O que é Ponto Ômega?

Ih, senta que lá vem história. Resumindo bem, é uma teoria do teólogo, paleontologista e padre jesuíta francês Pierre Teilhard de Chardin, que advoga que a evolução humana tem sim um ponto final, que é quando todas as consciências se fundirão numa só e que a humanidade é um só ser, que habita o planeta inclusive fora de nossos corpos e mentes. Muita loucura? Vou citar a Wikipedia:

In this theory, the universe is constantly developing towards higher levels of material complexity and consciousness, a theory of evolution that Teilhard called the Law of Complexity/Consciousness. For Teilhard, the universe can only move in the direction of more complexity and consciousness if it is being drawn by a supreme point of complexity and consciousness. Thus Teilhard postulates the Omega Point as the supreme point of complexity and consciousness, which is not only as the term of the evolutionary process, but is also the actual cause for the universe to grow in complexity and consciousness. In other words, the Omega Point exists as supremely complex and conscious, independent of the evolving universe. I.e., the Omega Point is transcendent. In interpreting the universe this way, Teilhard kept the Omega Point within the orthodox views of the Christian God, who is transcendent (independent) of his creation.

Teilhard argued that the Omega Point resembles the Christian Logos, namely Christ, who draws all things into himself, who in the words of the Nicene Creed, is “God from God”, “Light from Light”, “True God from true God,” and “through him all things were made.”

Teilhard de Chardin’s The Phenomenon of Man states that the Omega Point must possess the following five attributes. It is:

  • Already existing – Only thus can the rise of the universe towards higher stages of consciousness be explained.
  • Personal – an intellectual being and not an abstract idea. The complexification of matter has not only led to higher forms of consciousness, but accordingly to more personalization, of which human beings are the highest attained form in the known universe. They are completely individualized, free centers of operation. It is in this way that man is said to be made in the image of God, who is the highest form of personality. Teilhard expressly stated that in the Omega Point, when the universe becomes One, human persons will not be suppressed, but super-personalized. Personality will be infinitely enriched. This is because the Omega Point unites creation, and the more it unites, the more the universe complexifies and rises in consciousness. Thus, as God creates the universe evolves towards higher forms of complexity, consciousness, and finally with humans, personality, because God, who is drawing the universe towards Him, is a person.
  • Transcendent – The Omega Point cannot be the result of the universe’s final complexification of itself on consciousness. Instead, the Omega Point must exist even before the universe’s evolution, because the Omega Point is responsible for the rise of the universe towards more complexity, consciousness and personality. Which essentially means that the Omega Point is outside the framework in which the universe rises, because it is by the attraction of the Omega Point that the universe evolves towards Him.
  • Autonomous – that is, free from the limitations of space (nonlocality) and time (atemporality).
  • Irreversible, that is, attainable.

Isso tudo pode ser entendido como uma metáfora para a apoteose (quando o Homem vira Deus – pensando que Deus não é uma entidade idosa que mora numa nuvem, mas uma espécie de alma do universo) do mesmo jeito que o Big Bang é um jeito nerd de explicar o Gênesis bíblico. Isso tem a ver com a teoria do Jesus Saltador (que o conhecimento humano está se acelerando cada vez mais e que isso pode ser medido numa unidade que o saudoso Robert Anton Wilson chamava de “Jesus” – escrevi sobre isso num texto pra versão em papel do falecido e-zine BScene, que foi citado pelo Petillo nesse texto no Digestivo Cultural) e com a velocidade do avanço tecnológico descrita pelos irmãos McKenna. A teoria também conversa com a dupla budismo/física quântica (“tudo é luz” equivale a “e=mc²”) e com o Aleph do Borges. E também tem a ver com a rede neural planetária que estamos vendo surgir com o avanço da internet – não é à toa que a teoria de Chardin influenciou ninguém menos do que o Karl Marx do mundo digital, nosso querido papa Marshall McLuhan. E pode até ter a ver com o tal “fim do mundo” dos maias, em 2012.

