18 de 2018: Resista ao neofascismo

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A mensagem que apareceu no telão em todos os shows de Roger Waters no Brasil deixava tudo evidente. Foi ali que, para muitos, a ficha caiu. Não era uma paranoia ou uma teoria da conspiração: o neofascismo está aí. O ódio saiu do armário e está pronto para sair grunhindo suas maldades amplificadas por ferramentas que se embrenharam em nossas vidas. Redes sociais, sites de vídeo, smartphones e programas de troca de mensagem forjaram uma nova realidade digital distorcida cujo flerte intenso com a teocracia e o autoritarismo não é mais um alerta distante – é real e palpável. Uma das principais lições deste ano é lidar com esta inevitabilidade e simplesmente resistir. Erguer suas crenças e pensamentos ainda mais alto e manter foco no próprio trabalho, resistindo ao pânico, ao medo e à raiva, sentimentos mais próximos do reacionarismo do que a construção de um horizonte próximo, única meta possível nestes tempos sombrios. Só assim poderemos fazer uma política possível diferente desta orquestração de interesses que ocorre a cada quatro anos – e que está cada vez mais suscetível a influências sinistras.

Os melhores shows internacionais de 2018

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O Guia da Folha me convidou para votar nos três melhores shows internacionais que fui este ano em São Paulo – votei no Radiohead, Nick Cave & The Bad Seeds e Roger Waters, nesta ordem -, mas no cômputo geral do júri escolhido (que ainda contava com a Fabiana Batistela, o Thiago Ney, o Rafael Gregório e o Thales de Menezes) deu Nick Cave.

Roger Waters em Curitiba

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Um #EleNão Histórico!

Roger Waters contra o fascismo

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Escrevi para o site Reverb sobre as motivações políticas que fizeram o ex-baixista do Pink Floyd compor The Wall – leia mais aqui.

Roger Waters e David Gilmour: “Apenas negócios”

Roger Waters e David Gilmour

Roger Waters e David Gilmour

Às vésperas de dois grandes lançamentos, seu primeiro disco de inéditas em mais de quinze anos e uma exposição sobre os 50 anos de sua banda, o baixista do Pink Floyd Roger Waters abre o jogo sobre sua relação com o ex-companheiro de grupo David Gilmour – falei mais sobre isso no meu blog no UOL.

Às vésperas de dois lançamentos importantes, o ex-baixista do Pink Floyd não está muito preocupado em manter as aparências para ajudar a publicidade. “Dave e eu não somos amigos, nunca fomos e duvido que um dia seremos”, disse Roger Waters em entrevista ao jornal inglês Telegraph, em referência ao ex-parceiro de banda, o guitarrista David Gilmour. “E tudo bem, não há razão para sermos”.

“Você pode ser criativo sem ser amigo”, acrescentou. “David e eu fizemos ótimos trabalhos juntos, que nunca teria acontecido nós dois não estivéssemos lá.” O baixista está prestes a lançar seu primeiro disco solo em mais de dez anos e para isso convocou o produtor do Radiohead, Nigel Godrich, para ajudá-lo a polir sua nova sonoridade. O disco Is This the Life We Really Want? está agendado para ser lançado no início de junho e o músico já apresentou o primeiro single, “Smell the Roses”, que ecoa bons momentos de seu grupo original.

Além do novo disco, Roger também está por trás da exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains, que será inaugurada no próximo sábado, dia 13, no museu Victoria and Albert Museum, em Londres, e celebra o cinquentenário da banda reunindo todo tipo de memorabilia sobre a banda inglesa, de objetos pessoais de seus integrantes a equipamentos de shows e gravação, passando por rascunhos de canções e capas de discos, entre outras curiosidades. O jornal inglês The Guardian publicou algumas imagens que estarão na exposição, que reproduzo abaixo:

