Stephen Fry e porque tudo deve ser ridicularizado

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O ator inglês Stephen Fry esteve entre o milhão e meio de pessoas que se reuniu em Paris após o já histórico atentado à redação do jornal Charlie Hebdo. E antes de ir para a rua, escreveu o seguinte texto em seu blog, que republico em inglês (e se alguém se dispor a traduzir eu republico aqui):

I remember all those years ago when the fatwa was declared on Salman Rushdie, plenty of British writers and commentators who absolutely should have known better claimed that The Satanic Verses ‘really wasn’t that good’, the implication being that it was therefore hardly worth making a stand against the death sentence laid on its author. As it happens (not that it matters of course) … The Satanic Verses is one of the great post-war comic novels. Similar horrible nonsense was spouted recently by some on the subject of the Sony film The Interview. ‘Oh, it’s actually rather poor.’

The now largely forgotten writer, broadcaster and Christian apologist Malcolm Muggeridge destroyed his legacy as a serious and interesting man in fifteen footling minutes on television in which he languidly described Monty Python’s Life of Brian as ‘tenth rate’ … as if that were a reason to stop it being screened. Utterly disingenuous. He wanted to stop it being screened because he was ‘offended’ by its ‘blasphemy’ and so he offered the same non-argument as those advanced by his fellow Festival of Light founder Mary Whitehouse of hilarious memory: “Oh I’m not shocked, oh no. In fact I found it rather boring.” Of course you did darling, and therefore we must certainly censor it right away. Bah! These days Life of Brian regularly comes top in all time best comedy film polls and Muggeridge might only be warmly remembered for being the MI5 officer who debriefed in kindly manner P. G. Wodehouse and his wife in Paris after its liberation in 1944.

So let no one think that in order to be defended against censorship of any kind, let alone the terminal horrors of Wednesday 7th January, a work of art or a film or a novel or a cartoon need be ‘first rate’ (whatever that means).

And aren’t we all tired of those who claim to know the answer to life, death and the creation being so fucking sensitive about their knowledge? If I knew the answer to it all, if I thought I understood the wishes of the author of the universe and was privileged to understand what happens to us after death, the last thing I would be is all prickly and defensive. ‘Mock me all you like,’ I’d cry. ‘Go on, laugh your socks off, paint crude daubs, make mocking films. They pass me by as the idle wind which I respect not.’

Como sempre, vale ler a íntegra.

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Sem Resultados

  1. Kenzo Miura disse:

    Eu me lembro que quando o Fatwa foi declarado contra Salman Rushdie, muitos escritores e colunistas britânicos – que definitivamente deveriam saber disso – disseram que “Os Versos Satânicos” ‘realmente não era tão bom assim’, e a implicação disso era que, desta forma, seria então um grande esforço se posicionar contra a sentença de morte declarada contra o seu autor. Na verdade, (não que isso importe, claro) “Os Versos Satânicos” é um dos grandes romances cômicos do pós-guerra. Um horrível absurdo similar foi espirrado recentemente sobre o tema do filme “A Entrevista” da Sony: ‘Oh, ele é realmente bastante pobre.’

    O escritor (agora em grande parte esquecido), radialista e apologista cristão Malcolm Muggeridge destruiu seu legado como um homem sério e interessante em quinze absurdos minutos na televisão, quando ele languidamente descreveu “A Vida de Brian” de Monty Python como ‘de décima categoria’ , como se isso fosse um motivo para parar de exibí-lo. Uma desonestidade absurda. Ele queria impedir sua exibição porque ele sentiu-se “ofendido” por sua “blasfêmia” e então ofereceu o mesmo não-argumento como aquele elaborado por sua companheira e fundadora do Festival da Luz Mary Whitehouse, de memória hilariante: “Oh, eu não estou chocada, oh não. Na verdade, eu achei um pouco chato”. É claro que você achou, querida, e portanto, temos certamente de censurar este filme de imediato. Bah! Hoje em dia “A Vida de Brian” é frequentemente situada no topo de das listas de melhores comédias de todos os tempos e Muggeridge só pode ser razoavelmente lembrado por ser o agente do MI5 que interrogou PG Wodehouse e sua esposa em Paris de forma amável após a sua libertação, em 1944.

    Então, que ninguém pense que, para defendermos qualquer obra de arte (ou filme, ou novela, ou desenho animado) contra a censura de qualquer tipo, quanto mais os horrores absurdos de quarta-feira 7 de janeiro, ele precise ser ‘de primeira categoria” (seja lá o que isso signifique ).

    Não estamos todos cansados de ver aqueles que afirmam saber a resposta para a vida, a morte e a criação serem tão fudidamente emotivos sobre o seu conhecimento? Se eu soubesse a resposta para tudo, se eu acreditasse ter compreendido as vontades do autor do universo e tivesse o privilégio de entender o que acontece conosco depois da morte, a última coisa que eu seria é uma pessoa facilmente ofendida e na defensiva. ‘Tirem sarro de mim o quanto quiserem’, eu berraria. “Vá em frente, riam até não poder mais, pode me pintar em borrões toscos, ou fazer filmes tirando sarro. ‘Eles passam por mim como o vento ocioso que eu não percebo’.”

  1. 19/01/2015

    […] Kenzo Miura (valeu!) também traduziu o trecho que separei do texto "You must mock", em que o ator inglês Stephen Fry comentou sobre o ataque à redação do jornal […]