Vinteonze: Shows e super-heróis

Finalmente! Deixamos a onda de janeiro pra trás e começamos 2011 com nova terapia áudio-físico-psíquica na moleira dos que se dispuserem a ouvir. E pra não ter blá-blá-blá maior do que o habitual, começamos o novo ano e o novo programa com coisas que estão rolando agora: falamos sobre os shows do Rodrigo Brandão com Mauricio Takara, Baiana System, Vampire Weekend, Lurdez da Luz e Yusef Lateef, a vinda dos documentários Timeless para o Brasil, o novo filme de JJ Abrams, overdose de super-heróis e invasões alienígenas. Na trilha, o Bullit de Lalo Schifrin e o primeiro do Big Star.

Em tempo: esse é o tal do poema beat de nove minutos que a gente cita certo trecho do programa.

Muitos shows, muitas novidades, muitas elocubrações sobre o sentido da vida e muita falta do que fazer! O programa não rolou na semana passada porque o lançamento do disco novo do Radiohead nos atropelou – por isso jogamos para esta semana o papo que devia ter rolado antes, com um detalhe: disco do Radiohead ouvido! E mais: Ronaldo não tinha ouvido, por isso faz sua resenha em tempo real falada! No som, um clássico do Yussef Lateef e, claro, The King of Limbs.

Ronaldo Evangelista & Alexandre Matias – “Vinteonze #0002“ (MP3) (link alternativo pro MP3)

Super 8, de JJ Abrams

E por falar em Super Bowl, quem também deu as caras foi um trailer novo do novo filme do JJ Abrams (em parceria com o Spielberg), Super 8. Saca só:

O blog Hero Complex, do LA Times, conversou com JJ sobre o filme e adiantou mais novidades:

“Super 8″ takes its name from the Eastman Kodak film format that became a sensation with amateur movie-makers in the late 1960s and represented a rite of passage for several generations of aspiring directors, among them Spielberg and Abrams. The Paramount Pictures release is set in Ohio in 1979 and introduces a troupe of six youngsters who are using a Super 8 camera to make their own zombie movie. One fateful night, their project takes them to a lonely stretch of rural railroad tracks and, as the camera rolls, calamity strikes — a truck collides with an oncoming locomotive and a hellacious derailment fills the night with screaming metal and raining fire. Then something emerges from the wreckage, something decidedly inhuman.

Goonies, ET ou Conta Comigo? Algum desses filmes deve ter funcionado como matriz para Super 8… JJ continua:

”We have such a challenge on this movie,” Abrams said. ”Yes we’ve got Steven’s name on it and my name on it — for what that’s worth — but we’ve got no famous super-hero, we’ve got no pre-existing franchise or sequel, it’s not starring anyone you’ve heard of before. There’s no book, there’s no toy, there’s no comic book. There’s nothing. I don’t have anything; I don’t even have a board game, that’s how bad it is. But I think we have a very good movie.”

Estréia em junho.

Impressão digital #0010: J.J. Abrams e Steven Spielberg

O novo Spielberg?
J.J. Abrams homenageia seu mestre

J.J. Abrams não quer ser reconhecido apenas como um novo Midas do pop do século 21. Há algumas dezenas de candidatos – a escritora J.K. Rowling, Sergey Brin e Larry Page do Google, o DJ Dangermouse, Steve Jobs, o diretor Michael Bay, a dupla Daft Punk, Shigeru Miyamoto da Nintendo são apenas alguns deles. J.J. Abrams quer ser “apenas” o novo Spielberg.

Rebobinando (que expressão arcaica) para quem chegou agora: criador da badalada série Lost, J.J. Abrams não poderia existir há alguns anos. Produtor e diretor de séries e filmes, ele partiu da plataforma televisão e começou a expandi-la para outras mídias. Marcas como os seriados Alias, Lost e Fringe e os filmes Cloverfield e o novo Jornada nas Estrelas saem das telas para games, livros, sites e celulares. Não parece muito diferente do que outros produtores fazem, criando versões paralelas para um título principal. A diferença é que, para J.J. Abrams, isso tudo não é acessório – e sim peças de um quebra-cabeças que pode ser montado pelos fãs. Assim, ele faz com que os espectadores deixem de ser passivos, deitados em suas poltronas, para se tornarem ativos, inclinados em frente de seus monitores.

Agora que sua principal grife está prestes a acabar (o último episódio de Lost vai ao ar no próximo domingo, nos EUA), ele começa a ativar seu novo projeto secreto, de que falei na coluna da semana passada, chamado Super 8. E, para isso, ele não deixou por menos – e se aliou ao próprio Spielberg para a realização do filme que estreia em 2011.

