Um discurso histórico: Luiz Ruffato na Feira de Frankfurt, 2013

luiz-ruffato-frankfurt

Eu sei, foi um dos principais assuntos da semana passada, mas quero sublinhar aqui. O escritor mineiro Luiz Ruffato foi o primeiro brasileiro a discursar na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, o maior evento do mercado editorial mundial. No evento, que começou na terça passada, o Brasil entrava com louros de homenageado. Mas Luiz não se fez de rogado e emendou um discurso emocionante e épico, arregalando os olhos dos gringos para a série de problemas que ainda nos afligem no Brasil. Um discurso excessivamente sóbrio e sem eufemismos, que expôs didaticamente – e com números – o rosário de preconceitos, violências e abusos que convivemos diariamente no Brasil, mas com um tom essencialmente otimista, apesar do peso das palavras usadas. Um discurso parente da recente fala do presidente uruguaio José Mujica na Assembléia da ONU.

A velha guarda chiou: Ziraldo gritou, ao final, que ‘não tem que aplaudir! Que se mude do Brasil, então” e Nélida Piñon desconversou que ‘adoto a postura de não criticar o Brasil fora do país, assim como não critico meus colegas”. Conversa fiada. É importante que saibam que, por baixo do chapéu tutti-frutti de país exótico latino-americano e por trás dos olhos injetados de ódio que parecem clamar pela guerra civil há um país muito complexo, cheio de camadas contraditórias e mantido sob a rédea de uns poucos que, à medida em que veem a sociedade crescer, apertam o cabresto com medo das mudanças. E é isso que Ruffato fez em seu discurso, que republico abaixo, com trechos em vídeo registrados por Tânia Maria Rodrigues-Peters. Um texto obrigatório para todos que se interessam minimamente pelo Brasil – e que já tem seu lugar na história pela coragem, postura e mensagem. Faça-se o favor de ler este texto abaixo:

“O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças.

O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro –é a alteridade que nos confere o sentido de existir–, o outro é também aquele que pode nos aniquilar… E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença.

Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones.

Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas – ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos.

Até meados do século XIX, cinco milhões de africanos negros foram aprisionados e levados à força para o Brasil. Quando, em 1888, foi abolida a escravatura, não houve qualquer esforço no sentido de possibilitar condições dignas aos ex-cativos. Assim, até hoje, 125 anos depois, a grande maioria dos afrodescendentes continua confinada à base da pirâmide social: raramente são vistos entre médicos, dentistas, advogados, engenheiros, executivos, artistas plásticos, cineastas, jornalistas, escritores.

Invisível, acuada por baixos salários e destituída das prerrogativas primárias da cidadania –moradia, transporte, lazer, educação e saúde de qualidade–, a maior parte dos brasileiros sempre foi peça descartável na engrenagem que movimenta a economia: 75% de toda a riqueza encontra-se nas mãos de 10% da população branca e apenas 46 mil pessoas possuem metade das terras do país. Historicamente habituados a termos apenas deveres, nunca direitos, sucumbimos numa estranha sensação de não pertencimento: no Brasil, o que é de todos não é de ninguém…

Convivendo com uma terrível sensação de impunidade, já que a cadeia só funciona para quem não tem dinheiro para pagar bons advogados, a intolerância emerge. Aquele que, no desamparo de uma vida à margem, não tem o estatuto de ser humano reconhecido pela sociedade, reage com relação ao outro recusando-lhe também esse estatuto. Como não enxergamos o outro, o outro não nos vê. E assim acumulamos nossos ódios –o semelhante torna-se o inimigo. 

A taxa de homicídios no Brasil chega a 20 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, o que equivale a 37 mil pessoas mortas por ano, número três vezes maior que a média mundial. E quem mais está exposto à violência não são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.

Machistas, ocupamos o vergonhoso sétimo lugar entre os países com maior número de vítimas de violência doméstica, com um saldo, na última década, de 45 mil mulheres assassinadas. Covardes, em 2012 acumulamos mais de 120 mil denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes. E é sabido que, tanto em relação às mulheres quanto às crianças e adolescentes, esses números são sempre subestimados. 

Hipócritas, os casos de intolerância em relação à orientação sexual revelam, exemplarmente, a nossa natureza. O local onde se realiza a mais importante parada gay do mundo, que chega a reunir mais de três milhões de participantes, a Avenida Paulista, em São Paulo, é o mesmo que concentra o maior número de ataques homofóbicos da cidade. 

