Loki

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Desde o final do ano passado Billie Eilish vem ameaçando seu segundo álbum mostrando aos poucos músicas novas: primeiro foi a melancólica “Everything I Wanted”, que seguiu-se da suntuosa “No Time to Die”, tema do próximo filme de James Bond, para finalmente chegar à balada “My Future”. Em comum, as três músicas encontravam-na mais reservada, mais séria e de alguma forma introspectiva, mas finalmente ela mostra que a Billie que encantou o mundo ano passado segue firme, ao apresentar o single – e o clipe – de “Therefore I Am” nesta quinta-feira.

Sozinha num shopping center (a Glendale Galleria, um dos maiores shoppings de Los Angeles), ela diverte-se sozinha, passando por cima de balcões, surrupiando comida e dominando o cenário como se fizesse uma metáfora para a invasão que fez ao showbusiness no ano passado. A letra encerra um pé na bunda com estilo e o clipe, filmado em uma noite, com um iPhone, reforça que ela só precisa dela mesma para seguir galgando rumo ao topo do pop.

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O produtor inglês Sam Shepherd, o nome por trás da grife eletrônica Floating Points, remixou “Fair Chance”, que o músico norte-americano Thundercat compôs em homenagem ao falecido rapper Mac Miller em seu disco mais recente, It Is What It Is, e o resultado, graças a um grauzinho esperto dado por sintetizadores precisos, leva a faixa, que ainda tem participação de Lil B e Ty Dolla $ign para outra dimensão. Sente só:

Suave…

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Mank vem aí – o primeiro filme de David Fincher em seis anos, em que ele filma um roteiro escrito por seu pai sobre o roteirista que ajudou Orson Welles a revolucionar o cinema em Cidadão Kane. E o personagem-título do bon-vivant Herman J. Mankiewicz é vivido por ninguém menos que Gary Oldman. Uma confluência de talentos que inspirou a edição desta semana do Cine Ensaio, em que eu e André Graciotti conversamos sobre a importância do filme original, a grandeza de seus diretor e ator e a expectativa para este que pode ser um dos grandes filmes deste magro 2020 cinematográfico.

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Robert Fripp, o líder do King Crimson, entregou-se aos devaneios de sua esposa, a cantora Toyah Willcox, e juntos os dois vêm passando a quarentena experimentando possibilidades no YouTube – mas neste Halloween chegaram ao ponto mais crítico até agora, quando misturaram uma versão apenas em que Fripp toca em sua Les Paul com o rosto e o braço coberto de tatuagens temporárias a clássica “Paranoid” do Black Sabbath enquanto Toyah, do outro lado de uma grade (seria uma cadeia ou um cofre?) canta a canção numa performance memorável.

Atualização: E olha essa versão para “Whole Lotta Love” (que no final vira “Kashmir”) e um chicote que eles fizeram no domingo…

Os dois vídeos são chamados de “Sunday Lockdown Lunch” – o almoço de domingo do enclausuramento e, pelo jeito, isso vai longe, hein… Tomara!

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O mestre Itamar Assumpção ressurge na póstuma “Beleléu Via Embratel”, faixa produzida por sua filha Anelis, que traz participações de nomes como Liniker, Vange Milliet e Tata Fernandes nos vocais de apoio, com Paulo Le Petit no baixo e Luiz Chagas na guitarra (ambos integrantes de sua clássica Isca de Polícia), Marquinho Costa na bateria e Edy Trombone no instrumento de sua alcunha. A faixa, originalmente composta para o festival MPB-Shell de 1981, nunca teve registro oficial e essa ressurreição também anuncia o tão aguardado MU.ITA, o Museu Virtual Itamar Assumpção que Anelis vem desenvolvendo e que deve ser apresentado finalmente no próximo dia 20.

Que maravilha!

A versão virtual do festival espanhol Bilbao BBk Live aconteceu em junho desse ano, mas esse set do DJ catalão John Talabot é eterno…

Um abuso, dizaê. Que mestre.

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Kassin e Frank Jorge, dois pilares do rock independente dos anos 90 que se tornaram referências musicais nas respectivas cenas de suas cidades, já se conheciam há tempos. “Eu conheci o Frank assistindo ao Graforreia Xilarmônica no festival SuperDemo, se eu nao me engano em 1992”, o produtor carioca puxa pela memória. O gaúcho complementa: “Fui conhecer conhecer mesmo foi quando o Kassin e o Berna produziram o disco da Graforreia Xilarmônica Ao Vivo, lançado pela Senhor F Discos, gravado em Porto Alegre num bar chamado Manara, que não existe mais nem a edificação, inclusive, e foi lançado em 2006”, lembra Frank sem precisar a data do show.

Os dois se reencontraram em 2020 para começar a trabalhar num disco em dupla, mas o coronavírus obrigou a mudança de planos. “Inicialmente haveria encontro no disco , eu iria a Porto Alegre e Frank viria ao Rio , eu pensava em um disco mais tocado com sintetizadores e baterias eletrônicas e acústicas juntas quando vimos que isso não seria possível resolvi fazer tudo programado”, lembra Kassin. “Inicialmente, seria uma fusão de composições autorais inéditas ao estilo de músicas bregas brasileiras com rock internacional da mesma época, tipo bandas do CBGBs…”, lembra Frank, “mas o rumo que foi tomando as composições e produções a partir das guias mostrou um universo diferente, mais rico ainda, bem brasileiro, bem diversificado, com bastante programações de bateria eletrônica, baixos synth ou ‘tocados no dedão’, arranjos maravilhosos do Kassin para sopros, enfim… Um álbum muito único que me deu muito prazer em fazer.”

