Os 75 melhores discos de 2020: 57) Carabobina

“Madrugada, qual de nós tinha razão, quando desmontava a festa da última ilusão?”

Os indicados a melhores do ano na APCA em 2020

A comissão de música da Associação Paulista dos Críticos de Arte, da qual faço parte, revelou nesta semana, os indicados às principais categorias da premiação neste ano. Devido ao ano estranho que atravessamos, reduzimos a quantidade de premiados, focando nas categorias Artista do Ano, Revelação, Melhor Live e Disco do Ano. Além de mim, também fazem parte da comissão Adriana de Barros (editora do site da TV Cultura e colunista do Terra), José Norberto Flesch (do canal JoseNorbertoFlesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (colunista do UOL e Tem um Gato na Minha Vitrola) e Roberta Martinelli (Radio Eldorado e TV Cultura). A escolha dos vencedores deve acontecer de forma virtual no dia 18 de janeiro. Eis os indicados às quatro principais categorias:

Os 5 artistas do ano
Caetano Veloso
Emicida
Luedji Luna
Mateus Aleluia
Teresa Cristina

Os 5 artistas revelação
Flora – A Emocionante Fraqueza dos Fortes
Gilsons – Várias Queixas
Guilherme Held – Corpo Nós
Jadsa e João Milet Meirelles – Taxidermia vol 1
Jup do Bairro – Corpo sem Juízo

As 5 melhores lives
Arnaldo Antunes e Vitor Araujo (03/10)
Caetano Veloso (07/08)
Emicida (10/05)
Festival Coala – Coala.VRTL 2020 (12 e 13/09)
Teresa Cristina (Todas as Noites)

Os 50 melhores discos
Àiyé – Gratitrevas
André Abujamra – Emidoinã – a Alma de Fogo
André Abujamra e John Ulhoa – ABCYÇWÖK
Arnaldo Antunes – O Real Resiste
Baco Exu do Blues – Não Tem Bacanal na Quarentena
Beto Só – Pra Toda Superquadra Ouvir
BK – O Líder Em Movimento
Bruno Capinam – Leão Alado Sem Juba
Bruno Schiavo – A vida Só Começou
Cadu Tenório – Monument for Nothing
Carabobina – Carabobina
Cícero – Cosmo
Daniela Mercury – Perfume
Deafkids – Ritos do Colapso 1 & 2
Djonga – Histórias da Minha Área
Fabiana Cozza – Dos Santos
Fernanda Takai – Será Que Você Vai Acreditar?
Fran e Chico Chico – Onde?
Giovani Cidreira e Mahau Pita – Manomago
Guilherme Held – Corpo Nós
Hiran – Galinheiro
Hot e Oreia – Crianças Selvagens
Ira! – Ira
Joana Queiroz – Tempo Sem Tempo
Jonathan Tadeu – Intermitências
Josyara e Giovani Cidreira – Estreite
Julico – Ikê Maré
Jup do Bairro – Corpo sem Juízo
Kiko Dinucci – Rastilho
Letrux – Letrux aos Prantos
Luedji Luna – Bom Mesmo É Estar Debaixo D’água
Mahmundi – Mundo Novo
Marcelo Cabral – Naunyn
Marcelo D2 – Assim Tocam Meus Tambores
Marcelo Perdido – Não Tô Aqui Pra Te Influenciar
Mateus Aleluia – Olorum
Negro Leo – Desejo de Lacrar
Orquestra Frevo do Mundo – Orquestra Frevo do Mundo
Pedro Pastoriz – Pingue-Pongue com o Abismo
Rico Dalasam – Dolores Dala Guardião do Alívio
Sepultura – Quadra
Seu Jorge & Rogê – Seu Jorge & Rogê
Silvia Machete – Rhonda
Tagua Tagua – Inteiro Metade
Tantão e os Fita – Piorou
Tatá Aeroplano – Delírios Líricos
Thiago França – KD VCS
Wado – A Beleza que Deriva do Mundo, mas a Ele Escapa
Zé Manoel – Do Meu Coração Nu

Vida Fodona #691: Festa-Solo (15.11.2020)

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Começando a discotecar ao vivo em pleno domingo à tarde, para acompanhar a apuração enquanto ponho um som… Cola lá no twitch.tv/trabalhosujo.

