Mallu Magalhães já é

Peraí, Pedro:

É fácil perceber que Mallu não tem autoridade sobre o público. Não tem, nem poderia ter. Alguém disse a essa doce menina que ela estava pronta – o pai, alguns publicitários “geniais”, um bando de jornalistas escrevendo escrevendo escrevendo sobre ela. São (somos) todos cúmplices de uma crueldade.

“Eu saí de uma escola de que eu gostava, e meus amigos dessa escola vieram hoje”, a pequena comemora, morrendo de vontade de estar feliz. Os coleguinhas a aplaudem, solidários. Eles provavelmente só estudam, enquanto a amiga mais “famosa” deixa as bonecas de lado para pegar no pesado.

Espalhou-se isto por aí, mas, não, ela não é uma garota-prodígio. É uma menina de 17 anos forçada a trabalhar duro como a mulher feita e dona de si que ainda não é. Não deve ser por outra razão que pensa gostar tanto de folk – aí está um gênero musical gringo que fala desesperadamente de prisão, escravidão, assuns pretos, blackbirds, exploração e desejos de libertação. Não é por outra razão que “Don’t Think Twice, It’s All Right”, de Bob Dylan, veste tão sob medida nessa menina.

…quer dizer que Mallu Magalhães é exploração de trabalho infantil? Não custa lembrar que o próprio Dylan já fazia shows antes dos 20. Se Mallu tem de se apresentar no Ibirapuera e não no palquinho da escola ou do bairro, não é só questão de culpa ou cumplicidade, mas reflexo da época em que vivemos – Mallu não é a primeira (lembra do Michael…), não vai ser a última.

Mallu não foi forçada a cantar, ela não compõe por pilha alheia, não é obrigada a continuar artista – ela faz porque gosta. Pode ser que depois jogue tudo para o alto e vire dona de casa, o ponto não é esse. Tem mais a ver com o papel do artista no século 21, que está deixando de virar essa deformidade genialesca inventada pela indústria cultural (gente que precisa de “tempo para criar”, “silêncio para pensar”, limusine-cinco-estrelas, ó quão especiais) para se tornar característica do dia-a-dia de cada um. Se ela é um gênio, um prodígio ou só mais uma menininha sem graça, isso não interessa (ao menos, não a nós). O que importa é que ela é parte de uma mudança de lógica que já está em curso há pelo menos dez anos e não é registrada pelo jornalismo cultural, afinal, ainda precisamos de ídolos e de descobrir os novos Beatles e os novos Caetanos.

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  1. Thiago Perin disse:

    pois é. “deixa as bonecas de lado”? a menina tem 17 anos, não 5. quanta gente já não vivia de música com essa idade? e olha que eu, particularmente, acho ela um saco.

  2. Eh, nem tou pedindo pra gostar da menina…

  3. Daniel disse:

    Olá,

    Não entendi exatamente essa nova lógica cultural de que você fala, Alexandre. Acho que você confunde um pouco dois campos diferentes – um que é propriamente artístico, outro que relaciona-se mais a certas fascinações da cultura pop. Precisamos de novos Caetanos não pelo fato de que precisamos de novos ídolos, mas porque precisamos de sujeitos com plena posse de seus talentos expressivos e com auto-consciência crítica a respeito do que a música popular pode alcançar enquanto forma de arte. Tivemos isso, no Brasil, não há muito tempo, com um Chico Science. Agora, para cada Chico Science, como para cada Caetano, surgem, no entrecampo, dezenas e dezenas de Camelos e Mallus. E é bom que surja, porque é dessa fermentação medíocre (no caso da Mallu) e mediana (no caso do Camelo) que se cria o ambiente em que aparece um sujeito que possui um talento natural e uma consciência crítica e uma ambição maior. Se você observa a história dos grandes inovadores da música pop, você observa que eles aparecem em momentos em que as formas estão saturadas, desgastadas, e há todo um material de experiências que não estão encontrando escape através dessas formas mortas. Daí aparece um sujeito que, por algum motivo (não necessariamente genialidade mística) é mais sensível a esse desgaste e também mais inconformado com esse desgaste. É esse sujeito que, diante disso, vai procurar nas conexões mais longínquas entre seu cérebro e sua circunstância, um novo modo de expressão, que não será, naturalmente, completamente novo, em termos formais, mas que possibilita a expressão daquelas experiências que estavam sendo apagadas por aquelas velhas formas. Um sujeito que nos ensina a dizer o que não estávamos mais conseguindo dizer. Arte é sobre aprender a falar.