Ainda sem data de lançamento precisa – os dois falam no começo de 2021 -, o disco Nunca Fomos Tão Lindos começa a ser mostrado esta semana, quando o single “O Que Vou Postar Aqui” chega às plataformas digitais na sexta, mas os dois antecipam a faixa, que mistura as melodias básicas de Frank à fissura de Kassin por música eletrônica avançada, ao mostrar o clipe primeiro aqui no Trabalho Sujo. “É uma canção tipicamente ‘frankeana’, composta com certo DNA do velho e famigerado iê-iê-iê que existe incrustrado em mim – e adoro!”, descreve Frank. “Mas a liberdade de criação foi o princípio básico do trabalho e o que o Kassin trouxe de contribuições foi sempre surpreendente; apontou para direções muito diferentes em termos rítmicos, soluções harmônicas bacanas e de bom gosto. Um resultado final bem diferente dos respectivos trabalhos solos, e em alguma medida, modestamente falando, muito único, muito raro”. Kassin reforça que a faixa é uma boa introdução ao disco: “O disco vai pra muitos lados sonoramente, mas dá pra entender o que esperar do álbum.”

Frank detalha como foi a criação do disco: “Fiz uma guia inicial em fevereiro deste ano com violão, baixo, teclado, guitarra, vozes, para 14 músicas com o Beto Silva no Estúdio Marquise 51. Tiveram umas dinâmicas de deixar algumas de lado e inserir outras no decorrer do processo, de abril em diante. Em síntese, dez composições do álbum foram escritas entre novembro e fevereiro e duas já existiam no meu repertório próprio, não lançadas. Kassin produziu as gravações via software Zoom a partir do seu estúdio ou sua casa no Rio de Janeiro. Beto e eu em Porto Alegre no estúdio Marquise 51, gravando a partir das orientações do Kassin. Trocamos vários telefonemas e algumas vídeo chamadas para discutir as músicas, buscar soluções, cortes… Fluiu tudo de modo muito legal, cooperativo, colaborativo. Conversamos bastante sobre música em geral. Celly Campelo, High Llamas, Paulo Sérgio, Jackson 5, documentários sobre música, etc. Tudo isto impactou no resultado e no astral geral do álbum. ”

Cada um segue seus projetos individuais. Enquanto Kassin prepara mais um disco solo, Frank segue dando aula de Produção Fonográfica na universidade Unisinos, em Porto Alegre “e compondo canções em espanhol; lendo Jonathan Franzen, Henry Jenkins, jornal e revistas Bizz antigas; sempre ouvindo muita música; assistindo seriado sobre o Império Romano”, conclui.

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Neil Young começa a mostrar as joias do segundo volume de sua caixa Archives e acaba de revelar essa versão elétrica com sete minutos de “Powderfinger” gravada logo que Frank “Poncho” Sampedro assumiu o posto de segundo guitarrista do Crazy Horse, após a morte do dono original do cargo, o fiel escudeiro de Young Danny Whitten, de overdose de heroína. Uma canção sobre a chegada da maturidade junto com a morte tem um peso redobrado ao ser lançada em 2020, ano em que Young tornou ainda mais aguda sua verve política, numa versão registrada em 1975, portanto três anos antes de ser apresentada ao resto do mundo no imortal Rust Never Sleeps. Que paulada!

Antes disso, ele já havia mostrado a balada country “Homefires”, gravada em 1974 em seu rancho Broken Arrow…

…e “Wonderin'”, que ele gravou na época do After the Gold Rush em 1970 (que, por sua vez, ganhará uma edição especial em dezembro, em comemoração aos seus 50 anos), mas que só lançaria em 1983, no infame Everybody’s Rockin’, numa versão rockabilly gravada ao lado do grupo vocal Shocking Pinks:

E ainda tem o vídeo mostrando a caixa por dentro:

Mata o velho! A segunda Archives sairá no próximo dia 20 e já pode ser encomendada online.

Avalanches no céu

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Usando a clássica “Eye in the Sky” do Alan Parsons Project como base, a dupla australiana Avalanches lança mais um single de seu próximo álbum, We Will Always Love You, que será lançado no início de dezembro (a pré-venda já está acontecendo no site deles). E depois de reunir nomes tão diferentes quanto Blood Orange, David Berman, Rivers Cuomo, Tricky, Jamie Xx, Mick Jones e Neneh Cherry, o convidado do novo single, “”, é o ótimo Leon Bridges.

Num feito histórico do selo Eaeo, todos os seis discos de estúdio do clássico grupo paulistano Racionais MCs estão sendo lançados em vinil. Tirando o álbum mais recente, Cores & Valores, de 2014, todos os outros registros em estúdio do grupo já haviam saído neste formato no ano em que foram lançados e hoje são raridades nas mãos de poucos detentores de cópias dos EPs Holocausto urbano (1990) e Escolha seu caminho (1992) e dos álbuns Raio X Brasil (1993), Sobrevivendo no inferno (1997) e Nada como um dia após o outro dia (2002), este último, raríssmo disco quádruplo. Além destes, a discografia do grupo ainda inclui a coletânea Racionais MCs (1994) e os ao vivo Ao Vivo (2001) e 1000 Trutas, 1000 Tretas (2006), todos lançados apenas em CD.

racionais-discografia

E o feito histórico da Eaeo (que já tinha lançado em vinil a luxuosa caixa do Cidadão Instigado, discos clássicos do Eddie e do Cólera e discos recentes da Alessandra Leão, Siba, Josyara, Maria Beraldo e Baco Exu do Blues, entre outros) vai além quando o selo anuncia que três destes lançamentos dos Racionais – incluindo a caixa com todos os discos, que custa 1200 reais – esgotaram-se NO MESMO DIA em que foram anunciados. Muito foda.