Mas associar-se ao diretor que deu ao mundo os filmes de Indiana Jones não foi o suficiente. No trailer que foi lançado na semana passada (e que logo caiu no YouTube), o diretor apresentava uma única cena durante um minuto e meio. Nela, vemos uma caminhonete entrar nos trilhos de uma ferrovia e chocar-se com um trem. Após o acidente, a câmera foca em um vagão que tem sua porta esmurrada de dentro para fora, como se algo muito grande quisesse sair.

Nestes 90 segundos, Abrams faz referência a vários filmes de Spielberg. Seu primeiro filme, Encurralado, tem uma cena em que um carro quase é destruído por um trem. Em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, o governo americano noticia um acidente ferroviário como forma de encobrir o pouso de uma nave alienígena. Em E.T., um trem de brinquedo liga sozinho quando agentes invadem a casa em que o extraterrestre está.

Fora o fato de que, quando era adolescente, Spielberg dava seus primeiros passos no cinema filmando acidentes com seu trenzinho de brinquedo. E filmando com uma câmera, er… super 8. E J.J. fez isso só em um trailer. Imagine num filme inteiro.

O grande plano de J.J. Abrams

Eu assinei o Personal Nerd desta edição do Link.

O que aconteceu, aconteceu

Materinha de abertura da edição do Link de hoje.

O começo do fim
Falta uma semana para o fim de Lost. Mas o impacto da série de J.J. Abrams, que mudou a forma como a cultura é produzida e consumida, continuará a ser sentido ao longo do século 21

Em menos de uma semana, tudo terá terminado. A história que fez que a série Lost se tornasse uma das marcas mais fortes da cultura do século 21 chega ao fim no próximo domingo, quando irá ao ar o último episódio da série, chamado apenas de “The End”.

Mas o fim da série só reforça sua importância, que vai muito além da TV. Lost criou uma mitologia própria e obrigou o espectador a especular para além da trama original, buscando links em livros clássicos e na história da religião, da ciência e da filosofia para tentar desvendar seu enigma.

Some isso ao fato de que a série acompanhou a forma como a internet mexeu com a velha mídia e desdobrou-se online, usando a rede como plataforma para divulgar mais especulações. Lost não só contava uma história – chamava seu público para participar dela, como em um jogo.

Fora dos Estados Unidos, Lost foi ainda mais importante, pois pela primeira vez na história um produto ficcional teve audiência planetária em tempo real, mérito que antes era apenas de transmissões jornalísticas e eventos esportivos. O interesse pela série fez que telespectadores de todo o planeta não esperassem a exibição dos episódios em seus países e buscassem meios – online – para acompanhar a saga simultaneamente ao público de seu país de origem.

Lost também inaugura um novo tipo de narrativa, que explora as possibilidades da era digital como nenhum filme, livro ou disco conseguiu fazer até hoje. É o produto que melhor representa como será a cultura do futuro, em que o público pode escolher entre simplesmente acompanhar uma única história ou se entregar a um universo de ramificações infinitas.

A série faz que seus espectadores sejam ativos e busquem aumentar a história a partir de sua própria participação – mesmo que isso signifique apenas especular sobre o que pode acontecer. Parece pouco, mas não é.

“O mistério representa possibilidades infinitas”, disse seu criador J.J. Abrams em uma palestra no evento TED (sobre tecnologia, entretenimento e design) em 2007. “Representa esperança, representa potencial… O mistério é um catalizador da imaginação”.

Link – 17 de maio de 2010

A solução do mistério não importaLost fez primeiroAnsiedade de fãs forçou a mudança da televisãoA ficção científica encontra o amorHistórias em várias plataformas criadas por diversos produtoresAnálise: E daí se as peças não se encaixarem?Personal Nerd: J.J. Abrams linka tudoO que Obama quis dizer ao vilanizar Xbox, iPod e iPadPolítica, economia e cultura na mesa31 de maio: o dia de sair do FacebookBrasil lidera a adoção de redes sociaisVida digital: Andreas Lange

Assim nasceu Lost

Vi aqui.

Impressão digital #0009: GloNet 2010

Local e global
Um evento em cinco cidades

“O aspecto mais excitante da cultura digital é a combinação de uma internet global com tecnologias que detectam localização, permitindo que você conheça lugares ao seu redor. Estamos conectados globalmente de formas diferentes e ao mesmo tempo descobrimos novos lugares e pessoas que estão próximos a nós mesmos e que passariam despercebidos se não fosse a rede. As pessoas estão cada vez mais conectadas e mais regionalizadas, ao mesmo tempo. ‘Glocal’ e ‘lobal’”.

