Lô Borges de volta ao clássico do tênis

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Lô Borges começa 2017 revisitando seu disco mais clássico, que lançou com parcos dezenove anos. Seu disco homônimo de estreia, lembrado pelo par de tênis na capa, foi lançado em 1972, o annus mirabilis da música brasileira, e funciona como uma espécie de gêmeo mau do Clube da Esquina que o mineiro havia gravado com Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, Toninho Horta, entre outros, meses antes. A influência óbvia dos Beatles e dos pioneiros da MPB saem do primeiro plano para dividir a cena com o jazz rock, um progressivo afeito ao folk, com direito a cravos, guitarras fuzz distorcidas, teclados elétricos, improvisos instrumentais e delírios psicodélicos (“sonhei que nunca existi e vi que nunca sonhei”). Ouvindo o disco do tênis dá para entender perfeitamente porque Milton nunca voltou ao ápice de sua carreira que foi seu primeiro disco.

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Lô Borges (1972) foi gravado ao lado dos amigos Beto Guedes, Toninho Horta, Robertinho Silva (do Som Imaginário) e Danilo Caymmi. É uma espécie de All Things Must Pass misturado com a psicodelia acústica do terceiro disco de Led Zeppelin, as rodinhas folk do Pink Floyd pré-Dark Side of the Moon e o tempo nublado pairando pelas estradas do interior de Minas Gerais, entre catedrais coloniais e montanhas mágicas cheias de cogumelos. Lô recria o disco de apenas meia hora ao lado de músicos mineiros capitaneados pelo cantor e compositor Pablo Castro em três shows nos dias 13, 14 e 15 de janeiro no Sesc Vila Mariana. Imperdível.

loborges2017

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5 Resultados

  1. Pedro Jabur disse:

    “Ouvindo o disco do tênis dá para entender perfeitamente porque Milton nunca voltou ao ápice de sua carreira que foi seu primeiro disco.”
    Que primeiro disco? ou você queria dizer o Clube da Esquina 1?
    Mesmo assim discutível, quando se tem ai Milagre dos Peixes que é um disco de arrepiar e mesmo Minas ou mesmo o Clube da Esquina 2.
    Não marcaria tão certeiro como você fez aqui com o Milton. Os oito primeiros são obra primas.

  2. Pedro Jabur disse:

    Lendo de novo, acho que ele escreveu errado e queria diZer ao invés de Milton, Lô Borges na frase em destaque.
    Aí talvez, faria algum sentido.

    • Alexandre Matias disse:

      Não é sentido, é só gosto. Eu acho o Clube o melhor disco do Milton.

      • Pedro Jabur disse:

        claro. então fico só com a informação de que não é o primeiro disco do Milton