Entrevista

Corte seco

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“Sei o que me salva, sei o que me mata”, canta hipnoticamente Alzira E sobre o poema do compadre Arruda, antes de explodir no refrão que batiza a nova música do Corte, banda em que ela toca ao lado de integrantes do Bixiga 70, “só não sei a dose exata!”. A faixa, escolhida para mostrar o vídeo-álbum Corte Vivo em SP, que foi gravado no Itaú Cultural no ano passado e que o grupo começa a lançar semanalmente a partir deste mês de novembro e que você assiste em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“Bati o olho e veio”, lembra a compositora, quando leu o poema no segundo livro do poeta, A Representação Matemática das Nuvens. “A gente já tinha gravado o disco do Corte quando fiz essa música e achei que o poema tinha a ver com isso, com essa explosão, essa coisa mais radical do grupo. Foi essa sensação que eu tive quando li o poema, que virou música na hora, fiz no baixo. E fiquei surpresa, porque o poema tem três linhas e achava que não ia rolar, é diferente fazer uma música com um poema tão curto, mas ele é muito intenso e muito inteiro. O fato de ter pouco verso não fez falta, porque é muito completo.”

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Em mais um programa dedicado a contar o estado da imprensa que cobre música, converso desta vez com Guilherme Werneck, que depois de passar por algumas das principais redações do Brasil, tanto como repórter, editor e executivo, atravessou as transformações nas duas áreas nos últimos trinta anos e agora lidar a Bravo reinventando inclusive o conceito original da revista de cultura. Falamos sobre como o modelo atual de jornalismo acaba tornando a cultura coadjuvante, sobre a necessidade da crítica musical, a chegada da internet à profissão e uma uma barriga que derrubou meia direção do BNDES, entre outras lembranças e observações sobre uma mudança inevitável nesta área.

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O filósofo Sílvio Almeida cede aos anseios de seu novo público e lança seu canal no YouTube entrevistando ninguém menos que Mano Brown. O encontro inaugurou o novo canal e só peca por ser curto – mas há muito o que aprender nestes pouco mais de vinte minutos de conversa. E é muito importante ver o Brown, falando de Pelé, mencionando a solidão de um rei.

Assina o canal dele porque promete…

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Helder Aragão saiu do interior do Sergipe rumo ao Recife e ajudou a moldar a cena que reinventou a música do norte do país a partir dos anos 90. Seguiu sua carreira adotando o pseudônimo DJ Dolores a partir de seu apreço pela linguagem eletrônica e trilhou caminhos que o levaram para o exterior e para o cinema, sempre cruzando fronteiras de linguagem e investigando possíveis novas conexões, como a que está começando a fazer com a África lusófona. Falamos sobre sua trajetória e também sobre a perspectiva de futuro para o país do ponto de vista da produção artística.

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Várias pessoas me recomendaram a edição do podcast WTF em que seu apresentador, o norte-americano Marc Maron, entrevista nossa querida Patti Smith e só posso repassar a recomendação adiante: ela fala sobre o tempo que morou no Chelsea Hotel, sobre Nova York, sobre sua relação com Burroughs e com Allen Ginsberg, sobre poesia… Patti Smith sendo Patti Smith.

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Sigo reconstituindo a história do jornalismo que cobre música no Brasil chamando uma das desbravadoras da música eletrônica no país, que, com seu trabalho, ressignificou o papel do DJ na cultura brasileira e ultimamente vem discutindo a participação da mulher no mercado da música. Claudia Assef começou no jornalismo diário e aos poucos foi se especializando em determinadas áreas, bem como flertando com diferentes formatos de jornalismo, indo da curadoria ao livro (e ela já escreveu três!), passando por revistas, blogs, festas e conferências. Nesta terceira edição do Jornalismo-Arte, ela também se lembra de sua entrada no mundo da música e especificamente da música eletrônica, sua estada em Paris, sobre a falta de mulheres neste meio e como ela descobriu o primeiro DJ da história do país.

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Letícia Novaes lançou seu ótimo Aos Prantos na mesma sexta-feira 13 em que foi decretada a quarentena no país, no dia seguinte à OMS declarar que o coronavírus era uma pandemia global. O disco, sem poder ser lançado ao vivo (e quem conhece seu grupo, o Letrux, sabe que mais da metade dele é o show), foi ressignificado a partir do momento bizarro que compartilhamos até hoje e o choro do título ganhou uma nova conotação. Para Letícia pessoalmente foi um baque pesado que a atingiu em pleno voo, cancelando shows e desdobramentos que estavam marcados até o fim deste ano. Recuperada do trauma, ela aos poucos reergue-se e anuncia novidades para o fim deste ano – um EP com os prantos revisitados – e um livro para o ano que vem. Mas as novidades são só um detalhe neste delicioso papo capri em que conversamos sobre redes sociais, solidão, choro, cancelamentos, criatividade, texto e shows.

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Sigo investigando o jornalismo que cobre música no Brasil a partir de papos com alguns de seus principais protagonistas – e na segunda edição do Jornalismo-Arte, chamo a querida Lorena Calábria para conversar sobre sua trajetória na área, que começou na TV aberta e passou por revista, rádio, livro, TV por assinatura e sites, sempre buscando brechas para emplacar a música brasileira, usando isso como desculpa para desbravar fronteiras e formatos. Ela passou pela Bizz, pelo ClipClip, pelo Programa Livre, pela Oi FM, pelo Metrópolis, pelo Ensaio Geral e pela MTV, sempre aprendendo a fazer nossa cultura se espalhar mais por aí – e está prestes a reunir toda essa história num mesmo lugar, sem contar os projetos futuros e o astral sempre no alto. Que mulher!

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Ele estava se preparando para lançar mais um disco com sua Espetacular Charanga, batizado de Nunca Não é Carnaval, quando veio a quarentena desafiar o nunca deste título. O maestro Thiago França, que estende seus tentáculos do samba ao space jazz, passando pelo terreiro e pelo carnaval, conta como foi o lançamento de seu disco solo extremo Kd Vcs e sobre o que ele tem feito durante este período de quarentena, além de conversar sobre como a frustração em relação a seu primeiro disco solo mudou sua relação com o estúdio, o luto da quarentena, o falso senso de urgência de nossos dias e o impacto psicológico e físico da falta de shows.

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A primeira novidade da terceira temporada do CliMatias é um programa para discutir, mais que jornalismo e música, seus protagonistas. Ainda não defini se o programa é semanal ou quinzenal, mas começamos com um longo papo com o mano Ricardo Alexandre, o jundiaiense mais prolífico do nosso jornalismo, que já editou o Zap no Estadão, o site da Som Livre, a finada Usina do Som, a última fase da Bizz, a Época São Paulo, a Trip, sem contar seus livros e documentários. Atualmente apostando suas fichas num podcast recém-lançado, aproveitei essa deixa para ouvi-lo contando sobre sua carreira e mostrando o caminho das pedras – se é que existe um – para quem quiser trilhar por esse rumo.