Piauí apresenta: Decifre a crítica

Pela estratosfera do planeta Almodóvar, trafegam filmes cujas feições e inquietações são gestadas no feminino, antes de ganharem universalidade unissex. São assim “A flor do meu segredo” (1995), “Tudo sobre minha mãe” (1999) e “Volver” (2006), todos regidos por um eros cicatrizante. Para além deles, numa ionosfera estética mais aberta a diálogos com gêneros cinematográficos como o policial, gravitam histórias de ambiguidades, brutalidades e voracidades masculinas, sob o cabresto de tânatos. “Matador” (1986), “Ata-me” (1990), “Carne trêmula” (1997), “Má educação” (2004) e “Abraços partidos” (2009) têm essa toada. Curiosamente, são os longas-metragens de maior refinamento visual do cineasta espanhol. É a essa porção mais viril (e plasticamente requintada) de sua obra que “A pele que habito” (“La piel que habito”) se filia. A evidência inicial é o regresso de Antonio Banderas ao ninho do realizador que fez dele um muso na década de 1980.

O original saiu daqui, o desafio é da Piauí.

Você pode gostar...