Lost por Ian Black

O maior mérito de Lost foi potencializar transformações culturais possíveis através das internets. A maior delas é a NECESSIDADE de acompanhar a série em tempo-real, que fez com que as pessoas dessem um foda-se para a qualidade e se atirassem ao streaming em tempo real, mas PRINCIPALMENTE pela questão dos downloads, que fez nascer uma indústria informal responsável por colocar o episódio disponível com ótima qualidade, e até com LEGENDAS muitas vezes melhor que as que vemos na TV por assinatura. Aliás, os responsáveis OFICIAIS pelas séries no Brasil tiveram um gostinho de INDÚSTRIA DA MÚSICA, onde uma realidade se mostra tão escandalosamente irreversível.

Lost é o maior fenômeno envolvendo ficção nerd (ciência e / ou magia) depois de Star Wars, com a vantagem de ter a internet e a própria saga de George Lucas o imaginário popular ao seu favor. Ou você acha que existiria Sawyer sem Han Solo? Essa overdose de referências externas muito bem resolvida talvez seja o seu grande trunfo. E o mais foda é que essas referências não ficam só ali entre o cagalhão gente boa do Locke e o goiaba do Jack:

Um dos baratos do Jorge Lucas é conferir as criações derivadas da sua obra, e certamente para o Abrams (o novo Spielberg / Lucas), Lindelof e Cuse deve ser assim também, das bobagens geniais que pipocam a cada MINUTO no 4Chan até a banda Previously On Lost. O que de Star Wars ficou restrito a convenções e fanzines por quase 20 anos, Lost conseguiu ter desde o seu início e para todo mundo, em tempo real.

Por outro lado, outro excesso, o de mistérios (que NÃO terão respostas), pode ter sido uma escolha tão ruim quanto a dos Ewoks no episódio VI. Ainda acredito que Lost tenha pulado o tubarão lindamente quando o Ben girou a ilha. Imagino, e entendo, a empolgação dos responsáveis pela série diante da repercussão inédita em fóruns e blogs, e o quanto isso não influenciou nos caminhos que a série trilhou (caminho esse que, é bom lembrar, foi encurtado depois de um ultimato dos executivos da ABC para que a série tivesse só mais uns 45 episódios). De todo modo, e principalmente para quem tem menos de 40 anos, é indescritível a experiência de ser testemunha destes tempos de revolução cultural tão bem representados por Lost. E o mais foda é saber que é apenas o começo.

* Ian Black também mandou seu texto depois da minha convocação inicial.

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