Oscar Niemeyer (1907-2012)

Agora foi: morreu o cara que imaginou a cidade em que nasci. Todo o respeito para um dos maiores artistas do Brasil.

Abaixo, o Roda Vida com o arquiteto em 1997 e a íntegra do documentário A Vida é um Sopro:


Roda Viva de 12 de julho de 1997


…e A Vida é um Sopro, de Fabiano Maciel (2010)

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13 Resultados

  1. Fra tura disse:

    Foda viu…..
    Enfim esse ano, dá para fazer retrospectiva de mortos tb………

  2. jiban disse:

    O Século XX está se despedindo.

  3. Angelo Capozzoli disse:

    Piadinhas à parte, foi um final de vida muito sofrido. Mas foi um cara admirável, digno, que viveu plenamente suas convicções. Além de ser um artista monumental. Dos poucos brasileiros a deixarem uma marca no mundo. Pelo menos, até as areias do tempo cobrirem tudo.

    • Paulo disse:

      pelo que comentou a sua esposa ele morreu na serenidade, sem sofrimentos, ela disse que ele um dia antes até pediu um cafê e um pastel e ainda estava compondo um samba com ajuda de um enfermeiro, o cara era tão foda que se casou com 99 anos, o velhinho era muito macho e de uma lucidez impressionante, Descanse em paz!!!!!!!!!!!!

  4. Fra tura disse:

    Brasilia, por Clarice, a Lispector.

    Brasília é construída na linha do horizonte. – Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar, e depois o mundo deformado às nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. – Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas de digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia – minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério. – Quando morri,um dia abri os olhos e era Brasília. Eu estava sozinha no mundo. Havia um táxi parado. Sem chofer. – Lucio Costa e Oscar Niemeyer, dois homens solitários. – Olho Brasília como olho Roma: Brasília começou com uma simplificação final de ruínas. A hera ainda não cresceu. – Além do vento há uma outra coisa que sopra. Só se reconhece na crispação sobrenatural do lago. – Em qualquer lugar onde se está de pé, criança pode cair, e para fora do mundo. Brasília fica à beira. – Se eu morasse aqui, deixaria meus cabelos crescerem até o chão. – Brasília é de um passado esplendoroso que já não existe mais. Há milênios desapareceu esse tipo de civilização. No século IV a.C. era habitada por homens e mulheres louros e altíssimos, que não eram americanos nem suecos, e que faiscavam ao sol. Eram todos cegos. É por isso que em Brasília não há onde esbarrar. Os brasiliários vestiam-se de ouro branco. A raça se extinguiu porque nasciam poucos filhos. Quanto mais belos os brasiliários, mais cegos e mais puros e mais faiscantes, e menos filhos. Não havia em nome de que morrer. Milênios depois foi descoberta por um bando de foragidos que em nenhum outro lugar seriam recebidos; eles nada tinham a perder. Ali acenderam fogo, armaram tendas, pouco a pouco escavando as areias que soterravam a cidade. Esses eram homens e mulheres menores e morenos, de olhos esquivos e inquietos, e que, por serem fugitivos e desesperados, tinham em nome de que viver e morrer. Eles habitaram as casas em ruínas, multiplicaram-se, constituindo uma raça humana muito contemplativa. – Esperei pela noite, noite veio, percebi com horror que era inútil: onde eu estivesse, eu seria vista. O que me apavora é: é vista por quem? – Foi construída sem lugar para ratos. Toda uma parte nossa, a pior, exatamente a que tem horror de ratos, essa parte não tem lugar em Brasília. Eles quiseram negar que a gente não presta. Construções com espaço calculado para as nuvens. O inferno me entende melhor. Mas os ratos, todos muito grandes, estão invadindo. Essa é uma manchete nos jornais. – Aqui eu tenho medo. – Este grande silêncio visual que eu amo. Também a minha insônia teria criado esta paz do nunca. Também eu, como eles dois que são monges, meditaria nesse deserto. Onde não há lugar para as tentações. Mas vejo ao longe urubus sobrevoando. O que estará morrendo meu Deus? – Não chorei nenhuma vez em Brasília. Não tinha lugar. – É uma praia sem mar. – Mamãe, está bonito ver você de pé com esse capote branco voando (É que morri, meu filho). – Uma prisão ao ar livre. De qualquer modo não haveria pra onde fugir. Pois quem foge iria provavelmente para Brasília. Prenderam-me na liberdade. Mas liberdade é só que se conquista. Quando me dão, estão me mandando ser livre. – Todo um lado de frieza humana que eu tenho, encontro em mim aqui em Brasília, e floresce gélido, potente, força gelada da Natureza. Aqui é o lugar onde os meus crimes (não os piores, mas os que não entenderei em mim), onde os meus crimes não seriam de amor. Vou embora para os meus outros crimes, os que Deus e eu compreendemos. Mas sei que voltarei. Sou atraída aqui pelo que me assusta em mim. – Nunca vi nada igual no mundo. Mas reconheço esta cidade no mais fundo de meu sonho. O mais fundo de meu sonho é uma lucidez. – Pois como eu ia dizendo, Flash Gordon… – Se tirasse meu retrato em pé em Brasília, quando revelassem a fotografia só sairia a paisagem. – Cadê as girafas de Brasília? – Certa crispação minha, certos silêncios, fazem meu filho dizer: puxa vida, os adultos são de morte. – É urgente. Se não for povoada, ou melhor, superpovoada, uma outra coisa vai habitá-la….

  5. Patrick disse:

    Espertão,
    Niemeyer não projetou cidade nenhuma!
    Quem projetou Brasília foi o Lúcio Costa!

  6. Lucius disse:

    Cabe lembrar que o urbanista foi Lúcio Costa.

    • Marcelo disse:

      Tem gente que ainda perde tempo com essa merda.

      • José disse:

        Cara, fui ver.

        E ler na íntegra.

        Ou a galera tá se deixando levar pelo título, propositalmente hiperbólico, ou todo mundo aqui comunga da admiração que o Niemeyer tinha por Stalin.

        O jornalista gosta de ser chamado de imbecil, isso é fato. Quer audiência, fato.

        Mas quanto ao cerne da questão, reprovar o apoio ideológico sem concessões que o arquiteto dava ao stalinismo, creio que seja difícil discordar. Acho engraçado como as figuras de Hitler e Stalin conseguem ter tratamentos históricos tão distintos. Lógica do vencedor, né?

  7. Jiban disse:

    Tem gente que é inteirinho idiota.

  8. Marcelo disse:

    Foi-se o maior intelectual vivo do mundo. Dificilmente haverá um brasileiro tão grande em centenas de anos, um cara que contribuiu tanto para a identidade do nosso país e para a melhoria das cidades mundo afora. Um cara que tinha os ideiais certos e tinha a coragem para defendê-los e difundí-los. Uma pessoa humilde em contraponto do talento extrapolado, e com um senso de justiça social que deveria ser ensinado nas escolas. Viveu muito, viveu bem, aproveitou sua passagem pra deixar este mundo melhor para os que continuam e para os que virão. Todo mundo tem muito que aprender com ele.


    Não é errado dizer que Niemeyer projetou Brasília. Uma cidade não é feita só de seu plano urbanístico (para este, méritos a Lúcio Costa). As edificações são tão importantes para a cidade quanto seu desenho urbano, e cabe a Niemeyer a magia e o encantamento de quem visita aquela cidade de construções tão peculiares. A beleza de Brasília foi Niemeyer quem deu.