    No caso da Mallu, por exemplo, eu adoraria vê-la com 17 anos compondo músicas que realmente fizessem sentido para ela. Isso, sim, seria admirável, e talvez ela ainda venha a fazer isso, justamente quando se cansar dessas formas desgastadas. A verdade é que ela escreve músicas convencionalmente, porque, quando ela se põe a escrever uma canção, ela se coloca convencionalmente diante da tarefa, isto é, se põe convencionalmente diante dos próprios sentimentos. Em outras palavras, ela, como 90% dos artistas de música pop no Brasil e no mundo hoje, está desconectada dos próprios sentimentos. Não digo que ela não tenha sentimentos verdadeiros – ela os tem, e muito, por isso tenta escrever canções. Mas ainda não encontrou um modo de, ao compôr, manter-se fiel a si mesma, em vez de simplesmente compor com uma idéia inconsciente que provavelmente soa como ”quero fazer uma canção legal, com uma melodia legal, e o público vai ficar espantado”. Desse jeito, obviamente, a música não presta. Mas isso não é questão de idade. Pode-se citar aos montes bandas brasileiras hoje que tem a mesma postura e a mesma falta de auto-consciência crítica a respeito do próprio trabalho – Holger, Copacabana Club, Black Drawing Chalks, Orquestra Imperial, Movéis Coloniais, etc, etc, etc, sem falar nas bandas gringas. Aqui sim entramos dentro da esfera das fascinações da cultura pop. A maioria dessas bandas e artistas querem apenas um pedaço da fatia desse bolo da diversão que é ”ser artista e ter uma banda”. Uncle Tom, lá no começo dos anos 90, às voltas com as suas próprias formas desgastadas, já dizia: anyone can play guitar.

    Um último adendo: quando falo em lutar contra formas desgastadas, isso não implica em encontrar uma nova forma. Uma pessoa pode escrever uma música com dó maior e sol maior e ainda assim soar fantástico. Faz parte da magia da canção popular e tem a ver com carregar a música de alguma espécie indizível de verdade, profundamente fincada dentro de sua circunstância histórica e emocional, o que, por sua vez, tem a ver com destruir as próprias ilusões a respeito de si mesmo e de como você é legal e especial e merece todo sucesso do mundo. Porque, paradoxalmente, gênios são aqueles que sabem o quão lixo e quão pó eles são.

    Desculpe escrever tanto assim, mas é que às vezes pela manhã me dá gosto esse tipo de conversa.

    Abraço!

  4. Kamila disse:

    Este texto foi um equívoco do início ao fim. Ao lê-lo, tive a impressão de que o jornalista foi ao show já com má vontade, pronto para enxergar somente os defeitos da Mallu. Desse jeito, fica difícil sair um texto justo e esse aí é um amontoado de bobagens… Era melhor o Pedro Alexandre Sanches ter ficado calado!

  5. Fernando Coelho disse:

    Acho que o ponto mesmo é que a música, olhem bem, a música de Mallu Magalhães é fraquinha. Só isso. Mallu Magalhães faz puro clichê e o pior é que não dá para entender o que ela canta. Juro. Nem é má vontade.

    Certamente o Pedro devia conhecer a música dela, portanto, tenho minhas dúvidas se ele foi para “enxergar somente os defeitos”. Também não concordo que “era melhor ele ter ficar calado”. Oh Kamilinha, deixa o cara escrever o que ele quiser sobre a menina.