E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução.

O sistema de ensino vem sendo ao longo da história um dos mecanismos mais eficazes de manutenção do abismo entre ricos e pobres. Ocupamos os últimos lugares no ranking que avalia o desempenho escolar no mundo: cerca de 9% da população permanece analfabeta e 20% são classificados como analfabetos funcionais –ou seja, um em cada três brasileiros adultos não tem capacidade de ler e interpretar os textos mais simples. 

A perpetuação da ignorância como instrumento de dominação, marca registrada da elite que permaneceu no poder até muito recentemente, pode ser mensurada. O mercado editorial brasileiro movimenta anualmente em torno de 2,2 bilhões de dólares, sendo que 35% deste total representam compras pelo governo federal, destinadas a alimentar bibliotecas públicas e escolares. No entanto, continuamos lendo pouco, em média menos de quatro títulos por ano, e no país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes, ainda assim concentradas nas capitais e grandes cidades do interior.

Mas, temos avançado.

A maior vitória da minha geração foi o restabelecimento da democracia – são 28 anos ininterruptos, pouco, é verdade, mas trata-se do período mais extenso de vigência do estado de direito em toda a história do Brasil. Com a estabilidade política e econômica, vimos acumulando conquistas sociais desde o fim da ditadura militar, sendo a mais significativa, sem dúvida alguma, a expressiva diminuição da miséria: um número impressionante de 42 milhões de pessoas ascenderam socialmente na última década. Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.

Infelizmente, no entanto, apesar de todos os esforços, é imenso o peso do nosso legado de 500 anos de desmandos. Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, e sim privilégios de alguns. Em que a faculdade de ir e vir, a qualquer tempo e a qualquer hora, não pode ser exercida, porque faltam condições de segurança pública. Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. Em que o respeito ao meio-ambiente inexiste. Em que nos acostumamos todos a burlar as leis.

Nós somos um país paradoxal.

Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo –amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão de obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza.

Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos…

Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?

Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro –seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual– como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora.”

Você pode gostar...

49 Resultados

  1. Plinio Bragato disse:

    O texto é longo o vídeo é longo. Edita que a internet eo mundo tem preguiça de ler na tela. Valeu.

  2. Marcos Pessanha disse:

    Graças a Deus alguém teve coragem de proferir um discurso não ufanista sobre o Brasil. É muito mais difícil despir-nos com um discurso autêntico sobre esse circo que se chama Brasil quando somos homenageados ou quando estamos sendo homenageados e ao mesmo tempo estamos representando nosso país do que proferir um discurso do tipo Disneylândia, como se o Rio fosse a capital do Brasil e como se o Rio tivesse 900 Cristos Redentores e 1 favela e não o contrário.

  3. Salim disse:

    Geralmente vemos economistas ou até mesmo filósofos falando sobre o assunto. O que leva discussão muito pro seu próprio interesse, natural. Mas acaba que acho tudo sempre meio lugar comum. Nesse caso tem um ponto de vista “neutro”, tem conhecimento de causa, rola uma força diferente envolvida. Achei bem interessante.

    Li recentemente “Por uma definição ontológica da multidão”, do Antonio Negri. Fiquei de cara. Sugiro, acho que contribui com alguns pontos daqui.

  4. Marineis Dias disse:

    Parabéns, pela coragem de abrir o próprio peito, peito dilacerado do povo brasileiro, que sonha e que ama, mas sabe que o bicho é feio demais!

  5. leonardo disse:

    Clap, clap, clap! (em pé)

  6. ao meu parecer como leitora –posso confirmar que estrangeiros bem sucedidos ao nosso paiz com conformidades..sao agueles que poderiam deixar mais recursos ao nosso povo..e governo ao inves de atribuir medias com novas fimas multinacionais poderiam dar apoio maior aos nossos grandes empresarios brasileiros..onde todas as nossas riguezas sao exportadas a toda parte do mundo..sitando assim exclusivamnete nossas frutos..animais exoticos etc..ao ver discurso afirmo que realmente muito corajoso e sabe que termos devem ser atribuidos..parabens..

