Mequetrefe

Tudo pronto pro Skolba? Se eu fosse você, saía de casa tipo umas cinco da madruga pra pegar o sol nascendo e a apresentação de uma das melhores coisas que acontecem na música hoje, a dupla MSTRKRFT (“mequetrefe”, para os iniciados). Eu vou cobrir, então não tenho desses luxos. Mas garanto que é um programão – mesmo porque na hora em que você chegar, os cambistas devem estar rasgando os ingressos que sobraram de raiva e você acha baratinho, baratinho… Abaixo, um textinho que eu escrevi no ano passado pra Void, que o Cardoso edita lá no Rio Grande, sobre os caras e tinha esquecido de por aqui. Faça esse favor a você mesmo.

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A dupla canadense das consoantes (“Materkraft” pra quem ainda tá colocando as vogais na cabeça) é uma das melhores coisas do ano – senão “a” melhor – e isso num ano com ótimas notícias. Vai aí uma listinha com cinco MP3s que os sujeitos botaram a mão no meio – e deixaram com a cara de 2006.

“Woman (MSTRKRFT Remix)” – Wolfmother

Pegaram a equação Led Zeppelin + Ozzy do grupo australiano, limparam a gordura, meteram umas palminhas, deixaram o baixo segurando tudo e a guitarra, em loop, virou quase discoteca de branco. O vocal deixa como no original (fora uma digitalizadazinha Cher de leve, no refrão), afinal, é pro povo rock reconhecer quando tiver dançando.

“Monster Hospital (MSTRKRFT Remix)” – Metric

Mantrinha no vocal do começo dá cara de black music, mas quando o resto do instrumental entra estamos no mesmo território do New Order – aquele electro limpo e asséptico, de um azedume branco que permite-se à vã melancolia. E o vocal original deixa de ser soul para ser só indie dance. É como se Aretha Franklin se metamorfoseasse em Shirley Manson (ela mesma, um mashup de personalidades) na frente dos seus ouvidos.

“Got Love to Kill (MSTRKRFT Remix)” – Juliette Lewis & the Licks

Lembra de como era Juliette Lewis quando você se apaixonou por ela (vocês também, meninas, nem venham com essa agora)? Sim, ali entre “Cabo do Medo” e “Assassinos por Natureza” ela ainda era uma Jodie Foster versão fêmea, aquele ninfetismo desenfreado misturado com a pura psicose rock’n’roll. Já perdemos as vezes em que ela revisitou essa persona (Strange Days, com essa banda nova), mas o fato de ela não orbitar ao redor dos vinte anos estilhaça um pouco a candura original. Mas nesse remix… Ela parece que acabou de completar 18. Como dizem os Trouques – “Barely Legal”. (O vídeo é da versão pura, antes do remix)

“Rock Steady (MSTRKRFT Remix)” – All Saints

Sim, All Saints, aquelas Spice Girls para as meninas que acham que ler TPM ou Marie Claire é um saco e que a Capricho, mesmo menina, ainda fala mais a língua delas. Aí os caras pegam o beat, três frases descoladas de uma música pop apenas normal e o negócio vira ISSO. Marteladas sintéticas de um rolo compressor de magnética pura atordoando as têmporas até o beat anos 80 encaixar com o loop de “look in my eyes-eyes-eyes…” e você ficar pensando nesses olhos que dá pra ficar olhando até o infinito… (Outro vídeo com a música original, o remix tá no linque).

“Sexy Results (MSTRKRFT Edition)” – Death from Above 1979

Hino Gente Bonita, essa é uma música que resume o gênero musical dos mequetrefes – meio techno, meio big beat, meio house, meio electro, mas com uma pegada pop imprescindível por cima de tudo. E o refrão resume o espírito da dupla. Com eles, não tem erro.

“Community Revolution in Progress” – MSTRKRFT
Pesadelo. Uma muralha de som desaba em câmera lenta e, de alguma forma, com ritmo. O vocoder é o feitor nesta senzala de ritmo que se transforma a pista, todos escravos ao groove militarista e incansável dos quase seis minutos que a banda não colocou em seu disco de estréia – The Looks – e só em seu MySpace (não mais, eles tiraram, e essa foi a única que eu não encontrei o vídeo, mas de brinde vai essa aí embaixo).


“Street Justice” – MSTRKRFT
‘Another killing on the dance floor!”


“Easy Love” – MSTRKRFT
“Whenever you want me,
Whenever you need me,
If you wanna love me,
Baby I’m easy”

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E aí, vai ou não vai?

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