  6. Alex Correa disse:

    Não entendo de onde as pessoas tiram fundamentos pra falar que a menina não compõe com os próprios sentimentos e etc. Galera julga como se fosse amiga de infância da garota.
    (PS: Tenho 17 anos e já não brinco de carrinho faz tempo)

  7. Tu ta zoando q tu tem 17 anos!

  8. Fernando Coelho disse:

    Meu sobrinho tem 10 e também não. Eheeh

  9. Alex Correa disse:

    hahahahaha 17, 18 em julho 🙂

  10. Fiquei de cara.

  11. Raul Costa disse:

    O texto me pareceu meio exagerado, quase sensacionalista. (bonecas!?!?!?!)

    Mas é um tema interessante. Ela tava nervosa pq era o primeiro show (muito provável) ou por que não gosta disso que está fazendo (um negócio problemático…) Até não acredito que seja o segundo, mas acho que TODOMUNDO tem que levar a Malu menos a sério. Acho que ela não se leva.

    É o melhor pra ela e pra gente.

    (e eu sou psicólogo e músico, se isso funciona como argumento)

  12. Gabriela disse:

    Gostei do texto, só não gosto dela

  13. Daniel disse:

    Alex, não tem nada a ver com ser amigo da menina ou não. Escrever convencionalmente é escrever não com a realidade da própria cabeça, mas com os simulacros que estão disponíveis, que já são conhecidos e canônicos e considerados bacanas e legais e que, em última instância, são terrivelmente superficiais. De todo jeito, eu nem estava criticando Mallu especialmente. Eu até simpatizo com ela, já que ela é tão nova. Se tão nova, ela já domina razoavelmente essas linguagens convencionais, talvez mais tarde ela sinta uma necessidade verdadeira de se livrar delas e fazer algo real. É esperar para ver. Esse problema é mais geral.

    Mas, no fim das contas, cada um ama e escuta a música que lhe serve. Shine yellow.

    Alexandre, eu esperava um feedback seu sobre o que comentei. Você trabalha muito com música e cultura pop, seria legal saber o que você pensa.

    Abraço!

  14. Oi Daniel, vou responder sim.
    Eh q tu viu o tamanho da tua consideracao, neh… Uma discussao dessas nao pode ficar restrita aos comentarios, q valha um post.

    Mas, de cara, “novo Caetano” NON ECZISTE. Ficamos esperando os novos Beatles e de repente os novos Beatles nao eram uma banda, mas um movimento musical (o hip hop) ou um desenho animado (os Simpsons) que, olhando direito, podem ter um impacto ainda maior que a banda de Liverpool.

    Enfim, tem mto papo pra ficar restrito a um link dentro de um site, vamo ampliar.

    Abraco

  15. bernardo disse:

    Acho muito louca essa postura de ódio que a Mallu gera, acho que pouca gente para e escuta, pega as músicas e deixa rolar no ouvido. E acho mais, tem artista que gera paixão e ódio, mas a Mallu não gera paixão. É mais pra curiosidade, pra entender um símbolo. Pra mim isso é o espantoso e até o angustiante nessa ‘novelinha mallu’.
    Concordo que não dá pra achar culpa na história: o Pedro chega a falar no pai dela, como se ela fosse um pequeno Michael Jackson à frente da banda dos irmãos. Não é por aí, tá na chuva não sai seca, e sair da adolescência é enfrentar a crueldade do mundo também. É dor de crescimento.
    Mas que a gente (mídia e achadores de um monte de coisa) gosta de estigmatizar, gosta. E que ser estigmatizada novinha por gente que nem sabe bem o que tá falando deve ser um saco, e até certo ponto injusto, isso eu acho também. O mundo é injusto? É. Mas deixa a gente reclamar, ora.

    Abração,

  16. Lucas Fraga disse:

    Bom, não é do meu gosto, mais não desgosto nem tão pouco recrimino-a, e o final deste texto diz muito. Enfim:

    ‘O que importa é que ela é parte de uma mudança de lógica que já está em curso há pelo menos dez anos e não é registrada pelo jornalismo cultural, afinal, ainda precisamos de ídolos e de descobrir os novos Beatles e os novos Caetanos.’

