O Wolverine de Grampá

Rafael Grampá aproveitou que a Marvel liberou toda Strange Tales online pra publicar a íntegra de sua participação na revista, quando transformou Wolverine num lutador de rinha. Num post em seu blog, ele comenta como desenvolveu sua história com o mutante e traduz página a página de seu conto:

Comecei a pensar sobre o tal fator de cura, o principal poder mutante de Wolverine. Fui pesquisar como um ser humano normal se cura e a quantidade de substâncias que o organismo libera para aliviar a dor e cicatrizar uma ferida, pois eu não lembrava de mais nada do que eu havia aprendido na escola. Quando o corpo se fere, ele automaticamente libera endorfina e encefalina -entre outras substâncias- que são neurotransmissores, substâncias químicas produzidas e ultilizadas pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso. Esses dois neurotransmissores, além de aliviarem a dor, também estão ligados as sensações de euforia e prazer. Um corte superficial pode levar uma semana para se curar e um mais profundo, um mês ou mais, dependendo das variáveis. Agora imaginem um organismo que pode curar uma ferida muito profunda em minutos. Imaginem a quantidade de endorfina e ecefalina que seus neurônios vão produzir. É como se você tomasse uma dose cavalar de morfina -que é uma substância natural extraída do ópio e que imita as funçõs desses neurotransmissores orgânicos- toda vez que houvesse um arranhão. Wolverine é um personagem que tem garras que saem do interior dos seus antebraços. Sempre que ele desembainha essas garras, ele provoca lesões em si mesmo, pois as garras rasgam as peles entre seus dedos -ou parte de cima das mãos- que logo cicatrizam. Imagino que se ele fizer isso uma vez por dia, em um mês seus neurônios estariam completamente viciados, pois esses neurotransmissores podem viciar os neurônios. E mais: assim que o organismo estivesse viciado, a atividade de se ferir estaria ligada ao prazer e isso também começaria a liberar dopamina, que é o neurotransmissor que a cocaína libera quando ingerida. Ou seja, não é a cocaína que vicia e sim a dopamina. Minha conclusão foi meio óbvia a partir disso: Depois de anos e anos se ferindo e se curando, o organismo de Wolverine estaria completamente viciado nesse processo e necessitaria de algo para curar o tempo inteiro. Seu “instinto selvagem” na verdade seria apenas abstinência e isso o levaria a procurar confusão por qualquer motivo -o que é uma grande característica do personagem- só para se machucar. Isso também explicaria a razão de um sujeito truculento como Logan ter decidido entrar para os X-men, por exemplo. Para um viciado em cocaína, não importa que tipo de festa ele vai, nem a roupa que vai precisar usar para entrar, só importa se vai ter a droga. Para Logan, a mesma coisa. Ele viu naquele grupo de moleques irritantes a oportunidade de poder se machucar bastante, enfrentando vilões que estariam afim de matá-lo o tempo todo, mesmo tendo que aguentá-los e ter que usar aquele uniforme amarelo. Gente querendo matá-lo+ferimentos gravíssimos=prazer sem limites. Mais um detalhe: esse vício daria a Logan o cacoete de estar o tempo todo desembainhando suas garras quando não tivesse mais nada para machucá-lo.

Ele continua lá em seu site.

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