O certo é que tem algo que vai mudar tudo em breve. Não sei quão breve, mas se você acha que computador + internet foram um salto evolutivo violento, eu aposto que essa dupla é só um degrauzinho baixo comparado com o que vem por aí.

Você pode gostar...

Sem Resultados

  1. Leonardo disse:

    Assunto fascinante, sempre que tiver inspirado, mande mais 😉

    []s

  2. Bruno Cobbi disse:

    Eywa, from Cameron’s Avatar.

  3. Ou eh a Teoria das Supercordas?

    Serio q tu curtiu Avatar?

  4. Marco disse:

    Alguém mais lembrou d’A Última Questão’ do Asimov? Alexandre, acho que tu iria curtir esse.

  5. Nem manjo, fala mais.

  6. Marco disse:

    Resumão da história: a humanidade constroi um supercomputador pra cuidar de si mesma. O conto começa em 2061, com dois técnicos bebados perguntando pro computador se a entropia – o caos final do universo – poderia ser revertida. A história se estende, falando sobre pessoas em várias situações, cada vez mais adiante no tempo (mil anos depois, cem mil anos depois, um milhão de anos depois e por aí vai) fazendo a mesma pergunta. Como pano de fundo, o homem – e o supercomputador – são cada vez mais evoluídos, o homem viajando pra outras galáxias com a familia, depois imortal. Num ponto os homens deixam de ter corpos e passa a ser só mentes, vagando pelo universo. Por fim as mentes começam a se fundir no Homem, que acaba se fundindo com o supercomputador (que já é tão grande que é mantido no hiperespaço), que vira uma só mente universal.
    O texto na íntegra é meio extenso o final é excelente, prefiro não contar o final pq seria muita sacanagem.
    Isso é Asimov puro, totalmente SCI FI… Recomendo a leitura, ele tá disponível online. Vários blogs publicaram o conto, googleeia “última questão asimov”, dá pra ler nuns 20 minutos.
    Abraço e parabéns pelo blog, sou leitor assíduo.

  7. Leonardo Netto disse:

    e o ‘Centésimo Macaco’, conhecem?
    http://bbcnews.com.br/versao_impressao.php?id=52581

    na Galileu:
    http://galileu.globo.com/edic/91/conhecimento1.htm

    consciência?

  8. Tou ligado no Sheldrake, mas acho que o lance dele nao eh especificamente sobre a consciencia, mas sobre transmissao de conhecimento.

  9. No “The MIndscape of Allan Morre”, de 2003, ele comenta sobre o poder da informação e as implicações do excesso dela para a humanidade. A informação, citada por ele no filme, é tida por estudiosos da física quântica como “uma substância super estranha” e que ela existe em toda o universo. Mais importante até que a gravidade. Ele viaja ainda no lance de que tudo que existe é subproduto da “informação primordial”.

    Há ainda outros lances sobre as teorias de duplicação da informação. Não sei se se confirmam, mas é um outro ponto que talvez se relacione com tudo isso aí. A velocidade da duplicação da informação vai implicar em mudanças na forma como a humanidade vai lidar (como vc mesmo disse num post aqui no sujo) com passado, presente e futuro.

    vai saber… 😛

  10. Mateus FC disse:

    É interessante pensar que para ser consistente essa teoria precisa prever que o Universo em si usa a consciencia para poder evoluir a propria consciencia! A evolucao da materia do universo nunca vai ser para uma complexidade maior pois a entropia sempre aumenta, a desordem sempre aumenta! Porem a consciencia do Universo pode induzir essa maximizacao de Entropia para efeitos que possam empurrar essa evolucao.

    Seria como se a texnologia fosse a cosciencia moldando a materia pra evolucao da consciencia.

  11. José disse:

    Já viu isso, Matias?

    http://technoccult.net/archives/2007/10/16/alan-moore-pays-tribute-to-robert-anton-wilson/

    Algum coleguinha poderia transcrever esse discurso feito no belíssimo inglês de Northampton, hein…