A bengala usada para punir fisicamente os alunos da escola Cambridgeshire quando Roger Waters, Syd Barrett e Storm Thorgerson (que depois iria fazer as capas do Pink Floyd) estudavam lá

A bengala usada para punir fisicamente os alunos da escola Cambridgeshire quando Roger Waters, Syd Barrett e Storm Thorgerson (que depois iria fazer as capas do Pink Floyd) estudavam lá

Uma das fotos tiradas na sessão para a capa de discos do primeiro disco da banda, em 1967

Uma das fotos tiradas na sessão para a capa de discos do primeiro disco da banda, em 1967

A formação clássica do Pink Floyd – Rick Wright, Nick Mason, Roger Waters e David Gilmour – em 1970

A formação clássica do Pink Floyd – Rick Wright, Nick Mason, Roger Waters e David Gilmour – em 1970

Uma pintura abstrata feita pelo líder original da banda, Syd Barrett, em 1965

Uma pintura abstrata feita pelo líder original da banda, Syd Barrett, em 1965

Um cartaz para uma apresentação do grupo no Royal Festival Hall, dia 14 de abril de 1969

Um cartaz para uma apresentação do grupo no Royal Festival Hall, dia 14 de abril de 1969

O baterista Nick Mason guardando seu instrumento em 1965

O baterista Nick Mason guardando seu instrumento em 1965

O Azymuth Coordinator, uma espécie de controle de som quadrafônico criado para um show da banda no Queen Elizabeth Hall, em maio de 1967

O Azymuth Coordinator, uma espécie de controle de som quadrafônico criado para um show da banda no Queen Elizabeth Hall, em maio de 1967

Cartaz feito para o lançamento do primeiro disco da banda, The Piper at the Gates of Dawn, em 1967

Cartaz feito para o lançamento do primeiro disco da banda, The Piper at the Gates of Dawn, em 1967

Projetor de luz usado entre 1966 e 1967 pela banda

Projetor de luz usado entre 1966 e 1967 pela banda

Uma flor espelhada que fazia parte do palco da banda entre 1973 e 1975

Uma flor espelhada que fazia parte do palco da banda entre 1973 e 1975

Ilustração de Roger Waters, da época do disco The Wall

Ilustração de Roger Waters, da época do disco The Wall

Roger Waters + Nigel Godrich

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O fundador do Pink Floyd une esforços com o produtor do Radiohead para lançar seu primeiro disco em doze anos – mais informações lá no meu blog no UOL.

Nigel Godrich, produtor inglês que ajudou o Radiohead a consolidar sua reputação a partir do disco The Bends, é a arma secreta de Roger Waters em seu primeiro disco solo desde 2005. O baixista do Pink Floyd anda atarefado cuidando de seu passado tanto na turnê Us + Them, que percorrerá os Estados Unidos este semestre mirando munição em Donald Trump, quanto na exposição sobre o grupo que ajudou a fundar que estreia em maio na Inglaterra, mas isso não lhe tirou tempo de compor um novo disco solo e de forte teor político, seguindo a linha de seus outros álbuns, como a ópera Ça Ira, sobre a Revolução Francesa, que lançou em 2005, seu disco mais recente. E para ajudá-lo a buscar este novo som, chamou Godrich, que além de trabalhar com o grupo de Thom Yorke assinou a produção de discos do Beck, Paul McCartney, R.E.M., Pavement, U2, Air, Warpaint e Red Hot Chili Peppers, entre outros. Is This The Life We Really Want? será lançado em maio e o músico soltou trechos do novo disco em seu canal no YouTube.

A última vinda do Pink Floyd

Nick Mason e Roger Waters, em evento de lançamento da exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains

Nick Mason e Roger Waters, em evento de lançamento da exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains

Em uma entrevista coletiva para falar sobre a nova exposição inspirada no Pink Floyd, o baterista Nick Mason e o baixista Roger Waters deram a entender que podem fazer um último show da banda no festival de Glastonbury – falei sobre essa possibilidade no meu blog no UOL.

