Mas que porra de Rebecca Black é essa?

Porque a banalização do sucesso é uma boa

“Friday” não é a pior música pop de todos os tempos, mas tem atributos fortes o suficiente para alçar esse (de)mérito. Sua letra é ridícula, seu refrão é desanimado e repetitivo e o “fun” repetido eternamente pela voz quase robótica e anasalada de Rebecca Black talvez seja o “fun” mais sem graça da história da música – nem o “no fun” de Iggy Pop na música de mesmo nome consegue tal apatia.

Sua letra infantil (e não infantilóide – ela TEM treze anos, Mallu Magalhães é tipo uma TIA pra ela), fala em acordar, ir pra escola e, ao encontrar os amigos no carro na sexta-feira, ser apresentada à crucial questão existencial: ir no banco da frente ou de trás? No caminho, ela sai com as amigas para a naite, no banco de trás do carro e dança a coreografia mais fuleira da história do videoclipe moderno, acompahada de uma sidekick tão deslocada que transforma Rebecca Black em uma espécie de estrela. O olhar perdido e sorriso morto da loirinha à esquerda talvez seja, junto com o “fun, fun, fun, fun, fun…” os grandes momentos do videoclipe, uma aula de clichês levados a sério que cogita-nos a possibilidade de Justin Bieber ter sido inventado pela Mad ou pelo Saturday Night Live.

Ao mesmo tempo, Black tem uma espinha enorme do lado da boca, um olhar de psicopata alimentada pela TV, um sorriso idiota que mistura vergonha e orgulho em medidas improváveis – nada demais, só uma adolescente de treze anos brincando de videoclipe. Aquilo poderia estar acontecendo através de uma câmera de celular ou via webcam, ser uma mera extensão da velha brincadeira de menina de vestir roupas de adultos e tirar fotos.

Eis o motivo de seu sucesso, verdadeiramente. Rebecca Black é igual a todas as fãs de Justin Bieber (ela mesma perde o fôlego ao cogitar sequer encontrar-se com o Mickey humano – Fred Astaire who?) e é por isso que ela é tão amada/odiada. E, por isso mesmo, vista. E esses defeitos também fazem parte do sucesso da cantora, que roda milhões de views no YouTube POR DIA – um feito que nem Lady Gaga em “Telephone” conseguiu.

É uma menina como qualquer um dos que estão assistindo – ela não é loira e maravilhosa, magra de voz afinada, não tem berço nem padrinho. Foi trabalhada por uma agência de música que faz com filhos de pais esperançosos a mesma coisa que outras tantas fazem para empresas: em vez de viralizar produtos e campanhas promocionais, a Ark Music viabiliza o melhor caminho para transformar crianças cujo talento mora em algum lugar da cabeça (ou do coração) de seus pais. E Black era um “queise” que agência nenhuma no mundo pode exibir.

Talvez tenha a ver com o mesmo clamor por “winning” que transformou Charlie Sheen em uma besta enraivecida do pós-apocalipse – ou, como disse Bret Easton Ellis, uma celebridade pós-império, uma pós-celebridade. Uma estrela que em vez de esconder seus defeitos, os escancara como suas quase mínimas qualidades. Ela também comemora a acabação e descerebração (paixão e foco), mas do alto de seus treze anos isso não pode dizer muito mais do que dois dias sem escola, mesmo que sua diversão seja a repetição vazia de um monossílabo fanho.


Assista aqui à entrevista de Rebecca Black ao programa Good Morning America

Entrevistada pela mesma Andrea Canning que entrevistou Charlie Sheen em sua aparição mais memorável, Rebecca disse estar se sentindo vítima de “cyberbullying” em larga escala, pois imagine a quantidade de reclamações que você fez ao vídeo elevadas à casa dos milhões diários chovendo na cabeça de uma menina de 13 anos. Mas ao contrário de atores-mirins que normalmente respondem que esse tipo de sucesso é “fruto de um trabalho árduo”, “de uma família que lhe apoiou” e outros clichês do nível daqueles repetidos no Arquivo Confidencial do Faustão (sábias palavras de Ari Gold em Entourage, quando diz que atores-mirins têm trinta anos a mais do que a idade que alegam ter), ela sabe que está ali porque seu pai pagou, que não canta bem e que está vivendo uma espécie de sonho – como se tornar rockstar fosse resultado de uma promoção publicitária, mais do que de uma meta de vida.

Eis o significado de Rebecca Black. Se tornar o próximo grande astro está completamente – e para sempre – desvinculado de qualidades antes imprescindíveis, como talento, beleza, técnica ou carisma. Rebecca, como tantos participantes do Big Brother, memes de internet e blogueiros que viraram apresentadores de TV, não tem nada disso e é um sucesso. Ou seja: ela representa a banalização final do estrelato, o que pra muitos pode ser visto como uma lástima, mas que deve ser comemorado. Afinal, o da forma como é vendido hoje, o sucesso é uma miragem distorcida feita para drenar talento de verdade na base da superexposição. Se a máquina do showbusiness aceita talento e não-talento da mesma forma, talvez seja hora das pessoas comuns – sem talento – desfrutar de seus segundos de euforia para, em pouco tempo, o conceito de celebridade cair por terra de uma vez por todas.

