Quando o rock’n’roll assumiu Hollywood

Arnaldo mandou essa via Twitter, que o documentário A Decade Under The Influence, do sobrinho do Johnattan Demme, Ted Demme, tá inteiro no YouTube.

Ele conta como a geração Spielberg/Coppola/Scorsese/Lucas pegaram os estúdios de Hollywood que estava à beira de um colapso criativo e financeiro e reinventaram a roda desafiando o sistema de dentro dele mesmo com filmes que são, simplesmente, os melhores filmes da história do cinema. Você pode até bater o pé e torcer o nariz, pensando em escolas inteiras como a nouvelle vague, o cinema independente dos anos 90, o cinema asiático da virada do milênio, o neo-realismo italiano, os filmes trash dos anos 60 ou a atual safra de filmes latinos, mas nenhuma dessas gerações produziu um rol de filmes que inclui os dois primeiros Poderoso Chefão, a trilogia Guerra nas Estrelas, Halloween, Taxi Driver, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, Easy Rider, Operação França, Um Touro Indomável, Apocalypse Now, American Grafitti, Um Estranho no Ninho, Essa Pequena é uma Parada, Maratona da Morte, Chinatown, O Exorcista, THX 1138, A Última Sessão de Cinema, Bonnie & Clyde, A Conversação, Tubarão e Amargo Pesadelo. Nem precisa incluir os filmes do Kubrick pra esta ser uma lista respeitável de melhores filmes de todos os tempos. O mais perto disso que existe na história do cinema é justamente a geração de europeus que ajudou Hollywood a existir – Chaplin, Hitchcock, Wilder e Capra, que não eram propriamente uma turma.

Nos anos 70, era uma turma. Era a primeira geração de graduados em cursos universitários de cinema (pois isso não existia antes) e amamentada pela televisão, o que garantia a aliança de um know how inato da linguagem audiovisual com a técnica adquirida recém-transformada em método. E saindo da Califórnia no fim da era hippie, eles injetaram adrenalina e insanidade em um cinema que estava produzindo pérolas como Oliver!, Dr. Jivago, My Fair Lady e Noviça Rebelde. O melhor mergulho nessa história que eu conheço é o livro Easy Riders, Raging Bulls, do jornalista Peter Biskind, que também tem uma versão em DVD, mas que eu ainda nao vi. Mas esse A Decade… dá uma boa idéia da reviravolta que uma geração de autores, roteiristas e atores fez em Hollywood, criando a primeira escola de cinema autoral americana com consciência artística e reinventando Hollywood como um novo mercado, que, no fim das contas, desenharam o nosso presente atual, dividido entre Cinemarks e cineclubes.


Partes 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16

O que me leva a crer que não é difícil que, em pouco tempo, vejamos uma nova renascença cinematográfica, se deixarem de novo os malucos tomarem conta do hospício – nem que seja por alguns anos. E que os melhores filmes de todos os tempos ainda podem nem ter sido feitos.

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Sem Resultados

  1. vitor disse:

    sei la, sou mais pessimista. Acho que o cinema como nos conhecemos já era.

    queria ter nascido nos anos 50.

  2. Lauro Mesquita disse:

    Seguindo essa linha de pensamento, é legal como o Coppola sempre apostou na facilidade e portabilidade das câmeras digitais como uma saída pra que o cinema melhorasse e ganhasse uma cara mais autoral.
    O filme é muito interessante, mas também é legal como ele frisa que a passagem desses grandes cineastas do 70 no trabalho com o Roger Corman e seguindo o exemplo do Casaavetes fizeram com que eles tivessem uma visão crítica da indústria e conseguissem modificá-la de maneira mais intensa.
    Outra coisa que acho legal é o ponto de vista político. Os filmes mais essenciais dessa turma eram muito críticos até que aparece Rocky,Star Wars, Tubarão que inventam o Blockbuster (filmes que vão além da sala de cinema com produtos etc.) e voltam a enaltecer o American Way of Life.
    Tinha visto o filme um vez na HBO. Muito legal acharem ele no YouTube. Valeu a dica.

  3. Lauro Mesquita disse:

    Desculpa mas acabei deixando incompleto: e voltam a enaltecer o American Way of Life justo numa época duma guinada conservadora brava nos EUA que acabaria por eleger o Reagan.

  4. Diego Maia disse:

    Se os “malucos” da nova geração são Aronofsky, Christopher Nolan e cia, a conclusão é: é fria, Didi!

    No mais, só para também ficar em uma hipérbole, acho que metade dos diretores da nouvelle vague produziu o triplo de obras-primas da geração Spielberg(…)Lucas. Pode me chamar de cabeção.

  5. Guarda esse papo pra fila do Espaço Unibanco, Diego, tem umas meninas q caem facil…

  6. Mas, a proposito, nem sao esses caras, pode ficar tranq…

  7. Cid Vasconcelos disse:

    o que você chama de geração de spielberg e lucas é na verdade a outra face da moeda de spielberg&lucas veio antes deles inclusive: scorsese, altman, bogdanovich, monte hellman, alan j. pakula, etc.

  8. Eh a mesma geracao, eh soh ver.