Já é

Aeroporto tinindo, trincando de novo, o Zumbi dos Palmares faz bater os dentes até do visitante mais anticalor que Maceió pode receber – não era o meu caso, mas o frio vinha avassalador. Novinho em Folha, o aeroporto cheira a frigorífico e um ar condicionado power me gela-me os ossos feito filme de terror. Não deixa de ser assustador: tremendo aeroporto, completamente vazio, gelado por dentro e exibindo um sol escaldante do lado de fora. Sinto como se estivesse no aeroporto de Fenda no Tempo do Stephen King ou no shopping de A Madrugada dos Mortos, de George Romero: a qualquer minuto, o desconhecido vai entrar por aquelas portas de vidro e invadir geral.

Mas estamos no Brasil e a nóia com a violência é importada – invadamos nós. Do aeroporto pro calor das Alagoas (que não desce dos trinta, no máximo à noite), atravesso Maceió rumo ao Lagoa das Antas, onde os “gringos” (convidados, imprensa, bandas) ficarão hospedados. “Gringos”, expressão dita com uma ironia atravessada na garganta, são os cariocas e paulistanos que visitam a cidade – representantes do eixo Rio-SP que podem nem serem nascidos no sudeste (Gabriel do Autoramas é de Brasília, Catatau do Cidadão é cearense) mas foram respaldados por cidades que não são as suas. “Gringos”, expressão que carrega todo o escárnio sentido pelos locais: esses sujeitos que têm mais dinheiro que a gente.

Em Maceió, o simples fato de entrar na cidade pelo aeroporto te faz gringo. O ar condicionado lembra à alma que você não é dali, ou, se é, está deixando de ser. O frio como uma zona de transferência, uma doca social entre dois ambientes, um que voa com freqüência e um que admira e inveja esses que voam. Em Alagoas, índices sociais quase no fundo do poço, essa diferença fundamental do Brasil cresce aos olhos, pobreza e miséria de diferentes nuances vêm lembrar à caravana de turistas que, belas praias, belas praias, mas isso aqui é o terceiro mundo.

Maceió é um imenso amontoado de pequenas cidades do interior, como se centenas delas migrassem do agreste para o litoral para não morrer de fome e, quis o destino, sobreviveram melhor unidas, sem fronteiras. Pelas inacreditáveis distâncias percorridas em uma cidade com menos de um milhão de habitantes, é possível ver diversas pracinhas, com casas de fachada portuguesa, árvores frondosas, carrinhos de pipoca. Não há neon nem placas com luzes fluorescentes, as lojas se anunciam pintando letreiros nas paredes, como se ainda fossem os anos 50 ou 60. Pouquíssimos carros (o “engarrafamento” anda a 20 por hora) e muita gente a pé, belíssimas praias sujas pelo descaso. Não há prédios com vinte andares, avenidas caóticas, poluição visual ou sonora nem a vocação para a metrópole. A noite é um imenso barzinho, quase sempre de terra batida ou mesa na calçada.

Cenário mais do que improvável para um festival de música independente? Analisando superficialmente, sim. Afinal, nem Alagoas nem Maceió têm tradição em revelar nomes musicais para o resto do país, como seus estados vizinhos: fora Hermeto Paschoal e Djavan, que raramente são associados a seu estado de origem, pouco se sabe da música que sai daquele estado. Ainda paira sobre Alagoas o fantasma de PC Farias e a sombra de Fernando Collor, embora que, ao mesmo tempo em que estes montavam seu império com sede em Brasília, uma geração de músicos começasse a, lentamente, colocar a cidade no mapa.

O pioneiro foi o grupo Living in the Shit, cujo nome, sintomático, denunciava a falta de perspectiva do cenário local. Era a fagulha necessária para dar ignição à cena. Depois do Living, vieram bandas como Oito, Ball e Santo Samba, cada uma acrescentando um pequeno tijolo na incipiente cena alagoana do final do século vinte. Das fileiras destas bandas saíram nomes que ajudaram a cidade se estabelecer como um pequeno celeiro musical, com atmosfera, tempero e sotaques culturais próprios, longe de estar à margem de Recife ou Salvador.