  17. Ana disse:

    Alex Correa, o garoto prodígio de Teresópolis.
    (É Teresópolis, né? Sempre confundo com Volta Redonda.. ou Nova Iguaçu, sei lá)
    Sobre a Mallu, eu nao gosto da garota mas pra mim tá bem claro que ela faz tudo isso porque quer. E não é ela quem reclamava da escola que a oprimia, do mundo que a oprimia…? Ela se jogou nessa coisa nova dela aí por livre e espontânea vontade. Claro que ela tem que lidar com umas coisas meio tensas, tipo ter todo mundo vendo o que você faz e tecendo comentários a respeito. Deve ser um saco isso em larga escala quando você tem 15 anos. Mas quando a gente tem 15 anos é tudo mais difícil, né?

    Acho que foi exagero do PAS. Tá tudo bem com a Mallu, parece.

  18. Bagulho Bom disse:

    GENTE! Pára tudo! A Mallu é só uma menina crescida. Escreve e canta como uma menina talentosa. Como tantas que existem por aí. Ela se leva a sério (e ela é séria do alto dos 17 anos). O que enche o saco é a imprensa caçando assunto onde não tem. É o que o Alexandre disse, mas precisa legendar pelo visto. O jornalista vê a menina cantando bonitinho no myspace e precisa estampar a manchete “DESCOBERTA A NOVA AIMEE MANN”. Assim a matéria ganha hype, a menina ganha hype, o público ganha mais uma mentira pra adorar! Todo mundo ganha! Só quem tem lucidez perde. Porque aí vira um saco ouvir nego entrevistando a menina como se eu tivesse que aplaudir o novo gênio, messias adolescente da música! PUTA QUE PARIU!

  19. Eu gosto da menina! Mas juro que não entendo bulhufas do que ela canta! Então é assim, ela é uma figura simpática! Mas não consigo sentir…não consigo ouvir.

  20. Klaus disse:

    Independente da polêmica. Eu acho uma porcaria… e não adianta os defensores falarem um monte de baboseira, o som dela simplesmente não agrada, aos meus ouvidos.

  21. Sou fã dos textos do Pedro Alexandre Sanches e fã dos textos do Trabalho Sujo. Legal ver uma polêmica entre os dois :¬P

    Nem sei se é uma polêmica, na real, porque o texto do PAS e a retrucada do Matias na verdade não me parecem antagônicos. Acompanho aqui no Sujo o que o Matias fala da Mallu Magalhães e me parece que ele coloca o valor dela não na qualidade da música ou no fato dela ser novinha (o George Harrison era mais novo que ela quando os Beatles varavam noite dando show em Hamburgo. Aquilo sim era exploração de trabalho infantil :¬D), mas na maneira como ela se formou e ficou “famosa”: tanto o gosto musical dela quanto a relativa fama se deram por causa da Internet. Sem Internet, não haveria Mallu Magalhães de maneira nenhuma.

    Enquanto que o texto do PAS se limita a criticar um show dela.

    O que fizeram – eles, os publicitarios, o pai, a “industria fonografica”, sei lá quem – foi pegar esse fenômeno que o Matias assinalou (a mina que se fez na Internet) e tentar encaixar num modelo antigo, nessa coisa que justamente o Matias critica, tentaram convencer que ela é óó, quão especial… Vai ver que por isso o show merece as criticas do PAS.

    Enfim, hoje é dia dos Daniels escreverem demais.

  22. Arthur Dantas disse:

    “O jornalista vê a menina cantando bonitinho no myspace e precisa estampar a manchete ‘DESCOBERTA A NOVA AIMEE MAN’. Assim a matéria ganha hype, a menina ganha hype, o público ganha mais uma mentira pra adorar! Todo mundo ganha! Só quem tem lucidez perde.