Cidadão Instigado – “Contando Estrelas”
Pink Floyd – “Free Four”
Carabobina – “Deixar de Rodear”
Nightmares on Wax – “Les Nuits”
Massive Attack – “Group Four (Mad Professor Remix)”
Baianasystem – “Jah Jah Revolta (Adubada por Buguinha Dub)”
Primal Scream – “Higher Than The Sun (A Dub Symphony In Two Parts)”
Gregory Isaacs – “Night Nurse (Dub 2)”
Augustus Pablo – “Frozen Dub”
DJ Cleiton Rasta – “Cabeça de Gelo”
Lee Perry – “Dub Revolution”
Céu – “Roda (Bombay Dub Orchestra’s Grateful Dub Mix)”
Paralamas do Sucesso – “Marujo Dub”
Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários – “Eu Gosto Assim Dub”
EMYND – “Ain’t No Mountain High Enough Shaky Dub”
Bixiga 70 – “Dub di Malaika”
Beastie Boys – “Dub the Mic (Instrumental)”
Quinto Andar – “Queima Dub”
De Leve – “Pode Queimar (Dubrilla Remix)”
Black Sabbath – “Planet Caravan (Poolside Re-work)”
Carole King – “It’s Too Late”
Isaac Hayes – “Never Can Say Goodbye”
Célia – “Para Lennon e McCartney”
João Bosco – “Cobra Criada”
Childish Gambino + Ariana Grande – “Time”
Arnaldo Baptista – “Corta Jaca”
Nação Zumbi – “Nebulosa”
Kinks – “Waterloo Sunset”
Pulp – “Bar Italia”
Syd Barrett – “No Good Trying”
Rita Lee + Tutti Frutti – “Cartão Postal”
Chico Buarque + A Cor do Som – “Hino do Duran”
Funkadelic – “Groovallegiance”
Tulipa Ruiz – “Às Vezes”
Letrux – “Hypnotized”
R.E.M. – “Near Wild Heaven”
Legião Urbana – “Só Por Hoje”
Gal Costa – “Cultura e Civilização”
Andy Clockwise – “Open Relationship”
Air – “People in the City”
Radiohead – “Climbing Up the Walls”
Tame Impala – “Say It Right”
Carly Rae Jepsen – “Run Away With Me”
M83 – “Midnight City”
Spoon – “Hot Thoughts”
Lykke Li – “I Follow Rivers (The Magician Remix)”
Britney Spears + Madonna – “Me Against The Music”
Justice – “D.A.N.C.E.”
Michael Jackson – “Off the Wall”
Missy Elliot – “Gossip Folks”
Modjo – “Lady (Hear Me Tonight)”
Mano Brown + Seu Jorge – “Dance, Dance, Dance”
Will Smith – “Gettin’ Jiggy With It”
Sister Sledge – “He’s The Greatest Dancer”

Vida Fodona #686: Festa-Solo (19.10.2020)

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Esse foi o último Festa-Solo na segunda-feira – agora ele acontece sempre nas sextas, às 23h45, na twitch.tv/trabalhosujo.

