monte de teclados e instrumentos eletrônicos. Peguei um sábado e montei vários tecladinhos boutique e a TR-8, fiquei compondo o dia inteiro e gravando voz num 57. Depois o Raphael pegou esse material e editou, deu uma estrutura, e trabalhamos com algumas dessas coisas.”

O nome da dupla vem das raízes de Alejandra, que reside há seis anos no Brasil. “Nasci numa cidade chamada Valenciaa, que fica no estado de Carabobo, e desde que comentei isso pro Raphael ele gostou muito, além de rir da minha cara. Aí um belo dia ele chegou com esse nome e eu achei lindo, porque parece que tivesse várias palavras escondidas nele: bobina, carabobo, carabina… e bobina já dá essa sensação de elétrico, flutuante, magnetismo.” “É uma homenagem a Alejandra, autêntica carabobeña que até agora ainda não lançou um disco… inventei esse nome porque é um prazer ter um projeto com essa talentosa.”

Sem tempo de pensar em como transformar o projeto em show, embora tenham cogitado algumas ideias. “Começamos a esquematizar, mas acho que vai ser um processo que vamos descobrir fazendo. A ideia é trabalhar com camadas/loops de voz, e quero ter processamento de efeitos na mão durante o show para usar eles como instrumento. O Raphael continuará no seu famigerado moog, e a guitarra deve ficar trocando de mãos.” “A vontade é dublar tudo”, emenda o baixista. “Como sempre toquei com banda, e até por isso mesmo, fico travado ao pensar em como levar esse som pro palco. Mas ainda temos um tempo pra pensar nisso.” Enquanto isso, cogitam clipes e colaborações que já estão em processo. “Sem falar que já tem muita música nova também, o seguinte disco não deve demorar”, completa.