Se a cidade nada tem de metropolitana, o mesmo não pode ser dito de parte de seus habitantes. Há um pequeno mas expressivo público para cultura independente, mais interessado nas novidades da cidade do que buscando fugas para o aparente tédio local. Gente que, com piercings, dreads, tatuagens, cabelos coloridos e sem preconceitos sonoros, fura só nos anos 00 do novo milênio uma barreira pela qual as principais cidades do Brasil atravessaram entre 1969 e 1996 – do pós-tropicalismo ao pós-mangue beat. Essa chegada tardia de Maceió ao cenário pop brasileiro, no entanto, não deformou os ares locais, como aconteceu em cidades como Curitiba (coesa mas esquizofrênica, segura de si mas sem rumo), Salvador (onde a axé music transformou roqueiros em xiitas), Florianópolis (que só faz quando tá com vontade, os verdadeiros novos baianos) e Belo Horizonte (cuja síndrome de inferioridade sob Rio e SP a faz esquecer que alguns dos nomes-chave do pop Brasil dos 90 [Sepultura, Pato Fu, Skank e, sem julgamento de valor, Jota Quest] vieram de lá). Tanto que os principais nomes da cena local não parecem emular bandas “gringas” – sejam internacionais ou do dito “sul maravilha”. Há um som que é da cidade. Todos os principais nomes da cena pós-Living buscam uma sonoridade que, ao mesmo tempo desalinhe a evolução urbana atrasada de Maceió e mantenha as características de uma pequena vila de pescadores que parece persistir nas metáforas e no clima quase sempre ensolarado – se noturno, ao menos quente – dos luminares da cidade (soando igualmente alagoano, cosmopolita e universal).

Estes são três, não por acaso os melhores shows da primeira edição do Festival de Música Independente, da infame sigla FMI, que aconteceu no último fim de semana de março, na capital de Alagoas. Wado, Mopho e Sonic Jr. Consagraram-se como o tripé fundamental da música da cidade, ao redor das quais orbitam nomes como os locais Xique Baratinho e Marcelo Cabral & Trio Coisa Linda, e novatos equivalentes de estados próximos como o paraibano Jackson Envenenado, o potiguar Experiência Apyus, o pernambucano Negroove e o mestiço Pedra de Raio (das ex-comadre florzinha Telma César, de Alagoas, e Renata Mattar, de São Paulo), todos convocando sonoridades distintas (forró, MPB, rock clássico, choro, funk, samba, música regional, indie rock, reggae) que se mesclam à medida em que cada grupo puxa determinados ingredientes do parêntese acima para compor o seu guisado musical. A música de Alagoas já absorve a tendência ao amálgama musical, pulando a fase da justaposição (funk metal, forró-core, ska com rap, indie com bossa) pela qual todo grande centro pop brasileiro já ultrapassou.

Mas antes dos shows memoráveis do sábado e domingo, a abertura do FMI na sexta, sem querer, teve cara de carta de intenções. Chamou um baiano e um pernambucano contemporâneos dos movimentos musicais que sagraram suas cidades no mapa pop brasileiro – o tropicalista Tom Zé e o mangue beat do Bonsucesso Samba Clube – e dois representantes locais da música alagoana, clássicos senhores, Chau do Pife e Tororó do Rojão. O primeiro, que se fosse metido à besta se apresentaria como Charles do Pífano, é um Louis Armstrong do forró. Conduzindo standards do gênero com a sutileza e a reverência de um mestre, Chau só parava para agradecer a oportunidade de tocar para aquele público e para falar da própria feiúra. O segundo, o forrozeiro classudo Tororó do Rojão, anunciado como uma espécie de ancestral de Genival Lacerda, mas que, na prática, localiza-se entre o sambista Riachão e o pagodeiro Moreira da Silva – um malandro clássico, terno branco e tudo o mais, que aconteceu de nascer nas Alagoas em vez de na Lapa carioca. Juntos, Chau e Tororó em nada parecem remeter à nova geração do pop alagoano, mas essencialmente têm, juntos a mesma qualidade que partece unir a música de Maceió – a reverência e a irreverência simultânea, como se respeitar e rir fossem o mesmo verbo.

