Mark Zuckerberg não é Steve Jobs

Escrevi sobre a apresentação que o criador do Facebook fez em São Francisco, na edição de hoje do caderno de Economia do Estadão.

Mudanças podem determinar o futuro do Facebook

Zuckerberg bem que tentou, mas está longe – bem longe – de ser o novo Steve Jobs. Tentou criar expectativa, atrasou sua própria entrada, imitou trejeitos, tentou piadas – tudo em vão. Disposto a transformar “o maior anúncio da história do Facebook” (como o site proclamava desde o início da semana) em um evento pop, ele queria aproveitar o fato de que Steve Jobs saiu de seu trono e se lançar como o popstar do mundo digital em 2011. Munição para isso não faltava: além de ter se tornado uma personalidade conhecida graças ao filme A Rede Social, do ano passado, ele também é o bilionário mais jovem do mundo e criou um site que já chegou a 800 milhões de cadastrados em todo o planeta. Não é pouca coisa.

Mas o F8, evento que aconteceu na tarde de ontem, em San Francisco (mesmo palco das apresentações de Jobs), não foi o suficiente para transformar Mark em novo ícone. A apresentação começou com um clone de Zuckerberg subindo ao palco e brincando com o público – era Andy Samberg, humorista do programa de TV Saturday Night Live que encarna o criador do Facebook em alguns quadros. Enfileirou piadas sem graça e, quando Mark subiu ao palco, o clima não melhorou.

Mesmo com um pingo de eloquência – claramente treinada -, o criador da maior rede social do mundo é um dos personagens menos sociáveis no cenário digital. Seus anúncios não tinham convicção e ele ria das próprias piadas, o que deixava o público – tanto quem estava no San Francisco Design Center quanto quem assistia à transmissão online – sem motivação para acompanhá-lo.

Além disso, os anúncios apenas confirmavam as especulações do início da semana. Houve sim uma mudança de interface que resvala na megalomania, disposta a transformar o Facebook em uma versão visual da biografia de seus usuários. Mas o principal anúncio foi a série de parceiros que entram no site com a clara intenção de deixar seu negócio mais social e sociável. E, assim, sites de conteúdo multimídia – como o Hulu, Spotify, Netflix e Soundcloud – e canais de conteúdo – como o Washington Post, o Guardian, o Wall Street Journal e o Mashable -, entram como parceiros e, portanto, prontos para serem utilizados dentro do site.

Há um trunfo considerável nesse anúncio, que é a possibilidade de o público do Facebook começar a consumir música e vídeo sem precisar alternar abas no navegador no YouTube ou em programas como Grooveshark. Mas a mudança da interface é um risco considerável. Há quem abandone o uso de um site por não ter gostado de sua nova versão – e ela é impositiva, não há como escolher ficar na versão anterior. É uma hipótese remota, mas só o tempo dirá.

O fato é que a história do Facebook pode ser reescrita a partir do anúncio de ontem. Não custa lembrar que, nesta semana, o Google liberou a API de sua rede social, o Google +. E foi isso que, por exemplo, fez o Twitter explodir. Vamos esperar os próximos capítulos.

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Sem Resultados

  1. arlen disse:

    Facebook está almejando se tornar o myspace eu acho, tá cada vez mais esculhambada a interface e cheio de possibilidades que na verdade você nem precisa ou quer utilizar.