O fim do mundo de Lars Von Trier

Vi o Melancholia, do Lars Von Trier, na semana passada.

Não cheguei a desgostar, o que, pra mim, em se tratando do diretor dinamarquês, é lucro. Há cenas deslumbrantes com uma trilha sonora arrebatadora (“Tristão e Isolda”, de Wagner), uma atuação impecável de Charlotte Gainsbourg e uma mais ou menos de Kirsten Dunst, além de uma história que parece se desenrolar em uma DR familiar espetacular, mas que se perde em devaneios existencialistas esquizofrênicos. O início e o final do filme são ótimos, mas somando tudo não chega a uma nota 7. O que é uma nota alta, quando levamos em consideração que é um diretor autoral disposto a fazer ficção científica. E é mais ou menos a média do Von Trier, o diretor mais superestimado de sua geração. No entanto, vale ver no cinema – só as cenas à la Discovery Channel, em que Lars filma a Via Láctea em todo seu esplendor, já valem o preço do ingresso.

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11 Resultados

  1. Alessandra Riccelli disse:

    Crítica do filme mais cretina que li até agora. Um parágrafo pra descrever a imensa profundidade do filme. Já foi seu tempo, Matias.

  2. É q eu não sou crítico de cinema, Alessandra. Eu curto ver explosão. E essa “imensa profundidade” do filme não me engana – Von Trier é raso feito piscina de plástico. Só não entendi uma coisa: se meu tempo já foi, pq vc ainda se dá ao trabalho? Vai lá ler seus críticos e seguir na realidade q vc gosta.

  3. Ô Matias, cinema para ser bom não precisa ser profundo (e vc sabe disso, por isso curte “ver explosão :¬D ). O fato do Von Trier ser raso como um pires não o impede de ser um puta cineasta. Já viu “As cinco obstruções”, um documentario que ele fez com / sobre o Jørgen Leth? É muito bom para sacar o que tem por trás da obra do Von Trier. No filme ele propõe a Jørgen Leth, documentarista nórdico, que faça 5 curta-metragens. A cada filme o Von Trier inventa um monte de dificuldades pro cara (as cenas não podem ter mais de 12 frames, tem que ser em animação, tem que ser em Cuba, etc).

    O Von Trier é um cara que se propôs um jogo, e cada filme é a história dele superando um obstaculo que ele mesmo se colocou, geralmente escolhendo um gênero para o filme: ausência de trilha sonora e uso de DVs nos Dogma 95, musical no Dancer in the Dark, filme de gangster no Dogville, filme de terror no Anticristo, filme-catástrofe no Melancholia, melodrama naquele das ondas. Manderlay foi uma ocasião onde ele NÃO conseguiu superar o obstáculo, por exemplo. Ficou lá vários anos deprimido por conta disso.

    Quando a gente desencana da “profundidade” dos filmes dele, passa a curtir bem mais, e sacar por quê ele é dos cineastas mais importantes dos ultimos anos.

  4. Tou ligado, Daniel, eu mesmo adoro um monte de cineasta raso. Entendo perfeitamente as causas do Von Trier, pra mim ele é só um picareta (sem demérito qto a isso, picaretagem não é necessariamente defeito, é fingir, que é atributo básico no pop) que acerta de vez em quando. Que bom que ele existe, mas não me obrigue a gostar (ou a achá-lo profundo) só porque ele se propõe a isso.

    Eu gosto de Transformers 3, caso algum cinéfilo ainda me leve em consideração como crítico de cinema. E fui assistir ao Source Code ontem (o novo do Duncan Jones) e achei melhor que o Melancholia.

  5. Fábio disse:

    na boa. vcs levam a sério o q esse rpz escreve? rsrsrs é pra rir.

  6. Tu deve levar, se ate se deu ao trabalho de deixar comentario…

  7. Matias, vou seguir teu conselho.

    Mas vou tomar muito café antes.

    Eu dormi em duas das três tentativas de ver Solaris do Tarkovsky — e olha que ele era soviético, o que para mim, conta muito.

    Ficção não precisa ser só explosão. Mas tem de ter dinâmica, né?

    Mas essa galera pegadora de pé ai nos comentários tá mala, hein?

    Pô, o Lars tem uma guarda pretoriana barra pesada.

  8. Lili disse:

    Tá boa essa discussão! de verdade.

    Vou levar em consideração a sua opinião quando eu for assistir, Matias. Porque eu sou apaixonada por ele, e sempre vou ao cinema com muitas expectativas, o que normalmente gera alguma decepção. Talvez essa minha decepção seja, na verdade, a ‘piscinez’ dele falando…

    Acho que gosto do Von Trier pois ele é o máximo de cabeçudisse que eu me permito ser. O cara é mainstream, não tem como negar. Gosto de filmes que se perdem em divagações existencialistas, pero no mucho (também curto uma boa explosão). E acho que ele faz exatamente isso. Se eu cair na frente de um diretor realmente cabeçudão, acho que não vou gostar. Então ele me basta. Faz sentido? É cretino? haha..

    Mas uma coisa que o Daniel não citou, e que é o que eu mais gosto nele: o jeito que ele retrata as mulheres. Neuróticas, perturbadas, intensas, sofredoras… Não é o endeusamento do Almodóvar, é uma desconstrução muito linda. Até quando é horrenda, como em Anticristo. Me comove…

    Se outros cineastas fazem melhor? Talvez. Mas eu gosto da visão dele. 😉

  9. Gustavo disse:

    Cara, se vc “fala mal” (por falta de expressão melhor) de alguém, vc não pode ficar ofendido qdo fazem o mesmo com vc (estou falando dos comentários).
    E esse lance de “então pq vc veio ler aqui?” ou “mas vc se dá ao trabalho de ler meu blog” é muito mais raso do que o diretor mais raso que eu consigo imaginar! Vc devia agradecer o pessoal que lê e se dá ao trabalho de te dar um feedback. Eu mesmo nunca faço quando, raramente, leio.

  10. jonathan disse:

    Não sabia que o Von Trier tinha fãs xiitas! Se ferrou, Matias!
    Eu morro de medo desse cara se matar..nego vai botar ele como deus-subestimado.

  1. 07/08/2011

    […] O Top 75 de hoje é da Carol (ela não tem blog, Twitter, nada – perde quem não conhece) que, só de pirraça, botou o Melancholia no holofote – ela gostou, eu não. […]