Entre os dois, Tom Zé tirou um atraso de toda uma carreira para com a cidade, onde só tinha se apresentado em 1962, cinco anos antes de iniciar sua carreira discográfica, quando ainda era apenas estudante de música na Federal de Salvador. E o fez em grande estilo, executando um pout-pourri não apenas de suas músicas, mas de suas apresentações. Começou passando a íntegra da opereta Segregamulher e Amor, de seu último CD, Estudando o Pagode, que funcionou maravilhosa no cenário de ópera que era o local da noite de abertura, o Teatro Deodoro. Depois reviu seus hits tropicalistas, sua fase pós-David Byrne, seus anos 70, sua faceta de bardo solitário – faltaram apenas os instrumentos de seu bestiário particular, encarnados em disco no ano 2000. Mas o público, maravilhado com a compleição do artista, deixou-se hipnotizar e, mesmo encarando esparsas caretas de esgar quando pegava em assuntos belicosos (lembre-se que seu disco mais recente fala sobre machismo, feminismo, homossexualismo e prostituição infantil – quase sempre sem rodeios), foi guiado para a Utopia de Tom Zé, este plano de palavras e sons para onde somos levados num êxtase em meio ao show do baiano – e quem nunca foi, bom sujeito não é.

Depois, do lado de fora do teatro, o grupo olindense Bonsucesso Samba Clube começou a segunda parte da sexta-feira apresentando pérolas do novo disco, Tem Arte na Barbearia, como “Derrapar”, “Não Posso Pensar em Não Ir”, “Rios, Fios” e “Meu Jornal”, ao lado de notáveis de seu disco de estréia, como “Pensei Se Há” e “O Samba Chegou”. O carisma do vocalista RogerMan é comparável ao dos sambistas de velha guarda (aquele mesmo que Seu Jorge – atração do Coachella – emula com tanto cuidado e mercê), o que sublinha a palavra do meio do nome da banda, que ainda abre espaço para “um cover”, anunciam, ironicamente, antes de tocar o clássico “Volta por Cima” (“Levanta, sacode a poeira…”) do sambista e paleontólogo Paulo Vanzolini. A banda, sutil e detalhista, segue o samba, mas bate do ar da caixa feito bossa nova, tem o grave condutor do reggae roots e a escaleta do dub, além de um backing vocal da era do rádio e um guitarrista rock não-ortodoxo, funcionando quase como tios musicais do Mombojó.

O fato do festival ter começado no Teatro Deodoro dava uma suntuosidade de brinquedo ao evento: com a mesma cara de um teatro de ópera clássico, o pequeno Deodoro é muito menor do que casas de ópera de verdade, dando um ar de miniatura ao simpático teatro. Na entrada do Teatro, uma banda mecânica nos recepcionava – “robôs” musicais como os bonecos do Kraftwerk, a banda Só Bonecos é, na verdade, um enorme sintetizador analógico com engrenagens que disparam instrumentos de verdade, que tocam diferentes ritmos nordestinos ao simples apertar de botões – frevo, forró, maracatu, baião, xote. Uma inacreditável relíquia musical, quase uma invenção do professor Pardal encarnada aos olhos dos passantes. Nos dias seguintes, mesmo com a presença surreal da banda, a coisa mudaria de figura, em termos de ambientação. Sai a ostentação pequena do Teatro, entra a superestrutura montada na Uzina, uma enorme usina transformada em casa noturna, com pé direito de mais de vinte metros de altura e dois palcos para dez shows por dia, um deles com direito a ar condicionado. Foi neste palco que aconteceram as atrações mais deslocadas do festival (o instrumental Duofel, o free jazz de Beto Batera e o trance acústico roots do Projeto Cru), que, independente de suas “propostas”, foram bem recebidos pelo público.

Outros shows-chave do evento aconteceram ali, como os locais Mopho e Sonic Jr. Enquanto a última é, na verdade, apenas o ex-baterista do Living in the Shit Juninho que, depois de diferentes formações, resumiu a própria versão ao live P.A. consigo mesmo, cantando, disparando bases e às vezes assumindo a batera sozinho no palco; o Mopho existe na cabeça do vocalista e guitarrista João Paulo do mesmo jeito que o Pink Floyd foi uma visão de Syd Barrett. Dois grandes shows, o Mopho ganhou pela paixão despertada pelo público, que já compreende este amálgama de Mutantes e Roberto Carlos como patrimônio estadual. Quase sempre frito, o vocalista é observado como um sobrevivente de uma época que não viveu, como se fosse possível resgatar Arnaldo Baptista do pé-na-bunda que Rita Lee lhe deu no fim dos Mutantes, quase uma relíquia histórica. Já Juninho vai pela cintura e conquista todos com o ritmo.

