Música

Foto: Leticiah F.

“Na minha perspectiva, antes de chegar na cura tem todo esse processo horrendo de passar pela dor”, me explica por email, a curitibana Katze, que está lançando seu primeiro álbum, Fratura Exposta, nesta quinta-feira, que pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Em algum lugar entre o rap, o trip hop, a música eletrônica, a canção e misticismo, ela surge com um trabalho firme, direto e, por que não, terapêutico. “O disco acaba é mais esse processo do que sobre a cura em si. A cura é o objetivo, mas o caminho é longo e o passo é lento”, ri. “Esse processo abarca minha persistência, quase inevitável, em me quebrar o tempo todo e aí lidar com as in-consequências. E aí o nome do disco vem nesse sentido quase literal: ao expor o que está quebrado, reconheço o que e onde dói e acolho o que sinto. então acredito que reconhecer a dor e seja o primeiro passo pra cura.” E suas canções sussurradas sobre beats introspectivos acabam funcionando como o ambiente para curtir – e superar – a dor.

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Não bastasse ter sido autora de uma das pistas de dança imaginárias mais quentes de 2020 – o soberbo What’s Your Pleasure, um dos melhores discos do ano passado -, Jessie Ware tira mais grooves suaves da manga ao anunciar a edição de luxo de seu disco mais recente (já em pré-venda aqui), abrindo seu coração pra gente na irresistível “Please”. Plis, digo eu, minha nossa senhora…

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A pedidos, discutimos o oitentão Roberto Carlos, ícone da música brasileira que, apesar da onipresença ainda massiva, não tem mais a importância popular que um dia já teve, embora ainda seja um dos principais autores da música brasileira contemporânea. E é por aí que eu, Danilo Cabral e Luiz Pattoli embarcamos em um longo papo sobre sua carreira, sua paranoia de controle, seus especiais na rede Globo, sua discografia e suas manias, numa grande homenagem a uma das maiores unanimidades do Brasil.

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Quando mudou-se para a Finlândia, o cineasta André Peniche levou poucas coisas do Brasil – entre elas, um certo “tesourinho”. “Muito antes de morrer, ou melhor, pouco antes de recair na bebida, Júpiter deixou comigo o que ele chamava de ‘tesourinho’. Era basicamente uma cópia de cada disco lançado e outras raridades”, me explica por email, se referindo ao legado póstumo do papa psicodélico Júpiter Maçã, que aos poucos começa a ver a luz do dia. “Algumas dessas raridades estavam também com outros amigos músicos que tinham ainda mais participação do que eu na vida do man. Isso ficou comigo por uns dois anos antes de sua morte e claro, após 2015, quando ele faleceu. Ano passado me mudei para Helsinque, Finlândia, onde hoje resido, e uma das poucas coisas que trouxe comigo foi o tal ‘tesourinho’. O motivo? Não sei… Em parte talvez pois estou lentamente trabalhando num documentário extenso sobre ele mas em outro, pois simplesmente achei que devia.”

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Chamei minha querida amiga Juliana Alves para conversar sobre música em mais uma edição do meu programa de bate-papo Vários Artistas e ela remonta suas primeiras lembranças como ouvinte ao lado da família ainda no Piauí, ao mesmo tempo em que descobre o rock, a MTV e a internet e começa a conhecer bandas por causa das capas de discos, em shows em lugares improváveis e na farra do Napster e do Last.fm.

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Felizes são os australianos, que já estão assistindo shows ao vivo mesmo depois de toda esse merdeiro do coronavírus. Ainda está longe de chegarmos ao nível ideal, mas graças às medidas de segurança adotadas pelo governo local, eles podem contar com esta apresentação ao vivo do Tame Impala revisitando seu primeiro álbum, Innerspearker, na íntegra no mesmo estúdio em que o disco foi gravado, o Wave House, na pequena cidade litorânea de Yallingup, com vista pro mar. O resultado é esta maravilha abaixo:

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O rapper Rodrigo Ogi está trabalhando no sucessor de Rá! desde antes da pandemia – e para trocar de ares, passou a produção do curitibano Nave para o paulista Kiko Dinucci, com quem ainda está fechando o próximo álbum, programado para sair só no ano que vem. Mas ele já antecipa o que vem por aí, além de comentar os próximos passos, as redes sociais, a produção de rap brasileiro atual e o que tem feito nestes dias de isolamento social.

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Foto: Ariana Lima

“A pista. É pista sempre”, responde, sem piscar, Bárbara Eugenia quando peço para que ela defina a personalidade que finalmente consagra em 2021. Djane Fonda é o pseudônimo que criou para usar em suas discotecagens e que agora transforma-se em uma persona que ela apresenta em primeira mão no Trabalho Sujo, quando mostra seu single de estreia, “Hold Me Now”, que pode ser ouvido abaixo, com toda a glória de sintetizadores marcando linhas de baixo, beats e oscilações artificiais que contrastam com o vocal sussurrado da cantora carioca. “Djane Fonda é uma parte de mim que aparece de vez em quando há anos. Ela aparece quando vou discotecar, aparece quando canto no carnaval, quando crio sons mais experimentais. Animada, curiosa, nostálgica, sem medo de ser feliz. Bem ela.”

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Mais um programa sobre o jornalismo que cobre música neste século e converso com a Isabela Yu, que além de colaborar com o MonkeyBuzz e com a Elle, também edita a edição impressa da revista Balaclava, que ganhará seu próprio site a partir da próxima edição. Aproveito para conversar sobre suas passagens pela MTV e discutir como o jornalismo cultural independente vem se transformando nos últimos anos.

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E esse mix de dub que os Chemical Brothers fizeram no mês passado. Eles fizeram uma parceria com a rádio Sonos, serviço de streaming da marca que fabrica amplificadores, e começaram sua Radio Chemical dissecando esta técnica jamaicana que inventou o conceito de remix entre os anos 60 e os anos 70, ampliando ainda mais o conceito de psicodelia, enfileirando papas da criação como King Tubby, Sly & Robbie, Dennis Bovell e Augustus Pablo com bambas deste século como Culture e Scientist – e muito mais…

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