Pelados na área

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A presença de dois Uma Enorme Perda de Tempo – o baterista Theo Cecato e o guitarrista Vicente Tassara -, a banda que acompanha a querida Sophia Chablau, ajudou a ficar atento aos Pelados, grupo que ainda conta com a Manu Julian, vocalista do grupo Fernê, na formação. O primeiro single, “O Fim“, ao mesmo tempo doce e melancólico, já dava um gostinho do que poderia vir, mesmo a banda sendo só um projeto de estúdio e nunca ter tocado ao vivo. Entre o indie rock, a soul music, a música eletrônica e o pop clássico, o quinteto tem sua formação completa com as presenças da baixista Helena Cruz e do tecladista Luiz Martins. O disco de estreia, batizado de Sozinhos e gravado no ano passado, originalmente estava planejado para o primeiro semestre e só sai agora devido à pandemia do coronavírus. Produzido pelo pai de Manu, o produtor e músico Antonio Pinto, Sozinhos chega em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

“Apesar de nunca ter rolado shows, a gente já tava ensaiadinho”, conta o baterista. “Acho que num certo sentido o show humaniza o disco, que é super produzido, trazendo versões mais cruas de algumas músicas e opções mais ‘bandísticas’ para alguns arranjos do disco. Assim conseguimos também fazer com que o show e o disco sejam duas experiências diferentes da mesma coisa. Como ainda não estamos em nenhum momento de normalidade, temos optado por fazer vídeos de nós tocando em casa as versões que faríamos nos shows e montado clipes quase ao vivo que estão no nosso youtube e igtv, e vamos continuar lançando esses clipes/shows de uma música só até se tornar viável nos encontramos de novo.”

O nome da banda veio da primeira ideia que tiveram para batizar o grupo. “Veio de uma brincadeira de dar o nome o mais idiota o possível para a banda”, lembra Theo. “Vale pontuar que chamava Pelados Escrotos antes. Quando o disco ficou pronto achamos que fazia mais sentido Pelados, mas acho que o ponto principal do nome é ele ser quase aleatório, ou melhor, ser a primeira ideia que veio na nossa cabeça. A mais idiota, é claro.”

A aura de indie sério da banda mistura-se com referências de dance music e trip hop, mas eles vão além. “Acho que temos as referências centrais como Flaming Lips, Jerry Paper, todos os ícones pops desse mundo, mas também o disco tem um pouco de Roberto Carlos, um pouco de Madonna, um pouco de Mutantes e até um pouco de coisas que nem sacamos que estavam lá”, continua Theo, que aponta as referências de games (em músicas como “Pokémon GO” e “Pousar Lá em Casa”) para o tecladista, embora “esse mundo também tem muito a ver com o universo lírico que trazemos pro disco que é esse mundo da adolescência, das frustrações amorosas e dos momentos solitários dessa vida.”

Não por acaso o disco chama-se Sozinhos, o que conversa ironicamente com o momento que estamos atravessando com a quarentena. “Acho que as letras flertam com temáticas por vezes bobas e outras vezes muito sérias, e acho que é essa mistura que dá a verdadeira temática do disco, nem sempre o que é juvenil é bobo”, conclui Theo. “Acho que poeticamente, o disco imprime nossos traumas, aflições, felicidades, brincadeiras nesse meio que ele fica. Brincadeiras sérias e seriedades debochadas.”

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