Jornalismo

Quem tem saudade de conversar sobre música? Eu não tenho porque é um assunto recorrente na minha vida. E não falar sobre mercado, métricas, mais vendidos e outras formalidades. Estou falando em conversar sobre discos, sobre músicas, sobre shows e o impacto disso em nossas vidas. E para estrear este novo programa em meu canal, convidei meus dois irmãos Danilo Cabral e Luiz Pattoli, que agitam as Noites Trabalho Sujo comigo há quase uma década, para falarmos sobre o que gostamos de ouvir, nosso passado musical comum e suas lembranças sonoras de diferentes épocas da vida.

Fui chamado pela Casa do Mancha para fechar a programação da Casinha dentro desta força-tarefa de DJs, produtores, festas e casas noturnas chamada Clube em Casa. Parte da programação da Virada Cultural deste ano, o evento reúne casas de diferentes portes, como o Tokyo, o Mundo Pensante, o Boteco Prato do Dia, a Casa da Luz, o Caracol, a Aparelha Luzia e a Fatiado Discos, que convidam nomes tão diferentes quanto Discopédia, KL Jay, Akin, ODD, Pilantragi, Jorge Du Peixe, Mamba Negra, Millos Kaiser, Lys Ventura, Caverna, Desculpa Qualquer Coisa, Batekoo, Mari G, Gop Tun, entre vários outros nomes para tocar a festa nestes sábado e domingo . Quem divide as picapes comigo é a Joyce Guillarducci, do blog Cansei do Mainstream, mas não vamos tocar juntos não, afinal, apesar de ser na Casa do Mancha, a frequência é reduzida à técnica da transmissão por motivos sanitários. Os trabalhos da Casinha começam às 18h, com o próprio Mancha, que chamou a Liu para discotecar com ele, seguido da festa Caverna, do Alex Correa, que convida a Juli Baldi, a partir das 20h, e a parte Trabalho Sujo da noite começa com a Joyce, às 22h, e eu entro logo em seguida para encerrar. Você encontra todas as informações sobre todo o evento, que será transmitido pela Twitch.tv da produtora Flerte, aqui.

Taylor Swift, Taylor Swift… Ela se recuperou bonito do tombo que tomou a ver todas as datas da turnê de seu Lover do ano passado sendo canceladas por causa da pandemia, lançando um disco introspectivo e folk – com um pé no indie – que se tornou o disco mais vendido nos EUA de 2020. E pouco mais de um semestre após o lançamento do disco-surpresa Folklore, ela agora surge com outro – e se o anterior foi avisado com um dia de antecedência, este novo, Evermore, foi anunciado poucas horas antes de seu lançamento, nessa sexta. Produzido pelo mesmo Aaron Dessner, da banda The National, que a ajudou a compor o primeiro volume (desta vez com a participação menor do produtor de estimação de Taylor, Jack Antonoff), este novo disco aprofunda-se ainda mais da sonoridade indie, repetindo mais um vez um dueto com Bon Iver, chamando as irmãs Haim e o próprio grupo de Dessner para participar do disco. Há algumas notas de anos 80 (reflexos tardios de seu icônico 1989) em certas faixas, como “Gold Rush” e “Long Story Short”, que certamente crescerão bem nos shows do futuro, mas sem perder o vínculo mais introspectivo, como em “Marjorie” (composta para sua avó) e o dueto com o National, “Coney Island”. Se duvidar é até melhor que o disco anterior…

Karina Buhr é uma artista completa: canta, compõe, toca, escreve, pinta e se posiciona de forma veemente sobre assuntos que dizem respeito a todos – e paga um preço por isso. Baiana criada no Recife, ela é um dos principais pilares da música pernambucana contemporânea e minha convidada desta terceira edição em vídeo da coluna Tudo Tanto, que antes era publicada na revista Caros Amigos e agora ganha este novo formato. Conversamos sobre como sua carreira foi afetada pela pandemia, o que ela tem feito neste período e aproveitamos para dissecar sua carreira desde o início, antes de ela tocar no Eddie, banda que pertenceu à primeira formação, formar o Cumade Fulozinha, trabalhar com Zé Celso Martinez Correia e assumir a carreira solo ancorada por dois dos maiores guitarristas do Brasil. E enquanto ela fala sobre a própria trajetória, aproveita para falar sobre preconceitos, processo criativo, da cena contemporânea e das novidades que está planejando para o ano que vem.

Mais um mestre que nos foi arrancado pelo covid-19: Ubirany Félix do Nascimento – ou apenas Ubirany – morreu nesta sexta-feira, deixando o samba de luto. Um dos fundadores do Fundo de Quintal, parte da cena mais vibrante do gênero nos últimos 50 anos (o Cacique de Ramos), ele entrou para a história ao criar o repique de mão a partir de um dos tons de uma bateria, dando à levada do grupo um toque mais fluida e macio, crucial na transformação do samba dos anos 70 para os anos 80. Que tristeza.

Kevin Parker até canta mais grave para encarnar maravilhosamente o hit “A Girl Like You” de Edwyn Collins no já clássico quadro Like a Version da rádio australiana Triple J.

Que maravilha, hein…

Dissecando mais uma vez a relação da música com o jornalismo no Brasil, chamei a querida carioca Kamille Viola para contar sua trajetória – ela que está lançando seu primeiro livro, sobre o disco África-Brasil de Jorge Ben e aproveita esta deixa para voltar para o início da internet no Brasil,. quando redações de jornais ainda eram objetivo de estudantes de jornalismo, e traça sua carreira cobrindo música para a Bizz, o jornal O Dia e suas duas revistas eletrônica, Bala e Vertigem, lançadas em momentos muito distintos. Ainda falamos sobre a dificuldade da vida como autônomo e da precarização do jornalismo cultural nas últimas décadas, além de lembrar de nosso querido irmão Fred Leal.

O casal de DJs Maurício Fleury e Giu Nunez reuniu synths, beats, discos e samples para nos conduzir a uma viagem instrumental extrassensorial de uma hora de grooves do mundo, com os pés fincados no Brasil, num set feito para a Rádio Tempo Não Para.

Coisa fina…

Por que finais de filmes e séries são tão difíceis de agradar o público? Por que nos agarramos tanto a personagens e sagas a ponto de nos incomodar com qualquer tipo de final que nos é apresentado? Por que encerramento de obras, quando contraria nossas expectativas, parece matar o legado de obras inteiras? Em mais este episódio do Cine Ensaio eu e André Graciotti discutimos o impacto que fins de filmes e séries têm em diferentes obras e tentamos explicar porque isso é uma questão tão delicada para espectadores em geral.

2020 seria o ano em que a vocalista do Paramore, Hayley Williams, engataria sua carreira solo, ao lançar o ótimo Petals for Armor logo no começo do ano. Mas com a pandemia, ela ficou limitada a fazer versões em sua conta no Instagram e, finalmente, fez a primeira apresentação ao vivo de seu disco com banda nesta apresentação para o Tiny Desk Concerts da emissora norte-americana NPR. Três músicas, tudo redondinho, uma hora ela retoma essa história direito…

“Pure Love”
“Taken”
“Dead Horse”