Outro momento mágico do festival foi a apresentação do grupo cearense Cidadão Instigado, o Dark Side of the Moon da rádio AM. Irrepreensível, o grupo gira o momentum musical progressivo e popularesco ao redor de seu líder, Fernando Catatau, que transforma qualquer lapso de holofote deixado pela banda num monumento a seu instrumento, a guitarra. Cada show do Cidadão é melhor do que o anterior, Catatau atingiu a autonomia de vôo em suas composições e a banda está entrosada como se tivessem uma década de existência, pelo menos. Uma apresentação imperdível, um dos grandes shows brasileiros atualmente.

Já no palco quente (e sem ar condicionado, em Maceió, isso quer dizer pelo menos 30 graus), os grandes shows foram os da banda Vibrações Rasta, dos Autoramas e de Wado. A Vibrações é o equivalente alagoano de bandas como Natiruts e Planta & Raiz – uma banda de reggae raiz, e ponto. Uma boa banda de reggae raiz, bom salientar, apesar da afetação marleyista demais do vocalista – que é um verdadeiro fenômeno popular em Maceió. Faz muitos shows, tem público fiel – principalmente na periferia, que é quase toda a cidade – e são até pirateados por camelôs, que é um parâmetro definitivo pro sucesso comercial. Foi o que fez o bom show da banda, boa resposta de público, bom vínculo com a banda, química perfeita.

O Autoramas fez a mesma coisa, mas com a pegada industrial do rock’n’roll e para um público bem menor. Uma das poucas bandas independentes brasileiras que sobrevive de seu trabalho, o trio carioca faz shows como operários do rock. “Só não tocamos em dois estados do Brasil, até agora”, comemora o guitarrista e cantor Gabriel Thomaz, pouco antes de subir no palco e se apresentar em mais um dia de trabalho. Com a mesma energia, garra e eficácia de qualquer show da banda, veneno escorrendo pelo canto da boca como tempero de rock feito pra dançar.

Mas a grande apresentação do festival foi o reencontro de Wado com seu público quase-conterrâneo (Wado, de sobrenome Schlickmann, é catarinense adotado por Maceió). Há dois anos sem se apresentar nas Alagoas, depois de uma temporada carioca que transformou-se num exílio, ele fez uma apresentação nos braços do público, que cantava todas as músicas de seus três discos, deixando o vocal de “Ontem Eu Sambei” para a massa, em transe de felicidade, como toda a banda. Uma pequena e poderosa amostra do poder da música como catalisadora de sentimentos em si mesma, canções como cápsulas de emoção. Semelhantes às do show do Living in the Shit, datado nos anos 90, que trouxeram aos sobreviventes nascido na cidade lembranças de um tempo em que um festival como o FMI não exisitiria nem em sonho na cidade.

O festival chegou ao fim com a certeza de ter entrado para a história de Maceió – nunca havia acontecido um evento desta natureza na cidade, grande ou pequeno. Mapeando a própria cena ao mesmo tempo em que se projeta timidamente, mas sem modéstia, no cenário independente brasileiro, o FMI já é.

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10 Resultados

  1. André Frazão disse:

    SEU BA-BA-CA! Como é q tu vens convidado, fica num hotel 5 estrelas (acho q não tá acostumado), come nos bons restaurantes, é super bem tratado e cospe no prato q comeste? Ainda por cima demostrou ser hiper FALSO, pois na minha frente foram mil elogios sobre a cidade, a minha pessoa e o festival, todavia, por trás, na trairagem, me chamou de barãozinho que se juntou a um otário pra fazer um festival. Barãozinho é o caralho! Venho de uma família de empreendedores (acho q isso te incomoda, pois deve ser um fudido), e invisto em cultura. Tem investimento mais nobre e louvável? Somos ótimos anfitriões e o alagoano (e o nordestino em geral) é famoso por isso. Esse papo de “gringo” é coisa da sua cabeça doente. Maceió é o ano inteiro repleta de turistas (por ser tão bela e rica culturalmente), inclusive de estrangeiros e nós não só tratamos todos bem, como ainda interagimos (com as minas é lógico). Como uma pessoa passa apenas dois dias num lugar e acha q tem competência para fazer um raio x da cidade, e de péssimo gosto, diga-se de passagem. Vc mostrou ser apenas mais um verme, cheio de preconceito. Vc não é mais bem vindo por aqui. NUNCA MAIS venha ao FMI, senão vc não volta mais para a sua querida terrinha…