    Pára tudo naquelas né? Se tem um jornalista musical/cultural que merece credibilidade porque é coerente é o Pedro Alexandre né? Não estamos falando de colunista da FALHA DE S.PAULO e quetais que ganham pouco mas fazem MUITO bem o papel dos órgãos babões pros quais trabalham. Eu achei um texto sóbrio pra cacete, pra gerar reflexão. O gostar dela é o menor de tudo. Eu acho uma merda incomensurável, mas dane-se. Thats entertainment num é isso que vocês todos tão cantando juntos?

    Eu não ganho porra nenhuma ao ver jornalista mentindo. E acredito piamente que ninguém deveria. O Matias, desde sempre, levantou essa “lebre” da tal da Mallu, de suas qualidades etc. Nada mais coerente de querer defender “a causa” depois dessa decompostura do PAS que, de resto, nem é no trabalho da menina, mas na forma como imprensa/público se comporta em relação a ela. E falo tudo isso porque conheço/respeito o trabalho do Matias, mas tenho paura de hype descabido, que pode ser do Otto, da Céu, da Copacabana Club ou do diabo que for. Porque se o argumento é “fazer hype (termo nojento) em torno de algo e fazer todo mundo acreditar” é uma qualidade em si, fudeu mesmo pro jornalismo cultural, que, quem trabalha com jornalismo, só perde em respeitabilidade no meio pra Horóscopo e o caderno de esporte. E vá lá. Esse lance de “ah, ela é uma menina, faz um som descompromissado” é a pior justificativa de todas, porque a suposta ingenuidade dom POP só é boa quando é artíficio.

  23. Matias (e pessoal), muito legal esse dabate!

    Lembrei do funk carioca e preferi fazer minhas observações lá no meu quadrado-ado-ado, mas acho que o debate pode rolar paralelamente em dois blogs, não, Matias?

    Afinal, a gente fica falando em mudança, mas deve ter novos meios de discutir diferente NO DURO, quem sabe a gente encontra alguns…

    Ah, e só uma coisa: concordo com o que alguém disse acima, a minha intenção era (e é) muito menos discutir a Mallu Magalhães do que os modos como uma indústria cultural anacrônica, moribunda e corrupta se apropria de toda e qualquer Mallu que passar pelo caminho.

    Abraços a todos.

  24. Que legal todo esse papo, viu. Nada como ter leitores esclarecidos, maior privilegio.

    Vou voltar a essa assunto semana q vem (fechamento no fim da semana, jah viu, neh – sugiro ate o mantra da Helo – http://caracterescomespaco.wordpress.com/2010/03/19/capsloki-tiroles/ ).

    Mas duas provocacoes pro Pedro:
    – Mallu eh o Joseph Jackson de si mesma?
    – Comenta as musicas da Mallu! Ela eh legal! 🙂

    E segue o baile…

  25. Georgia disse:

    Na verdade, a minha crítica sempre foi do jeito que a mídia tratou da Mallu mais que a Mallu em si: talvez o ódio que alguns sentem por ela seja por causa desse alvoroço – creio eu – sem razão que criaram em torno da menina. “Nossa! 15 anos e ouve Johnny Cash e Bob Dylan e toca vilão e canta e compõe! Que bonitinha!” Quantos adolescentes de 15 anos conhecemos – quando não fomos ou somos esses adolescentes – que também tocam e compõem e têm bom gosto em música?

    É uma coisa que eu percebo muito no tratamento da mídia ao jovem: acham que somos todos iguais, que todos só ouvem Beyoncé e Jay-Z…

    Bem, de qualquer forma, concordo, em grante parte com o PAS, e concordo, em grande parte, com o Daniel. E pra mim, francamente, Mallu – much ado about nothing.

