Entrevista

Foto: Leticiah F.

“Na minha perspectiva, antes de chegar na cura tem todo esse processo horrendo de passar pela dor”, me explica por email, a curitibana Katze, que está lançando seu primeiro álbum, Fratura Exposta, nesta quinta-feira, que pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Em algum lugar entre o rap, o trip hop, a música eletrônica, a canção e misticismo, ela surge com um trabalho firme, direto e, por que não, terapêutico. “O disco acaba é mais esse processo do que sobre a cura em si. A cura é o objetivo, mas o caminho é longo e o passo é lento”, ri. “Esse processo abarca minha persistência, quase inevitável, em me quebrar o tempo todo e aí lidar com as in-consequências. E aí o nome do disco vem nesse sentido quase literal: ao expor o que está quebrado, reconheço o que e onde dói e acolho o que sinto. então acredito que reconhecer a dor e seja o primeiro passo pra cura.” E suas canções sussurradas sobre beats introspectivos acabam funcionando como o ambiente para curtir – e superar – a dor.

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Quando mudou-se para a Finlândia, o cineasta André Peniche levou poucas coisas do Brasil – entre elas, um certo “tesourinho”. “Muito antes de morrer, ou melhor, pouco antes de recair na bebida, Júpiter deixou comigo o que ele chamava de ‘tesourinho’. Era basicamente uma cópia de cada disco lançado e outras raridades”, me explica por email, se referindo ao legado póstumo do papa psicodélico Júpiter Maçã, que aos poucos começa a ver a luz do dia. “Algumas dessas raridades estavam também com outros amigos músicos que tinham ainda mais participação do que eu na vida do man. Isso ficou comigo por uns dois anos antes de sua morte e claro, após 2015, quando ele faleceu. Ano passado me mudei para Helsinque, Finlândia, onde hoje resido, e uma das poucas coisas que trouxe comigo foi o tal ‘tesourinho’. O motivo? Não sei… Em parte talvez pois estou lentamente trabalhando num documentário extenso sobre ele mas em outro, pois simplesmente achei que devia.”

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Foto: Ariana Lima

“A pista. É pista sempre”, responde, sem piscar, Bárbara Eugenia quando peço para que ela defina a personalidade que finalmente consagra em 2021. Djane Fonda é o pseudônimo que criou para usar em suas discotecagens e que agora transforma-se em uma persona que ela apresenta em primeira mão no Trabalho Sujo, quando mostra seu single de estreia, “Hold Me Now”, que pode ser ouvido abaixo, com toda a glória de sintetizadores marcando linhas de baixo, beats e oscilações artificiais que contrastam com o vocal sussurrado da cantora carioca. “Djane Fonda é uma parte de mim que aparece de vez em quando há anos. Ela aparece quando vou discotecar, aparece quando canto no carnaval, quando crio sons mais experimentais. Animada, curiosa, nostálgica, sem medo de ser feliz. Bem ela.”

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Mais um programa sobre o jornalismo que cobre música neste século e converso com a Isabela Yu, que além de colaborar com o MonkeyBuzz e com a Elle, também edita a edição impressa da revista Balaclava, que ganhará seu próprio site a partir da próxima edição. Aproveito para conversar sobre suas passagens pela MTV e discutir como o jornalismo cultural independente vem se transformando nos últimos anos.

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Primeiro programa novo da quinta temporada do meu canal, O Brasil é Isso foi criado para repensar a cultura e a identidade brasileira nestes momentos tenebrosos que o país atravessa – justamente para resgatar nosso brio e índole que parecem sepultados nesta era trevosa. E pra abrir os trabalhos, chamei o mestre Luiz Antônio Simas, uma das principais autoridades no tema atualmente para discutir a diferença que ele faz entre Brasil e brasilidade.

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Se você ainda não conhece a Jadsa, a hora é agora, já que a cantora e compositora baiana acaba de lançar seu impressionante Olho de Vidro, seu primeiro álbum, uma celebração à música brasileira de vanguarda, em que ela reúne nomes como Kiko Dinucci, Ana Frango Elétrico, Luiza Lian, entre outros, neste que, por enquanto, é o melhor disco de 2021 até agora. Aproveito para conversar com ela sobre o início de sua trajetória e sobre o momento da cena soteropolitana da qual faz parte.

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Capo do site Radiola Urbana, Ramiro Zwetsch está também à frente da loja Patuá Discos e está envolvido com um novo programa da TV Cultura, depois de anos longe do estúdio da Fundação Padre Anchieta, onde trabalhou por anos no Metrópolis e participou da criação do Manos e Minas. Mas isso é só o que ele tem feito atualmente – aproveito esta edição do Jornalismo-Arte para ouvi-lo falar sobre a Festa Fela, o projeto Rotações e outras invenções que criou nos últimos anos, sempre filtrando-os com o olhar jornalístico.

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Depois de muito tempo conversando só pelas redes sociais, puxei o Gustavo Gitti, que toca a comunidade online O Lugar, para saber como ele tem atravessado esse período e quais lições ele tem tirado desta época tétrica que estamos atravessando. Observando tudo pelo ponto de vista budista, ele conduz um papo sobre conexões, isolamento, meditação, contato, luto e abrir-se para os próprios sentimentos e para os outros neste período.

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O guitar hero Guilherme Held finalmente conseguiu reunir as centenas de pedaços de riffs, melodias, harmonias e letras que reuniu em vinte anos de carreira para fazer seu primeiro disco solo, o excelente Corpo Nós, um dos melhores discos de 2020, que conta com participações de boa parte dos artistas com quem ele trabalhou e que infelizmente ainda não pode se materializar no palco. Mas é a deixa perfeita para refazer a trajetória deste mestre de seu instrumento, pupilo do mestre Lanny Gordin, que vem deixando sua marca na música brasileira.

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Em mais um Artejornalismo, converso sobre a prática e o ofício com o grande Pedro Antunes, que passou pelo Estadão e pela Rolling Stone antes de lançar seu Tem Um Gato na Vitrola e assumir uma coluna autoral no UOL. E aproveitamos para conversar sobre pautas, equipes, leads, entrevistados e outros percalços da profissão.

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