Dance

manu-dibango

Primeiro grande nome que perdemos para o Coronavírus: o saxofonista camaronês Manu Dibango, que morreu nesta terça, foi um dos primeiros popstars africanos e revolucionou a música global a partir dos anos 70, quando, ao lado de uma geração que contava com músicos de outros países do continente, como os nigerianos Fela Kuti e King Sunny Adé, mostrou para o resto do mundo a influência daquela música no pop daquele período. Explodiu com o hit “Soul Makossa” em 1972 e colaborou com artistas tão diferentes e importantes como Herbie Hancock, Sly and Robbie, Bill Laswell, Don Cherry e Bernie Worrell, além de ver Michael Jackson surrupiando seu hit em “Wanna Be Startin’ Somethin'” de 1982 e depois Rihanna em “Don’t Stop the Music” de 2009. Que vá em paz.

brokenheart

É um remix do ano passado, mas só ouvi agora: o produtor alemão David Jackson pegou a velha “Only Love Can Break Your Heart” do St. Etienne e levou para dançar em uma outra pista de dança, entre a house e o techno dos anos 80. E esse clipe com essa festa adolescente na Rússia do início dos anos 90 é ouro puro.

avalanches2020

O antigo sexteto australiano Avalanches, que agora é um duo formado por Robbie Chater e Tony Di Blasi, lança mais um novo single, ainda sem anunciar data para o lançamento de seu terceiro álbum, que segue sem título. O novo single, “Running Red Lights”, conta com as participações do vocalista do Weezer Rivers Cuomo e do rapper Pink Siifu, que canta uma letra do grupo mais recente do saudoso David Berman, Purple Mountains, que morreu no ano passado. Berman havia colaborado com os Avalanches em uma demo em 2013, (“A Cowboy Overflow of the Heart“) e na faixa “Saturday Night Inside Out”, do disco mais recente dos australianos, Wildflower, de 2016. A faixa mistura uma vibe Spacemen 3 com um clima gospel dado justamente pelo vocal de Cuomo e não atinge o mesmo patamar do single anterior, a bela “We Will Always Love You“, mas mantém a expectativa sobre o próximo álbum.

glover2020

Donald Glover vem lentamente acalentando sua escalada. Começou na TV, primeiro escrevendo pro seriado 30 Rock da Tina Fey e depois compondo pro elenco da série cult Community. Na paralela, lançou-se como rapper com o pseudônimo de Childish Gambino, mas foi com seu nome batismo e na TV que ganhou fama de fato, quando criou a série Atlanta, em 2016, que conta a história de um rapper iniciante e seu primo empresário (vivido pelo próprio Glover). Mexendo as peças do tabuleiro do showbusiness com precisão e paciência, ele construiu sua carreira em momentos únicos e magistrais, como o clipe de “This is America”, o filme Rihanna Island (chamando apenas Rihanna para ser seu par) ou vivendo personagens icônicos como Lando Carlrissian no filme Han Solo ou o Simba no remake filmado do clássico desenho Rei Leão. E agora acaba de lançar um disco de surpresa.

Donald Glover Presents 3.15.20 não é propriamente uma surpresa porque ele revelou o álbum no domingo passado, quando o colocou para tocar por um doze horas em loop no site Donaldgloverpresents.com, tirando-o do ar no mesmo dia. Agora ele chega com o disco em todas as plataformas digitais batizando-o com a data de sua primeira transmissão ao mesmo tempo em que desafia formatos e rótulos. O disco está publicado como um longo disco de 57 minutos em nome de Donald Glover em seu canal no YouTube, mas seu codinome musical, Childish Gambino, o publicou com os nomes das músicas – que, salvo duas exceções, são apenas as marcações de minutagem dentro da contagem contínua de tempo do álbum. O disco ainda por cima não tem capa – ou melhor, traz apenas um quadrado branco como apresentação visual.

donaldglover-31520

Eis o nome das músicas:

“0.00”
“Algorhythm”
“Time”
“12.38”
“19.10”
“24.19”
“32.22”
“35.31”
“39.28”
“42.26”
“47.48”
“53.49”

O Genius.com conseguiu pegar os nomes originais das canções quando elas foram transmitidas pela primeira vez:

“We Are”
“Algorhythm”
“Time”
“Vibrate”
“Beautiful”
“Sweet Thing”
“Warlords”
“Little Foot”
“Why Go To The Party”
“Feels Like Summer”
“The Violence”
“Under The Sun”

Mas no fundo o que importa é a música – e Glover esmerilhou. Se seu disco mais recente (Awaken, My Love!, de 2016) emulava o P-Funk de George Clinton demais, desta vez ele ampliou sua cartilha de referências e agora reverbera Outkast, Frank Ocean, Kanye West, Prince e Stevie Wonder, soando tanto soul quanto rap, tanto funk quanto R&B. E num amálgama de referências de épocas diferentes, ele sobe mais um degrau em sua carreira, chegando a um novo patamar, entrando discretamente, mas sem humildade, no panteão da música contemporânea atual. Lançado sem muita explicação (e com participações de nomes como Ariana Grande, Kadhja Bonet e seu filho Legend), ele afirma que é seu último disco como Childish Gambino – e 3.15.20 soa como isso, o fim de um capítulo – e o início de outro. Além de ter sido lançado sem mesuras no meio de uma pandemia. Discaço.

less-is-more

O trio californiano Choices passeia entre a disco e a house music com seu single de estreia, o delicioso “Less is More”. Aumenta o som!

Dance soviético

dlinavolny

O trio bielorrusso Dlina Volny, obcecados por new wave e pós-punk da União Soviética do começo dos anos 80, começam a mostrar seu próximo trabalho a partir do single de “Do It”. Apadrinhados pelo Johnny Jewel dos Chromatics, eles terão seu primeiro disco, Fresh Blood, lançado pela Italians Do It Better, do próprio Jewel – e o grupo tem tudo a ver com a estética oitentista do selo.

Justin-Timberlake-Anderson-Paak

Mais uma música que Justin Timberlake lança para a trilha sonora da animação Trolls World Tour, desta vez o reúne com o soulman Anderson .Paak, mas ao contrário do dueto de Justin com SZA, “Don’t Slack” é só ok e apenas diverte.

E era uma combinação que podia ser tão mais explosiva… Tomara que não parem aí.

breakbot-beminetonight

É difícil o jovem monsieur Thibaut Berland deixar a peteca cair e ao lançar mais um single com o seu pseudônimo Breakbot, ele segue uma estabilidade de produção que martela constância e qualidade com a mesma progressão. Sem contar que “Be Mine Tonight”, que ainda conta com os vocais deliciosos de Capucine Delafleur, segue uma tradição de house-funk francesa que nasceu com o Daft Punk, passou pelos Cassius, Alex Gopher, Etienne de Crécy e Dimitri from Paris e entrou no século vinte e um na mão de produtores como Fred Falke, Mr. Oizo, Justice, Yuksek, Stardust, Lifelike, Kavinsky e Modjo e que conta com seu autor, do hit perfeito “Baby I’m Yours“, como principal nome a flertar com o mainstream.

flume-toroymoi

“The Difference” é a primeira colaboração entre o produtor norte-americano Toro y Moi e o australiano Flume e apesar de funcionar, fica muito aquém do esperado, com uma melodia apenas OK sobre uma base drum’n’bass sem muita inventividade, lembrando uma música-tema de cobertura de Jogos Olímpicos de algum canal de TV a cabo, um jingle composto pelo Foster the People. É quase inofensiva – tomara que a parceria evolua para além disso.

O filho do Fela

femi-kuti

Conversei com o Femi Kuti, uma das atrações do Nublu Jazz Festival deste ano, que toca neste fim de semana em São Paulo. O papo com o filho mais conhecido de Fela Kuti está na revista Trip – confere lá.