  2. Américo Dias disse:

    No artigo publicado acima consigo enxergar arrogância, preconceito, irresponsabilidade e, acima de tudo, falta de conhecimento que não dão o mínimo de respaldo a este tipo de consideração. É lamentável que os novos nomes da cena musical brasileira estejam
    à mercê de críticas e críticos tão mal embasados, tão poucos conhecedores da nossa música, da nossa cultura. Acredito que pros músicos essa seja uma batalha diária, enfrentar esse besteirol de informações, de pessoas que não tem o mínimo de conhecimento e relação com a música (a única que existe é sentar no sofazinho e escutar)mas que se acha no direito de julgar com palavras e idéias provincianas, irresponsáveis e infundadas. Uma vez disse o poeta: “if you are the big tree, we are the small axe”

  3. Marco antônio da Silva disse:

    Trabalho sujo é isso que você falou!!!!!!!!!!!!!!! Horrível!!!!!! Quanto preconceito. Não sei nem como te dão emprego!!!! Pura irresponsabilidade (pra não dizer incompetência!). Já é!

  4. Meu caro Alexandre Matias, quem vos fala é André Frazão, produtor do FMI. Olha só, em nome do Festival da Música Independente quero lhe dizer o seguinte: tenho plena consciência que acertos e erros foram cometidos durante a primeira edição do festival, o que é normal.

    Deixo claro que estamos, e sempre estivemos, abertos à críticas e sugestões, sejam elas cronstrutivas ou não. Você como quaisquer outros jornalistas que vieram cobrir o nosso evento tem total liberdade de relatar as suas impressões sobre o festival ou até mesmo sobre a cidade que tão bem o acolheu. Em nenhum momento a nossa intenção foi tolher a sua liberdade de expressão ou de imprensa, tão sagrada, pricipalmente em um país como o nosso – recém libertado de uma ditadura e sua terrível censura, da qual tenho verdadeiro repúdio. Tampouco foi o meu objetivo ameaçar a sua integridade física, ou moral. Quem me conhece sabe que sou da paz, mas muito da paz mesmo! Quem falou naquele momento de impulsividade foi o André alagoano, nordestino e brasileiro, que tem orgulho da sua terra e do seu povo.

    Entendi naquele momento, e entendo ainda, que você foi muito infeliz em seus comentários sobre a minha cidade. Conheço muito bem as nossas mazelas que, aliás, não difere muito no restante do país. Mas tudo bem. Essa é a sua opinião e pronto. Discordo, mas não ouso questionar o seu direito de expressá-la. Foi a impressão (errônea ou não) da cidade, do povo e da nossa cultura. Fiquei sim indignado e decepcionado com os seus comentários. Mas beleza, assim mesmo continuo respeitando vc como jornalista. Deixo claro que sempre apreciei seu trabalho, daí a surpresa e a decepção. Sempre recebi também as melhores referências sobre você.

    Vc continua bem vindo tanto a Maceió, quanto ao nosso festival. Admito que me excedi e agi por impulso, talvez por ter vivido em Porto Alegre, Rio e São Paulo, e ter me deparado muitas vezes com a ignorância e o preconceito, se bem que por outro lado tb encontrei muita gente inteligente e gentil. Amo e tenho orgulho da minha terra, daí ter ficado insandecido com os comentários feitos sobre a cidade no seu texto. Mas isso é outra história e deixa pra lá. Ninguém tem a intenção de mudar (e seria pretencioso da minha parte) sua impressão sobre a cidade. Sinceramente, só lamento. Talvez se você tivesse ficado ao menos uma semana por aqui….mas deixa pra lá. O tempo se encarregará de aparar as arestas que ficaram deste lamentável episódio.

    Te desejo tudo de bom, muita paz, saúde e felicidade, de coração. Depois te telefono e vamos dar por encerrado o assunto, pelo menos da minha parte. Se me excedi, me desculpe. Todos nós seres humanos temos o direito de errar e isso serve para todos. Em razão do trabalho, será inevitável um reencontro e, a partir daí, se for do seu interesse, passaremos uma borracha nisso. O que não é justo é que uma festa tão bonita e importante para o circuito de múscia independente brasileiro como foi o FMI seja ofuscada por picunhinhas pessoais. Sejamos profissionais, pq o FMI, a liberdade de imprensa e a cultura são bem maiores do que isso q rolou. Em nome da música brasileira e, agora falando por mim, pessoalmente, venho me retratar pelas asneiras que falei (por impulso, repito) em meu comentário em seu Blog ´Trabalho Sujo´.

    André Frazão, do FMI.