  7. blogue disse:

    gostei do discurso não .concordo com a exposição de todos os problemas do brasil. mas esse ponto de vista neo-socialista demonizador do individualismo é uma das causas pq somos culturalmente problemáticos.

    li um texto há um tempo de um estudante que se recusou a fazer um trabalho sobre marx e ele explica o que se tornou o socialismo atual, uma doutrina voltada a controlar mentes, e não mais o estado.

    nossos problemas são comuns a todas as nações de terceiro mundo (algumas bem mais fodidas que nós), e não é reclamando de rico e choramingando contra a opressão dos países mais abastados que se vai mudar a merda em que vivemos.

    • Victor disse:

      O rapaz que se recusou a fazer um trabalho sobre Marx em um curso de política (Relações Internacionais) e se define como monarquista. Acho uma péssima referência para discutir individualismo ou coletividade (ou qualquer outra coisa).

      • Julieta disse:

        que comentário mais tosco…
        socialismo atual? em que país vc vive? em que planeta vc vive?
        “ponto de vista neo-socialista demonizador do individualismo é uma das causas pq somos culturalmente problemáticos.”
        acho muita graça de quem crê que vivemos em um país socialista e que o “neo-socialismo”, veja só, é a causa de todos os problemas por aqui… que tristeza. vale estudar um pouco da história desse Desbrasil.

        • blogue disse:

          seu comentário agressivo é a maior prova de que fui feliz em minhas conclusões.

          o único passo adiante que esse discurso promoveu foi levar o famoso mimimi de coitadinho típico do brasileiro pra esfera internacional.

          somos culturalmente problemáticos. quem não vê isso é hipócrita ou burro. vc é qual dos dois?

        • Burro disse:

          Mais um q ainda não leu Marx.. rs…

      • blogue disse:

        quanto ao fato do rapaz ser monarquista, não é porque alguém possui convicções erradas que não possa alcançar conclusões válidas sobre a realidade atual.

        essa tática de desmerecer a pessoa que emitiu uma opinião procedente é típica de quem não consegue logicamente refutar um bom argumento

        • sas disse:

          A tática de desmerecer alguém que emitiu uma opinião contrária é bem típico de quem leu Marx, mas não entendeu.

  8. Tiago disse:

    Eu, enquanto ambientalista, vejo na prática muitos dos paradoxos do Brasil, a pontos que são assustadores.

    Minha pesquisa para o mestrado é sobre Contaminantes Emergentes (compostos produzidos em laboratório para consumo humano – como fármacos – que são inseridos no ambiente devido ao tratamento sanitário ineficaz, até pelas baixas concentrações), e, é assustador falar desse tipo de problema quando aproximadamente 40% da população brasileira não tem sequer atendimento ao SERVIÇO DE COLETA de esgoto (dados do IBGE de 2013).

    Isso é apenas uma pequena fração do problema, que denota na alta carga de internações no Brasil (quase 350 habitantes a cada grupo de 100.000) por doenças relacionadas a condições precárias de saneamento…

    De fato, parabéns a Luiz Ruffato.
    Expôr as verdades do Brasil sem demagogia é a única forma de iniciar a diferença.

  9. Carolina disse:

    Fantástico.

  10. Eterno Aprendiz disse:

    Quem conhece a literatura de Luiz Ruffato consegue entender o quanto seu discurso está em sintonia com o que ele escreve.

    Um país sem autocrítica é um país medíocre.

    Parabéns pela coragem: Luiz Ruffato nos representa com orgulho.

  11. luiz tadeu moreira diniz disse:

    tinha que ser um conterraneo prá botar o dedo na ferida e falar o que ninguém tem coragem por medo de contrariar o lulapetismo dominante. E a presidANTA de vcs fica desviando a atenção por causa de espionagem americana, enqto bolivia, argentina, venezuela, equador humilham a soberania nacional e os lulopetistas aplaudem de pé e compram médicos (?) cubanos prá angariar votos dos incautos das bolsas. Parabéns LUIZ RUFFATO

    • Yan disse:

      O que você sugere como alternativa ao “lulopetismo”?

      • Julieta disse:

        Parece que vc não entendeu nada Luiz Tadeu. O cara deu uma aula de história, mostrando como as raizes dos nossos problemas são profundas e vc vem falar de lulopetismo? Enquanto a grandiosidade dos problemas ficar restrita à pequenez de ideologias partidárias e a essa representatividade que não nos representa, NADA vai mudar.

  12. rosangela martins disse:

    Senti nele, segurança ao proferir palavras que mostram a nossa verdade, desabafo por todas as injustiças que o povo brasileiro sofre e amor por um país que cresce no caus.
    Tiro o chapéu.

