Retrato de um artista psicodélico quando jovem: como foi o show do Tame Impala ontem em São Paulo

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Cheguei em cima da hora, peguei uma fila gigantesca (dava até a 23), entrei e o show já tinha começado, nem cogitei ficar embaixo e subi para o mezanino do Jóia. O som tava baixo, mas aumentou logo em seguida e a partir daí… Kevin Parker nos conduziu a um delírio sônico em technicolor que, ao mesmo tempo que apontava para o cânone clássico da psicodelia dos anos 60, abria novos horizontes para a lisergia sonora que conduzia a partir de sua guitarra.

Descalço e muito mais seguro de si do que quando apresentou-se no Brasil há um ano (quando Lonerism ainda nem havia sido lançado e só duas músicas do disco haviam aparecido online, “Apocalypse Dreams” e “Elephant”), Parker tem plena certeza dos rumos que quer levar e conta com músicos tinindo pra isso. Jay “Gumby” Watson (que tocava bateria e foi pra guitarra e sintetizadores) e Dominic Simper (baixista no início da banda e hoje nas guitarras e teclados) funcionam como sombras de Kevin, ecoando solos, riffs e texturas sonoras que o líder da banda joga no ar. Os dois novatos da cozinha, o baixista Cam Avery, que entrou no semestre passado, e o baterista Julien Barbagallo, que entrou no ano passado, fazem tudo funcionar com esmero, forçando os limites de seus instrumentos sem precisar apelar pro virtuosismo – Cam passeia pelas belas linhas de baixo compostas por Parker com tranquilidade enquanto Julien equilibra-se nas viradas lentas como um Ian Paice ou um Ginger Baker.

Mas todos trabalham por Kevin, que mesmo tento espasmos de deus do rock – erguendo a guitarra bem no alto, rodopiando, fazendo poses com o instrumentos – é um moleque que passeia feliz pelo céu de diamantes que resolveu habitar. Sem surpresas no repertório, ele esticou músicas em jam sessions memoráveis, intercalou fraseados com espasmos sonoros que fizeram o público no Jóia ficar de queixo caído. Ele adorou a audiência (que cantarolou riffs e solos), além de elogiar o fato da platéia saber a letra de todas as músicas. Um show memorável, mas que parece ser apenas o começo de uma carreira brilhante.

Fiz uns vídeos abaixo, saca só.


Tame Impala – “Music to Walk Home By”


Tame Impala – “It Is Not Meant to Be”


Tame Impala – “Why Won’t You Make Up Your Mind?” / “Elephant” / “Be Above It”


Tame Impala – “Apocalypse Dreams”


Tame Impala – “Feels Like We Only Go Backwards”


Tame Impala – “Nothing that Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control”

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7 Resultados

  1. janara disse:

    Que banda!

  2. Renato disse:

    que exagero…

    • Bidola disse:

      Põe exagero nisso. Os caras são competentes mas o show é sonolento bagarai.

      E eu não vi esta platéia que sabia cantar todas as letras. Menos, bem menos.

      Ainda assim espero que o Tame Impala continue lançando ótimos albuns, pq show mesmo não rola.

  3. Eduardo Pinha disse:

    Estive no show ontem no Circo. Q SHOW!!! Foi memorável e me surpreendeu muito.
    Abs!

  4. Foi muito foda…o som pela primeira vez foi de boa qualidade no Cine Joia….Psicodelia em alto grau…..

  5. Miguel Santos disse:

    Estive no show do circo, e fiquei encantado com a resposta do público que lá estava, ou seja todos familiarizados com o repertório da banda.

  6. Bruno Oliveira disse:

    Tb estive no show do rio, foi demais. Vc fala em segurança comparado ao ano passado, e pra mim isso é ainda mais gritante pq vi os caras em 2011 em Paris, abrindo pro Metronomy (e eu fui pq queria ver o Tame e acabei saindo mais do que feliz com os 2 shows).
    Na época tocaram umas 8 músicas, já esticadas como eles ainda fazem até hj. Mas a timidez era muito forte e os caras entraram tocaram e saíram kkkkkk
    Ao final do show do Rio, o Kevin foi dar o chapéu dele pra uma fã e alguém levou o echarpe dele, ele até voltou pra pedir de volta mas n rolou :/ :/