Digital

O escritor paulistano Ricardo Terto acaba de lançar seu terceiro livro, Quem é essa gente toda aqui? Internet e acessibilidade no Brasil da pandemia (Todavia), em que coloca a nova realidade digital como filtro central para entender o país em 2021. O ensaio é o ponto de partida para discutir o Brasil neste momento tão intenso, falar sobre nossa relação com as redes sociais, o meme como nova encarnação da gambiarra, a internet como solução simples e como manter o otimismo nestes dias.

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A atriz e apresentadora Luisa Micheletti começou a acompanhar meu canal no YouTube e me procurou para fazer alguns comentários sobre os programas que vínhamos fazendo aqui e aos poucos o papo evoluiu para a forma como nos representamos através das tecnologias digitais e como isso acaba regulando a nossa própria vida fora da internet. Um papo sobre cultura online e como nosso comportamento vem sendo pautado por esta vida digital.

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Para começar 2021, chamei Chico Barney, um dos grandes profetas do Twitter brasileiro, para tentar prever o que pode acontecer no decorrer deste ano que está começando – e encontrei um arauto do apocalipse, pessimista a longo prazo com o que está acontecendo com o país, tanto do ponto de vista político quanto social e de comunicação. Ao menos ele espera que a próxima edição do Big Brother Brasil consiga tirar parte do país desse abismo de bad vibe.

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Na primeira edição do ano do Artejornalismo, programa dedicado a falar sobre profissionais que cobrem música já na época da internet, converso com Diego Pessoa, pernambucano que nem mesmo se considera jornalista, mesmo que seu trabalho esteja entre as principais referências online deste século, seja antecipando lançamentos ou fazendo registros não-oficiais no site Hominis Canidae. Também falamos sobre seu interesse original por música e como ele começou no jornalismo, ainda no tempo dos fanzines, sua atuação na revista Mi, a mudança de Recife para Teresina e os planos futuros do site, que agora também é um selo.

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Velho compadre de outros carnavais, já fiz muita coisa junto com o Bruno Natal e a primeira edição brasileira da Wired, que acaba de sair, foi só mais uma delas. Bruno foi meu sócio no falecido consórcio de blogs OEsquema, capitaneou por um dos principais blogs de música do Brasil (o URBe, que anda num outro ritmo) e fundou a plataforma de shows Queremos. Mas em vez de falar de sua trajetória, assunto para um outro programa futuro, resolvi focar em seu filhote mais recente, o podcast Resumido, e entender sua relação com as notícias, a urgência do jornalismo, o excesso de ofertas e o papel da internet.

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Enorme prazer de fazer parte da primeira edição da Wired no Brasil. Fui incumbido de uma maratona profissional: entrevistar e perfilar os 50 brasileiros mais criativos de 2020, uma lista que chegou pronta mas que pude interferir à medida em que me inteirava de todo o processo. E este foi junto de uma equipe dos sonhos: a querida Cris Namouvs no comando da espaçonave, o compadre Bruno Natal na edição, a comadre Juliana Azevedo no design e a capa assinada por Laurindo Feliciano (sem contar outros que conheci no processo, como o fotógrafo Wendy Andrade e a produtora Karina Mendes Cardoso). Mas a saga de entrevistar 50 universos pessoais em plena expansão, ainda mais num ano como 2020, abriu minha cabeça em múltiplas camadas e este trabalho tornou-se especialmente mais enriquecedor por acontecer neste ano pandêmico. Encontros, virtuais claros, com gente tão diferente e ativa como Ailton Krenak, Teresa Cristina, Emicida, Miguel Nicolelis, Silvio Almeida, Yasmin Thainá, Iana Chan, Sidarta Ribeiro, Nath Finanças, Marcelo D’Salete, Kaique Britto, Felipe Neto, Alê Santos, entre vários outros, me fizeram recuperar a sensação de horizonte que parecia ter sido perdida desde o início do ano. Abaixo, o texto que escrevi na apresentação da revista, que está sendo distribuída gratuitamente em alguns pontos de venda no Rio e em São Paulo (e não vai ser vendida em bancas) e a relação dos 50 nomes escolhidos, com os respectivos links para cada uma das matérias.

50 Horizontes

Entrevistar os 50 brasileiros mais criativos de 2020 não foi só uma tarefa hercúlea como inspiradora. Incumbido desta missão, encontrei 50 universos únicos, 50 pontos de vista singulares e 50 perspectivas distintas, mas todos, sem exceção, esperançosos em relação ao seu papel no futuro do Brasil.