  13. Maria Luisa Quintella disse:

    Belo discurso, corajoso, pertinente……infelizmente com um tropeçao: “Inegável, ainda, a importância da implementação de mecanismos de transferência de renda, como as bolsas-família, ou de inclusão, como as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.”

  14. Lúcia Rangel disse:

    Ruffato coloca nossa realidade com tamanha clareza, simplicidade e veracidade! Impossivel não nos reconhecermos em cada uma de suas palavras. Um discurso verdadeiro, que deve nos fazer refletir.
    Até quando vamos nos acomodar à esta situação?
    Parabéns Ruffato.

  15. Janaina disse:

    Um discurso histórico … cheio de dados inexatos, ao estilo PIG (ele admitiu ‘informar-se’ pela GNT). Cara, não somos o terceiro em desigualdade: é mentira. Tamanho absoluto da economia não tem nada a ver com indicadores sociais (vide China e Índia). Quem só vê o copo vazio ou pouco cheio esquece que em um decênio fizemos o que não fizemos em décadas, inclusive em termos de estrutura normativa. Melhoraram (fato reconhecido pela ONU e suas agências como a FAO, UNESCO, OMS) a mortalidade infantil, a evasão escolar, o analfabetismo, a inclusão universitária, a renda média e mínima, a distribuição de renda, o controle de endemias, a expectativa de vida. Se ainda não é ótimo, bem como as falhas culturais que ele aponta, é por conta de 5 séculos de exploração, como colônia de produção de matérias primas e hoje, ainda, como periferia do sistema mundial, mas mesmo aí temos melhorado de maneira consistente. Pago pelo Estado para falar mal do Brasil no exterior! Iça! Viva a Siemens! Viva o primeiro mundo que espolia o terceiro! (e não há o segundo, para passar de um ao outro).

  16. Nilson disse:

    Nietzsche, em a Vontade Poder, creio, escreveu sobre os fundamentos niilistas e anárquicos da arte moderna, “anti-arte” por natureza: enquanto uns se fazem artistas porque “incorrigíveis dissipadores” de abundância e riqueza de vida (um Goethe), outros fazem da penúria e da feiura, interiores como externas (porque, se o exterior é decadente e caduco, resta a vida interior), “arte” (um Zola) , e, como este senhor, não se envergonham disso.
    E, não obstante isso, o público o elogia como político, e não como artista. Realmente, dou razão a ele: a situação da literatura no Brasil é crítica.

  17. Leonardo disse:

    Aê! Finalmente alguém que apontou as mazelas do Brasil sem aquela arrogância intelecutal de por a culpa na “classe média”…

  18. Roberto disse:

    Parabéns pelo discurso. Não e fazendo discurso bonito para agradar o publico q vai nos fazer repensar sobre nossa condição miserável. Se nossos governantes não dão ouvidos a todas as manifestações q fizemos, então e hora de uma luta mais intensa.

  19. rene bonavita disse:

    pena! lavou roupa suja em tanque errado !

    desconheço qualquer ato desse sr escriptor, aqui dentro do Brasil, tenha abordado assunto deste “discurço”
    agora, marrketim se faz ate botando uma melancia na cabeça como capacete…
    que é vender seus livros… sorry, periferia…

  20. Antonio Cuzzuol disse:

    Depois da marketagem que o governo bancou para disseminar uma falsa imagem de potencia pujante deste Brasil no exteriror, o discurso do cara chega em boa hora nesse meio. Na Europa as pessoas acham que vivemos tão a um passo do primeiro mundo, que fica dificil explicar que a realidade nao é bem essa. Infelizmente, toda vez que venho de la, sedimento ainda mais a impressão de que nunca chegaremos ao padrão deles, mesmo considerando a grave crise pela qual eles passam.