Embora David Gilmour tenha matado o Pink Floyd logo após o lançamento do disco Endless River em 2014, os três integrantes remanescentes do grupo estão trabalhando juntos num projeto com o nome da banda. A exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains deve estrear ainda este semestre em Londres, reunindo toda espécie de material sobre a banda com a curadoria do guitarrista, do baixista Roger Waters e do baterista Nick Mason. É a primeira vez que os três se reúnem desde o show que fizeram juntos ao tecladista Rick Wright no evento Live 8, em 2005, três anos antes da morte de Wright. Mas agora dois integrantes da formação original da banda cogitam a possibilidade de voltar aos palcos com o nome que lhes deu fama.

“Seria legal acrescentar algumas coisas à lista. Eu nunca toquei em Glastonbury. Seria divertido, mas não acho que seja muito provável”, disse o baterista Nick Mason em um evento realizado para divulgar a exposição na semana passada, em Londres. Waters, que também esteve no evento e já tocou no festival como artista solo, completou a declaração do amigo baterista. “Eu toquei em Glastonbury uma vez. Acho que estava muito frio. Mas tinha muita gente, eles pareciam muito felizes eu gostei. Sim, eu tocaria lá de novo.”

A declaração dos dois colide de frente com as intenções do guitarrista, dono dos direitos do uso do nome da banda após uma exaustiva disputa judicial com Roger Waters, com quem tem uma relação complicada. Em entrevista ao jornal inglês Telegraph em 2015, Gilmour comentou sobre ter encerrado as atividades do Pink Floyd e sua relação com Waters. “Eu não me iludiria a não apreciar os ótimos momentos que tivemos juntos. Ao cantar ‘Us and Them’, eu penso como a música é brilhante e relevante, e eu não escrevi nem a letra nem a música. Ainda amo poder tocá-la. Eu não quero fazer mais isso com o resto destes caras. Rick morreu. Roger e eu não nos damos particularmente bem. Ainda conversamos. É melhor do que já foi. Mas não funcionaria. As pessoas mudam. Roger e eu nos superamos um ao outro e acho que seria impossível que nós trabalhássemos juntos de uma forma realista.”

A exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains estreia dia 13 de maio, no V&A Museum, em Londres

A exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains estreia dia 13 de maio, no V&A Museum, em Londres

Mas o fato é que Gilmour e Waters vêm trabalhando juntos na exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains, que estreia no museu londrino Victoria and Albert no dia 13 de maio até outubro deste ano e já está com ingressos à venda. Inspirada no sucesso da exposição de David Bowie, a exposição reúne 350 itens usados pela própria banda, que vão desde instrumentos e equipamentos de som, a itens pessoais, manuscritos de letras e até a vara de bambu que surrava os integrantes da banda quando eles ainda eram crianças, na escola (pois até os anos 50, professores ingleses podiam repreender fisicamente seus alunos). O dia do lançamento da exposição coincide com o lançamento do primeiro single da banda, “Arnold Layne”, dos tempos em que o grupo era liderado pelo visionário psicodélico Syd Barrett, que só gravou o primeiro disco com a banda e morreu em 2006.

A última vez que os integrantes da fase clássica do Pink Floyd tocaram juntos, em 2005 (David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright)

A última vez que os integrantes da fase clássica do Pink Floyd tocaram juntos, em 2005 (David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright)

A relação tensa entre os integrantes da banda já foi bem pior, mesmo antes do grupo terminar no início dos anos 80, quando Waters, que então via-se como o líder e principal compositor do Pink Floyd, demitiu o tecladista Rick Wright do último disco que gravou com o nome da banda, The Final Cut, de 1983. Nos anos 80, quando Gilmour, Wright e Mason ganharam na justiça o direito de usar o nome Pink Floyd sem a permissão Waters, a relação ficou ainda pior, principalmente porque Waters continuava fazendo shows com o mesmo material que o grupo também fazia ao vivo. Os quatro voltaram a se conversar no novo século, quando Waters participou de um show do Pink Floyd em 2005, tocando juntos pela última vez numa aparição surpresa no festival Live 8.