Foram quase 50 videoconferências (só três responderam por email e só um pelo telefone) em que pude conferir olhares curiosos e empolgados, ver sorrisos e caras sérias para descrever altos e baixos de um ano que ficou na história de todos nós. A ausência do encontro presencial, crucial quando se faz esse tipo de entrevista, mostrou, por outro lado, que todos estavam à vontade com a rotina da quarentena.

Muitos entediados, outros exaustos, alguns felizes pela convivência com os filhos, outros tensos pela tragédia sanitária, mas todos dispostos a seguir fazendo seus trabalhos, que encontraram, neste ano, um ponto de inflexão definitivo.

50 indivíduos que tiveram que se reinventar para adequar-se ao novo ano, 50 pontos de conexão com redes exponenciais – vários inclusive conectando-se entre si -, 50 biografias que deram um salto no ano que está chegando ao fim.

Mais do que isso: 50 olhares dispostos a tirar o país do atraso conceitual que se encontra, 50 horizontes possíveis que creem em um Brasil que, mesmo na adversidade, só melhora.

Os 50:

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Dependendo do seu ponto de vista, Gustavo Mini Bittencourt é um dos grandes nomes do rock independente brasileiro ou um dos grandes pensadores da cultura digital deste início de século (embora ainda não tenha lançado seu livro). Líder dos Walverdes, o publicitário gaúcho também contrasta diferentes contextos para fazer analogias e tentar entender a transformação comportamental que vem acontecendo com a mudança de século. Ele foi meu sócio no saudoso portal OEsquema e é velho compadre de outros carnavais, uma conversa que sempre me enriquece e que desta vez compartilho com vocês.

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E se Ayn Rand e Slavoj Žižek se juntassem para fazer um dueto. Dois extremos da filosofia política foram reunidos em dois duetos feitos por computador e dividem vocais em “I Got You Babe” da dupla Sonny & Cher e “Barbie Girl” do grupo Aqua.

A façanha é culpa do canal Vocal Synthesis, que coloca dispositivos de transcrição de texto para voz treinados a partir dos padrões de discursos de vários personagens históricos para colidir conceitos e criar paradoxos improváveis como esses. E o canal tem muito mais disso por lá…

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Projeto dos sonhos de Anelis Assumpção, o Museu Itamar Assumpção finalmente saiu do papel. O projeto virtual, primeiro museu dedicado a um artista negro no Brasil, celebra a importância de seu pai e o coloca na devida perspectiva afrobrasileira, para além dos circuitos intelectuais, que o classificam como “excêntrico”, “vanguarda” ou “difícil”. Não por acaso o museu, conhecido pelo genial acrônimo MU.ITA, foi inaugurado nesta sexta-feira, dia da consciência negra, reunindo inúmeros registros sobre a vida e obra do mestre Beleléu em versão virtual e também é o primeiro museu brasileiro com tradução para iorubá. O lançamento foi marcado por um show apaixonado que Anelis assumindo fez no Teatro Sérgio Cardoso – com todos os protocolos de segurança e sem púbico, claro – cantando as canções de seu pai acompanhada por sua banda, com direção magistral de Ava Rocha. Sente o drama:

“Nosso Pai”, com Denise Assunção
“Mulher Segundo Meu Pai”
“Receita Rápida”
“Meus tempos de criança”
“Filho de Santa Maria”
“Batuque”
“Nega Música”
“Persigo São Paulo”
“Ir pra Berlim
“Que tal o impossível?”
“Milágrimas”
“Beleléu Via Embratel”
“Devia ser proibido”

Que maravilha

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Seguindo a série de diagnósticos sob encomenda que fiz pra Urubu (o primeiro deles foi sobre música brasileira), desta vez dou meus pitacos sobre o estado da imprensa no país.

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⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ “Os jornalistas que tentaram montar as suas próprias redações, no final das contas, acabaram sendo vítimas da violência do estado, como continuam sendo até hoje.” ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ No segundo vídeo da série “Música e Jornalismo no Brasil, Matias analisa a história jornalismo brasileiro a partir das transformações políticas, culturais e midiáticas dos últimos setenta anos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Alexandre Matias, renomado jornalista de cultura, comportamento, tecnologia e música, é criador do Trabalho Sujo. Site que há 25 anos, tem um papel de vanguarda na cobertura das transformações culturais e digitais na produção e consumo de conteúdo e comunicação no Brasil. Atualmente, se dedica a produção de conteúdo para o site, youtube e newsletter do Trabalho Sujo, ao mesmo tempo que vive um processo de abandono do Twitter, Instagram e Facebook, redes sociais que ele enxerga e detecta com cada vez menos relevância jornalística. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Tenso é uma série de encontros, conversas e reflexões entre a Urubu e aqueles que não coincidem perfeitamente com o seu tempo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ @trabalhosujo

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