  21. Adriana Arouck disse:

    O discurso desse grande escritor toca fundo no coração da gente. Chega de esconder nossas mazelas. Isso só alimenta o poderio da pequena parcela que não tem amor verdadeiro à pátria, ao povo, porque só pensa em acumular riquezas e usufruir delas com exclusivismo. Sou professora da rede pública municipal do RJ e convivo todos os dias com crianças que têm negado o direito básico para ser humano na sua plenitude: educação de qualidade, acesso à cultura, condições para refinar a sensibilidade, o raciocínio. A escola na qual trabalho restringiu a biblioteca a um corredor minúsculo cercado por grades. Essa arquitetura é justificada com a selvageria dos alunos que destruirão os livros. Tanto absurdo !!! A sala de informática existe nas mesmas condições. Não é utilizada porque as turmas contam com número excedentes de alunos. Não tem como turmas imensas sequer entrar em um cubículo. Choro pelas minhas crianças todos os dias, porque suas dificuldades não são de fato atendidas por um sistema preocupado apenas com estatísticas, com o parecer ser e não o ser de fato. Tanta revolta!! E lhes falo de um grande centro – RJ capital. Tristeza o que se passa pelo Brasil a dentro. Por isso estamos indo a rua. Não aguentamos mais políticas públicas que desviam dinheiro para mega fundações como Roberto Marinho e Ayrton Senna por projetos que não resolvem de fato o problema da educação, mas camuflam a situação deplorável da educação porque retiram das estatísticas os alunos analfabetos e analfabetos funcionais.
    Luiz Ruffato foi corajoso e sensível ao momento : professores surrados na rua. Mensaleiros soltos ou com penas ridículas. Essa é a nossa verdade!!! O Brasil precisa mostrar a sua cara! Chega de hipocrisia. O Brasil não tem educação de qualidade, a grande maioria não lê. É isto.

  22. josé geraldo disse:

    Excelente por desmistificar demagogias governamentais daqueles que se dizem da esquerda mas que se locupletaram todos com o poder e a corrupção. Precisamos de mais Ruffatos que não se curva ao financiamento oficial (mas com dinheiro do povo, às custas de excorchantes impostos) e diz o que está em todo o lugar: menos governo e mais cidadania

  23. Huberth Allan disse:

    Luiz Ruffato, De todas as palavras ditas, todas tem um imensurável teor de verdade…Palmas, bravos e assovios…Ziraldo, em que país vc vive?

  24. Polyanna Caldin disse:

    Ta ai, falou o que muitos não tem coragem de falar ou até mesmo de ouvir. O brasileiro com essa característica de querer “abafar” tudo que não lhe convem.
    Fico muito feliz por esse discurso, mas também triste por saber que apenas uma minoria tem conhecimento do mesmo.

    Só queria saber, aonde esta o “Gigante” que acordou?
    Será que vamos mudar algum dia?

    Parabéns ao Luiz Ruffato!
    Clap! clap! clap!

  25. Camila disse:

    Aplaudo a coragem e propriedade das palavras que foram ditas, pena que não podemos fazer com que o brasil o leia ou o escute. Infelizmente as coisas permanecerão do mesmo jeito a que ele as colocou. Pois a nossa “DEMOCRACIA” não está apenas em nossas mãos.

  26. CARLOS NOWATZKI JR disse:

    Seria perfeito se não fomentasse o “socialismo”(comunismo)… vcs não são a nossa salvação não. Parem de fazer os brasileiros se sentirem menos prezados… Vcs não vão conseguir implementar o comunismo aqui.

  27. nathalie morhange disse:

    Caro Alexandre,
    obrigada para divulgar este texto. me permiti traduzir ele em francês tanto acho importante compartilhar tanto aqui quanto lá fora esse excellente resumo da nossa situação atual no Brasil. Mando para vocé. abs

    12 Octobre 2013, 11h44
    Un discours historique: Luiz Ruffato à la foire de Francfort, 2013

    Je sais, ça a été un des principaux sujet de la semaine dernière, mais je tiens à le souligner de nouveau ici. L’écrivain originaire de Minas Gerais Luiz Ruffano a été le premier brésilien à monter à la tribune de la foire du livre de Francfort, en Allemagne, le plus grand évènement du marché éditorial mondial.
    Durant la foire, qui a commençé la semaine dernière, le Brésil arrivait couronné de lauriers. Mais Luiz ne s’est pas fait prier et a commencé un discours émouvant et épique, ouvrant les yeux des gringos du monde entier sur la série de problèmes qui affligent encore le Brésil. Un discours didactique, excessivement sobre et dépourvu d’euphémismes, qui énumère – chiffres à l’appui – le chapelet de préconçus, violences e abus auxquels nous sommes quotidiennement confrontés au Brésil. Tout ceci sur un ton essentiellement optimiste, malgré le poids des mots qu’il utilise. Un discours proche de celui du président uruguayen José Mujica à l’ONU.
    La vieille garde a grincé des dents: Ziraldo a crié à la fin du discours, “N’applaudissez-pas! Il n’a qu’à quitter le Brésil!” e Nélida Piñon s’est dérobée en disant que sa posture était celle de “ne pas critiquer le Brésil en dehors du pays, de la même façon que je ne critique pas mes collègues.” Bla-bla… Il est important de savoir que sous le masque tutti-futti du pays exotique latino-américain e derrière les yeux injectés de haine qui semblent appeler à la guerre civile, il y a un pays extrêmement complexe, pétri de couches contradictoires, et tenu sous les rênes de quelques-uns, qui, au fur et à mesure qu’ils voient la société évoluer, serrent la ficelle par peur du changement. Et c’est cela que Ruffato a fait dans son discours que je republie ici, avec des extraits en vidéo filmés par Tânia Maria Rodrigues-Peters.
    Un texte obligatoire pour tous ceux qui s’intéressent un tant soit peu au Brésil – et qui ocupe déjà une place dans l’Histoire par son courage, sa posture et son message. Faite-vous le plaisir de le lire ci-dessous:

    “Que signifie être écrivain dans un pays situé à la périphérie du monde, un endroit où le terme “capitalisme sauvage” n’est définitivement pas une métaphore? Pour moi, écrire est un engagement. Il n’est pas possible de renoncer au fait d’habiter au seuil du 21º siècle, d’écrire en portugais, de vivre dans un territoire appelé Brésil. On parle de globalisation, mais les fronteires sont tombées pour les marchandises, pas pour la circulation des personnes. Proclamer notre singularité est un moyen de résister à la tentative autoritaire d’aplanir les différences.
    Le plus grand dilemne de l’être humain depuis toujours a été exactement celui de gérer la dichotomie moi/l’autre. Parce que, bien que l’affirmation de notre subjectivité se vérifie à travers la reconnaissance de l’autre – c’est l’altérité qui nous confère la sensation d’exister – l’autre est aussi celui qui peut nous aniquiler… Et si l’humanité se construit sur ce mouvement pendulaire entre agrégation e dispersion, l’histoire du Brésil s’est établie presque exclusivement sur la négation explicite de l’autre, au moyen de la violence et de l’indifférence.
    Nous sommes nés sous l’égide du génocide. Sur les 4 millions d’indiens qui existaient en 1500, il en reste aujourd’hui près de 900.000, la plupart vivant dans des conditions misérables, dans des camps de bord de route, ou même dans les bidon-villes des grandes cités. On cite toujours, comme preuve de tolérance nationale la dite democratie raciale brésilienne, un mythe récurrent qu’il n’y aurait pas eu décimation, mais assimilation dos autochtones.
    En réalité cet euphémisme sert seulement à déguiser un fait indiscutable: si notre population é métissée, cela se doit au croisement d’hommes européens avec des femmes indigènes ou africaines – à savoir, l’assimilation s’est faite par le viol des natives e des noires par les colonialistes blancs.
    Jusqu’au milieu du 19ºsiècle 5 millions d’africains noirs furent fait prisionniers et transportés de force au Brésil. Lorsque l’esclavage fut aboli, en 1888, rien ne fut fait pour possibiliter des conditions de vie dignes aux ex-esclaves. Ainsi, jusqu’aujourd’hui, 125 ans après, la grande majorité des afrodescendants continue confinée à la base de la pyramide sociale: on les voit rarement médecins, dentistes, avocats, ingénieurs, cadres, artistes, cineastes, journalistes, écrivains.
    Invisible, acculée par les bas-salaires et destituée des prérogatives primaires de la citoyenneté – habitation, transport, loisir, éducation et système de santé de qualité -, la plus grande partie des brésiliens a toujours été un produit jetable dans la machine économique: 75% de la totalité de la richesse se trouve dans les mains de 10% de la population blanche, et seulement 46 mille personnes possèdent la moitié des terres du pays. Historiquement habitués à n’avoir que des devoirs, jamais de droits, nous succombons à une étrange sensation de non-appartenance: Au Brésil, ce qui est à tous n’est à personne.
    Confrontée à un terrible sentiment d’impunité, puisque la prison fonctionne seulement pour ceux qui n’ont pas les moyens de se payer un bon avocat, l’intolérance émerge. Celui qui, dans le désespoir d’une vie en marge, n’a pas le statut d’être humain reconnu par la société, réagit envers l’autre en lui refusant aussi ce statut. Comme nous ne voyons pas l’autre, l’autre ne nous voit pas. Et c’est ainsi que nous accumulons nos haines – notre semblable devient l’ennemi. 
    Le taux d’homicides au Brésil s’élève à 20 assassinats par groupe de 100.000 habitants, ce qui équivaut à 37 mille morts par an, chiffre 3 fois supérieur à la moyenne mondiale. Et ce ne sont pas les riches, confinés derrières les murs de co-propriétés fermées, protégés par des clôtures électriques, services de sécurité privée et surveillance électronique, mais les pauvres, parqués dans les bidon-villes e quartiers périphériques, à la merci de narcotrafiquants e policiers corrompus.
    Machistes, nous occupons la honteuse 7º place parmi les pays ayant le plus grand nombre de victimes de violence domestique, avec , pour les dernières 10 années, 45 mille femmes assassinées. Lâches, nous avons acumulé plus de 120 mille dénonciations de mauvais-traitements contre enfants et adolescents. Et il est notoire que, autant pour les femmes que pour les enfants et adolescenes, ces chiffres sont toujours sous-estimés.
    Hypocrites, les cas d’intolérance envers l’orientation sexuelle révèlent de manière exemplaire notre nature. L’endroit où se déroule la plus importante gay-pride du monde, avec plus de 3 millions de participants, l’avenue Paulista, à São Paulo, est le même qui concentre le plus grand nombre d’agressions homophobes de la ville.
     Et ici nous touchons un point névralgique: Ce n’est pas par hasard si la population carcérale brésilienne, près de 550 mille personnes, est composée majoritairement de jeunes entre 18 et 34 ans, pauvres, noirs et peu instruits.