Beabadoobee – “Care”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”`
Pavement – “You Are a Light”
Astromato – “Não Sei Jogar”
Pixies – “U-Mass”
Jesus & Mary Chain – “Vegetable Man”
Pere Ubu – “Navvy”
Fall – “C.R.E.E.P.”
B-52’s – “Private Idaho”
Blitz – “Você Não Soube Me Amar”
Pretenders – “Brass in Pocket”
Rolling Stones – “Start me Up”
Led Zeppelin – “The Crunge”
Mutantes – “It’s Very Nice Pra Xuxu”
Yes – ” I’ve Seen All Good People”
Yo La Tengo – “Blue Line Swinger”
Thin Lizzy – “Whiskey in the Jar”
Wilco – “Theologians”
BNegão e os Seletores de Frequência – “V.V.”
De Leve – “Essa É Pros Amigos”
Cassiano – “Onda (Poolside & Fatnotronic Edit)”
Lincoln Olivetti & Robson Jorge – “Eva”
A Cor do Som – “Palco”
Letrux – “Coisa Banho de Mar”
Spoon – “Rhthm & Soul”
Lou Reed – “Vicious”
Eurythmics – “Sweet Dreams”
Human League – “Don’t You Want Me”
Cure – “Let’s Go to Bed”
Daryl Hall & John Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
David Bowie – “Cat People (Putting Out Fire)”
Radiohead – “Bodysnatchers”
Dua Lipa – “Pretty Please”
Jessie Ware – “Adore You”
Chromatics – “Twist The Knife”
Tame Impala – “Borderline (Blood Orange Remix)”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
Pelados – “Entalhado na Carteira”
Fleet Foxes + Tim Bernardes – “Going-to-the-Sun Road”
Taylor Swift + Bon Iver – “Exile”
Bonifrate – “100%”
Red Hot Chili Peppers – “Breaking the Girl”
Sebadoh – “2 Years 2 Days”
R.E.M. – “Low”
Nick Cave – “Cosmic Dancer”
Fiona Apple – “Ladies”
PJ Harvey – “Down By The Water (Demo)”
Carabobina – “Pra Variar”
Warpaint – “Whiteout”
Angel Olsen – “Lark Song”
Joni Mitchell – “Day After Day”
Beatles – “Long Long Long”
Beatles – “Cry Baby Cry”

Eis o Carabobina

Carabobina

Os dois se conheceram na lendária temporada de sete shows consecutivos que os Boogarins fizeram na Casa do Mancha, em 2017. “Quando a noite acabou eu botei uma playlist e dancei sem camisa”, lembra Fefel, baixista e prefeito da banda goiana. “Causei muito com Prince, Michael Jackson, Bowie…Dancei muito bem por uns vinte minutos. Assim consegui a atenção dela, que estava com outro boy na noite.” A técnica de som Alejandra Luciana completa: “Raphael tava soltão e chamou atenção dançando sem camisa no meio da pista”, se diverte.

Os dois começaram a namorar e o namoro aos poucos, e inevitavelmente, foi evoluindo para um lado mais musical. “Sempre foi uma possibilidade, mas na hora que se concretizou eu estava visitando Ceres pela primeira vez”, lembra Alejandra sobre a visita à cidade-natal do namorado. “Ficamos no quarto de infância do Raphael na casa dos pais, no computador, e muito despretensiosamente começamos a fazer uma música. O processo foi bem natural e divertido, gostamos muito do resultado. Essa música não entrou no disco agora mas quem sabe mais pra frente…” E assim nasceu o projeto Carabobina, que chega às plataformas digitais nesta sexta com seu primeiro single, “Pra Variar”, que pode ser ouvido em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Mostrei pra ela como eu gravava toscamente algumas demos no Ableton Live, ela uma garota de ProTools, mas bastava gastar cinco minutos na tela pra dominar outro programa”, lembra Fefel. “O primeiro som nem entrou no disco, mas determinou uma cartilha válida pra várias outras canções. Qual seja: não almejaremos nenhum resultado, só vamos adicionar arranjos espontâneos e ver no que dá.” “Gravamos alguma coisa e fomos criando e adicionando mais elementos”, continua Alê. “Quem tivesse alguma ideia legal fazia e construímos juntos as linhas. Bem leve e lúdico.”

O resultado pode ser vagamente definido como psicodélico, mas há mais elementos musicais, que ajudam a se distanciar da banda original do baixista. Para começar, soa mais eletrônico e lo-fi, um caminho que os Boogarins até trilharam sem superpor sobre suas guitarras. Já as guitarras e violões no Carabobina são quase discretos e funcionam mais como acessórios para beats, linhas de baixo e texturas eletrônicas, que estruturam as canções. Mas o forte são as melodias, cantaroladas pelas doces vozes do casal – e que grata surpresa que é o vocal de Alejandra, que inevitavelmente remete à argentina Juana Molina, influência confessa do grupo, quando canta em espanhol, seu idioma natal. Dá para ouvir ecos de chillwave e até uma vibração Warpaint, enquanto Alê cita artistas como Broadcast, Breeders e Animal Collective, entre outros.