E nunca foi segredo nenhum que o dono do festival Glastonbury, Michael Eavis, sempre quis ter o Pink Floyd na história do evento. Será?

Roger Waters contra Donald Trump

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Publiquei no meu blog no UOL um vídeo em que o ex-baixista do Pink Floyd, Roger Waters, aponta sua munição para o recém-eleito presidente dos EUA, Donald Trump.

Desde os tempos do Pink Floyd, o músico e compositor Roger Waters usa sua música para fazer comentários sobre política – tanto sobre a natureza política do ser humano (em discos como Dark Side of the Moon e Animals), quanto sobre a classe política em si (especificamente em The Wall, quando comparou o conceito do astro de rock a um ícone fascista). Mas desde que saiu em carreira solo, ele é mais proeminente sobre questões específicas, desde a recontextualização de seu The Wall no local da queda do Muro de Berlim quanto à discussão em relação à questão palestina. E, na sexta passada, dia da posse de Donald Trump como novo presidente norte-americano, o baixista postou em sua página do Facebook um vídeo para lembrar que “a resistência começa hoje.

O vídeo traz a apresentação do músico na Cidade do México, no ano passado, quando, em frente a 300 mil pessoas, comparou o personagem descrito em sua “Pigs (Three Different Ones)”, do disco Animals, a Donald Trump. A faixa faz parte do antepenúltimo disco da formação clássica Pink Floyd, lançado há quarenta anos, inspirado no livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, e descreve um personagem “palhaço” e “que é quase uma piada”. Donald Trump apareceu projetado nos telões do show, sempre ridicularizado e comparado a Adolf Hitler.

A briga promete, pois Roger Waters dá início à nova Us and Them, que atravessa a América do Norte entre maio e setembro. E, como avisou, não deve diminuir o tom.

O muro de Roger Waters

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Roger Waters segue expandindo o muro de seus traumas de infância para todo o planeta e transforma o registro da turnê que fez com seu The Wall nos últimos anos em seu gesto mais superlativo a respeito do disco duplo que encerrou a fase clássica do Pink Floyd. O documentário Roger Waters The Wall será lançado no final de setembro e vem recolhendo elogios entusiasmados nas exibições que já rolaram. Além de cenas dos shows e dos bastidores também há entrevistas com Roger Waters no local em que seu pai foi assassinado durante a Segunda Guerra Mundial e no cemitério em que ele está enterrado.

Roger Waters sobre o novo disco do Pink Floyd: “Eu não tenho nada a ver com isso!”

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Roger Waters teve que avisar no Facebook que não tem nada a ver com o disco novo do Pink Floyd:

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“Algumas pessoas têm perguntado à Laurie, minha esposa, sobre um novo álbum que vou lançar em novembro. Hein? Eu não estou com um disco prestes a sair, eles estão confusos. David Gilmour e Nick Mason têm um álbum prestes a sair. Chama-se Endless River. David e Nick constituem o grupo Pink Floyd. Eu, por outro lado, não sou parte do Pink Floyd. Deixei o Pink Floyd em 1985, já são 29 anos. Não tenho nada a ver nem com os discos de estúdio Momentary Lapse of Reason e The Division Bell nem com as turnês de 1987 e 1994, nem tenho nada a ver com Endless River. Ufa! Isso não é tão difícil, se liguem.”

A confusão, no entanto, é natural, uma vez que Roger Waters é fundador do Pink Floyd e, mesmo que tenha saído da banda em 1985, quando David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright ganharam o direito, na justiça, de usar o nome do Pink Floyd, ele continue passeando por aí em turnês que carregam os hits de seu antigo conjunto como carro-chefe.