Negro Leo e o Desejo de Lacrar

, por Alexandre Matias

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Depois de mais de três anos maturando um disco que começou a surgir em 2013, Negro Leo finalmente dá a luz a seu Desejo de Lacrar, uma tese musical em movimento sobre a necessidade de se afirmar online e como isso se reflete na noção de identidade nos dias de hoje. O disco foi produzido pelo baterista Serginho Machado, que também toca na banda e que ainda conta com Chicão Montorfano nos teclados, Fábio Sá no baixo e o próprio Leo no violão, voz e assovios. O disco chega às plataformas digitais na virada da quinta para a sexta e Leo vai puxar uma sessão coletiva de Zoom para apresentar o disco em primeira mão a partir das 22h da quinta (o link para a audição é esse). Ele também antecipou o faixa a faixa do disco em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“The Big One”
“Lacrar é agir de forma insolente e revoltada. Lacrar é não obstar limite entre si e o direito. É direito q se adquire no ato. Lacrar é encerrar assunto. Vencer, se não de fato, virtualmente de direito. Lacrar, na verdade, é o q nos resta. O lacre, no limite, como resultado do choque entre a comunicação em rede e o reconhecimento da impossibilidade de justiça. Época de parricídio. Inevitável q essa transformação sangre e exiba vitalidade. ‘Nem um terráqueo q trepa fode surdo à vontade de deus’? Será o nascimento de uma nova política?”

“Tudo Foi Feito Pra Gnt Lacrar”
“Foi a primeira música do disco a surgir. Eu tava pensando numa maneira de unir a instrumentalização de 2013 pela direita com o logos lacrador. Já havia ali um investimento na captura do discurso e da representação do lacre q acabou resultando numa mudança de mentalidade mais abrangente, q veio a dar no golpe e na ascensão do ultraliberalismo-escravocrata, q basicamente se comunica através do logos lacrador.

“Absolutíssimo Lacrador”
“É uma chave cósmica: cristo como unicórnio colorido, quimera: ‘não penses q vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua propria casa’ (Mt, 10, 34). O titulo da canção poderia ser #aceitaqdóimenos #aturaousurta, duas hashtags q dizem: a guerra é inevitável. Essa polarização, da capa ao título, organiza a economia verbal do lance.”

“Desejo de Lacrar”
“Voz sufocada pra enfatizar a atmosfera política, falsetes sedutores pra suportar o grave medonho desses tempos. A engasgada no verso ‘fluindo em volumes estacionários’ não foi proposital. A melodia em ‘#somostodos’ tem o sentimento certo de desolação e cerimônia pra carregar a confusão mental da hashtag.”

“Eu Lacrei”
“Quando a canção se transforma no açúcar das pequenas tragédias sentimentais do cotidiano, uma historia inspirada no noticiário policial de todos os tempos, com a nobreza envolvida, canavial das desumanidades humanas, várias camadas de sensibilidade sedimentadas.”

“Makes e Fakes”
“Tazio Zambi é o maior poeta da minha geração. Amigo de quase uma década. O cara q abriu caminho pra Gilgamesh e Jacinto Silva. Um mês depois de enviar o poema, num particular comigo, mudou ‘mimimi’, uma decisão q aproximou o poema da abordagem geral de lacre no disco.”

“Dança Erradassa”
“Eu tava fazendo uma canção. Quarto de hotel, Xangai, Peter Ivers, ‘terminal love’, Starbucks, Dirty Fingers, All Club, Brasil. Eu improvisei a imagem candente das ‘planícies do fim’, numa alusão à terra plana, saltando da melodia num vórtice. Tava pronta.

“Desvio pro Vermelho”, “Esplanada”, “Outra Cidade”
“Nova infância do mundo.”

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