  26. Natália Chvarts disse:

    Acho que ela foi descoberta cedo demais ,só isso
    não é uma prodigio,e pelo próprio bem devia ter esperado pra aparecer
    O último cd dela tá bem ‘maduro’ por assim dizer,e sinto um pouco de tristeza em pensar que ela será vista como uma menininha pra sempre. (sou só um ano mais velha que ela e me frustro porque imagino se fosse comigo)
    Ela tem potencial, e está crescendo pessoal e musicalmente ,tem dado entrevistas e deve querer abandonar de vez o personagem da criança prodígia disléxica.
    Acho que todo mundo devia tentar dar uma segunda chance pra ela,pelo menos tentar…

  27. Carol Nogueira disse:

    Gostei do debate e acho coerente a discussão. Agora, não dá pra dizer que há uma verdade absoluta, pois como alguém falou aí em cima, ninguém aqui é amigo de infância da menina, então fica impossível dizer se ela foi forçada (ou estimulada) de alguma maneira, a compor/ cantar. Não estou dizendo se gosto ou não do trabalho dela, nem tampouco quero colocar o talento de Mallu em questão, mas também acho imprescindível que haja pessoas criando. Acho também que Mallu não é a primeira e nem vai ser o último fenômeno pop, como os Beatles também foram. Aliás, vale lembrar que Lennon e McCartney começaram a tocar juntos aos 15, 16 anos. (e não, não estou comparando Mallu aos Beatles, ou ao Dylan, ou a ninguém)

  28. Gabriel disse:

    Isso aqui fede merda.

  29. Claro, afinal, vc acabou de chegar, neh. Gente tosca eh dureza…

  30. Paulo Rená disse:

    Daniel, só pra dizer que acho um erro colocar no mesmo balaio Móveis Coloniais de Acaju e Mallu Magalhães no quesito “falta de auto-consciência crítica a respeito do próprio trabalho”. Aliás, a lista de bandas que você fez só divide a mesma época, nada mais.

    No mais, acredito que a Mallu tenha talento, mas que o “personagem” (real ou fake) de menininha artista ficou maior que isso e atrapalha a crítica, tanto para quem gosta como para quem não gosta. Carol Nogueira, tem, sim, que colocar o talento em questão. O resto é vida privada, e questionar esse resto é por a menina num paredão do big brother.

  31. Daniel disse:

    Oi, Paulo. Bem, eu não acho. Obviamente Móveis Coloniais são um pouquinho mais espertos (até porque é um bocado de gente mais velha) e procuram fazer uma mistura musical mais dissimulada, protegendo-se um pouquinho melhor. Mas, no final das contas, não há como esconder o fato de que soam como o derivado do derivado, tentando, de maneira supostamente alegre e descontraída, soar uma banda ”feliz, agradável, show”.

    É basicamente uma tática de consumo. Esse é um dos problemas com o fim das gravadoras. Antes, o artista preocupava-se, principalmente, em criar. E as gravadoras se preocupariam em vender aquela criação de determinada maneira para determinado público. Hoje, sem gravadoras, os artistas é que tem de transformar o trabalho deles em produto consumível, de modo que isso, fatalmente, acaba afetando o processo criativo, daí em vez de, ao criar, ser calculista em relação a influências e modos reais de expressão, fica-se sendo calculista mais em relação a como se transformar em um produto.

    Claro que as gravadoras podem ser – e geralmente foram – nocivas também à criação. No caso da Mallu, por exemplo, é improvável que a gravadora ainda a bancasse se desse a doida nela. Se bem que dar a doida pode ser um bom negócio…Confusing times indeed!

    Mas há um Cidadão Instigado por aí, botando pra foder. Viva Fortaleza.

  32. eduardo disse:

    Eu vi o show dela , e assim como a gigantesca maioria ali , adorei , achei muito lindo .
    A Mallu é excelente compositora e artista , muito autentica e sincera. Muita gente critica sem sequer conhecer as musicas.

  33. Samuel disse:

    Malú??? já ouvi falar dessa mina…mas faz tanto tempo…ah…não era a namoradinha do……como chama mesmo? Marcelo Camelo?

