Recife Summit

Começando outra categoria aqui (Autoclipping, bookmarquem), sobre entrevistas que dei e matérias que falam sobre mim. Porque se eu sou meu próprio super-herói (© Black Alien), também sou meu próprio assessor de imprensa, meu próprio empresário, meu próprio booker e meu próprio clipador. Chame isso de egoogle, de uma forma de facilitar o trabalho dos meus biógrafos (afinal, autobiógrafo é uma das minhas profissões) ou uma artimanha ególatra para irritar meus três ou quatro detratores que visitam de vez em quando o meu saite pra se irritar por conta própria. Pra mim, é só um jeito de lembrar de situações que vivi, pessoas que conheci e lugares por onde passei (“se chorei ou se sorri…”). Estréio com o que a princípio parece um diálogo, mas na verdade foi um triálogo, uma vez que nosso interlocutor (do lado de lá da quarta parede) era ninguém menos que Renato L, o ministro da informação do mangue beat, que aproveitou a passagem minha e do Bob Fernandes pelo Recife pra tomar um cafezinho junto e bater um papo sobre jornalismo e blog. O papo podia se tornar um tetrálogo, mas Bruno Nogueira trabalha no jornal concorrente ao que Renato bate cartão e preferiu não se intrometer. Claro que a história durou muito mais do que esses quatro parágrafos, mas vocês sabem da limitação física do meio de papel e que é um saco transcrever entrevista. Como o link original tá trancado pra assinantes, libero o papo aí embaixo.

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Blogosfera é comunicação pós-massiva

Jornalistas blogueiros defendem a informação independente e a audiência qualificada disponível no universo virtual, aberto à cidadania

Renato L
Da equipe do Diario

Alexandre Matias e Bob Fernandes são dois jornalistas que fizeram, cada um a seu jeito, a transição da mídia impressa para a internet. As quase duas décadas que separam suas datas de nascimento explicam, em parte, as trajetórias diferentes. O primeiro escreve há quase dez anos o misto de blog e e-zine Trabalho Sujo (www.gardenal.org/trabalhosujo), uma das experiências mais bem-sucedidas do gênero no Brasil. Bob Fernandes, por sua vez, traz no currículo passagens vitoriosas por veículos como o Jornal do Brasil e a revista Carta Capital. Atualmente, dirige a revista eletrônica Terra Magazine. Os dois participaram na tarde da última segunda-feira da mesa-redonda Blogosfera e jornalismo cidadão, dentro de um simpósio organizado pelo MinC para discutir cultura e internet. O Diario aproveitou a visita para um rápida conversa sobre o fascinante – e contraditório – mundo dos blogs…

BLOGOSFERA COMO PARAÍSO…

Bob Fernandes – De fato, esse mundo é encantado, mas não é assustador, como eventualmente possa parecer. Porque mesmo quem não domina os códigos , pode fazer. Eu acho que o que eu estou fazendo com a revista é “massivo” e “pós-massivo”. Boa parte dos 40 articulistas que eu tenho não estão nem aí para audiência. Eu quero essa audiência qualificada, mas também tento atrair um público mais amplo. Você pode fazer isso sem necessariamente ceder ou conceder. Por que não pegar algo da grande mídia para fazer três milhões de pessoas entrarem na mesma hora? Tipo capturar antes de todo mundo a carta que o Ronaldinho receberia de Lula. Se 300 mil desses usuários lerem um artigo sobre literatura, maravilha# posso não saber com quem estou falando, mas sei quem estou buscando. E quem eu estou buscando? Todo mundo. Não pela quantidade, mas eu quero que a discussão se dê.

MÍDIA IMPRESSA E MÍDIA ELETRÔNICA

Alexandre Matias – Quando comecei a trabalhar em jornal foi no ano em que a redação digitalizou. Não peguei nêgo fumando na redação, essas coisas. Cuidar do Trabalho Sujo me remete ao cara que produz um show. Tá todo mundo falando dessa banda, só que você cobra o olho da cara, porque não quer pobre no show, vai selecionar. Eu uso uma estratégia diferente: meu corte não envolve grana. É justamente o corte editorial que dou. E aí eu não tento ser muito didático. Pra mim, a melhor hora é quando conheço um leitor que tá dialogando comigo de igual pra igual, que não tá com medo de me perguntar alguma coisa, de me xingar, que seja, só porque sou um especialista ou um jornalista. Acho ótimo isso. Agora, eu não me deslumbro com a internet. A tendência é a cada mês você ter um fenômeno tão grande quanto o You Tube. E aí sempre vai ter gente falando de revolução, essas coisas.

ÉTICA NA INTERNET

Bob Fernandes – Tem uma coisa interessante nessa história do vídeo da Cicarelli com o namorado – que colocou nas manchetes novamente as questões éticas na rede. A informação que tive do portal em que trabalho é que nem o vídeo da Cicarelli conseguiu naqueles dias bater em quantidade de acessos a sucessão presidencial. A eleição presidencial às vésperas do segundo turno teve mais acessos que a transa da Cicarelli na praia. Os dogmas – inclusive no jornalismo – estão mudando rapidamente e, na verdade, ninguém sabe de nada, como disse o Silvio Meira, do CESAR, “tá tudo vindo, cara!”.

DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA

Alexandre Matias – Parte do que a gente fala sobre a internet, também aconteceu no começo do século 20 com o rádio. O rádio era um veículo de duas mãos. Toda a questão do radioamador está ligada a esse aspecto. Só que teve uma hora em que o estado interviu e disse: “não, só algumas pessoas podem transmitir”. Então, é preciso cuidado nessa área. Agora, a gente fala do blog, mas pode ampliar o termo para “jornalismo independente”. Não é apenas a ferramenta Blog. É o fato de várias pessoas produzirem jornalismo fora da grande mídia. É exatamente o que já aconteceu com música em relação à rádio e gravadora e que tá acontecendo com o vídeo, através de fenômenos como o You Tube, em relação às emissoras de TV e estúdios de Hollywood

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