A lenda do rabequeiro maneta

Manumaltez

O paulistano Manu Maltez lança neste domingo, às 18h, no Sesc Pompéia seu novo disco-livro-filme, O Rabequeiro Maneta e a Fúria da Natureza (mais informações aqui) e ele conta a história por trás desta lenda urbana em um making of lançado em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Esse curta metragem é o terceiro filme que uso animação, o segundo que só tem animação. O primeiro misturava com cinema. Esse filme tem praticamente a mesma historia contada no livro-vinil, mas com um tom um pouco mais de fábula. Como é um curta tem menos texto, muito mais com a forca das imagens. Ele tem em média quase cinco mil desenhos, num processo que durou quase dois anos de trabalho.

Pra mim a animação tem esse desafio que é um pouco o oposto do desenho, quando você faz o desenho só – às vezes você consegue dar o movimento com um desenho parado e criar uma tensão, uma história, e a gente percebe um movimento, mas naquela coisa do parado. E na animação é um pouco o oposto. Eu procuro perceber o desenho, cada desenho parado dentro de um desenho em movimento. A gente consegue sentir a eternidade ali, o estático de um desenho só. Porque também é um processo de frame a frame. Cada frame é desenhado mesmo à mão. É curioso pra mim trabalhar com o desenho e com a animação dessa forma.

E é um trabalho que se soma a outros, em que junto às linguagens que tenho trabalhado nos últimos quinze anos, que é a música, imagem e texto também. Vou orquestrando esses valores, linguagens que cada um tem com sua força. É uma proposta de ir juntando todas essas linguagens. Uma espécie de fábula perturbada.

Além do Rabequeiro, O Diabo era Mais Embaixo, outro trabalho que se comunica com esse, e Cambaco juntos têm esse tom de fábula, lendas cotidianas, fábulas perturbadas. Eu penso às vezes nessas definições. De ver algumas correspondências entre a música que faço e os desenhos, com uma certa sujeira, da espontaneidade do momento e que eu acredito muito nisso, que é distante da eugenia, podemos dizer assim.

É um filme sobre membros fantasmas e seus encaixes e desencaixes e muito sobre esse despedaçamento meu enquanto homem e enquanto artista também. Talvez o amor seja um membro fantasma. O amor como um membro fantasma. Acho que essa é a proposta.”

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