Mahmundi para o mundo

mahmundi

Maior prazer poder ouvir o primeiro disco da Mahmundi sendo lançado do jeito certo. Conversei com ela no post em que o Spotify falou da parceria com o site e pude falar sobre seu momento mais pop, a atual cena brasileira e um clipe gravado em São Paulo.

Conheci a Marcela Vale quando ela começava a despontar ainda no Rio de Janeiro, sinalizando um novo horizonte para a cena musical carioca. O nome Mahmundi vinha de algum blog ou rede social — o Mundi da Mah, numa explicação didática —, mas havia ficado como pseudônimo na construção de sua personalidade artística. Depois de anos nos bastidores técnicos do Circo Voador, ela começava o voo solo sem medo de altura, um pop sintético tocado com a inocência e o frescor dos anos 80, que apontava para uma sensibilidade dance resgatada por nomes como Chromeo, Flight Facilities, Toro y Moi, Chromatics, Classixx, Washed Out e Cut Copy, mas com um sabor essencialmente brasileiro, ecoando o pop pré-Blitz (de nomes como Marina, Guilherme Arantes e Ritchie). Ela era um termômetro das transformações que mudavam radicalmente a cara do Rio pós- Los Hermanos e vinha sem ironia, sem piadinhas, sem medo de ser pop. Sua ascensão aconteceu de forma leve, mas rápida. Meses depois de lançar seus primeiros EPs (quando a chamei para o palco do Prata da Casa em 2012, quando fui curador do projeto no Sesc Pompeia), estava ganhando prêmios e fechando contratos importantes. Seu primeiro álbum, batizado apenas com seu nome e lançado na semana passada, foi dirigido pelo Miranda, mas produzido por ela mesma, que, além de compor e cantar todas as músicas, também toca vários instrumentos. Conversei com ela sobre esta nova fase, a expectativa de atingir um público ainda maior e suas impressões sobre o atual cenário da música brasileira.

O quanto a Marcela do primeiro álbum é diferente da Marcela dos singles e EPs que vieram antes?
Eu estou mais experiente, mais paciente e mais consciente do meu lugar enquanto artista. Produzir e arranjar um disco é um trabalho que requer muita pesquisa. Eu produzi em intervalos entre 2014 e 2015 e tive esse tempo com bons músicos — Felipe e Luz, que tocam comigo — pra traduzir as ideias que não conseguia executar. Além disso, entendi melhor como funciona um processo artístico e conceitual de um álbum, isso ampliou muita coisa na minha cabeça. Esse tempo foi muito enriquecedor”.

O que os primeiros fãs poderão notar nesse primeiro disco? O quanto músicas já conhecidas mudaram?
Quis trazer texturas, musicalidade, composição e cor pra esse novo momento. Quero inspirar meus fãs a se descobrirem como artistas e produtores. Afinal, o futuro é esse. Recebo muitos e-mails dizendo: ‘Hoje toco guitarra por sua causa’, ‘você me inspirou a ser o que eu quisesse ser’. Quero sempre que todo o meu processo — musical ou artístico — seja inspirador. As músicas conhecidas passaram por um processo de mixagem e masterização, algo que unifica o processo do álbum e faz com que ele se torne um disco completo de 10 faixas. Regravei todas as vozes, tive aulas de técnica e preparação vocal. Tudo conduzido pra que o trabalho final se tornasse mais forte”.

Como foi trabalhar com o Miranda?
Miranda é um ótimo amigo e ótimo profissional. Aceitei trabalhar com ele por saber que teria a liberdade de sempre para produzir meus discos e, ao lado dele, ganhar mais experiência no que estava fazendo. E foi o que aconteceu. Foi bom ter a companhia dele em momentos fora do estúdio, por exemplo, quando eu passava horas e horas gravando voz. Ele me trazia muitos discos novos e muitas boas conversas sobre esse processo de música”.

O que você tem achado da atual cena musical brasileira? Você acompanhou boa parte dessa cena no início ainda nos bastidores do Circo Voador, se sente caçula desse pessoal? Quem são seus favoritos?
Eu não vejo cena, sabe? Eu sempre ouço tudo e tento ver o que é musicalmente interessante no contexto geral. Eu vi muitas coisas boas no Circo, muitos artistas começando e tal. Não me sinto caçula, não! O que vejo é que já são ciclos diferentes. Mas gosto muito de tudo que vi por lá: o Otto, que sempre fez shows memoráveis; Curumin; Lucas Santanna; Céu; Kassin… Fora isso tudo, o disco novo da Elza Soares, A Mulher do Fim do Mundo, eu achei muito bacana também. “Maria da Vila Matilde”, por exemplo, é uma música forte, tanto musicalmente quanto na sua composição. Esse foi o trabalho que mais me chamou atenção no fim de 2015″.

Qual a primeira faixa de trabalho? Vai ter algum clipe?
Sim! A faixa desse novo momento se chama ‘Hit’ . E vai ter um clipe maravilhoso, gravado em São Paulo. A concepção do clipe foi feita pelo Yugo, responsável pelo projeto do gráfico do disco, e dirigido pelos meninos da Gos Filmes, talentosíssimos. Vai ser bacana viver esse momento ‘noite’ e explorar essa cidade cada vez mais.

Você pode gostar...