    rsrs

  34. Olha! Uma piada!

  35. Renoir Santos disse:

    Chega uma hora que eu desisto de ler tanto comentário. Eu adoro mas…
    Acho que todos pegamos bem pesado com a menina. Lembro de ter lido alguns comentários de ódio a respeito dela, em uma entrevista da TPM, e me indignado um pouco com esta postura que as pessoas tem tido. As vezes elas não tem o que dizer, esculhambam a menina e seu barbudo namorado, e terminam sempre dando “boas” recomendações de se ouvir Led Zeppelim, Black Sabah… ( ˜Não é o caso do ‘sujo’ graças a deus)
    Aí eu fico pensando: Esses ditos pseudo cults alimentadores da blog esfera tem substituído o big Brother da glogo, pela vida de certos artistas que frequantam noticias de seu mundinho reduzido. E acabam percebendo que o espaço dado aos comentários no referidos blogs, são bem maiores que o espaço dado pela globo, para que a massa expresse seu ódio por tal bbb que seja.
    Não é o caso do que li até aqui no post. Os blogs do Mahias e do Pedro, são dos meus preferidos.
    Mas eu tenho pensado que se existe todo este foco na menina, é porque as pessoas gostam. Gostam inclusive de odia-la. Isso deve preencher um certo vazio em suas vidas.
    E neste caso, eu acho que as pessoas fazem o papel que talvez a midia faça sugestão. Mas por meio dos comentários, e da energia que as pessoas colocam em cima do assunto, a coisa ganha corpo, e acaba tendo uma vida mais longa do que deveria.
    Resumindo, e mesmo achando de muita relevante tudo o que foi comentado aqui, e dito nos dois post’s – do Mathias e do Pedro: Falar de Mallu Magalhães já encheu o saco!!!
    Vamo tirar a sintonia um pouco dela, pra tentar capitar algo que talvez possa vir a passar despercebido, e que no futuro algum gringo vai descobrir, e vamos dizer
    : Nossa aquilo estava afrente de sua época.
    Ahhh chega!
    Valeu!

  36. mateus disse:

    Primeiro, pelo que entendi acho que não passou pelo texto de PAS um julgamento em relação à qualidade artistica da menina. Boa parte dos comentários aqui parecem focar muito mais nisso, mas de certa forma acho que isso faz parte da questão. O fato é que bem ou mal, propositalmente ou não, Malu está sendo vendida como o produto “garota prodígio”, o que suscita imediatamente reações fortes, sejam positivas ou negativas. Quem gosta faz questão de frisar a qualidade artística, quem não gosta faz de questão de reclamar da superexposição ou “hype”. Acaba também trazendo o problema de torna-la mais conhecida pela sua imagem do que pela sua música. É só pensar na quantidade de gente que ouviu falar na menina mas nunca ouviu nada dela. Não sei dizer se isso é um marketing proposital ou se é apenas consequencia da idade dela, mas para mim é claro que isso está acontecendo.
    Agora eu pessoalmente acho que quem tem quinze anos de idade tem mais é que tocar rock sujo, pintar o cabelo de cores estranhas e gritar contra os pais e o sistema, afinal, é pra isso que serve a adolescência. 🙂

  37. Ei, pessoal. Obrigado pra quem me defendeu aí. 🙂

    Matias, a posição que tô tentando defender (não significa que eu não possa mudar de opinião depois de amanhã) passa exatamente por NÃO abordar “esteticamente” a MM. Por outro lado, acho que quando digo que não quero dizer já está meio dito, não?

    Mas, na real, vim comentar de novo aqui pra dizer que, Renoir, eu concordo radicalmente com o teu ponto de vista. De certo modo, estamos todos desempemhando papéis marcados num jogo de cartas marcadas. E, como disse outro dia certo presidente citando determinado inventor da lei da relatividade, a gente não não tem como obter nada de novo repetindo sempre as mesmas atitudes.

    Abraços!

  38. Julio Cesar disse:

    A Mallu é jovem, rica, linda maravilhosa, com um talento imenso e uma voz de anjo. Tem uma presença de pura luz e energia, altiva como uma princesa e linda como uma deusa. Nesse nosso pobre país, onde predomina a música do CRÉU, FUNK PROIBIDÃO, etc, ela só poderia causar a fúria dos invejosos. E que fúria…A Mallu é muito para essa gentinha. Ela deveria estar no primeiro mundo cantando e encantando gente de bem. Canta Malluuuuuuuu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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