Assim Drew Hemment, diretor do festival inglês FutureEverything, se anima com as possibilidades de uma nova geografia pós-internet. Ele é um dos idealizadores do evento GloNet, que será realizado na próxima quinta-feira, 13, em São Paulo e em outras quatro cidades do mundo. Além de São Paulo, Manchester na Inglaterra, Istambul na Turquia, Vancouver no Canadá e Sendai no Japão também sediam simultaneamente o evento, cujo mote é Geografia Imaginária.

“A cultura digital permite que possamos viajar sem nos movermos”, continua Hemment. “Cada vez mais pessoas têm acesso à internet e a serviços gratuitos como o Skype, que nos permite pular entre fusos horários e culturas apenas apertando um botão. Isso faz com que o mundo fique mais unido e pode criar choques culturais interessantes.”

Esta geografia digital não é apenas o tema de palestras e workshops que ocorrerão no Masp, mas também faz parte da própria dinâmica do festival, que pressupõe a interação entre os participantes das cinco cidades do evento.

Hemment é especialmente entusiasmado com o Brasil e diz que o País é conhecido mundialmente como o epicentro da cultura livre e da filosofia open source. O artista já passou pelo País, onde fez amigos, e adaptou a ideia dos Pontos de Cultura do Ministério da Cultura brasileiro em sua cidade-natal, Manchester. Ele se diz “fã” do Brasil e de São Paulo e diz que a cidade preserva muitos aspectos locais mesmo sendo uma metrópole global.

E é essa uma das principais questões levantadas pelo GloNet: como os âmbitos globais e regionais sobreviverão em uma sociedade totalmente conectada. “Prevejo a emergência de um novo tipo de regionalismo”, explica. “A cultura digital permite tanto conexões locais quanto globais. Em muitos lugares do mundo há um renascimento de estabelecimentos comerciais e comunidades regionais, que atualmente compete com a tendência de uma globalização ruim, sem os prazeres e diferenças que cada região pode ter.”

GloNet 2010
Realizado pelo Vivo Arte.mov em parceira com o British Council e o festival inglês FutureEverything, o evento será realizado na próxima quinta-feira, a partir das 11 h, no Masp em São Paulo. O programa conta com palestras de Lucas Bambozzi (Geografias Transitórias), Guilherme Wisnik (Cidade genérica x site-specific), Jorge Menna Barreto (Especificidade e (in)traduzibilidade), Giselle Beiguelman (Estéticas do Open Source), além de videoconferência e workshop com os artistas ingleses Paul Sermon e Dave Mee. O Masp fica na Avenida Paulista, 1.578 (telefone: 11 3251-5644) e a entrada para o GloNet é gratuita.

DEPOIS DE LOST
www.scariestthingieversaw.com. O endereço do site A Coisa Mais Assustadora Que Eu Vi apareceu em um microssegundo no trailer de Super 8, produção de Steven Spielberg com o criador da série Lost J.J. Abrams. Ainda vazio, o site deve iniciar mais uma mania online.

Super 8, de JJ Abrams e Steven Spielberg

Eis que surge online o aguardado trailer de Super 8, novo projeto-secreto (macacos!) de JJ Abrams produzido por Steven Spielberg. Segure o fôlego:

Nada a ver com o rumor que apareceu no início da semana, que descrevia outra cena para o trailer (que tinha mais a ver com o título) e que falava de extra-terrestres. Mas o Vulture foi além e descobriu uma série de referências nos 90 segundos de exibição. As dicas já eram de se esperar que aparecessem, o que impressiona é que elas fazem reverência ao produtor do filme, numa clara alusão à auto-importância que JJ se dá. Vamos a elas:

– O acidente de trem é uma referência a uma das várias vezes em que o caminhão maligno de Duel tenta matar o protagonista do filme, o primeiro de Spielberg;

– Em Contatos Imediatos do Terceiro Grau há uma reportagem que anuncia um acidente de trem próximo à região em que, na verdade, ocorreu um pouso de nave alienígena;

– Em ET, quando o governo americano entra na casa de Elliot para levar o protagonista do filme, um trem de brinquedo começa a funcionar sozinho;

– Fora que Spielberg – que fazia filmes em super-8 quando era adolescente usando trens de brinquedo para simular acidentes cinematográficos caseiros – nasceu em Ohio. Reveja o trailer e repare para onde estão levando a carga retirada da área 51…

J.J. Abrams não dá ponto sem nó.

O multiverso de J.J. Abrams

Ah, como eu já escrevi sobre esse assunto. Se estiver de bobeira, encare o apanhado de referências que compilei antes do lançamento de Cloverfield e logo após seu DVD sair nos EUA, depois dê um pulo no texto que eu escrevi sobre o final da quarta temporada de Lost e sobre a conexão entre o filme de monstro e a ilha maluca. E veja se eu não tenho razão quando digo que o J.J. linka tudo.