O dia em que Bruno Morais foi pego de surpresa

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“Foi uma abalroação louca!”, ri Bruno Morais, ao lembrar do dia 6 de julho deste ano, quando descobriu, ao mesmo tempo, que a respeitada revista norte-americana Wax Poetics (bíblia dos colecionadores de disco) havia feito uma matéria sobre seu projeto de compactos que começou a lançar logo após trabalhar seu segundo álbum, A Vontade Superstar, entre 2010 e 2015 e que uma das músicas do disco de 2009, “Há de Ventar”, estava na trilha sonora de uma novela da Globo – e isso tudo quando ele estava entrando na reta final da gravação de seu novo disco.

“Eu tinha essa sensanção de que, mesmo que a contagotas, o Vontade Superstar havia realizado seu potencial quase que completamente, e os compactos também”, me explicou por email. “Estava vivendo minha vida massa, feliz e me preparando para a segunda etapa de gravações do meu proximo disco conforme eu havia planejado: álbum – compactos – álbum… Quando de repente, dia 6 de julho – devia ter jogado na mega-sena! – veio a notícia de que a Wax Poetics havia publicado em sua versão online uma segunda review sobre o meu trabalho e dessa vez sobre os compactos e um big artigo! A Wax Poetics é minha revista favorita, coleciono há anos, sempre fui um colecionador de discos antes de mais nada e o trampo de pesquisa deles sempre me interessou muito, então foi uma honra ter o meu trabalho revisitado e super comentado por eles.”

“Alguns dias antes havia sido avisado de que ‘Há de Ventar’ estava na novela”, continua. “Sou noveleiro , já estava seguindo e continuei, pensei que ia tocar uns segundinhos e PAM: tocou praticamente inteira, num episódio catarse e emendou na abertura! E melhor, a audiência começou a reagir super bem e rapidamente entrou para o top 20 de músicas mais procuradas no Shazam no Brasil. E é uma música quase prog, tem quase sete minutos e foi descoberta pelo produtor musical da novela sem intermédio nenhum. Isso tudo, da música mais experimental do álbum se revelar um hit em potencial e o big artigo na Wax, deram uma vitaminada no processo de gravação, uma respaldada, entrei no estúdio com uma vontade ainda maior de fazer, sem medo de experimentar tudo, e essa energia fez com que as sessões de gravação até aqui tivessem uma sabor muito especial, raro, único.”

Bruno também preparou uma versão editada da música e publicou o clipe que dá pra ver aí embaixo, numa versão “Radio Edit”. Pergunto sobre a sensação de ser descoberto por um público completamente diferente do que ele já tinha e, principalmente, bem mais jovem, usando trechos da música como hashtags no Twitter ou fazendo colagens online com fotos e versos da canção. “É uma delicia né? Uma galera muito sincera, descobrindo a vida. Fiquei pensando em como é bonito ver a sua obra sendo devorada, usada, ver as pessoas se apropriando do seu trabalho. É pra isso que serve a música, né? Pra invadir a vida das pessoas, para elas chamarem de sua como eu mesmo sempre faço com as minhas canções favoritas. Fiquei com vontade de ouvir junto com elas, havia um tempo que não ouvia essa gravação e então nasceu o clipe dirigido pela Daniela Cucchiarelli, onde eu ouço a música com o espectador. Fico maravilhado, essa geração que vem por aí é muito livre, tem um acesso e poder de escolha muito maior, então quando eles gostam é muito de verdade.”

Sobre o disco novo, ele já está na reta final. “Está sensacional, cada passo que a gente dá é um salto, uma surpresa. Comecei a gravar em abril do ano passado mas já estava levantando o repertório desde dezembro de 2013. Muitos artistas incríveis participando, com certeza é o processo de gravação mais fluído que já vivi até agora. As bases já estão todas gravadas. Gravei 21 bases, escolhi 14 e estamos gravando todos os arranjos de cobertura (Sopros, Synths, Backins, cordas) e vai ser assim até novembro, depois edit e mixamos com o Gran master Victor Rice em fevereiro.” Vamos aguardar.

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