Muitos conhecem Alejandra pilotando mesas de som em diferentes shows indies do país, mas ela não é estranha aos palcos. Venezuelana de nascença, ela morou um tempo na Austrália onde lançou sua primeira banda, “Coloquei um anúncio de graça numa revista de música e uma galera muito legal, todos uns 10 anos mais velhos que eu, responderam, e foi assim que comecei a minha banda post punk lá”, ri ao lembrar. “A gente nunca nem saiu da garagem deles, que estava condicionada como sala de ensaio, onde tocávamos e bebíamos uma toda semana. O único registro são umas gravações de ensaio que o guitarrista fez.” Jà Fefel, além dos Boogarins, também passou pela banda Luziluzia, “onde cumpre o sonho da juventude de ser cantor e baixista igual Humberto Gessinger”, brinca Alê. “Nossos últimos lançamentos estão no Bandcamp e nosso último show foi em 2017”, lembra o baixista. “É uma extensão das bandas interioranas adolescentes que tive com meu parceiro João Victor. Passamos a tocar pouco porque eu e Benke andávamos ocupados com Boogarins, e João e Ricardo com o Carne Doce.” E emenda que, apesar da banda de Alejandra não ter decolado, “rendeu um caderno de letras em inglês com jovens devaneios.”

O disco, que sai no dia 6 de novembro, começou a ser gravado há mais de dois anos. “Começávamos as músicas de improviso”, lembra Fefel. “Tentávamos criar arranjos pop que nunca ouvimos, com sons eletrônicos de sintetizadores e com nosso jeito meio rock alternativo de pensar as canções. Uma vez que a música parecia estruturada, tentávamos criar melodias de voz. Cada um tinha uns quinze minutos pra registrar as primeiras ideias. Depois ouvíamos juntos e combinávamos as linhas que entrariam. Depois de uns 2 anos, vimos que tínhamos material suficiente pra um disco e em algumas semanas terminamos todos esses esqueletos pra Alê começar a mixar.”

Alê detalha a parte técnica do processo, que aconteceu no estúdio que criou em casa. “Os sons foram variando também porque fomos comprando alguns instrumentos: a Drumbrute da Arturia, Mother 32… Uma das músicas do disco inclusive fiz logo depois que comprei um Yamaha Reface DX numa das viagens com Boogarins e gravei a maioria das linhas melódicas e harmônicas nele. Como eu trabalhava no estúdio da Red Bull, um dia entrou uma parceria com a Roland e ganhamos um monte de teclados e instrumentos eletrônicos. Peguei um sábado e montei vários tecladinhos boutique e a TR-8, fiquei compondo o dia inteiro e gravando voz num 57. Depois o Raphael pegou esse material e editou, deu uma estrutura, e trabalhamos com algumas dessas coisas.”

O nome da dupla vem das raízes de Alejandra, que reside há seis anos no Brasil. “Nasci numa cidade chamada Valenciaa, que fica no estado de Carabobo, e desde que comentei isso pro Raphael ele gostou muito, além de rir da minha cara. Aí um belo dia ele chegou com esse nome e eu achei lindo, porque parece que tivesse várias palavras escondidas nele: bobina, carabobo, carabina… e bobina já dá essa sensação de elétrico, flutuante, magnetismo.” “É uma homenagem a Alejandra, autêntica carabobeña que até agora ainda não lançou um disco… inventei esse nome porque é um prazer ter um projeto com essa talentosa.”

Sem tempo de pensar em como transformar o projeto em show, embora tenham cogitado algumas ideias. “Começamos a esquematizar, mas acho que vai ser um processo que vamos descobrir fazendo. A ideia é trabalhar com camadas/loops de voz, e quero ter processamento de efeitos na mão durante o show para usar eles como instrumento. O Raphael continuará no seu famigerado moog, e a guitarra deve ficar trocando de mãos.” “A vontade é dublar tudo”, emenda o baixista. “Como sempre toquei com banda, e até por isso mesmo, fico travado ao pensar em como levar esse som pro palco. Mas ainda temos um tempo pra pensar nisso.” Enquanto isso, cogitam clipes e colaborações que já estão em processo. “Sem falar que já tem muita música nova também, o seguinte disco não deve demorar”, completa.