É claro que antes temos que nos acostumar com outras ações e reações, como a triste história do “Zangief da vida real” que fez sucesso na semana passada:

Charlie Sheen, Rebecca Black e esse gordinho são só o início de um troco… Depois eu falo mais sobre isso.

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Sem Resultados

  1. Bruna Vieira disse:

    Ai, não sei porque tanto ódio dessa garota. O clipe é chuim, a voz dela é chuim e a música não tem nada demais.

    Ela fez sucesso porque o jusitn biba falou dela. Ela está sendo odiada porque o juntin biba falou merda.

    Não suporto mais esse menino. Ele acha que é o dono do mundo.

    A música dele não é tão diferente da dela.

    Só que ele é ridículo e se acha.

    snif

  2. silvio césar disse:

    Sinais de 2012 chegando. Ainda bem que eu estou ficando velho, bom senhor!

  3. Fabrizio disse:

    Pô, tem de citar a stefany do cross fox…
    ela foi a pioneira desse fenomeno.

  4. silvio césar disse:

    E ainda tem essa versão do Bob Dilan (há) dessa música http://www.youtube.com/watch?v=9FISHEO3gsM

  5. doggma disse:

    As coisas eram mais simples na época do Jordy.

  6. Cleiton disse:

    “Basically the content doesn’t matter at all. Only the fact that other people are sharing it.”

    “As society advances technologically, culture becomes a parody of itself, and we enjoy the parody, intentional or not, more than anything sincere.”

    http://techcrunch.com/2011/03/20/fun-fun-fun-fun-fun/

  7. YCK disse:

    A de rosa me lembra muito Michael Cera. E não uma versão feminina dele, o original mesmo.

  8. Julio Kirk disse:

    Bom texto. Elogio sua paciência ao falar dessa menina. Eu me irrito logo diante da sintetização e futilização do mundo.

  9. martins disse:

    A grande parada é que não se precisa mais de revistas,canal de tv ou gravadora.NÃO SE PRECISA. A internet manda. A INTERNET MANDA. é uma revolução sem querer.As pessoas não tem noção disso. Pra min Alexandre Matias é tão relevante quando a Mtv.

  10. Bruna disse:

    Nossa, é mto ruim G_G
    Se ela conseguiu fazer sucesso eu faço tbm pow

  11. Eva disse:

    Não acredito que vc comparou No Fun com o fun fun fun fun da Rebecca Black em qlqr instância, Alexandre Matias

  12. Kamille disse:

    Então fala, pô. Fiquei curiosa.

  13. Que pressa, Kamille!

  14. Já li duas vezes o texto e provavelmente vou ler mais umas três. Sim, sim; eu entendi tudo. É que fico de queixo caído mesmo com a construção, de como fica tudo amarradinho e sustentado por argumentos e ainda soa irônico e engraçado. Foda.

  15. Luisa disse:

    nao entendo as pessoas que odeiam a rebecca black , geralmente é esse tipo de lixo que elas costumam valorizar e olha que nao tem diferença nenhuma…

  16. ana carolina. disse:

    essas meninas que criticam a rebecca sao um bando de invejosasa rebecca tem tudo para ser famosa:ela tem talento,tem uma voz linda,ela e bonita.meninas morram de inveja.bjs rebecca sou sua fã.

  17. Anabela disse:

    Mas que porra é essa?
    Menina ridícula,desengonçada e canta mal p. caramba. Quando ouvi ela cantado achei que tinham enfiado um pau no rabo de um gato,sério mesmo! rs…
    Agora ela tá puxando saco(quanse implorando)do Justin Bieber p. ver se ele faz uma música com ela…
    Mas vamos reconhecer que o Justin é mto talentoso,não pode nem comparar ele dois néh!
    :/

  18. Karen disse:

    Ahh! Sei lá! Não é a pior música, mas essa garota tem uma voz anasalada e esquisita. Querendo ou não, a música é ridícula

  19. K.K disse:

    ELA É PODRE PRA CARALHO E REALMENTE NÃO TEM COMO COMPARAR ELA COM O JUSTIN,FALA A VERDADE O MULEKE SABE CANTAR NÉ!

  20. Nivea disse:

    O mundo todo faz isso. Inclusive brasileiros. O cara não ficou famoso por que fez aquela musica escrota “sou foda”? A nova era da informatização está proporcionando isso. E assim como ela muitos farão sucesso assim tb.

  21. anonima disse:

    Que voz de pato

  22. Marcela disse:

    taadinha achaa que canta um montee, mas na verdade não canta nada
    minhaa queerida see voce quer ser famosa vai ser atriz, estilista slá qualquer coiisa
    mas cantora kkkkkk, até eu cantó melhor que você qualquer um msm, desculpa MAIS VAI ARRUMAR OUTRA COISA PRA FASER e não encomoda os ouvidos dos outros ok 😉