Lost por Carlos Merigo

Eu chego ao final de Lost certamente como cada uma das pessoas que acompanhou a série por 6 anos chegará: com uma sensação de vazio. Afinal, por mais que tenhamos buscado respostas por todo esse tempo, não é fácil abandonar o universo e personagens que aprendemos a gostar.

Lost foi a única série em que eu sempre precisei estar atualizado. Não podia esperar acabar a temporada ou acumular episódios para assistir tudo de uma vez, tinha que ser o ato religioso semanal. Adiar Lost era não ter assunto com os amigos ou então precisar fugir de qualquer texto sobre a série na internet.

Eu sempre gosto de dizer que, independente de seu final, Lost é um produto que alterou para sempre a indústria do entretenimento. Para produtores, espectadores, emissoras de TV, cinema, games, marcas, etc. Tudo foi atingido de algum maneira pelo blockbuster colossal da ABC.

E sim. Queremos as respostas nesse domingo. Não as teremos, obviamente, pelo menos não a maioria delas, mas fica a sensação de que J.J. Abrams tinha razão o tempo todo: o que mais importou foi a jornada, e não o final. Até porque, Lost sempre foi muito mais eficiente em criar mistérios e expectativa do que dar respostas.

Algo que me decepcionou muito na série foi a total queda para o lado místico, para o sobrenatural. Isso contrariou totalmente os que os próprios roteiristas tinham afirmado na primeira temporada: de que tudo poderia ser respondido cientificamente. Eu nunca engoli a história da fumaça, do pêndulo da Dharma, e – SPOILER – ainda não fui com a cara dessa misteriosa caverna luminosa.

Não que eu seja avesso a ficção, pelo contrário, mas não é o que me foi prometido há 6 anos atrás. E quando tudo vira uma questão de fé, os roteiristas podem colocar qualquer coisa na tela, porque acreditar ou não só vai depender de você.

Mas sinceramente, isso não importa mais, e é algo que me ficou ainda mais provado depois do dramático episódio 14 dessa sexta temporada, “The Candidate”.

A ilha, ursos polares, Dharma, fumaça, viagens no tempo ou seja lá mais quais forem as nossas dúvidas, tudo isso ficou em segundo plano. Eu quero é saber o que vai acontecer com os personagens. Quero é entender o destino dessas pessoas que aprendemos a gostar, torcer e odiar pelos seis anos. Porque se existe muita curiosidade em desvendar os mistérios de Lost, também nos deparamos com a questão fundamental de qualquer boa história: com quem o mocinho vai ficar no final? Seja ele qual for.

* Carlos Merigo é manda e desmanda no Brainstorm 9.

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5 Resultados

  1. babee disse:

    muito bom

  2. rodrigocm disse:

    lost pra mim mudou a forma de vermos seriado e é justamente isso que o merigo falou quando tocou no assunto do fim do argumento científico e início do religioso. há um tempo que eu perdi o tesão por lost. achava a argumentação fraca, já começava a implicar com as pedras de isopor pintada (não consigo abstrair!)… só assisto para não perder 3 temporadas boas, pois é fácil abstrair dessas duas ou três últimas que são péssimas (com esse argumento bobo de caverna iluminada, fé, mimimimi). pensei que seria outra coisa que me intrigaria mais, não foi. próxima.

  3. Acredito que não teria muito sentido se a essência de ilha fosse mística, tornando ela especial. Mas realmente algumas coisas foram muito forçadas e difícil de engolir como mover a ilha e o pêndulo da Dharma.
    Seria muito mais interessante se mais mistérios fossem esclarecidos de forma científica, como por exemplo, o tsunami que levou o BLACK ROCK até o meio da ilha.

  4. Rafael Chaves disse:

    muito bom. o merigo como sempre contundente nos comentários. Eu tenho uma idéia diferente de LOST. já pensou que ele a última coisa que eles pensaram foi a queda do avião? abraços

  1. 23/05/2010

    […] alguma coisa na internet depois de assistir o derradeiro episódio. Mas antes disso, participei da maratona de posts sobre a série do Trabalho Sujo (obrigado pelo convite, Alexandre Mathias) e ainda tive tempo de […]