  5. LC Canário disse:

    Meu, você se fudeu, vai ter sempre um alagoano pra te lembrar desse texto, te cobrar a responsabilidade de fazer análise social de uma cidade que vc não conhece. Muita informação errada sobre a cidade, inclusive sobre distâncias e tal… enfim, a gente se vê nos festivais da vida.

    Caralho, vê se não bebe tanto da próxima vez.

  6. Carioca do subúrbio disse:

    Perdi meu tempo lendo 10% das asneiras do cara. Não acredito. Alexandre Matias? Nunca mais!

  7. Ricardo Lêdo disse:

    OI Cabra, acho que vc entrou e saiu muito rápido da próxima vez tome menos, fume menos e procure conhecer mais.
    Agora falando do festival a galera que fez o FMI estão de parabéns.

  8. Joséantonio disse:

    Seu desgraçado, vc podia criar vergonha nessa cara lambida sua. É a mesma coisa q falar q Alagoas (em geral) é uma porcaria. Porcaria é o lugar inútil onde vc mora.

  9. José Ademir disse:

    Jornalista Alexandre Matias, vc já ouviu essa musica de Lourival Passos ?
    Acho que não, não deve fazer seu gênero. Se quiser ouvir click na URL
    http://www.bairrosdemaceio.net/musicas/index.php?Id=Maria%20de%20Jesus

    Alagoas tem jóias tão raras
    Quer os meus olhos não cansam de olhar
    Uma delas és tu, Pajuçara
    Praia linda engastada no mar
    Quando a lua no céu aparece
    Pajuçara se enfeita ainda mais
    Vem a brisa rezar uma prece
    Entre as sombras dos seus coqueirais

    As noitadas felizes das ostras
    Bons amigos que choram, até
    Que saudade da bica da pedra
    E dos banhos lá do Catolé
    Recordando essas coisas tão boas
    Sou feliz, não me sinto tão só.
    Toda gente que sai de Alagoas
    Coração deixa em Maceió.

    Eu ouvi muito falar sobre vc e seu infeliz texto sobre a cidade e o Festival , nas rádios, nas ruas, nas bancas de revistas. Até que, pesquisado sobre a musica alagoana encontrei essa “pérola” de texto ruim. O que ofende é o que esta nas “entre linhas”, ou seja, na interpretação. Ficou claro que vc não conhece nada sobre Maceió, muito menos da musicalidade alagoana. Um preconceito da porra!!! Sabe o que é isso? Encheram muito sua bola, e vc chegou aqui sem humildade. E Pelo que já li e ouvi, vc está “queimado” na mídia local. Tem um ditado popular que diz “Quem planta vento… colhe tempestade”
    ALEXANDRE MATIAS, NUNCA MAIS !!!

    http://bairrosdemaceio.net Maceió é aqui

    http://www.bairrosdemaceio.net/musicas/ O Som de Alagoas para o mundo

  10. Laura disse:

    Pois é, Alexandre Matias… Sabe qual foi a impressão que tive ao ler o texto acima postado? Que Alexandre Matias é um cara infeliz e que só é capaz de procurar os defeitos dos lugares e pessoas, ao invés de conseguir enxergar as qualidades. Minha amada avó já dizia: “As pessoas costumam atacar, Lau, principalmente quando não tem algo útil a acrescentar ou falar, ou quando são tão cheias de defeitos que atacam para que os atacados busquem sua defesa e não tenham tempo de atacar o ‘agressor'”. Sábia vovó! Antes de voltar a esta cidade, Sr. Alexandre, sugiro-lhe que faça uma auto análise, resolva-se consigo mesmo e com seus problemas e frustações, pois tenho certeza que daí, você será capaz de ver não só ALagoas, mas tbm todos os estados dos quais falou mal, com um novo olhar, menos crítico e mais observador sobre as coisas boas que são oferecidas.! Desculpe se as minhas palavras te doerem, afinal, não é esta a minha intenção, pois apenas falei com o desejo de que olhes a vida com maior alegria e tente perceber que sua vida foi lhe dada para lhe proporcionar a chance de melhorar; faz jus a oportunidade recebida, tente ser mais feliz e se sentir no direito de julgar ou condenar alguém, tenha consciência de que tal direito só lhe é dado de julgamento ou condenação de si próprio. Desejo que consigas abrir os olhos para a alegria que sentirás ao enxergar o mundo sob novos olhares, menos preconceituosos e sem julgamentos.