Marcelo Jeneci 2013: “A vida é bélica”

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O segundo disco do Marcelo Jeneci, De Graça, disponível para ser ouvido em streaming em seu site oficial, é uma grata surpresa. Não é exagero dizer que Jeneci surgiu de uma brecha deixada aberta pelos Los Hermanos – ao recusar-se se posicionar entre o meio-termo perfeito entre o indie rock brasileiro e o gênero MPB, o grupo carioca preferiu debandar-se em carreiras solo que pareciam preocupadas em negar a natureza pop de seu trabalho original. Sem essa culpa, uma segunda geração do pop brasileiro do século 21 veio de mansinho e encontrou um público prontinho para abraçar esse novo pop brasileiro. Silva, Cícero e Jeneci, entre outros, viram essa brecha dando sopa e se jogaram. Mas no novo disco, Jeneci vai muito além e evolui consideravelmente. Há uma influência, talvez inconsciente, daquele pop brasileiro do fim dos anos 70 que precedeu a primeira onda do rock brasileiro da década seguinte. Me refiro a artistas como o espólio dos Novos Baianos (Baby & Pepeu, Moraes Moreira, A Cor do Som), de autores como Fagner, Belchior e Guilherme Arantes – que viram um novo começo de era bem antes dos “Tempos Modernos” de Lulu Santos e Nelson Motta. A sensação de perceber a aurora de um novo tempo atravessa todo o segundo disco de Jeneci, completamente liberto das referências de MPB genérico que o aproximavam dos Los Hermanos. Sob a produção do Kassin com auxílio do Adriano Cintra, De Graça soa às vezes indie tímido, às vezes pop deslavado e quase sempre ousado e sóbrio, com um pé no Brasil e outro num novo pop mundial ainda em formação. Otimista e cheio de auto-estima, Marcelo Jeneci era o que devia estar tocando no rádio brasileiro. Destaco a épica “Pra Gente Se Desprender”, com suas cordas marítimas, coda instrumental gigantesca e conduzida pelo vocal claro e contemplativo da Laura Lavieri, um momento único na música brasileira deste século:

Dá pra ouvir o disco inteiro aí embaixo – e o La Cumbuca descolou o download.

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9 Resultados

  1. Arthur disse:

    Realmente o álbum é bem acima da média! Já encantou na primeira ouvida.

    Só acho que “Pra gente se desprender” não é uma boa amostra da atmosfera do disco, já que é uma das mais densas do mesmo. Mas mesmo assim não deixa de ser uma excelente canção (especialmente se ouvida em sequência com a música anterior).

  2. Leo E. Netto disse:

    Não ouvi ainda, mas ouvirei…

    E na foto, é tipo um Devendra Banhart wannabe?

  3. PH Peixoto disse:

    Curti tb, mas acho o disco um pouco confuso, oscilando entre o que ele era e o que deseja ser. Mas, conforme vou ouvindo mais, vou gostando mais. Ironicamente, tb acho “PRa gente se desprender” a melhor do disco. Curto tb “Tudo bem, tanto faz”.

  4. Mara Raquel disse:

    “De Graça” Veio pra salvar o ano de 2013, em termos musicais.
    Em meio a tanta mediocridade popular brasileira que ouvimos (mesmo não querendo) esse ano, surge Marcelo Jeneci com essa pérola pra nossos ouvidos! Amo e Amo!

  5. Renilton disse:

    Esse é o CD que esperei, o som que me fez relembrar , Led Zapelin , um álbum digno e com toda certeza trabalhos , que faz agente se sentir melhor, estou ouvindo várias vezes , estou descobrindo cada dia uma nova leitura das viagens de Marcelo, ele é o imperador de nossa música atual.

  6. Carlos disse:

    Sempre tive muito preconceito com ele, me passava (e ainda passa um pouco) uma sensação de coisa forçadamente “do bem”, oq já faz relacionar com Teatro Mágico, Banda mais bonita, um horror, difícil descer.. Agora eu tô vendo q ele tem méritos, não o acho genial, mas dou muito crédito pra quem se entrega ao “lavor” da canção, em quem se preocupa em compor melodias, músicas redondas, com começo meio e fim, sem querer inventar a roda nem aderir a “brasilidades”, cheias de ritmos e pobres musicalmente. Vamos acompanhar..

  7. bea disse:

    Com essa foto de mason, illuminati nao tenho nenhuma vontade de escutar essas merdas, o olho de horus mostrado por todos os idiotas que se vendem por dinheiro !!!