    Le système d’éducation a été au cours de l’histoire l’un des mécanismes les plus efficaces du maintien de l’abîme entre riches et pauvres. Nous occupons la dernière place au classement mondial qui mesure les performances scolaires: près de 9% de la population continue analphabète, et 20% sont classifiés comme analphabètes fonctionnels – soit 1 brésilien adulte sur 3 n’a pas la capacité de lire et interpréter les textes les plus rudimentaires.
    La perpétuation de l’ignorance comme instrument de domination, marque déposée de l’élite qui était au pouvoir jusqu’il y a peu, est évidente: Le marché editorial brésilien brasse annuellement environ 2,2 milliards, sachant que 35% de ce total représente des achats du gouvernement fédéral, destinés à alimenter bibliothèques publiques et scolaires. Malgré cela, nous continuons à lire peu, en moyenne 4 livres par ans, et dans tout le pays, il y a seulement une librairie pour 63 mille habitants, celles-ci concentrées dans les capitales et grandes villes de province.
    Mais, nous avons progressé:
    La plus grande victoire de ma génération fut le rétablissement de la démocratie – ce sont 28 ans sans interruption, c’est peu, c’est vrai, mais il s’agit de la plus longue période d’existence d’un état de droit de toute l’histoire du Brésil. Depuis la fin de la dictadure, avec la stabilité politique et économique, nous avons acumulé des victoires sociales, la plus expressive étant, sans aucun doute, la diminution de la misère: un nombre impressionnant de 42 millions de personnes progressèrent sur l’échelle sociale durant ces 10 dernières années. Tout aussi indéniable est l’importance de la mise en place de mécanismes de distribution de revenus, comme les “revenus-famille”, ou d’inclusion sociale, comme l’établissement de quotas raciaux pour les inscriptions dans les universités publiques.
    Malheureusement, malgré tous ces efforts, immense est le poids de notre héritage de 500 ans de dérive. Nous sommes encore un pays où logement, éducation, santé, culture et loisir ne sont pas le droit de tous, mais le privilège de quelques-uns. Où la libre circulation, à toute heure et temps, ne peut être exercée, faute de sécurité publique. Où le besoin même de travailler, en échange d’un smic équivalent à 300 Dollars, se heurte à des dificultes basiques comme par exemple le manque de transport approprié. Où le respect de l’environnement est nul. Où nous sommes tous habitués à violer les lois.
    Nous sommes un pays paradoxal.
    Tantôt le Brésil apparait comme une région exotique, avec plages paradisiaques, forêts édéniques, carnaval, capoeira e football; tantôt comme un lieu exécrable, de violence urbaine, exploitation sexuelle des enfants, sans respect des droits de l’homme et de l’environnement. Tantôt fêté comme l’un des pays les mieux préparés pour occuper une place de premier rang au niveau mondial – amples ressources naturelles, agriculture, élevage et industrie diversifiés, énorme potentiel de croissance de production et consommation; tantôt condamnée à un perpétuel rôle secondaire de fournisseur de matière première et de produits fabriqués par une main d’oeuvre bon marché, par faute d’aptitude à gérer ses propres richesses.
    Nous sommes aujourd’hui la 7º économie de la planète. Et nous continuons à la 3º place parmi les plus inégalitaires.
    Je reviens donc à ma question initiale: que signifie habiter cette région située à la périférie du monde, écrire en portugais pour des lecteurs quasi inexistants, lutter, enfin, tous les jours, pour construire, en proie aux adversités, un sens à la vie.
    Je crois, peut-être même ingénuement, au rôle transformateur de la littérature. Fils d’une blanchisseuse analphabète e d’un vendeur de pop-corn semi-analphabète, moi-même vendeur de pop-corn, commis de bistrôt, vendeur dans une épicerie, ouvrier dans le textile, tourneur-fraiseur, gérant de café, mon destin fut modifié par le contact, d’ailleurs fortuit, avec les livres. E si la lecture d’un livre peut changer le cours de la vie d’une personne, et la société étant composée de personnes, alors la littérature peut changer la société. À nos époques d’attachement excessif au narcissisme et de culte extrême de la personnalité, ce qui nous est étranger, et qui pour cela devrait réveiller en nous la fascination de la reconnaissance mutuelle, est plus que jamais considéré comme une menace pour nous-même. Nous tournons le dos à l’autre, qu’il soit l’immigré, le pauvre, le noir, l’indigène, la femme, l’homosexuel – comme une tentative de protection, oubliant ainsi que nous sabotons notre propre condition d’existence. Nous succombons à la solitude et à l’égoïsme et nous nous nions nous-même. Pour m’opposer à cela, j’écris: Je veux influencer le lecteur, le modifier, pour transformer le monde. Il s’agit d’une uthopie, je sais, mais je me nourris d’uthopies. Parce que je pense que l’ultime destin de tout être humain devrait être seulement celui-ci, atteindre le bonheur sur terre. Ici et maintenant.”

