Novas Freqüências entrevista Queremos entrevista Novas Freqüências

Dois compadres cariocas chegam a São Paulo depois de emplacar seus respectivos projetos em sua cidade natal. É certo que o Rio de Janeiro melhorou com a existência do Queremos (plataforma de crowdrefunding tocada pelo sócio Bruno Natal – dono do URBe – e outros amigos) e do Novas Freqüências (festival de nova música eletrônica do vizinho Chico Dub) e agora as duas marcas tentam começar a entrar no jogo de xadrez da noite paulistana, sempre em mutação. A iniciativa – começar em São Paulo com um festival de música de vanguarda – é corajosa e as duas grifes ficaram frente a frente para uma entrevista mútua, abaixo. O festival já está rolando no Rio de Janeiro essa semana e acontece em São Paulo no sábado, a partir das 18h, no Beco – com apresentações de Pole, Actress e Hype Williams. Vale conferir:

Novas Frequências pergunta para Queremos

A plataforma do Queremos vai mudar um pouco, não?
Depois de mais de dois anos e quase 50 shows, estamos, aos poucos, abrindo a plataforma que criamos com o Queremos para que artistas e promotores possam utilizar o mesmo sistema que usamos. Ficamos ao longo desses dois anos utilizando sozinhos essa plataforma e percebemos que podemos abrir esse serviço para que artistas e promotores possam se valer dos mesmos benefícios que nós.
Além do Brasil, o Queremos também está expandindo para os EUA com uma nova marca, “We Demand”.

Rio, Porto Alegre, BH, SP, EUA… O Queremos quer dominar o mundo?
Criamos um novo formato, mais seguro e que utiliza as redes sociais para entender a demanda e promover shows, além de ajudar a financiar o valor para se confirmar um show. Acreditamos que esse seja um sistema que transforma uma parte da indústria musical que ainda não havia sido transformada pela Internet e acreditamos muito que esse modelo seja válido para outros mercados também.

E São Paulo? Porque o Novas Frequências foi escolhido como pontapé inicial para a marca entrar na cidade?
São Paulo é uma cidade que recebe muitos shows e espetáculos, mas não tinha um evento de vanguarda musical como o Novas Frequências. O Queremos surgiu exatamente trazendo para o Rio algo que não acontecia por aqui. Além de sermos fãs do NF, foi o cenário perfeito pra dar o ponta pé inicial: realizar em São Paulo algo que não acontecia por lá.

Depois de quase três anos, como vocês analisam o marcado de crowdfunding no Brasil? E como é esse mercado nos Eua, agora que vocês estão tendo essa experiência internacional.
Nós vemos o crowdfunding como uma nova forma de realização de diversos projetos, em diversos setores, que veio para ficar e não como uma moda. Para nós, é um novo sistema de financiamento que não depende de setores de marketing, governo ou qualquer outro órgão para que um projeto saia do papel. É o próprio público que determina se aquilo tem relevância e pessoas desejando para que ele se torne real. São os fãs (ou público) que determinam o que querem ver/ter. Nada mais justo e independente.
Vemos, no Brasil, sites como Catarse e Benfeitoria crescendo e torcemos para que esse seja um segmento que se firme por aqui também. Ainda sofremos com questões básicas de acesso a Internet e um mercado ainda não tanto aquecido dentro do setor, mas acreditamos nele.

Qual o legado do Queremos para o Rio? Movimentou a cena da cidade? E o público, como ele tem se comportado? Vocês acham que o público do Rio está mais curioso e interessado?
Ficamos muito felizes de vermos que o cenário de hoje em dia é completamente diferente de quando fizemos, numa segunda feira a noite, o famoso show do Miike Snow.
Foram quase 50 shows e hoje a cidade está muito diferente. Continuam acontecendo certos problemas e agora temos uma certa abundância de shows internacionais, o que também dificulta, mas continuamos acreditando e sabemos que temos feito muitos fãs felizes.

Queremos pergunta para Novas Frequências

A pergunta básica: como surgiu a idéia de fazer um festival com essa curadoria no Brasil?
De uma maneira geral, a ideia foi maturada ao longo da minha “faculdade de produção cultural”. Entre aspas porque é assim que me refiro aos 4 anos em que trabalhei como produtor e assistente de direção no Multiplicidade, festival de performances audiovisuais que acontece desde 2005 no Rio. Música e arte sempre foram as minhas paixões e depois que larguei a publicidade resolvi trabalhar com produção para aprender a tirar as ideias do papel e realizar meus sonhos.
Especificamente falando, sentia que o Rio precisava de um evento de música contemporânea conectado à vanguarda e as novas tendências musicais. Ficamos um bom tempo longe dos grandes shows, o que felizmente voltou a rolar. Bandas pequenas e de médio porte ligadas ao indie rock/ indietronica passaram a vir também, graças ao Queremos. Mas faltava esse outro nicho da música experimental, seja ela mais para o rock ou para a eletrônica. Daí surgiu o Novas Frequências.

Quais as inspirações para o Novas Frequências de festivais similares no mundo?
A inspiração curatorial vem de festivais que já tem uma longa estrada no campo da música de vanguarda/ eletrônica/ experimental, como o Mutek (Montreal/ Canadá), o Club Transmediale (Berlim/ Alemanha), o Unsound (Cracóvia/ Polônia) e, como não poderia deixar de ser, afinal de contas, depois de tanto admirar esse festival acabei virando funcionário da marca, o Sónar (Barcelona/ Espanha). Outra fonte de inspiração vem de festivais que possuem diversos palcos espalhados por suas cidades-sede, que é algo que eu sonho um dia fazer. Então, além dos festivais que citei anteriormente, tem, por exemplo, o SXSW (Austin/ Eua) e o Nuites Sonores (Lyon/ França).

Como você vê o festival já ganhando, em sua segunda edição, uma versão em São Paulo?
O Novas Frequências tem um custo bastante baixo se comparado com os grandes festivais do calendário brasileiro, o que facilita esse tipo de iniciativa. Ele é facilmente “viajável” pelo Brasil, e essa é uma tendência que deve acontecer nas próximas edições. São Paulo é demais, gosto de falar que não é nem outra cidade, que é outro país… Então nada mais natural que começar essa itinerância do Novas Frequências por São Paulo, cidade que no futuro tem tudo para receber edições anuais do festival.

Qual a importância de ter um festival como o Novas Frequências no cenário musical no Brasil?
Acho que a importância do Novas Frequências é mostrar que existe espaço no país para um tipo de música nova, avançada e inovadora; um tipo de sonoridade que passa ao largo da maioria dos festivais que acontecem no país. Outro ponto que considero importante é o fato dele realmente ser um palco para a apreciação da música pela música; são apresentações intimistas que forçam o público a prestar atenção e a se deixar levar pelo som. E, finalmente, ele é importante para a cena local, pois dá uma chacoalhada em tudo o que está rolando por aqui, ajudando a colocar o Brasil na rota desse tipo de produção musical.

Quais os planos e sonhos do Novas Frequências pro futuro?
São muitos! Dentre eles, ganhar o Rio de Janeiro no sentido de se espalhar por outras áreas da cidade; viajar pelo Brasil em edições especiais; fazer intercâmbio com outros festivais internacionais; iniciar um circuito de discussões sobre música contemporânea enriquecidas com pocket shows de novos artistas brasileiros; desenvolver projetos comissionados junto aos artistas e instituições culturais.

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