It’s ^ 2 U

Simples nova já tá na banca há um cara, mas só agora lembrei de postar a minha coluna aqui…

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É, você

Apesar de aqui ser uma coluna de música e não de tecnologia, e de normalmente a música (depois do sexo, mas isso é outra história) funcionar como boi de piranha pros experimentalismos tecnológicos e lingüísticos de nossa era, vou fazer o caminho inverso. E começar falando de tecnologia para depois voltar para música.

Há algo em plena ebulição na internet atual chamado “Web 2.0”. Apesar de o rótulo parecer estranho – ou pretensioso – pra muita gente, o conceito a gente já tá meio careca de saber, que é quando um site é abastecido pelo conteúdo enviado por seus usuários. Exemplos entopem a rede, da Wikipedia ao Slashdot, mas o programa de humor americano “Colbert Report” funciona como bom exemplo.

Em vez de restringir o acesso das pessoas ao seu programa, os produtores deste incentivam a troca de programas online, a digitalização do show para YouTube, o envio de trechos por email. Em outra palavras, e com aspas inclusas, incentivam a “pirataria” – as aspas servem pra separar a pirataria de verdade desta segunda categoria, que é praticada por 90% das pessoas com acesso à internet e conexão minimamente decente. O programa é tão escrachado em suas intenções, que criou o “Colbert Star Wars Video Challenge” em que, depois de ensinar como se faz um sabre de luz em vídeo, abriu para todos seus fãs a fazerem seus próprios vídeos de Guerra nas Estrelas. A quantidade de vídeos enviados pode ser conferida no site do programa – www.colbert.org – e aumenta progressivamente a cada dia.

(Isso foi tema da minha palestra ao lado do capo do servidor Bad Trip, o compadre Fred Leal, em uma das conferências do Porto Digital, que aconteceu este ano antes do carnaval em Recife. Entre a palestra do Hermano Vianna e do Sílvio Meira, comentamos que o grande barato da Web 2.0 não são suas tiradas de marketing e sim o fato de incluir o consumidor como um dos produtores da cadeia cultural. Além dos exemplos chapa branca [como os do parágrafo acima], sublinhamos o que está sendo feito espontaneamente pelas pessoas, daquele clipe caseiro para “Festa do Apê” do Latino a remixes de trailers, redublagens e paródias)

Volta pra música e lá está meu velho chapa Beck na capa da “Wired”, a “Time” das pessoas que preferem pensar. “O renascimento da música”, escreve a capa rosa, “O rádio é uma merda. As gravadoras são brega. Agora as bandas assumem o controle – e os fãs ganham o que eles querem”. E isso vem acontecendo agora, do nada?

Ainda é inconsciente, mas as pessoas ainda pensam que o mercado é um ser invisível que rege nosso dia-a-dia, enquanto outras pensam que é uma média de gostos que cria um ser impossível, um humano tão mediano que não existe de verdade. Mas, aos poucos, a música (e o sexo, outra história) nos ensina que o mercado somos nós. Quando você diz que não compra discos, porque eles custam 40 reais, isso não é uma atitude isolada. A pirataria e a troca de arquivos online tão aí pra provar isso. E, aos poucos, as pessoas vão percebendo a própria força individual, devagar, movendo o coletivo. Por isso, é hora de se mexer. É, você! Pra depois começar a fazer.

Depois eu falo mais disso.

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