  28. Nicolas M. Stríkis disse:

    Ola.

    Acho o discurso muito bom. Concordo com a posição do autor e sou grande combatente da hipocrisia, mas me pergunto se esse evento foi, do ponto de vista político, o melhor momento e local para esse discurso. Sim, pois esse foi um ato político e não podemos nos pôr a par dessas questões. Digo isso pois mostramos a imagem de um Brasil bem inferiorizado com uma série de problemas sociais que, de fato o temos, para uma sociedade extremamente xenofóbica e cheia de preconceito. Eu não me esqueço que a apenas algumas poucas décadas atrás essa sociedade foi responsável pelo maior genocídio da humanidade. Só em Berlim havia mais de 500 mil judeus. E no final não restaram se quer 7 mil. foram mais de 6 milhões ao todo. A Europa destruiu a África e ainda se posiciona de maneira ultra preconceituosa e xenofóbica e não faz nada para melhorar. Quanto a questão indígena levanta pelo autor bem… isso é algo muito mais complicado. É verdade que temos problemas enormes e Instituições como a Funai mais executam política indigenista do que os protegem, mas ainda acredito que somo exemplo nessa questão. Sim, porque me pergunto que outro país no mundo esta executando a quantidade de reintegrações de posse de terras indígenas como andamos fazendo? A questão indígena é muito complexa para tratarmos em poucas palavras. É uma questão que envolve conflito étnico entre grupos de alto contraste cultural com questões relativas a ocupação territorial entre outras questões. Em nenhuma civilização do planeta, da história, essa foi uma questão tratada facilmente. Por essa razão acho que tem que ser ponderada quando vamos discuti-la em âmbito internacional ainda mais para sociedades extremamente xenofóbicas como os Europeus. Meus caros, sinceramente, se essa crise internacional se agravar nós veremos mais uma vez do que eles são capazes quando o assunto é intolerância e preconceito. Falo isso baseado na história dos grupos étnicos que constituem toda a Europa. Não sou hipócrita, mas também não gosto de vender a minha sociedade como algo tão baixo para um grupo que no fundo não é diferente. É quando estamos sob pressão e forte crise que mostramos quem realmente somos. Quando eles estavam com problemas exterminar repetidas vezes os mais pobres, os estrangeiros, aqueles que partilhavam uma religião diferente.